Quem convive com um gato idoso sabe muito bem como
a rotina se transforma para garantir a saúde e qualidade de vida a esse pet. E,
por mais que muitos tutores apenas percebam esse envelhecimento através de
alguns comportamentos clássicos, como miados mais baixos, pelos mais claros ou
sono aumentado, como exemplo, a terceira idade felina começa antes
do aparecimento desses sinais mais evidentes, pedindo um ajuste
no dia a dia desse animal para garantir seu bem-estar dentro do lar.
São cerca de 30 milhões de gatos nos lares brasileiros,
segundo o PetCenso 2025. Dos 11 anos 14 anos, já podem ser
considerados idosos, enquanto, após os 15 anos, são classificados
geriátricos - em uma tendência natural de mudanças de comportamentais com
o avançar da idade que, inevitavelmente, exigirá um olhar mais atencioso dos
tutores quanto sua qualidade de vida.
Além da alteração da cor do pelo e menor atividade
do gato no dia a dia, a mobilidade reduzida e presença de tártaro também são bem
comuns no envelhecimento felino. Então, para aumentar a expectativa de vida e
garantir que se mantenha em boas condições de saúde, é preciso se atentar a
alguns pontos importantes nessa fase.
A alimentação específica para o pet idoso é
crucial, com rações direcionadas a essa faixa etária que contenham todas as
vitaminas e nutrientes necessários para seu corpo. Afinal, muitos animais
idosos têm necessidades nutricionais especiais, ainda mais aqueles que tiverem
algum problema de saúde nesse sentido como, por exemplo, maior dificuldade
digestiva. Uma ótima opção para esses gatos, inclusive, são os sachês com fácil
absorção.
Mesmo que os felinos sejam conhecidos por serem bem
limpos, o cuidado com sua higiene não pode ficar de fora em sua fase
idosa. Isso envolve não apenas os pelos em si, escovando e removendo a
pelagem mais velha, como, acima de tudo, a limpeza de seus dentes, a fim de
evitar o tártaro e qualquer problema bucal que gere dor e desconforto ao pet.
O check-up no veterinário não pode ficar de fora
dessa lista de cuidados, algo que, inclusive, é indispensável por toda a vida
de qualquer animal. Quando falamos do envelhecimento felino e da
natural tendência de doenças crônicas, o gato idoso precisa de
acompanhamento constante nesse sentido, incluindo a realização de exames
preventivos a cada seis meses. Caso tenha uma doença
específica, a frequência no médico veterinário deve ser maior,
conforme recomendações e orientações do especialista.
Por fim, o enriquecimento ambiental é outro ponto
que faz muita diferença para que o lar esteja adaptado às necessidades e rotina
do pet idoso. Isso inclui desde proteger a casa contra qualquer risco à
sua saúde, inserindo, por exemplo, tapetes antiderrapantes; ao estímulo de
exercícios como forma de evitar que fiquem sedentários. Aposte em
brinquedos para gatos, como varas, bolinhas e outros objetos interativos – o
que não só ajuda a evitar o sobrepeso, mas também a aliviar dores nas
articulações.
A velhice não precisa ser sinônimo de sofrimento ou
de problemas de saúde desgastantes ao animal. O cuidado preventivo faz muita diferença
para que os gatos cheguem à terceira idade com qualidade de vida e bem-estar,
dando o máximo de conforto ao lado dos tutores. Não espere os sinais da velhice
aparecerem, procure, desde já, manter a constância com o acompanhamento veterinário
e garantindo que o lar esteja sempre adaptado para garantir o
conforto, segurança e diversão do pet.
Nathali Vieira - médica veterinária na Pet de
TODOS.
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