Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul esclarece quando o quadro é funcional e quando pode indicar doenças orgânicas
A
constipação intestinal está entre as queixas mais frequentes nos consultórios
pediátricos e gera dúvidas tanto entre profissionais da saúde quanto entre
famílias. A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul chama atenção para a
importância de diferenciar quadros funcionais, relacionados a hábitos e
comportamento intestinal, daqueles que exigem investigação para doenças
orgânicas, como doença celíaca, hipotireoidismo ou doença de Hirschsprung.
De
acordo com a médica gastropediatra associada da SPRS e especialista em
pediatria e gastropediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria, Luiza
Nader, a maioria dos casos na infância é funcional.Em 90-95% dos casos a
constipação pediátrica é predominantemente funcional. A retenção voluntária das
fezes e os fatores dietéticos são as causas primárias”. Investigações mais
amplas são necessárias apenas quando há sinais de alerta ou sintomas atípicos”,
explica.
Entre
os principais sinais que indicam necessidade de avaliação breve por pediatra ou
gastropediatra estão início da constipação no primeiro mês de vida, eliminação
de mecônio após 48 horas do nascimento, presença de sangue nas fezes na
ausência de fissura anal, vômitos biliosos, febre e distensão abdominal
importante. Nessas situações, a investigação para causas orgânicas deve ser imediata.
Para
prevenção e tratamento dos quadros funcionais, mudanças simples na rotina
costumam trazer resultados consistentes. Alimentação equilibrada com oferta
diária de frutas, verduras, legumes e cereais integrais, hidratação regular ao
longo do dia e estímulo à atividade física são medidas fundamentais. Também é
recomendado estabelecer horário regular para que a criança sente no vaso
sanitário ou penico, especialmente após as refeições, sem pressa ou cobrança,
mantendo postura adequada com apoio para os pés.
Entre
os alimentos que auxiliam no funcionamento intestinal estão frutas com casca e
bagaço, como pera, maçã e ameixa, além de aveia, arroz integral, feijão e
lentilha. No entanto, a especialista alerta que medidas isoladas raramente
resolvem o problema. “O mais eficaz é a combinação de alimentação adequada,
rotina estruturada, ambiente tranquilo e, quando necessário, tratamento
medicamentoso orientado pelo pediatra”, afirma.
Mitos frequentes
A
SPRS também esclarece mitos frequentes. A ideia de que toda constipação indica
doença grave não é verdadeira, já que a maioria dos casos é funcional. Outro
equívoco comum é acreditar que apenas aumentar fibras e água resolve o quadro.
Diretrizes internacionais da Sociedade Europeia de Gastroenterologia, Hepatologia
e Nutrição Pediátrica (ESPGHAN) e da Sociedade Norte-Americana de
Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica (NASPGHAN) apontam que a
quantidade deve ser adequada à idade e que, em muitos casos, o uso de
medicamentos como o polietilenoglicol faz parte do tratamento seguro e não
causa dependência quando prescrito corretamente.
Marcelo
Matusiak

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