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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Os segredos do bem-estar dos gatos

 

Divulgação

Enriquecimento ambiental, rotina estruturada e estímulos certos fazem a diferença no comportamento e na qualidade de vida dos felinos.

 

Os gatos têm uma forma única de enxergar o mundo. Mesmo vivendo dentro de casa, mantêm instintos herdados de seus ancestrais, ligados à caça, ao movimento e à observação. Para eles, estímulo físico e mental é uma necessidade diária. Quando o ambiente oferece poucas oportunidades de exploração, é comum surgirem sinais de tédio, estresse e mudanças de comportamento.

Por isso, o bem-estar felino está diretamente ligado à qualidade do ambiente em que ele vive. O chamado enriquecimento ambiental é uma das formas mais eficazes de promover esse equilíbrio. Ele pode ser criado com itens simples, como caixas de papelão, arranhadores e bolinhas, ou ser mais elaborado, com prateleiras altas, túneis e circuitos que incentivem o gato a subir, pular e investigar. A ideia é permitir que ele exercite seus instintos com segurança, gastando energia e mantendo a mente ativa.

As brincadeiras também têm papel fundamental. Itens que imitam presas, como penas ou varinhas, despertam reflexos naturais e ajudam o gato a liberar tensão. Períodos curtos ao longo do dia já são suficientes para melhorar o humor e reduzir comportamentos ligados ao tédio. “Os gatos precisam de estímulos que conversem com o jeito deles de explorar. Quando isso falta, eles tendem a ficar entediados, o que pode gerar miados excessivos, lambedura fora do comum ou desinteresse geral pelas atividades”, explica a médica-veterinária e gerente de produtos da Pet Nutrition, Bruna Isabel Tanabe.

Outro ponto essencial é a rotina. Gatos se sentem mais seguros quando o dia segue um fluxo previsível. Horários relativamente estáveis, locais definidos para dormir, brincar e se alimentar e um ambiente organizado ajudam a diminuir estresse e favorecem um comportamento equilibrado. Não se trata de rigidez, mas de constância, algo que os felinos valorizam muito.

Dentro dessa rotina, os snacks são aliados interessantes. Quando usados da maneira correta, ajudam a reforçar comportamentos desejados, incentivam o gato durante brincadeiras mais desafiadoras e tornam o enriquecimento ambiental ainda mais envolvente. Esconder pequenas porções de petiscos em brinquedos interativos, por exemplo, transforma a atividade em um jogo de caça que estimula o olfato, a curiosidade e a capacidade de resolver problemas.

Bruna reforça que os snacks cumprem um papel mais amplo do que apenas agradar o paladar. “O uso de petiscos dentro do enriquecimento ambiental tem muito valor. Eles ajudam a direcionar o comportamento do gato, aumentam o engajamento nas brincadeiras e fazem com que o animal associe a atividade a algo positivo. Além disso, quando utilizados em desafios, como brinquedos recheáveis ou trilhas de busca, estimulam o raciocínio e o instinto de caça, que são fundamentais para o bem-estar dos felinos”, comenta a profissional.

No fim, o segredo do bem-estar felino está nos detalhes: uma prateleira extra para observar a casa do alto, alguns minutos a mais de brincadeira ou um petisco oferecido como recompensa na hora certa. São pequenas ações que, somadas, transformam a rotina e fortalecem a relação entre o tutor e o seu gato.

 


Pet Nutrition
https://www.petnutrition.com.br/


O que a floresta tem a ensinar à inteligência artificial?

Freepik

Temos falado muito “sobre” e “com” inteligências artificiais. Mas é fato que em estudos mais aprofundados de como operam estes modelos de linguagem, embora poderosos, constata-se que atuam em “silos” e modelos compartimentados, focados em otimização pontual, gastando uma energia monumental para estas tarefas. A natureza, em contraste, demonstra inteligência sistêmica, com elementos conectados em convergência para a vitalidade do todo, sem usar ou demandar energia exacerbada. A floresta tem algumas lições a ensinar. 

