A saúde da mulher merece atenção e a oftalmologista
Dra. Regina Cele, cientista especialista em catarata e
glaucoma, alerta que diversas doenças oculares têm maior incidência ou impacto
no público feminino, seja por fatores hormonais, maior predisposição a doenças
autoimunes ou pela própria longevidade das mulheres. “Os
olhos também sofrem influência direta das oscilações hormonais ao longo
da vida. Por isso, o acompanhamento oftalmológico regular é
fundamental em todas as fases”, destaca a especialista.
Entre as condições mais frequentes está a síndrome do
olho seco, especialmente associada a alterações hormonais na
perimenopausa, pós-menopausa e ao uso de anticoncepcionais. O estrogênio
e a progesterona influenciam diretamente a produção lacrimal, a superfície
ocular e até a pressão intraocular. “Muitas mulheres relatam ardência, sensação
de areia nos olhos e visão flutuante, sintomas que não devem ser ignorados”,
explica Dra. Regina Cele.
As doenças autoimunes também merecem atenção
especial. Mulheres apresentam maior predisposição a condições como Síndrome de
Sjögren, Lúpus eritematoso sistêmico, Artrite reumatoide e Doença de Behçet,
que podem causar inflamações oculares importantes, como esclerites e uveítes.
“O sistema imunológico hiperativo é mais comum no sexo feminino e pode
comprometer seriamente a saúde ocular se não houver diagnóstico precoce”,
alerta.
Outra condição frequente em mulheres é a Oftalmopatia
de Graves, associada a distúrbios
da tireoide. A doença pode provocar olhos saltados (proptose),
visão dupla, inflamação orbitária e ressecamento intenso. Além disso, a enxaqueca
com aura visual, bastante prevalente em mulheres em idade fértil, pode causar
escotomas cintilantes, alterações visuais transitórias e até perda temporária
da visão.
Com o avanço da idade, cresce também o risco de
doenças como a degeneração macular relacionada à idade,
cuja prevalência é maior entre mulheres devido à maior expectativa de vida. No
caso do Glaucoma, embora a incidência seja semelhante entre os sexos, as
mulheres representam percentual mais elevado de cegueira, possivelmente também
em razão da longevidade.
Durante a gestação, alterações hormonais
podem provocar mudanças refrativas temporárias e, em alguns casos, progressão
do ceratocone (visão embaçada, astigmatismo irregular,
sensibilidade à luz e diplopia). “Menstruação, gravidez e menopausa são fases
que impactam diretamente a resposta inflamatória ocular, a produção lacrimal e
a pressão intraocular.
Cuidar da saúde dos olhos é parte essencial do
autocuidado feminino”, conclui Dra. Regina Cele, reforçando que prevenção e
acompanhamento médico são as principais ferramentas para preservar a visão ao
longo da vida.
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