Em mês de conscientização, estudo com quase 25 mil mulheres aponta queda na adesão ao exame preventivo justamente na faixa etária de maior risco
Em meio às ações do Março Lilás, campanha dedicada à
conscientização sobre o câncer de colo do útero, um levantamento da Axenya,
plataforma inteligente de saúde corporativa orientada por inteligência de
dados, aponta um sinal de alerta sobre a prevenção da doença: adesão ao exame
preventivo diminui progressivamente com o avanço da idade, justamente no
período em que o risco se torna mais relevante. Segundo a Organização Mundial
da Saúde (OMS), a ocorrência do câncer de colo do útero tende a crescer a
partir dos 30 anos e alcança seus níveis mais elevados entre mulheres na quinta
e sexta décadas de vida.
O estudo considerou informações de quase 25 mil mulheres
vinculadas a planos de saúde corporativos, acompanhadas ao longo de 2025, e
identificou que a taxa de realização do exame preventivo entre mulheres nas
faixas etárias indicadas para o rastreamento cai de 41,9% na faixa de 24 a 28
anos para 27,1% entre 54 e 58 anos. Ao todo, considerando mulheres entre 25 e
64 anos, a taxa geral de realização do exame foi de 29,5% entre as
beneficiárias analisadas.
Para Aline Pasiani, diretora médica da Axenya, o dado chama
atenção porque o rastreamento é justamente a principal estratégia para
identificar alterações precoces e reduzir o risco de evolução da doença.
“Quando observamos queda na realização do exame justamente nas
faixas etárias em que o risco se torna mais relevante, como apontam dados da
OMS, isso indica uma possível lacuna no acompanhamento preventivo. O
rastreamento periódico é fundamental para identificar alterações antes que elas
evoluam para quadros mais complexos”, afirma.
Barreiras de acesso ainda influenciam adesão
A análise também indica que fatores operacionais podem influenciar
a adesão aos exames preventivos. Diferentemente de alguns exames laboratoriais
incluídos em check-ups de rotina, procedimentos de rastreamento como mamografia
e Papanicolau exigem agendamento específico, deslocamento e consulta
presencial, etapas que podem representar barreiras adicionais para a realização
do exame.
O levantamento também avaliou o rastreamento para câncer de mama
na mesma base populacional. Entre mulheres de 50 a 69 anos, a taxa de
realização de mamografia foi de 42,3%. Em comparação, o acompanhamento
preventivo para câncer de colo do útero apresenta níveis de adesão menores e
queda progressiva ao longo da idade, mesmo sendo um dos tumores com maior
potencial de prevenção quando identificado precocemente.
Prevenção ainda é principal ferramenta contra a doença
Segundo especialistas, o câncer de colo do útero está entre os
tumores com maior potencial de prevenção. De acordo com a Organização Mundial
da Saúde (OMS), programas de rastreamento organizados podem reduzir em até 60%
a 90% a incidência da doença, ao identificar lesões precursoras antes da
evolução para câncer invasivo. O exame preventivo permite identificar
alterações celulares antes do desenvolvimento da doença, possibilitando
tratamento em fases iniciais e aumentando significativamente as chances de
sucesso terapêutico.
Para Pasiani, os dados reforçam a importância de ampliar
estratégias de conscientização e facilitar o acesso ao rastreamento,
principalmente entre mulheres mais velhas. “O exame preventivo continua sendo a
principal ferramenta para identificar alterações precoces e reduzir o impacto
da doença”, conclui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário