![]() |
| Freepik |
A perda da patente da semaglutida no Brasil, somada à chegada de uma nova geração de medicamentos para o tratamento da obesidade, deve ampliar o acesso às chamadas “canetas emagrecedoras” e acelerar seu uso no país. Especialistas alertam, no entanto, que os riscos associados ao tratamento nem sempre estão na administração do medicamento em si, mas na forma como ele é conduzido.
O tema ganha relevância em um país onde o excesso de peso já é um desafio crescente de saúde pública. Dados do Ministério da Saúde1 indicam que 62,6% dos adultos brasileiros estão acima do peso, enquanto cerca de um em cada quatro vive com obesidade. Nesse cenário, o uso ampliado desses medicamentos exige atenção redobrada quanto ao acompanhamento clínico e às estratégias adotadas pelos pacientes, uma vez que o tratamento da obesidade envolve uma abordagem multidisciplinar.
A ausência de acompanhamento adequado – especialmente de orientação nutricional –, aliada à perda de peso acelerada, pode acarretar complicações para a saúde. Além disso, escolhas alimentares desequilibradas durante o processo de emagrecimento também podem potencializar riscos.
A endocrinologista Fernanda Salles Reis, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, explica que dietas baseadas quase exclusivamente em proteínas, frequentemente adotadas por quem busca emagrecimento, podem apresentar riscos metabólicos quando não há equilíbrio nutricional. “O consumo excessivo de proteína pode fazer os rins trabalharem mais do que o normal, o que aumenta a eliminação de proteínas na urina – um sinal de sobrecarga”, afirma.
De acordo com a especialista, as próprias condições para as quais
essas medicações são indicadas, obesidade e diabetes, já representam fatores de
risco. Dessa forma, o acompanhamento profissional é fundamental. “Perdas de
peso muito rápidas seja por dietas extremamente restritivas, cirurgia
bariátrica ou pelo uso de medicamentos, aumentam o risco de alterações na
composição da bile e a formação de cálculos, as chamadas pedras na vesícula,
que são um dos fatores de risco para o desenvolvimento de pancreatite, por
exemplo”, explica. Além disso, longos períodos de jejum ou dietas com teor
muito baixo de gordura, que reduzem a contração da vesícula biliar e favorecem
o acúmulo de bile dentro da vesícula, criando um ambiente propício para a formação
de cálculos.
Crenças populares sobre dieta ainda geram confusão e impactam escolhas alimentares
A discussão sobre os tratamentos milagrosos para o emagrecimento também traz à tona mitos alimentares ainda amplamente disseminados.
Entre eles está a ideia de que comer a cada três horas acelera o metabolismo. Segundo Fernanda, as diretrizes atuais não confirmam essa hipótese. “A frequência das refeições não altera significativamente o metabolismo. A verdade e o que realmente importa é a quantidade total de calorias ingeridas ao longo do dia e a qualidade dos alimentos”.
Outro conceito popular é o de que carboidratos consumidos à noite são responsáveis pelo ganho de peso. “O carboidrato à noite não é o vilão do ganho de gordura. O problema está no excesso alimentar, que pode favorecer o acúmulo de gordura e ainda prejudicar o sono”, explica.
A retirada indiscriminada de glúten ou lactose da dieta também não apresenta evidência científica que beneficie a perda de peso em pessoas sem intolerância. “Muitas vezes, o que acontece é uma melhora global da alimentação, com redução de alimentos ultraprocessados e aumento do consumo de vegetais”, diz a endocrinologista.
Para pacientes em tratamento medicamentoso para obesidade, a orientação é manter uma alimentação equilibrada, mesmo quando há redução significativa do apetite. Para compor um “prato saudável”, a recomendação é que metade do prato seja composta por verduras e legumes, um quarto por fontes de proteína e o restante por carboidratos.
Fernanda reforça que o acompanhamento médico e nutricional é essencial para garantir que a perda de peso ocorra de forma segura e sustentável. “O maior erro é tratar essas medicações como uma solução isolada. A obesidade é uma doença crônica e o tratamento precisa ser pensado no longo prazo.” E complementa: “O problema não está no medicamento em si, mas na forma como ele é utilizado, já que a perda de peso é consequência de um cuidado contínuo, estruturado e de longo prazo”, finaliza.
Sírio-Libanês
Saiba mais em nosso site: Link

Nenhum comentário:
Postar um comentário