A primeira lição é sobre redundância útil de propósito. A floresta não otimiza para eficiência imediata e centenas de espécies de árvores podem cumprir o mesmo papel. Os fungos micorrízicos são micro-organismos que formam uma simbiose benéfica com as raízes das plantas, e ajudam a planta a absorver mais água e nutrientes do solo, em troca de carboidratos. O que aqui chamo de algoritmo micorrízico são redes subterrâneas que conversam quimicamente e redistribuem recursos. A floresta não concentra, distribui. A redundância deste grande organismo é igualdade operacional: múltiplos caminhos, múltiplos atores, sobrevivência do todo. 

A segunda lição é sobre integração simultânea. A floresta não opera em fases, faz tudo ao mesmo tempo. Enquanto protege solo, expande copa; absorve carbono, alimenta fauna. Não há departamentos, mas sim integração. A humanidade criou estruturas compartimentadas: governo separado de economia, mercado separado de natureza e tecnologia separada de ética. A floresta ensina: integração simultânea não é luxo, é sobrevivência. 

A terceira lição: temporalidade, investimento contínuo, retorno em longo prazo. A floresta investe em solos que renderão em 200 anos. Regula clima para geração que nunca a verá. Não há pressão de acionistas, não há trimestre fiscal. Há apenas continuidade. As IA são capturadas por lógica de curto prazo: otimizar para o próximo trimestre, o próximo anúncio. E o humano é quem força esta lógica.  

Esses ensinamentos são um exemplo de sinergia construída a partir da exclusão dessa incoerência sistêmica e realizada através da regeneração ambiental radical e integração entre natureza, tecnologia e humanidade. Em Biotecnosfera – Uma experiência de sociedade, proponho um mundo onde a convergência falha, gerando desigualdade extrema, tecnologia desconectada de ética, natureza reduzida a commoditie, o resultado é colapso. Mas essa distopia não é prognóstico determinista, é conjuração de possibilidade para propor ações no presente.  

Acredito que não é suficiente parar a destruição e sim regenerar: solos degradados, rios envenenados, ecossistemas colapsados. E, crucialmente, reconstruir a própria lógica de como organizamos sistemas econômicos, tecnológicos, sociais, como a natureza faz. A floresta já conhece as respostas. A questão é se ainda temos tempo de ouvi-la. 

  

Lucas Araujo - empresário contábil e autor de Biotecnosfera – Uma experiência de sociedade.

 

Confira dicas do Sebrae para o MEI começar 2026 sem surpresas

Novos valores da DAS, prazos para regularizar dívidas no Simples Nacional são algumas das informações sobre as quais o microempreendedor individual deve estar atento na virada do ano 

 

Trabalhar um pouco mais ou tirar alguns dias de férias depois das festas de final de ano? Independentemente dos planos para janeiro, o mês traz consigo datas importantes e mudanças para os mais de 13 milhões de microempreendedores individuais de todo o país. É momento para regularizar as dívidas, optar por permanecer no Simples Nacional para 2025 – no caso de ter ultrapassado R$ 81 mil em faturamento – e enviar Declaração Anual (DASN-SIMEI).

Mas, calma! Não precisa ficar preocupado, porque o Sebrae reuniu quatro informações fundamentais para que os donos desses pequenos negócios não percam os prazos neste começo de ano.


1) Reajuste

Com o aumento do salário-mínimo para R$ 1.627, o valor da contribuição mensal do MEI, feito por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), varia entre R$ 82,35 e R$ 87,35, dependendo da atividade exercida pelo profissional. Para o MEI Caminhoneiro, a contribuição mensal será entre R$ 196,24 e R$ 200,24.

A guia de contribuição deve ser paga até o dia 20 de cada mês. O primeiro boleto a considerar essa mudança vence em fevereiro de 2025, pois o recolhimento é sempre com relação ao mês anterior. Pelas plataformas de atendimento do Sebrae (site, 0800, ou app), é possível emitir o boleto gratuitamente.


