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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

SAÚDE NÃO SE CUIDA POR PARTES: A IMPORTÂNCIA DO OLHAR INTEGRAL

Hábitos como movimento, sono, alimentação e cuidado emocional estão conectados e podem ajudar a construir um envelhecimento com autonomia

 

Perder peso, reduzir o estresse ou envelhecer com saúde são objetivos que levam muitas pessoas a buscar soluções específicas. Mas cuidar da saúde exige olhar além de cada necessidade isolada e compreender como os hábitos cotidianos influenciam diferentes dimensões do bem-estar. 

Para Juliana Romantini, treinadora corpo e mente, especialista em mindfulness e certificada em Medicina do Estilo de Vida pela Universidade Harvard, o desafio é transformar informação em atitudes possíveis na rotina. “Não basta saber o que faz bem à saúde. É preciso compreender as dificuldades de cada pessoa e ajudá-la a encontrar caminhos viáveis para mudar seus hábitos. Não existe uma fórmula única, porque cada indivíduo tem uma realidade e necessidades próprias”, explica. 

Essa visão também evidencia a importância de contar com profissionais de diferentes áreas no cuidado à saúde. Médicos, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos, entre outros especialistas, podem atuar de forma complementar, respeitando suas competências e as necessidades de cada pessoa. 

Segundo Romantini, ter uma orientação profissional que considere o indivíduo de maneira integral ajuda a compreender como os hábitos se relacionam, identificar pontos que merecem atenção e estabelecer caminhos de mudança mais adequados à realidade de cada um. Essa abordagem não substitui avaliações, diagnósticos ou tratamentos, mas pode ampliar o olhar sobre o cuidado cotidiano. 

Inclusive, pensando nisso, a especialista criou a Plataforma Prática Integral 360, que reúne jornadas de educação e orientação sobre emagrecimento, saúde mental e longevidade, com atenção ao movimento, à força muscular, ao condicionamento físico, à mobilidade, à saúde emocional e às relações sociais. As jornadas partem de objetivos específicos, mas consideram as conexões entre as diferentes dimensões da saúde e apoiam a construção de mudanças conscientes e compatíveis com a rotina de cada um. “No emagrecimento, por exemplo, sono e estresse também merecem atenção. Na saúde mental, o movimento e o descanso podem integrar as estratégias de autocuidado”, acrescenta. 

Na visão de Romantini, é essencial ampliar a compreensão de que saúde não se resume a responder a um problema quando ele aparece.

“Incorporar hábitos saudáveis, reconhecer as próprias necessidades e buscar orientação profissional adequada são caminhos para cuidar do bem-estar de forma contínua, respeitando as particularidades de cada fase da vida. Quando falamos em longevidade, não estamos tratando apenas de viver mais anos, mas de preservar a autonomia, a mobilidade, a força física e a saúde emocional. E esse cuidado começa muito antes da velhice e é construído ao longo da vida”, afirma.

   

Juliana Romantini - É referência em desenvolvimento físico-mental com 25 anos de experiência em integração de corpo e mente. Especialista em Mindfulness e certificada em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard University, possui ampla experiência em promover práticas que equilibram o bem-estar mental e físico na busca por uma vida mais equilibrada e saudável. Graduada em Educação Física e pós-graduada em Reabilitação Cardíaca e Grupos Especiais (obesos, gestantes, hipertensos), é criadora do método Prática Integral, que há 10 anos vem transformando vidas ao promover saúde e expansão de consciência.



Alta incidência do câncer de cabeça e pescoço nos homens amplia alerta

Tumores de boca e laringe são muito mais frequentes entre homens; médica cirurgiã de cabeça e pescoço alerta para sinais persistentes e defende ampliar o olhar da campanha para além da próstata 

 

O câncer de próstata é o foco da campanha nacional Novembro Azul, mas os cânceres de cabeça e pescoço, como os de boca, faringe e laringe, também atingem de forma expressiva a população masculina no Brasil. Dados epidemiológicos do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que cerca de 80% dos pacientes diagnosticados com esses tumores são homens.  

O câncer de boca (cavidade oral) afeta três vezes mais homens do que mulheres. No Brasil, aproximadamente 7 em cada 10 novos casos da doença ocorrem no público masculino. No caso do câncer de laringe, mais de 8 em cada 10 casos são em homens, e o tumor ocupa a nona posição entre as causas de mortalidade por câncer na população masculina, sendo raro entre mulheres.  

A presidente da Associação Paulista de Medicina (APM) de Santos e médica especialista em cabeça e pescoço, Silvia Picado, orienta sobre os sinais de alerta e as formas de prevenção, no mês dedicado à conscientização sobre a saúde do homem. 

“A diferença está relacionada, entre outros fatores, à maior exposição histórica dos homens ao tabagismo e ao consumo de bebidas alcoólicas, dois dos principais fatores de risco, cujo efeito combinado aumenta de forma significativa a chance de desenvolver a doença”, explica Silvia.  A infecção pelo HPV também está associada a determinados tumores, principalmente os de orofaringe, região que inclui as amígdalas e a base da língua. 

Um dos principais desafios é que esses tumores podem apresentar sintomas discretos nas fases iniciais. “Os sinais que merecem atenção são: feridas na boca ou na língua que não cicatrizam em até 15 dias; manchas brancas ou avermelhadas persistentes na mucosa oral; rouquidão ou alteração da voz por mais de duas a três semanas; dificuldade ou dor persistente ao engolir; caroços no pescoço sem causa aparente; e dor de garganta ou de ouvido persistente sem causa identificada”, alerta especialista. 

