Vírus é
responsável por quase todos os casos de câncer do colo do útero. Na campanha
Março Lilás, especialistas esclarecem os principais pontos sobre prevenção
A desinformação ainda é o maior obstáculo na
prevenção do câncer do colo do útero ou câncer cervical. Segundo uma pesquisa
do Instituto Locomotiva, em parceria com o EVA Grupo Brasileiro de Tumores
Ginecológicos, 42% das mulheres entre 18 e 45 anos não sabem se foram vacinadas
contra o HPV ou não se recordam. O vírus causa quase 100% dos casos de câncer
do colo do útero, sendo os tipos 16 e 18 responsáveis por 70% das manifestações
da doença, de acordo com o Ministério da Saúde. O carcinoma é o terceiro mais
frequente na população feminina e a quarta causa de morte de mulheres por
câncer.
Para esclarecer o cenário, listamos, a seguir, as
quatro perguntas que mais geram dúvidas.
- A
vacina é indicada apenas para adolescentes?
Não. Embora o SUS foque a faixa de 9 a 14 anos para
garantir a proteção antes do início da vida sexual, a vacina é recomendada e
eficaz para mulheres até os 45 anos. Segundo Luísa Chebabo, infectologista dos
laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, mesmo quem
não se vacinou na adolescência pode (e deve) buscar o imunizante na rede
privada para atualizar sua proteção, conforme orientação médica.
- A
vacina é segura e realmente funciona?
Sim. Existe um receio comum de que a proteção não
seja eficaz, mas a infectologista Luísa Chebabo esclarece que o imunizante tem
mais de 15 anos de uso consolidado mundialmente. “Países com alta cobertura
vacinal registraram quedas drásticas em infecções e lesões precursoras de
câncer do colo do útero. A vacina protege dos tipos virais de maior risco.”
- Quem
já teve contato com o vírus ou já se vacinou ainda precisa fazer o
Papanicolau?
Sim para ambas as situações. A ginecologista Martha
Calvente, da clínica CDPI, também da Dasa, reforça ainda que a vacina não
substitui os exames preventivos.
“Quem já teve o vírus ainda se beneficia da vacina,
pois ela protege contra outros subtipos aos quais a pessoa ainda não foi
exposta. Para quem já se imunizou, é importante dizer que isso não tira a necessidade
de fazer o exame Papanicolau (conhecido como preventivo), que continua sendo
essencial para detectar alterações celulares precoces, já que o câncer do colo
do útero tem uma progressão lenta e pode ser tratado antes de se tornar um
tumor.”
- Homens
também devem se preocupar com o HPV?
Sim. “Embora o foco muitas vezes esteja no câncer
do colo do útero, o HPV também pode causar verrugas genitais e câncer de pênis,
ânus e orofaringe nos homens. Além disso, eles podem transmitir o vírus mesmo
sem apresentar sintomas. A vacinação de meninos e homens é uma estratégia
fundamental de saúde pública. Ao ampliar a cobertura vacinal, reduzimos a
circulação do vírus na população e fortalecemos a proteção coletiva, o que
beneficia diretamente as mulheres”, afirma o dr. Guenael Freire, infectologista
do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica.
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