Nos últimos anos, a estética facial evoluiu de
forma impressionante. Hoje, temos acesso a técnicas seguras, produtos modernos
e protocolos capazes de melhorar contorno, qualidade de pele e sinais do
envelhecimento de forma muito natural. Ainda assim, um fenômeno tem chamado
cada vez mais a atenção de quem trabalha na área: rostos que passam a parecer
mais arredondados, pesados e com perda de definição ao longo do tempo.
Como profissional, vejo diariamente que esse efeito
raramente é resultado de um único procedimento. Na maioria das vezes, ele surge
da soma de intervenções feitas sem um planejamento global da face, respeitando
pouco a estrutura óssea, o envelhecimento natural e, principalmente, a
identidade do paciente.
O principal fator associado ao rosto mais
arredondado é o acúmulo de preenchedores. Quando o volume é adicionado de forma
progressiva, sem critérios claros e sem reavaliações constantes, os ângulos
naturais acabam sendo suavizados em excesso. A face perde contraste, sombras naturais
e definição, assumindo um aspecto mais cheio do que harmônico.
Os bioestimuladores de colágeno também merecem
atenção. Embora não sejam preenchedores clássicos, aplicações frequentes e sem
intervalos adequados podem levar ao espessamento dos tecidos. Isso gera uma
sensação de rosto mais pesado, especialmente em pacientes que já possuem uma
face naturalmente mais volumosa. O bioestimulador deve ser usado para melhorar
a qualidade da pele, e não como substituto de volume.
Já a toxina botulínica, o popular botox, não
adiciona volume ao rosto. No entanto, quando aplicada de forma inadequada, pode
alterar a dinâmica muscular e modificar a expressão facial. Essa mudança, ainda
que sutil, pode influenciar a percepção do formato do rosto, mas dificilmente é
a principal responsável pelo aspecto arredondado.
Outro ponto importante é saber diferenciar edema, retenção
de líquido e aumento real de volume. O edema pós-procedimento é temporário e
esperado. A retenção de líquido costuma variar conforme fatores hormonais,
alimentação, consumo de álcool, sono e estresse. Já o aumento real de volume
acontece quando há produto em excesso ou acúmulo ao longo do tempo, e tende a
ser mais duradouro.
Com os anos, o impacto das intervenções repetidas
se torna ainda mais evidente. O envelhecimento continua acontecendo, com
reabsorção óssea, flacidez e redistribuição de gordura. Quando os procedimentos
não acompanham essas mudanças de forma estratégica, o terço inferior do rosto
pode ficar mais pesado, comprometendo o contorno da mandíbula e a definição
facial.
A boa notícia é que, em muitos casos, é possível
reverter ou suavizar esse quadro. Preenchedores à base de ácido hialurônico
podem ser dissolvidos de maneira planejada. Além disso, pausas estratégicas, reavaliação
facial completa e um foco maior em qualidade de pele, e não em volume, fazem
parte de um processo consciente de correção.
Na minha prática, sempre reforço que o maior erro
técnico é tratar áreas isoladas, repetir procedimentos automaticamente e não
respeitar a individualidade do rosto. Harmonização facial não é sobre seguir
tendências ou padronizar rostos. É sobre preservar identidade, respeitar
limites e entender que, muitas vezes, fazer menos é o que garante um resultado
mais bonito e duradouro.
O limite entre harmonização e exagero fica claro
quando o procedimento começa a chamar mais atenção do que a própria pessoa.
Sensação constante de rosto pesado, perda de definição, necessidade frequente
de retoques e dificuldade de se reconhecer no espelho são sinais importantes de
que é hora de pausar, reavaliar e ajustar o plano.
A estética consciente é aquela que entende o rosto
como um conjunto, respeita o tempo do corpo e prioriza naturalidade. Preservar
quem a pessoa é sempre será o melhor resultado.
Nayla Lima é biomédica esteta, especialista em
harmonização facial, e atua no Espaço Hi, um espaço de beleza, saúde e bem-estar
localizado na Mooca, em São Paulo, que reúne diversos tratamentos estéticos com
foco em cuidado individualizado, segurança e resultados naturais.
Espaço
Hi
Funcionamento: segunda a sábado, das 9h às 21h
Telefone: (11) 99113-3715
Instagram: @espacohimooca
Endereço: Av. Paes de Barros, 833, Parque da Mooca, São Paulo, SP
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