 Esses sintomas não significam necessariamente a presença de câncer, mas devem ser investigados quando persistem. A avaliação deve ser feita por um médico, como o cirurgião de cabeça e pescoço, especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento de tumores de boca, faringe, laringe, glândulas salivares, tireóide e outras estruturas da região.  

Feridas persistentes, alterações da voz, dificuldade para engolir ou nódulos no pescoço devem motivar a busca por atendimento. A especialista ressalta que a procura por um médico não deve ficar restrita a situações de dor ou sintomas intensos, já que muitos tumores se desenvolvem de forma silenciosa. 

Entre as medidas de prevenção estão não fumar, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, manter boa saúde bucal, adotar alimentação equilibrada e seguir as recomendações de vacinação contra o HPV. O diagnóstico precoce pode permitir tratamentos menos extensos, maior preservação de funções como fala e deglutição e melhores resultados oncológicos.  

“Historicamente, muitos homens procuram atendimento médico apenas quando os sintomas começam a comprometer as atividades diárias, e precisamos mudar essa realidade. Muitos tumores se desenvolvem de forma silenciosa, e reconhecer alterações persistentes permite uma investigação mais precoce. Neste Novembro Azul, a mensagem é clara: a prevenção começa com informação, e o cuidado vai muito além da próstata”, afirma Silvia Picado, presidente da APM Santos e médica especialista em cabeça e pescoço. 

Dra. Sílvia Picado - CRM 145158 SP | RQE 59483 - é graduada em Ciências Médicas pelo Centro Universitário Lusíada (UNILUS). Especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP). Possui mestrado e doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Atualmente, é professora da UNILUS e Presidente da Associação Paulista de Medicina de Santos (APM Santos)


 

TDAH além da agitação: os sinais silenciosos que podem passar despercebidos na infância

Especialista explica como dificuldades pouco evidentes podem afetar a autoestima e o desenvolvimento infantil e alerta para os riscos de diagnósticos precipitados e da falta de acompanhamento adequado

 

A criança tira boas notas, não atrapalha a aula e raramente recebe reclamações dos professores. Ainda assim, leva horas para fazer uma tarefa simples, esquece o que acabou de ouvir, perde objetos e precisa de ajuda constante para organizar a rotina. Como não apresenta o comportamento agitado normalmente associado ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), suas dificuldades podem passar despercebidas por muito tempo.

Em outras situações, acontece o contrário. Basta a criança ser inquieta, falar demais ou ter dificuldade para obedecer a determinados combinados para que alguém sugira que ela tem TDAH. Entre a suspeita precipitada e os sinais que ninguém percebe, há crianças que acabam enfrentando dificuldades sem receber o apoio de que precisam.

Para Marcela Oliveira, fisioterapeuta, pesquisadora e especialista em Neuroreabilitação Infantil, fundadora e diretora da Clínica Follow Kids, especializada em neuroreabilitação infantil, é preciso olhar com mais cuidado para comportamentos que muitas vezes são interpretados apenas como desobediência, desinteresse ou falta de esforço.

“Existe uma imagem muito forte de que a criança com TDAH é aquela que não para quieta, interrompe todo mundo e não consegue prestar atenção em nada. Mas nem sempre é assim. Algumas conseguem acompanhar as aulas, têm bom desempenho em determinadas atividades e, mesmo assim, fazem um esforço enorme para dar conta da rotina. O problema é que esse esforço nem sempre é percebido pelos adultos. A criança começa a ouvir que é desorganizada, esquecida, que vive no mundo da lua ou que precisa se dedicar mais, quando pode existir uma dificuldade real que ainda não foi identificada”, explica.

 

Os sinais que nem sempre chamam a atenção

O TDAH é uma condição do neurodesenvolvimento que pode envolver dificuldades persistentes de atenção, planejamento, hiperatividade e impulsividade, em diferentes combinações. Embora alguns comportamentos sejam facilmente percebidos, outros aparecem de maneira discreta no cotidiano.

Uma criança pode, por exemplo, compreender perfeitamente o que o professor explicou, mas esquecer parte das instruções quando precisa executar a atividade. Pode começar a arrumar a mochila e se distrair várias vezes antes de terminar, precisar reler o mesmo trecho repetidamente ou ter dificuldade para perceber quanto tempo uma tarefa vai levar.

Também pode apresentar grande interesse e concentração em determinadas atividades, especialmente aquelas que considera estimulantes, e ter muita dificuldade para manter o envolvimento em tarefas repetitivas ou que exigem esforço prolongado. Essa diferença não significa, necessariamente, falta de vontade.

Outro sinal que merece atenção é o desgaste provocado por situações aparentemente simples. Há crianças que conseguem acompanhar as exigências da escola, mas chegam em casa exaustas, irritadas ou emocionalmente sobrecarregadas depois de um dia tentando controlar impulsos, acompanhar orientações e manter a organização.

“Às vezes, o adulto olha apenas para o resultado. A criança fez a atividade, entregou o trabalho, conseguiu passar de ano. Mas ninguém percebe quanto esforço aquilo exigiu ou o quanto ela dependeu de ajuda para conseguir. Também precisamos observar como ela se sente, se está constantemente frustrada, se evita determinadas tarefas ou se começa a acreditar que não é capaz. O desenvolvimento não pode ser avaliado apenas pelas notas ou pelo comportamento em sala de aula”, afirma Marcela.

Essas manifestações não confirmam, isoladamente, a presença de TDAH. São situações que podem justificar uma investigação quando se tornam frequentes, persistentes e, e principalmente, quando prejudicam a vida da criança.

 

O peso dos rótulos na infância

As consequências de uma dificuldade não compreendida podem ultrapassar o desempenho escolar. Uma criança que escuta repetidamente que é preguiçosa, desobediente, desorganizada ou incapaz de prestar atenção pode incorporar essas características à maneira como se enxerga.

Por outro lado, receber um diagnóstico não significa que todos os seus comportamentos devam ser explicados por ele. Expressões como “ele faz isso porque tem TDAH” podem acabar sendo utilizadas para justificar qualquer dificuldade, sem que os adultos procurem compreender o que está acontecendo ou quais estratégias poderiam ajudar.

“Um diagnóstico bem feito pode ser libertador para uma família, porque ajuda a compreender dificuldades que antes pareciam não ter explicação. Mas ele não pode virar uma sentença sobre quem aquela criança é. Quando tudo passa a ser atribuído ao TDAH, corremos o risco de deixar de perceber outras necessidades, emoções e até habilidades. A criança continua sendo muito maior do que o diagnóstico. Ela precisa de compreensão, mas também de oportunidades para aprender, desenvolver habilidades e conquistar autonomia”, destaca a especialista.

Marcela ressalta que tanto a ausência de identificação quanto uma conclusão precipitada podem trazer prejuízos. Enquanto a falta de diagnóstico pode prolongar dificuldades e comprometer a autoestima, uma identificação inadequada pode direcionar a criança para intervenções que não correspondem às suas necessidades.

 

Por que uma avaliação cuidadosa faz diferença?

Não existe um exame isolado capaz de confirmar o TDAH. O diagnóstico é clínico e considera o histórico do desenvolvimento, a persistência dos sintomas, sua presença em diferentes contextos e os prejuízos provocados na vida cotidiana. Também é necessário investigar outras condições que possam explicar ou contribuir para as dificuldades observadas.

Alterações do sono, ansiedade, dificuldades específicas de aprendizagem, problemas auditivos e outras condições do neurodesenvolvimento podem apresentar manifestações semelhantes ou coexistir com o TDAH. Por isso, uma avaliação responsável não deve se limitar a uma lista de comportamentos ou à impressão de um único adulto.

A investigação diagnóstica deve ser conduzida por profissional de saúde habilitado, com experiência em neurodesenvolvimento infantil. Conforme as necessidades identificadas, a participação de profissionais de diferentes áreas, como psicologia, neuropsicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, pode contribuir para compreender melhor o funcionamento da criança e orientar os cuidados.

Na Clínica Follow Kids, a abordagem de neuroreabilitação infantil considera não apenas as dificuldades apresentadas, mas também a maneira como elas interferem na participação da criança na escola, em casa e nas relações sociais. Esse olhar para a funcionalidade ajuda a compreender quais habilidades precisam ser desenvolvidas e quais adaptações podem facilitar o cotidiano.

“Não basta identificar que uma criança tem dificuldade de atenção. Precisamos entender como isso aparece na vida dela. É na hora de acompanhar uma explicação? De organizar uma sequência de tarefas? De controlar uma reação impulsiva? De lidar com frustrações? Cada situação exige uma compreensão diferente. O trabalho de uma equipe multidisciplinar é importante justamente porque permite reunir diferentes olhares e construir estratégias que façam sentido para aquela criança, em vez de tentar encaixá-la em uma solução pronta”, explica Marcela.

 

O que fazer quando surgem as primeiras suspeitas?

O primeiro passo é observar os comportamentos sem transformar cada dificuldade em sintoma. Conversar com os professores, identificar em quais situações os problemas aparecem e perceber como a criança reage às exigências da rotina pode oferecer informações importantes para uma avaliação.

Também é fundamental escutar a própria criança. Perguntar o que ela considera difícil, em quais momentos precisa de ajuda e como se sente diante das cobranças pode revelar aspectos que não aparecem nas notas escolares ou nos relatos dos adultos.

Enquanto a investigação acontece, a família e a escola podem adotar medidas simples para reduzir a sobrecarga, como oferecer orientações claras, dividir tarefas longas em etapas menores, estabelecer rotinas previsíveis e ajudar na organização dos materiais. Essas estratégias não substituem o acompanhamento profissional, mas podem facilitar a participação da criança.

Quando o TDAH é confirmado, o cuidado deve ser individualizado e pode envolver orientações à família e à escola, intervenções comportamentais, acompanhamento de profissionais de diferentes especialidades e, quando indicado pelo médico, tratamento medicamentoso. A escolha depende da idade, das necessidades e dos prejuízos apresentados.

Para Marcela, o mais importante é que a busca por respostas não faça os adultos perderem de vista a criança.

“Uma criança não deve passar a infância inteira ouvindo que precisa se esforçar mais quando, na verdade, precisa de ajuda. Da mesma forma, não podemos usar um diagnóstico para definir tudo o que ela consegue ou não fazer. Identificar corretamente uma dificuldade é importante porque permite oferecer o suporte adequado. O objetivo não é fazer a criança caber em um rótulo, mas ajudá-la a participar das experiências do dia a dia com mais autonomia, segurança e qualidade de vida”, conclui.