2) Adesão ao Simples Nacional

Vai até 31 de janeiro o prazo para que os empreendedores façam adesão ao Simples Nacional. A iniciativa é voltada para aqueles pequenos negócios que foram excluídos do regime de tributação, inclusive quem está em débito com a Receita Federal. No mesmo período, os MEI que ultrapassaram o teto de faturamento de R$ 81 mil serão automaticamente desenquadrados da figura do microempreendedor individual. Nesse caso, vão precisar fazer a solicitação para permanecer no Simples Nacional. Consulte a situação do seu CNPJ pela página do Simples.


3) Dívidas

O prazo até 31 de janeiro é uma nova oportunidade para os donos dos pequenos negócios regularizarem as dívidas com a Receita Federal e evitar a exclusão do Simples Nacional. Em 2024, mais de 1,8 milhão de empresas receberam notificações da Receita. Os empreendedores que receberam um termo de exclusão do Simples Nacional, pelo Domicílio Tributário Eletrônico do Simples Nacional, precisam pagar as dívidas (à vista ou parcelado) em um prazo de 30 dias após a visualização do documento. Com a exclusão, o pequeno negócio perde benefícios fiscais e terá dificuldades para emitir notas fiscais, entre outras complicações. O Sebrae possui trilhas de apoio que orientam sobre a regularização de dívidas.


4) Declaração Anual

A Declaração Anual do Simples Nacional para o Microempreendedor Individual (DASN-SIMEI) já está disponível para o preenchimento. O documento reúne as informações sobre as contribuições e o faturamento da empresa em 2025 e de empregados (se for o caso). Mesmo quem não teve faturamento precisa fazer a declaração. O período para envio das informações segue até 31 de maio.

 

Cinco motivos para o varejo não relaxar na segurança pós-Natal

A menor circulação de clientes nas lojas e pessoas no entorno reduz o número de "olhos atentos", criando um ambiente mais favorável para ações oportunistas, furtos, invasões e falhas operacionais 

 

O período de final de ano exige atenção redobrada do varejo quando o assunto é segurança e prevenção de perdas. Embora o Natal e o Réveillon sejam tradicionalmente associados a picos de vendas, há também momentos marcados pela redução do fluxo de pessoas, especialmente entre as festas, quando muitos consumidores viajam ou aproveitam o período de início de férias. Essa diminuição no movimento, segundo Rafael Bernardini, CEO da Sekron Digital (https://sekrondigital.com.br), referência em soluções de segurança eletrônica e prevenção de perdas no varejo, pode gerar uma sensação equivocada de segurança, levando lojistas e equipes a relaxarem protocolos justamente quando os riscos permanecem elevados. 

Com lojas mais vazias e rotinas mais previsíveis, a vigilância natural diminui. A menor circulação de clientes e pessoas no entorno reduz o número de “olhos atentos”, criando um ambiente mais favorável para ações oportunistas, furtos, invasões e falhas operacionais. Além disso, o período costuma coincidir com equipes desfalcadas, seja por férias ou escalas reduzidas, o que impacta diretamente a capacidade de monitoramento constante. 

Diante desse cenário, estar atento e investir em proteção eletrônica deixou de ser apenas uma medida preventiva para se tornar uma decisão estratégica. É nesse contexto que a Sekron Digital vem se destacando com resultados consistentes em projetos voltados ao setor varejista. Clientes da empresa têm registrado reduções entre 20% e 30% nas perdas, resultado direto da implementação de tecnologias avançadas, como câmeras integradas à inteligência artificial. 

No centro dessa estratégia está o Sekron Online, painel exclusivo de monitoramento que fornece dados e imagens ao vivo, permitindo que gestores tenham visão total do que acontece em suas dependências, de qualquer lugar e a qualquer momento. O dashboard reúne indicadores estratégicos que auxiliam na tomada de decisão rápida, mesmo nos períodos de menor presença física nas lojas. 

Rafael Bernardini dá cinco motivos para o varejista não abrir mão do monitoramento no período pós-Natal.

