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O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com
desempenho positivo, contrariando expectativas de retração diante do patamar
elevado da taxa básica de juros, próxima de 15% ao longo do ano. Dados
consolidados do Senior Index, indicador proprietário da Senior Sistemas que
acompanha o segmento de médio e alto padrão, em conjunto com as estatísticas
oficiais da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), mostram que o
setor manteve crescimento em lançamentos, vendas e preços, sustentado por
políticas públicas habitacionais, demanda reprimida e estratégias de adaptação
das empresas.
Segundo a CBIC, 453.005 unidades residenciais foram
lançadas em 2025, alta de 10,6% em relação a 2024, estabelecendo um recorde
histórico. As vendas somaram 426.260 unidades, crescimento de 5,4% na mesma
base de comparação. O Valor Geral de Vendas (VGV) anual atingiu R$ 264,2
bilhões, com avanço de 3,5%. No quarto trimestre, o ritmo permaneceu
consistente, com 109.439 unidades vendidas e forte contribuição do Sudeste.
Resiliência em um ambiente de
crédito restritivo
Mesmo com o custo do financiamento pressionado pela
Selic elevada, o desempenho do mercado foi sustentado por fatores estruturais.
O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) respondeu por 52% dos lançamentos e 49%
das vendas em 2025, com crescimento anual de 13,5% e 15,9%, respectivamente.
Regiões fora do eixo tradicional também ganharam protagonismo: o Norte
registrou aumento de 68,8% nos lançamentos do quarto trimestre ante igual
período de 2024, enquanto o Nordeste avançou 27,4% no mesmo indicador.
No segmento de médio e alto padrão, os dados do
Senior Index 2025 reforçam a leitura de resiliência seletiva. O índice aponta
crescimento nacional de 7,3% no Valor Geral de Vendas, aumento de 5,0% na
quantidade de unidades comercializadas e valorização média de 10,4% no preço do
metro quadrado. O Nordeste se destacou com alta de 27,1% no VGV, enquanto o
Sudeste liderou a valorização de preços, com avanço de 12,7% no valor do metro
quadrado.
A análise por padrão de produto indica mudança no
perfil da demanda. No médio padrão, o VGV cresceu 5,2%, alinhado à média
nacional. Já o alto padrão apresentou desempenho superior, com alta de 8,9% no
VGV e 5,5% no número de unidades, sinalizando maior busca por imóveis de maior
valor agregado, mesmo em um ambiente de juros elevados.
Preços em alta e mercado ativo
Os indicadores de preços corroboram o cenário de
demanda contínua. O índice FipeZap acumulou valorização próxima de 8% nos 12
meses até abril de 2025, ritmo acima da inflação no período, indicando
capacidade do mercado de repassar custos e preservar margens em determinados
segmentos e regiões. Apartamentos e condomínios concentraram cerca de 77% das
receitas imobiliárias, refletindo a preferência por moradia urbana e produtos
verticais.
“O ano de 2025 serviu como uma prova clara da
resiliência estrutural do mercado imobiliário brasileiro diante de um ciclo de juros
elevados. Historicamente, um ambiente que teria reduzido de forma significativa
a demanda e o nível de atividade do setor. A capacidade de adaptação das
empresas, aliada à existência de demanda reprimida e ao papel dos programas
habitacionais, sustentou um crescimento que muitos analistas consideravam
improvável”, afirma o diretor do segmento Construção da Senior, Marcos
Malagola.
Perspectivas para 2026:
transição para um novo ciclo
As projeções para 2026 indicam um ambiente mais
favorável. A CBIC estima crescimento de 2,0% no PIB da construção, apoiado pela
expectativa de estabilização e possível redução gradual da Selic, volume
recorde de recursos do FGTS destinados à habitação e metas ampliadas do MCMV,
que projeta até 3 milhões de unidades nos próximos anos.
No longo prazo, estimativas de mercado apontam
expansão gradual do setor imobiliário brasileiro, com o tamanho do mercado
passando de cerca de US$ 128,6 bilhões em 2025 para US$ 160,6 bilhões até 2034,
a uma taxa média anual próxima de 2,5%. Para analistas, a combinação de juros
menos restritivos, maior sofisticação dos modelos de negócio e demanda
habitacional estrutural cria as bases para um novo ciclo de crescimento mais
equilibrado a partir de 2026.
Segundo o diretor, a leitura para os próximos anos
é construtiva, ainda que cautelosa. “A melhora das condições de financiamento
prevista para 2026, somada à experiência adquirida pelos agentes do setor em
operar sob juros elevados, sugere que estamos à beira de um novo ciclo,
possivelmente menos volátil e mais orientado pela demanda real do que por
estímulos pontuais”, diz. Os dados de 2025 reforçam uma leitura central: longe
de um movimento homogêneo, o mercado imobiliário brasileiro mostrou capacidade
de adaptação em um dos ambientes macroeconômicos mais desafiadores dos últimos
anos, com ganhos relevantes em regiões e segmentos específicos — e sinais
claros de preparação para uma nova fase de expansão.
“Embora os desafios persistam, especialmente no
acesso ao crédito para famílias de renda média, a trajetória recente indica que
o setor imobiliário está em processo de ajuste. Os dados apontam que 2026 pode
marcar um ponto de inflexão relevante, com bases mais sólidas para um crescimento
sustentável”, completa o executivo.

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