 

Marcela Oliveira - fisioterapeuta, pesquisadora e especialista em Neuroreabilitação Infantil, fundadora e diretora da Clínica Follow Kids, especializada em neuroreabilitação infantil. Com mais de 20 anos de experiência, atua no desenvolvimento de crianças com diferentes condições neurológicas e do neurodesenvolvimento, com foco na funcionalidade, autonomia, participação social e qualidade de vida.


Preservação muscular ganha importância no tratamento da obesidade com canetas emagrecedoras

Especialista explica por que acompanhar a composição corporal é tão importante quanto monitorar a perda de peso e destaca o papel da alimentação e dos exercícios de força

 


A redução do peso corporal é um dos principais objetivos do tratamento da obesidade, mas a quantidade de quilos eliminados não deve ser o único indicador de evolução. Durante o emagrecimento com medicamentos como semaglutida e tirzepatida, parte da perda de peso pode corresponder à massa magra, que inclui os músculos. Por isso, especialistas reforçam a importância de acompanhar a composição corporal e adotar estratégias para preservar a musculatura ao longo do tratamento.

Estudos apontam que entre 25% e 39% do peso perdido durante o tratamento com medicamentos para obesidade pode corresponder à massa magra. Essa proporção varia conforme as características de cada indivíduo e não representa, necessariamente, uma perda exclusivamente muscular. Ainda assim, o dado chama a atenção para a necessidade de um acompanhamento que vá além dos números apresentados pela balança¹,².

Com a expansão do uso das chamadas canetas emagrecedoras, a avaliação da composição corporal passa a ter papel relevante no acompanhamento dos pacientes. A Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, publicada em 2026 pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), destaca a bioimpedância como uma ferramenta que pode auxiliar nesse processo³.

“Durante o emagrecimento, é importante olhar além dos quilos perdidos. Acompanhar as mudanças na composição corporal, a força muscular e a capacidade de realizar as atividades do dia a dia ajuda a compreender melhor a resposta ao tratamento”, explica a Dra. Cecília M. Q. Barroso, médica cardiologista e porta-voz médica da OMRON Healthcare Brasil.
 

Alimentação e exercícios de força são aliados da massa muscular

A preservação da musculatura é um dos pontos de atenção durante o tratamento da obesidade. Um estudo que avaliou pacientes com obesidade em uso de semaglutida identificou uma redução inicial da massa magra, que tende a se estabilizar ao longo do acompanhamento. Os pesquisadores também observaram melhora da força de preensão manual e redução da ocorrência de obesidade sarcopênica — condição caracterizada pela associação entre obesidade e comprometimento da força, da quantidade ou da qualidade muscular⁴.

Nesse cenário, a prática regular de exercícios de força, como a musculação, e a ingestão adequada de proteínas são medidas importantes para favorecer a manutenção da massa muscular durante o emagrecimento. As estratégias, entretanto, devem ser individualizadas e considerar as condições clínicas, as necessidades nutricionais e a capacidade física de cada paciente¹,²,⁵.
 

Bioimpedância amplia o acompanhamento da composição corporal

Diferentemente das balanças convencionais, os equipamentos com tecnologia de bioimpedância estimam diferentes indicadores da composição corporal, como percentual de gordura, gordura visceral e massa muscular. Essas informações permitem observar mudanças que nem sempre são identificadas apenas pela variação do peso e podem complementar a avaliação feita pelos profissionais de saúde³.

Entre as tecnologias disponíveis está a balança OMRON Connect2 (HBF-270T1), que estima oito indicadores corporais, incluindo peso, índice de massa corporal (IMC), gordura corporal, gordura visceral e músculo esquelético. O equipamento conta com conexão Bluetooth e integração ao aplicativo OMRON connect, que permite registrar as medições, consultar o histórico e compartilhar os resultados com o profissional de saúde.

“Uma estratégia de emagrecimento deve considerar não apenas a quantidade de peso perdida, mas também os cuidados necessários para preservar a musculatura. Alimentação adequada, ingestão suficiente de proteínas, exercícios de força e acompanhamento profissional são medidas fundamentais durante o tratamento”, conclui a Dra. Cecília Barroso.

 

 

 

Referências

  1. Jalleh RJ, Talley NJ, Horowitz M, Nauck MA. The science of safety: adverse effects of GLP-1 receptor agonists as glucose-lowering and obesity medications. J Clin Invest. 2026;136(4).
  2. Laverde LP, Muñoz-Velandia OM, Alfonso D, Gómez Medina AM. Effect of GLP-1 receptor agonists at doses for obesity management on muscle health: systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials (RCTs). Int J Obes (Lond). 2026;50(8):1638-1646.
  3. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretriz brasileira de tratamento farmacológico da obesidade. 5. ed. São Paulo: Scientific; 2026.
  4. Alissou M, Demangeat T, Folope V, et al. Impact of Semaglutide on fat mass, lean mass and muscle function in patients with obesity: The SEMALEAN study. Diabetes Obes Metab. 2026;28(1):112-121.
  5.   Mesinovic J, Hurst C, Leung GKW, et al. Exercise and dietary recommendations to preserve musculoskeletal health during weight loss in adults with obesity: A practical guide. Rev Endocr Metab Disord. 2025;26(5):785-803.

5.    

