Fonoaudióloga explica marcos do desenvolvimento da linguagem, sinais de alerta e por que esperar pode atrasar o diagnóstico
Após
comentar nas redes sociais que o filho José ainda não fala por “ser menino,
então mais preguiçoso”, a influenciadora Virginia Fonseca despertou uma dúvida:
afinal, meninos realmente demoram mais para falar?
A
resposta, exige cautela. Embora exista uma percepção popular de que o
desenvolvimento da fala seja mais lento em meninos, essa ideia pode levar
famílias a ignorarem sinais importantes.
De acordo com Adriana Fiore Fonoaudióloga Infantil, o mais importante não é comparar crianças, mas observar se o desenvolvimento da comunicação está acontecendo de forma adequada. “Dizer simplesmente que menino fala mais tarde pode atrasar a procura por ajuda em casos que realmente precisam de avaliação. O olhar deve estar nos sinais do desenvolvimento, não em crenças generalizadas”, explica.
Quando a criança deve começar a falar?
O
desenvolvimento da linguagem segue marcos esperados. As primeiras palavras com
significado costumam surgir por volta de 1 ano de idade. Entre 12 e 15 meses,
muitas crianças já utilizam palavras simples de forma intencional. Aos 2 anos,
é esperado que comecem a formar pequenas combinações de duas palavras.
“Existe
uma faixa de variação, porque cada criança tem seu ritmo. Mas, essa variação
não deve ser usada como justificativa para esperar demais quando os marcos não
estão acontecendo”, alerta a especialista.
Antes
mesmo de falar, a criança já se comunica. Por isso, alguns sinais no dia a dia
merecem atenção dos pais.
Entre
os principais alertas estão: pouco contato visual, ausência de gestos, como
apontar, pouca imitação, dificuldade para entender ordens simples, ausência de
combinação de palavras por volta dos 2 anos, frustração frequente para se
expressar.
Outro
ponto importante é quando a criança parece ouvir, mas não compreende bem o que
é dito, ou quando perde habilidades que já havia desenvolvido.
“Nesses
casos, o ideal não é esperar. É investigar”, reforça Adriana.
O
desenvolvimento da fala não acontece de forma isolada. Ele depende diretamente
das interações que a criança vive no dia a dia. Conversas, brincadeiras,
leitura de histórias e o simples ato de narrar a rotina são fundamentais para
estimular a linguagem.
Por outro lado, o excesso de tempo em telas pode reduzir essas trocas essenciais. “A linguagem se desenvolve na relação. Quanto mais presença, conversa e vínculo, melhor tende a ser o ambiente para a criança se comunicar”, explica.
Quando procurar ajuda?
A
orientação é clara: qualquer dúvida já é motivo suficiente para investigar. Não
é necessário esperar que o atraso seja evidente.
“O
momento certo é quando a família percebe que algo não vai bem. Quanto mais
precoce a avaliação, maiores são as chances de uma intervenção eficaz”, destaca
a especialista.
O
acompanhamento pode envolver o fonoaudiólogo, pediatra e, em alguns casos, o
otorrinolaringologista, especialmente para avaliação da audição.
No fim, a mensagem é direta para os pais. “Cada criança tem seu ritmo, mas desenvolvimento não deve ser acompanhado com passividade. Quando há dúvida, avaliar cedo faz diferença”, finaliza Adriana Fiore.
Dra. Adriana Fiore - Fonoaudióloga – CRFa 2-12078. Mestre em Distúrbios da Comunicação (PUC-SP). Pós-graduada em Processamento Auditivo Central. Especialista em Voz pelo CEV – Centro de Estudos da Voz. Idealizadora e Diretora da AplusKids.
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