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domingo, 1 de novembro de 2026

Com a antecipação da temporada de cupins, especialistas alertam para riscos à saúde e ao patrimônio

Calor fora de época e construções antigas ampliam infestações em São Paulo; técnica usada em restauro histórico surge como opção segura para pessoas sensíveis, animais e móveis de alto valor sentimental.

 

A antecipação da temporada de cupins em São Paulo, impulsionada pelo calor e pela umidade acima da média, acende um alerta não apenas sobre danos estruturais, mas também sobre o uso de produtos químicos em ambientes residenciais. Em meio ao aumento das infestações, especialistas destacam uma alternativa já utilizada em patrimônio histórico que elimina a praga sem deixar resíduos tóxicos — protegendo pessoas sensíveis, animais domésticos e bens de alto valor afetivo.

 

Com dias acima de 30 °C já no inverno, a temporada de cupins começou mais cedo em São Paulo. Bairros antigos como Mooca, Tatuapé, Penha, Liberdade, Bela Vista, República e Santa Cecília concentram o maior risco, com estimativas técnicas indicando que entre 35% e 55% dos imóveis podem estar vulneráveis.

 

Além dos danos estruturais, há outro problema crescente: o uso de inseticidas em ambientes onde pessoas e animais convivem diariamente. Cupinicidas tradicionais podem causar mal-estar, intoxicação, irritação respiratória e não devem ser aplicados em superfícies que entram em contato com alimentos, utensílios de cozinha, áreas de cultivo de plantas, próximos a aquários ou em locais com ventilação limitada.

 

- “Cupinicidas não devem ser aplicados em superfícies que entram em contato com alimentos, utensílios de cozinha, áreas de cultivo de plantas, próximos a aquários, ou em ambientes com restrições severas de ventilação”, diz Stephan Schäfer, restaurador e diretor da Preservatech.


 

Impacto financeiro e emocional


O problema não se limita à estrutura dos imóveis. Cupins atacam móveis antigos, peças de família, bibliotecas particulares e objetos com valor afetivo incalculável.

 

“Estatísticas do setor indicam perdas massivas em estruturas de madeira, desvalorização de imóveis e custos elevados com reparos emergenciais. Os danos anuais ultrapassariam pouco mais de R$ 3 bilhões.”

 

Para quem possui móveis históricos, peças herdadas ou acervos pessoais, a infestação pode significar perda irreversível.


 

Alternativa sem toxicidade

 

Uma solução já conhecida no restauro de acervos históricos começa a ser aplicada em casas e apartamentos: a desinfestação térmica in‑loco, que elimina cupins sem produtos químicos, sem odor e sem risco para pessoas sensíveis ou animais.

 

- “É uma técnica de desinfestação de cupins sem uso de produtos químicos – aplicada para restauro de patrimônio histórico e arquitetônico”

 

A técnica, conduzida por especialistas em conservação, permite tratar bibliotecas particulares, armários de cozinha, closets, móveis de alto valor sentimental, peças que não podem receber produtos químicos e ser aplicada em ambientes com ventilação limitada

 

- “Usamos esta aplicação térmica de duas maneiras. Uma, em espaços de casas – biblioteca, armários de cozinha, closets etc. – segregando o cômodo de forma a conduzir à extinção da praga. Outra, quando se trata de um móvel da casa, transportando a peça para nossa câmara fixa de desinfestação.”

 

Essa abordagem já foi usada em acervos como a Biblioteca Mário de Andrade, a Fundação Casa Rui Barbosa e o Santuário Nacional de Aparecida — locais onde o uso de químicos é proibido.


 

Serviço ao leitor:

 

Como identificar sinais de infestação

 

Checklist de inspeção

  • Pó fino semelhante a serragem próximo a móveis
  • Asas descartadas após revoadas
  • Madeira oca ao toque
  • Manchas de umidade e infiltrações
  • Insetos alados atraídos por luz à noite
  • Madeira exposta em áreas externas

 

Mapa de risco — São Paulo (2026/2027)

 

🟥 Risco muito alto: Mooca, Tatuapé, Penha, Liberdade, Bela Vista, República, Santa Cecília

🟧 Risco alto: Moema, Campo Belo, Brooklin, Santo Amaro, Vila Prudente, Saúde, Aclimação

🟨 Risco moderado: Pinheiros, Perdizes, Vila Madalena, Lapa, Pompeia

🟩 Risco baixo: Vila Sônia, Jaguaré, Chácara Santo Antônio (novo)

 

 

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