Nem sempre é falta de força de vontade: nutróloga alerta para sinais de resistência à insulina em crianças

Ana Luísa Vilela explica por que o ganho de peso na infância exige avaliação individualizada e por que dietas restritivas e cobranças podem fazer mais mal do que bem 

 

A dificuldade para controlar o peso na infância nem sempre se explica apenas pela alimentação ou pela falta de atividade física. Fatores genéticos, hormonais e metabólicos, a qualidade do sono, o uso de medicamentos e a rotina familiar também influenciam o desenvolvimento das crianças. Entre as condições que merecem atenção está a resistência à insulina, alerta a médica nutróloga Ana Luísa Vilela.


A resistência à insulina é uma alteração em que as células do organismo passam a responder menos ao hormônio responsável por ajudar a glicose a entrar nelas. Ela pode estar associada ao excesso de peso e a outras alterações metabólicas, mas, segundo a especialista, não deve ser considerada automaticamente a causa da dificuldade para emagrecer.


“Quando uma criança apresenta ganho de peso excessivo ou uma evolução diferente da esperada para a idade, é preciso olhar o contexto como um todo: crescimento, alimentação, atividade física, sono, histórico familiar e possíveis fatores metabólicos. Não dá para atribuir a situação exclusivamente ao que ela come”, afirma Ana Luísa.



Sinais de alerta


De acordo com a nutróloga, alguns achados justificam uma avaliação médica mais cuidadosa: excesso de peso persistente, histórico familiar de diabetes tipo 2, pressão arterial elevada e acantose nigricans, áreas de pele mais escura e espessada que costumam aparecer no pescoço e nas axilas. Muitas vezes confundida com sujeira, essa alteração pode estar associada à resistência à insulina, embora sozinha não confirme o diagnóstico.


Na infância, também é importante observar mudanças nos hábitos alimentares, como seletividade alimentar persistente e preferência frequente por alimentos ricos em açúcar, especialmente quando esses comportamentos vêm acompanhados de outras alterações. O aumento do volume abdominal, o cansaço excessivo e mudanças no padrão ou no ritmo do desenvolvimento puberal também merecem atenção. Esses sinais, isoladamente, não confirmam resistência à insulina, mas podem justificar uma avaliação individualizada para investigar possíveis causas metabólicas, hormonais, nutricionais ou outras condições de saúde.


A necessidade de exames é definida caso a caso. Conforme a idade, o estágio de desenvolvimento, o histórico e os achados clínicos, o médico pode solicitar a avaliação da glicemia e de outros indicadores metabólicos. O diagnóstico não se baseia apenas na aparência física nem em um resultado isolado.


“Mais importante do que o número da balança é entender como a criança está crescendo e o que pode estar interferindo na saúde dela. A avaliação precoce permite identificar riscos, orientar a família e construir um plano de cuidado com mudanças sustentáveis na rotina”, destaca a médica.



Sem culpa e sem estigma


A especialista chama atenção também para o impacto emocional do excesso de peso na infância. Comentários sobre o corpo, comparações com irmãos ou colegas e dietas restritivas sem orientação profissional podem prejudicar a autoestima e a relação da criança com a comida. Por isso, o acompanhamento deve priorizar a saúde, o desenvolvimento e a construção de hábitos saudáveis em família, sem culpabilizar a criança.



O papel da família


Para a nutróloga, a mudança mais eficaz é aquela que envolve toda a casa, e não apenas a criança. Refeições em família, uma rotina de sono adequada, mais tempo para brincar e se movimentar e menos foco em proibições ajudam a construir hábitos que se sustentam ao longo do tempo. Diante de sinais de alerta, a orientação é buscar avaliação médica em vez de recorrer a dietas por conta própria.


“A criança não precisa carregar sozinha a responsabilidade pelo próprio peso. Quando a família muda junto, com acolhimento e orientação profissional, o cuidado deixa de ser uma cobrança e passa a ser parte da rotina. É isso que faz diferença no longo prazo”, conclui Ana Luísa.


Observação editorial: incluí a seletividade e a preferência por alimentos açucarados como aspectos do comportamento alimentar que merecem atenção, mas não como sinais específicos de resistência à insulina. Já o aumento abdominal, o cansaço excessivo e as alterações puberais foram apresentados como motivos para investigar diferentes possibilidades clínicas, evitando sugerir que, isoladamente, indiquem essa condição.



Novas estratégias reduzem internações por vírus respiratório em bebês

Dados iniciais indicam queda nas hospitalizações após ampliação da proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório

 

A ampliação das estratégias de prevenção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em 2026 já apresenta resultados iniciais na redução de hospitalizações por doenças respiratórias em bebês. Com a disponibilização de novas medidas de proteção pelo Ministério da Saúde, incluindo a vacinação de gestantes e a imunização de crianças elegíveis, a importância da prevenção para reduzir casos graves de bronquiolite, principal manifestação associada ao vírus nos primeiros meses de vida, ganha destaque. 

O tema ganha relevância diante dos números registrados recentemente no país. Dados apresentados em documento técnico do município de São Paulo apontam que, em 2025, foram registrados 35.255 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada pelo VSR em crianças menores de 2 anos. Do total, 61% ocorreram em bebês com menos de seis meses de idade, faixa etária considerada a mais vulnerável às complicações da infecção. 

