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domingo, 15 de março de 2026

Estudo brasileiro aponta associação entre terapia com testosterona e complicações após transplante capilar

Pesquisa indica maior incidência de foliculite em pacientes que utilizam reposição hormonal à base de testosterona 

 

Um estudo brasileiro que analisou os efeitos da terapia de reposição hormonal com testosterona em pacientes submetidos ao transplante capilar pela técnica Follicular Unit Extraction (FUE), indica uma associação significativa entre o uso do hormônio e o aumento de complicações inflamatórias no pós-operatório.

Conduzido pelo médico cirurgião Thiago Bianco Leal e pelo tricologista Hudson Dutra Rezende, do Instituto Thiago Bianco, o estudo avaliou 143 pacientes do sexo masculino que passaram por transplante capilar FUE e apresentaram ao menos uma complicação pós-operatória precoce. O principal foco da análise foi a relação entre foliculite pós-transplante e o uso de testosterona administrada por via intramuscular.

Os resultados demonstraram que o uso de testosterona esteve fortemente associado ao aumento da incidência de foliculite, uma inflamação ao redor dos folículos pilosos que pode comprometer a cicatrização e a sobrevida dos enxertos. Dos 143 pacientes analisados, 90 (62,9%) faziam uso de terapia hormonal, e 90% deles desenvolveram foliculite após o procedimento. Entre os pacientes que não utilizavam testosterona, a taxa foi significativamente menor, 56,6%.

“O transplante capilar não depende apenas da técnica cirúrgica. O organismo do paciente, especialmente o equilíbrio hormonal, influencia diretamente a resposta inflamatória do couro cabeludo e o processo de cicatrização”, afirma Thiago Bianco Leal, cirurgião responsável pelo estudo.

De acordo com a pesquisa, a testosterona pode alterar o microambiente do couro cabeludo, favorecendo maior produção de oleosidade, obstrução dos poros e alterações na resposta imunológica local. 

“A testosterona pode modificar o funcionamento normal do folículo piloso, influenciando inflamação, produção sebácea e resposta imunológica. Quando associada ao trauma cirúrgico do transplante capilar, esse cenário favorece o desenvolvimento de foliculite”, explica Hudson Dutra Rezende, tricologista do Instituto Thiago Bianco.

A pesquisa reforça a necessidade de avaliação hormonal criteriosa, protocolos individualizados e discussão pré-operatória aprofundada com pacientes que fazem uso de testosterona.

“Esta pesquisa ganhou em primeiro lugar no congresso da Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar (ISHRS), em Berlim, na Alemanha. O reconhecimento da ISHRS demonstra que compreender a interação entre hormônios, técnica cirúrgica e resposta biológica do folículo é essencial para a evolução e segurança do transplante capilar moderno”, conclui Thiago Bianco Leal.

Os pesquisadores ressaltam que novos estudos prospectivos são necessários para aprofundar a compreensão da relação entre terapia hormonal e complicações pós-transplante capilar, contribuindo para resultados mais previsíveis e seguros.

  


Thiago Bianco Leal - Médico cirurgião com mais de 17 anos de atuação, Thiago Bianco Leal é graduado em Medicina pela Universidade de Marília e atua exclusivamente na área de transplante capilar. Com experiência em técnicas modernas, já realizou mais de 10 mil procedimentos. Ao longo de sua carreira, foi responsável por diversos procedimentos realizados em figuras públicas como Tom Cavalcante, Roberto Carlos, Lucas Lucco, o empresário Kaká Diniz e Xuxa Meneghel.

Hudson Dutra Rezende - Dermatologista pela Comissão Nacional de Residências Médicas e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Mestre em dermatologia pelo Hospital das Clínicas da USP de São Paulo.


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