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quarta-feira, 25 de março de 2026

Infertilidade impõe luto invisível e pressiona saúde emocional de pacientes

Especialista explica como ansiedade, culpa e pressão social impactam pacientes e reforça a importância do apoio psicológico desde o início do processo

 

No Brasil, cerca de 8 milhões de pessoas enfrentam dificuldades para engravidar, segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida. Apesar da alta incidência, a infertilidade ainda é tratada, na maioria das vezes, como uma questão exclusivamente médica, deixando em segundo plano um impacto emocional profundo, persistente e, muitas vezes, silencioso.

Sentimentos como luto, ansiedade, frustração e culpa passam a fazer parte da rotina de quem vive essa realidade, frequentemente sem o suporte necessário. O alerta é da psicóloga especialista em saúde da mulher e reprodução assistida, Aline de Menezes, convidada pela Organon, que reforça a necessidade de integrar o cuidado emocional à jornada de fertilidade.

Segundo a especialista, o diagnóstico costuma representar uma ruptura nos planos de vida. “Muitas pessoas vivem esse momento como um luto, não por um filho concreto, mas pelo filho imaginado, pela gestação idealizada e pelo futuro que já estava sendo projetado”, afirma. Ao longo das tentativas de engravidar, esse impacto tende a se intensificar. “É uma combinação de desejo, expectativa e falta de controle que naturalmente aumenta a ansiedade”, completa.

Procedimentos como a fertilização in vitro ampliam ainda mais essa carga emocional, ao envolver etapas sucessivas e resultados incertos. Nesse contexto, Aline destaca que o preparo psicológico deve caminhar junto com o tratamento médico. “Ter informação clara sobre cada fase, contar com uma rede de apoio e, sempre que possível, acompanhamento psicológico ajuda o paciente ou o casal a se sentirem mais seguros e amparados ao longo do processo”, explica.

Fatores externos também contribuem para o agravamento desse cenário. A pressão social e familiar, muitas vezes traduzida em perguntas invasivas e cobranças, pode intensificar o sofrimento. “Estabelecer limites e entender o que faz sentido compartilhar é fundamental. Proteger esse espaço íntimo também é uma forma de cuidado emocional”, orienta.

A infertilidade também pode impactar a dinâmica do casal. Diferenças na forma de lidar com o processo podem gerar desgaste, mas, por outro lado, o diálogo e o respeito ao tempo de cada um podem fortalecer a relação. “Quando há escuta e parceria, muitos casais conseguem atravessar esse momento de forma mais conectada”, diz.

Para lidar com as incertezas e frustrações, a especialista recomenda preservar uma rotina que não gire exclusivamente em torno do tratamento, buscar informações seguras e validar os próprios sentimentos. “Não é sobre ser forte o tempo todo, mas sobre reconhecer o que se sente e encontrar formas de atravessar esse caminho com mais cuidado consigo”, destaca.

O acompanhamento psicológico, segundo Aline, pode ser iniciado em qualquer fase, mas quanto antes começar, maiores são os recursos emocionais disponíveis para enfrentar os desafios do processo. Ela deixa ainda um recado para quem vive essa realidade: “Vocês não estão sozinhos. Esse é um caminho que muitas pessoas percorrem em silêncio, e compartilhar com alguém de confiança pode tornar tudo menos solitário. Mesmo sendo uma jornada difícil, ela pode ser vivida com mais acolhimento e apoio”, conclui.

 

Organon
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