A bronquiolite é uma das principais causas de internação infantil durante os períodos de maior circulação do vírus. A doença costuma começar com sintomas semelhantes aos de um resfriado comum, como congestão nasal e tosse, mas pode evoluir rapidamente para dificuldade respiratória, cansaço e necessidade de atendimento médico. 

Segundo a infectologista pediátrica Carolina Brites, a proteção dos bebês deve começar ainda durante a gestação. "Desde conseguirmos vacinar as gestantes quanto imunizar os bebês elegíveis, isso é de suma importância para a prevenção. Já observamos uma redução significativa das hospitalizações relacionadas ao Vírus Sincicial Respiratório", afirma. 

A especialista explica que os primeiros meses de vida representam o período de maior risco para complicações. "A faixa etária mais preocupante é a de até seis meses de idade, quando existe uma menor imunidade e o sistema respiratório ainda está em desenvolvimento, tornando essas crianças mais suscetíveis à infecção pelo vírus", destaca. 

Embora a circulação do VSR continue ocorrendo, a expectativa é que as novas estratégias contribuam para diminuir a gravidade dos quadros clínicos. "Os bebês ainda poderão ter contato com o vírus, mas a tendência é que apresentem manifestações mais leves, com menor risco de internação e complicações", ressalta Carolina Brites. 

Especialista reforça que a combinação entre vacinação materna, imunização dos grupos indicados e acompanhamento pediátrico representa uma das principais ferramentas para reduzir o impacto da bronquiolite e de outras doenças respiratórias causadas pelo VSR, especialmente entre os lactentes mais jovens.

 

Carolina Brites - CRM-SP: 115624 | RQE: 122965 concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP. Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.

 

Os primeiros 1.000 dias do prematuro começam antes do nascimento

Da assistência durante a gestação ao acompanhamento após a alta hospitalar, neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana explica por que o cuidado integrado é fundamental para o desenvolvimento de bebês que nascem antes do tempo

 

Os primeiros 1.000 dias de vida são considerados uma janela decisiva para o desenvolvimento infantil. O período, que compreende a gestação e os dois primeiros anos após o nascimento, reúne etapas importantes para a formação do cérebro, o crescimento, a maturação do sistema imunológico e a aquisição de habilidades motoras, cognitivas e socioemocionais. Quando o nascimento acontece antes do tempo esperado, parte desse percurso exige cuidados específicos, que começam ainda durante a gravidez e continuam muito além da alta hospitalar.

A prematuridade é definida pelo nascimento antes de 37 semanas completas de gestação. Como órgãos e sistemas ainda estão em desenvolvimento, especialmente o cérebro e os pulmões, alguns recém-nascidos podem precisar de suporte respiratório, assistência nutricional e monitoramento intensivo. As necessidades variam de acordo com a idade gestacional, as condições clínicas e a evolução de cada bebê, o que torna essencial uma abordagem individualizada.

“Os primeiros 1.000 dias precisam ser compreendidos como uma trajetória de desenvolvimento, e não apenas como um período contado a partir do nascimento. Para o bebê prematuro, essa perspectiva é especialmente importante, porque o cuidado envolve desde a identificação de riscos durante a gestação até as medidas que favorecem seu desenvolvimento depois do parto. Cada etapa exige atenção às necessidades da criança e planejamento da assistência”, explica a Dra. Suely Dornellas, coordenadora médica da UTI neonatal de prematuros extremos do Hospital e Maternidade Santa Joana.


O que pode ser feito antes do nascimento?

O acompanhamento pré-natal permite identificar condições que podem aumentar o risco de parto prematuro ou comprometer a saúde materna e fetal. Hipertensão, diabetes, infecções, alterações placentárias, histórico de parto prematuro, encurtamento de colo uterino e gestação múltipla estão entre os fatores que podem exigir avaliação mais frequente e assistência especializada. Embora nem todos os casos de prematuridade possam ser prevenidos, reconhecer precocemente os riscos ajuda a orientar decisões clínicas e a preparar a equipe para diferentes cenários.

Quando existe a possibilidade de nascimento antecipado, o planejamento da assistência neonatal pode fazer diferença. Conforme a situação clínica e a idade gestacional, intervenções realizadas antes do parto, como o uso de corticosteroide antenatal para acelerar a maturação pulmonar do feto e de sulfato de magnésio para neuroproteção, além da transferência da gestante para uma maternidade com UTI de alta complexidade, ajudam a reduzir o risco de determinadas complicações. A comunicação entre obstetras e neonatologistas também permite antecipar as necessidades do recém-nascido e organizar os recursos necessários para sua recepção.

“Quando há risco de prematuridade, o planejamento é parte fundamental do cuidado. A avaliação das condições maternas e fetais, a definição do momento mais adequado para o nascimento e a preparação da equipe neonatal precisam caminhar juntas. Isso permite que as decisões sejam tomadas considerando tanto a saúde da mãe quanto as necessidades do bebê”, destaca a especialista.


Na UTI neonatal, o cuidado vai além da estabilização clínica

Após o nascimento, os prematuros que necessitam de internação em unidade de terapia intensiva neonatal recebem assistência direcionada às suas condições clínicas. O suporte pode incluir auxílio respiratório, controle da temperatura corporal, monitoramento de sinais vitais, acompanhamento nutricional e medidas de neuroproteção para favorecer o crescimento e o amadurecimento dos órgãos.

