Especialista da Faculdade Santa Casa de SP explica como a compreensão do funcionamento do cérebro pode reduzir estresse e melhorar o bem-estar nas organizações
Abril é o mês dedicado à conscientização
sobre saúde e segurança no trabalho. Conhecido como Abril Verde, o período
reforça a importância de práticas que promovam ambientes mais seguros e
saudáveis — não apenas do ponto de vista físico, mas também mental e
emocional.
De acordo com dados levantados pelo
Ministério da Previdência Social, o Brasil está diante do crescimento dos casos
de adoecimento mental, registrando mais de 470 mil afastamentos por transtornos
mentais.
Diante desse cenário, especialistas buscam
alternativas para diagnosticar, prevenir e tratar doenças decorrentes do
trabalho em todos os aspectos.
Entre essas alternativas, ganha destaque um
novo modelo de gestão: a liderança neurocompatível, que considera o
funcionamento do cérebro humano na forma de liderar equipes e estruturar o
ambiente de trabalho.
Segundo a Profª Dra. Carla Tieppo,
professora e pesquisadora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São
Paulo (FCMSCSP), compreender como o cérebro reage a estímulos do ambiente
organizacional é fundamental para promover saúde e desempenho.
“O cérebro humano está constantemente
avaliando o ambiente em busca de sinais de ameaça ou segurança. No trabalho,
fatores como pressão excessiva, falta de clareza ou ausência de reconhecimento
podem ativar respostas de estresse que impactam diretamente a capacidade de
concentração, aprendizagem e tomada de decisão”, explica.
Por outro lado, ambientes que favorecem a
chamada segurança psicológica — ou seja, onde as pessoas se sentem seguras para
se expressar, fazer perguntas e até errar — estimulam redes neurais associadas
à criatividade, colaboração e resolução de problemas.
A especialista destaca que o papel da
liderança é central nesse processo. Mais do que coordenar tarefas, líderes
influenciam diretamente o clima emocional das equipes e podem contribuir tanto
para o adoecimento quanto para o bem-estar no ambiente de trabalho.
O tema ganha ainda mais relevância diante
dos desafios do mundo contemporâneo. A hiperconectividade, o excesso de
informações e as constantes mudanças aumentam a carga cognitiva e emocional dos
profissionais, exigindo novas competências de gestão.
“Nesse cenário, ignorar o funcionamento do
cérebro pode levar à criação de ambientes que dificultam o desempenho. Por
outro lado, quando a liderança considera esses aspectos, torna-se possível
estruturar contextos mais saudáveis e produtivos”, reforça.
A aplicação da neurociência à liderança não
exige que gestores se tornem especialistas na área, mas que incorporem
conhecimentos práticos sobre comportamento humano.
Entre os principais pontos estão o impacto
das emoções nas decisões, os efeitos do estresse na performance, os mecanismos
de motivação e o papel das relações sociais no ambiente de
trabalho.
Para a Profª Dra. Carla Tieppo,
organizações que desejam se sustentar no longo prazo precisam alinhar
resultados e bem-estar.
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