Nesse ambiente, medidas que respeitam a maturidade e a tolerância do recém-nascido, como o controle de luminosidade, de ruídos e a manipulação mínima, também integram a assistência. Sempre que as condições clínicas permitem, o contato pele a pele (método canguru), o incentivo à participação dos pais e o estímulo à amamentação são estratégias importantes para fortalecer o vínculo e favorecer o bem-estar do bebê.

O leite materno merece atenção especial, pois fornece nutrientes e componentes imunológicos relevantes para o prematuro. Quando a amamentação direta ainda não é possível, a equipe pode orientar a extração e a oferta do leite de acordo com as condições clínicas e as necessidades nutricionais da criança.

A participação da família é outro componente importante. Com orientação dos profissionais, os pais podem aprender a reconhecer os sinais do bebê, participar dos cuidados e se preparar para a rotina após a alta. A internação, portanto, também é um período de acolhimento e preparação para a continuidade da assistência em casa.


Por que o acompanhamento precisa continuar após a alta?

A alta hospitalar representa uma conquista importante, mas não encerra o cuidado com o prematuro. Nos primeiros anos, o acompanhamento permite observar o crescimento, a alimentação, a visão, a audição e a evolução das habilidades motoras e cognitivas. Fazem parte desse cuidado o rastreamento da retinopatia da prematuridade e de alterações auditivas, o cumprimento do calendário vacinal conforme a idade cronológica e a atenção à prevenção de infecções respiratórias. Quando necessário, a criança pode ser encaminhada a profissionais de diferentes áreas, conforme suas necessidades individuais.

Um aspecto importante dessa avaliação é a idade corrigida, calculada o tempo que faltou para o bebê completar 40 semanas de gestação. Essa referência pode ajudar os profissionais a interpretar os marcos do desenvolvimento, especialmente nos primeiros anos, sem comparar a criança prematura exclusivamente com bebês nascidos a termo da mesma idade cronológica.

O seguimento também favorece a identificação precoce de possíveis atrasos ou dificuldades, permitindo iniciar intervenções quando indicadas. A frequência das consultas e as especialidades envolvidas dependem da história clínica, do grau de prematuridade e da evolução de cada criança.

“Não podemos considerar a alta hospitalar como o ponto final da assistência. O desenvolvimento continua, e o acompanhamento permite avaliar como o bebê está crescendo, identificar necessidades que podem surgir ao longo do tempo e orientar a família em cada fase. O objetivo é oferecer condições para que a criança alcance seu potencial de desenvolvimento, respeitando suas particularidades”, afirma a Dra. Suely Dornellas.

A prematuridade não determina, isoladamente, o futuro de uma criança. Os resultados dependem de diferentes fatores, incluindo as condições clínicas ao nascimento, a evolução individual e o acesso a cuidados adequados. Por isso, compreender os primeiros 1.000 dias como uma jornada contínua ajuda a ampliar o olhar sobre a saúde infantil: o desenvolvimento começa na gestação, ganha novas demandas com o nascimento e continua sendo acompanhado nos primeiros anos de vida. 



Hospital e Maternidade Santa Joana
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Campanha contribui para quebrar o silêncio em torno da saúde masculina

Para urologista e professor da UMC, ações possuem ênfase histórica no câncer de próstata, tumor que mais cresce entre os homens brasileiros, mas também incentivam à dedicação ao cuidado integral de sua saúde

 

Novembro Azul começou. Este é o mês escolhido para a campanha mundial de conscientização sobre a saúde do homem, com ênfase histórica no câncer de próstata. O objetivo central é quebrar o silêncio em torno da saúde masculina: fazer o homem entender que procurar o médico antes do sintoma não é fraqueza, é cuidado. A campanha existe porque a doença cresce em silêncio e, quando apresenta sintomas, muitas vezes já avançou. “Cerca de 90% do câncer de próstata pode ser curado se descoberto em sua fase inicial”, adverte o urologista Renato Chavasco, chefe da disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). 

“Este é o momento do ano em que o assunto entra na mesa de bar, na família e no consultório, e em que muitos homens fazem o primeiro exame da vida”, destaca Chavasco, que possui subespecialização em Uro-Oncologia. 

O Brasil está entre os países com maior número absoluto de casos de câncer de próstata no mundo, o que se explica pela dimensão da população e pelo envelhecimento. É o câncer mais incidente entre os homens brasileiros. Segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (Inca), para o triênio 2026 a 2028, o Brasil deve registrar cerca de 77.920 novos casos por ano. 

O professor da UMC lembra que o momento de decisão em procurar um médico tem impacto direto sobre o diagnóstico da doença: “Detectado em estágio inicial, quando ainda está confinado à glândula, o câncer de próstata tem alta chance de cura, com tratamentos que preservam a qualidade de vida. Quando descoberto em fase avançada, com metástase, a cura deixa de ser possível e o tratamento passa a ser paliativo. É a diferença entre uma doença curável e uma doença crônica e grave”. 

De acordo com o urologista, a recomendação usual é iniciar a avaliação prostática preventiva a partir dos 50 anos para homens sem fatores de risco, e a partir dos 45 para homens negros e para quem tem parente de primeiro grau, como pai ou irmão, porque nesses grupos o risco é maior e a doença tende a ser mais agressiva. Quem tem histórico familiar forte deve conversar com o urologista ainda mais cedo. 

Os sinais de alerta que o corpo dá para a doença são jato urinário fraco, dificuldade para iniciar ou interromper a micção, necessidade de urinar várias vezes à noite, sangue na urina ou no sêmen e dor óssea persistente, principalmente na coluna e no quadril, que aí pode indicar doença avançada. Para o rastreamento, geralmente são realizados dois exames, que se completam: o exame de sangue do PSA e o exame físico, o toque retal. 

Atualmente, há diversas opções de tratamento disponíveis e que dependem do estágio da doença e do risco a serem avaliados pelo médico: “Nos casos iniciais, as principais opções são a cirurgia, a radioterapia e, em tumores de baixo risco, a vigilância ativa. Nos casos avançados, entram a hormonioterapia, a quimioterapia e as novas terapias-alvo. A tecnologia mudou muito a cirurgia. A robótica permite maior precisão, menos sangramento e recuperação mais rápida, com impacto direto na preservação da continência urinária e da função erétil”, explica o especialista. 

O professor da UMC lembra que o mês de campanha pode e deve ser utilizado não só para o olhar vigilante sobre o câncer de próstata, como também para a saúde integral do homem: “Ele pode eleger esse período para dedicar-se ao cuidado da sua saúde. Ter esse zelo não diminui a masculinidade, pelo contrário, é o que garante tempo de qualidade com quem se ama”, conclui.

 

Pneumonia mata mais de 70 mil por ano no Brasil

·         Doença exige atendimento de emergência imediato em grupos de risco

·         12/11 – Dia Mundial da Pneumonia

 

Principal causa de hospitalizações e uma das doenças infecciosas que mais matam no Brasil, a pneumonia foi responsável por uma média de 650 mil internações anuais entre 2024 e 2026, com mais de 70 mil mortes hospitalares registradas a cada ano em decorrência da doença, segundo dados do Ministério da Saúde. 

A pneumonia é uma infecção que se instala nos pulmões, acometendo principalmente os alvéolos pulmonares. Quando a infecção ocorre, os alvéolos inflamam e acumulam líquido, secreção ou pus, o que prejudica a oxigenação do organismo e dificulta a respiração. 

Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE), a pneumonia pode — e deve — ser conduzida como emergência médica com risco de morte sempre que manifestar critérios de gravidade ou acometer extremos de idade, ou seja, crianças menores de 5 anos e idosos acima dos 65 anos. Pessoas com doenças crônicas (diabetes, problemas cardíacos, asma ou DPOC) e pacientes imunossuprimidos fazem parte do grupo de risco.  

“A pneumonia pode apresentar uma evolução rápida e potencialmente fatal. Um dos maiores riscos está no atraso do reconhecimento dos sinais de gravidade, especialmente quando os sintomas iniciais são interpretados como manifestações de uma infecção respiratória simples. Identificar precocemente a insuficiência respiratória e iniciar o tratamento adequado são medidas fundamentais para evitar complicações e salvar vidas”, alerta a Dra. Maria Camila Lunardi, presidente da ABRAMEDE. 

A ABRAMEDE orienta a busca imediata por atendimento médico de emergência (via pronto-socorro, UPA ou acionamento do SAMU 192) na presença dos seguintes sinais de alarme:

·         Falta de ar intensa, sensação de sufocamento ou dificuldade severa para completar frases curtas.

·         Lábios, língua ou extremidades arroxeadas, indicando queda crítica da oxigenação sanguínea.

·         Confusão mental, desorientação temporoespacial, sonolência excessiva ou dificuldade de despertar.

·         Queda brusca da pressão arterial, tontura extrema ao sentar-se ou levantar-se, palidez cutânea e sudorese fria. 

A apresentação clínica da pneumonia varia de forma significativa de acordo com a faixa etária, o que frequentemente atrasa o reconhecimento do quadro por familiares e cuidadores.

 

Nos pacientes com mais de 60 anos, a pneumonia frequentemente não se manifesta com febre alta ou tosse produtiva. Os sinais de alarme costumam ser atípicos: desorientação repentina ou confusão mental inexplicada; prostração intensa; recusa alimentar súbita e desidratação rápida; queda no estado geral sem causa aparente.

 

“No público pediátrico, a reserva funcional pulmonar é menor. Por isso, atente-se aos sinais de respiração excessivamente acelerada; batimento ou abertura das asas do nariz a cada inspiração; afundamento da pele entre as costelas durante a respiração; irritabilidade inconsolável ou letargia acentuada”, chama atenção a presidente da ABRAMEDE.

 

O tempo decorrido entre o agravamento dos sintomas e a primeira intervenção hospitalar é o fator determinante para o prognóstico. Quando a infecção não é contida a tempo, as complicações evoluem com rapidez, podendo levar a quadros de hipoxemia grave, quando ocorre diminuição crítica dos níveis de oxigênio no sangue, podendo causar lesão miocárdica e cerebral; e derrame pleural e empiema, quando ocorre o acúmulo de líquido ou pus no espaço pleural ao redor dos pulmões.

 

“A Medicina de Emergência desempenha papel fundamental no atendimento aos pacientes com pneumonia grave, por meio da identificação precoce dos sinais de gravidade, da aplicação de protocolos de atendimento estruturados, do suporte respiratório oportuno e do início imediato da antibioticoterapia intravenosa adequada. Essas medidas, quando instituídas de forma rápida e integrada, contribuem para reduzir complicações, melhorar os desfechos clínicos e diminuir o risco de mortalidade hospitalar", destaca a Dra. Maria Camila Lunardi.

 



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