 

  1. Falsa sensação de segurança com menor fluxo de pessoas

Durante o final de ano, especialmente entre o Natal e o Réveillon, muitas cidades registram queda na circulação de pessoas em determinados horários e dias, já que parte dos consumidores viaja ou aproveita o período de férias. Esse cenário cria uma sensação enganosa de tranquilidade, levando gestores e equipes a relaxarem protocolos de segurança e prevenção de perdas.

 

  1. Lojas mais vazias se tornam alvos mais previsíveis

Com menos clientes no ambiente, o varejo passa a operar com rotinas mais previsíveis, horários reduzidos e equipes enxutas. Esse padrão facilita a ação criminosa, que se aproveita da menor vigilância e da redução da atenção humana.

 

  1. Equipes desfalcadas e atenção dividida

Férias, revezamentos e afastamentos típicos do período impactam diretamente o efetivo de segurança e operação. Com menos profissionais atentos no dia a dia, aumentam as chances de falhas no monitoramento, atrasos na identificação de incidentes e respostas menos eficazes.

 

  1. Menor vigilância natural no entorno

A redução do fluxo não ocorre apenas dentro das lojas, mas também no entorno — estacionamentos, ruas comerciais e centros empresariais. Menos circulação significa menos “olhos atentos”, o que favorece furtos, arrombamentos e invasões fora do horário comercial.

 

  1. Crimes oportunistas crescem com menor movimento

Criminosos tendem a agir justamente quando percebem queda na vigilância e no fluxo de pessoas. Ambientes mais vazios e silenciosos oferecem menor risco de exposição, tornando-se alvos preferenciais para ações rápidas e planejadas. 

Como diz Bernardini, o final de ano exige atenção redobrada, não apenas nos dias de pico, mas também nos períodos de menor movimento. A sensação de segurança provocada por lojas mais vazias pode ser perigosa. “É justamente nesses momentos que a tecnologia de monitoramento inteligente se torna essencial, garantindo vigilância contínua, padronização dos protocolos e resposta rápida — independentemente da presença humana”, afirma o executivo.

  

SEKRON DIGITAL
https://sekrondigital.com.br


Até que ponto a automação está a serviço das pessoas?

Automatizar processos é apenas o ponto de partida. Um dos desafios é integrar eficiência tecnológica com inteligência humana 

 

Combinar inteligência artificial, dados e automação tem se mostrado um acelerador para uma mudança estrutural no modo como o trabalho é realizado.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, mais de 85 milhões de funções serão transformadas pela automação até 2025, ao mesmo tempo em que surgirão novas oportunidades para profissionais capazes de operar e evoluir essas tecnologias.

Essa é uma transição inevitável, mas não automática. E automatizar processos é apenas o ponto de partida. O verdadeiro desafio das organizações está em integrar eficiência tecnológica com inteligência humana, criando modelos de operação mais ágeis, analíticos e sustentáveis.

A automação está entre as forças mais transformadoras da economia contemporânea. Do chão de fábrica à gestão de grandes corporações, processos que antes exigiam horas de dedicação humana hoje são executados por algoritmos e sistemas inteligentes em questão de segundos. Mas a questão que se impõe aos líderes é clara: até que ponto a automação está realmente a serviço das pessoas e não o contrário?

Nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, é capaz de reproduzir a empatia, o discernimento e a criatividade que impulsionam a inovação. A automação deve ser encarada como multiplicadora de talento, e não como substituta da força de trabalho.

Quando bem implementada, ela libera tempo e energia para que as pessoas se concentrem no que realmente gera valor: a tomada de decisão estratégica, a criação de soluções originais e o fortalecimento de uma cultura organizacional baseada em propósito.

A automação é eficaz quando tem um objetivo claro: gerar impacto positivo e sustentável. Isso significa usar a tecnologia para eliminar ineficiências, aumentar a previsibilidade e, ao mesmo tempo, melhorar a experiência humana — seja de colaboradores, consumidores ou cidadãos.

Os ganhos de produtividade são importantes, mas o verdadeiro retorno está na capacidade de transformar a operação em vantagem competitiva e a inovação em valor social. O foco não deve ser apenas em “fazer mais com menos”, mas em fazer melhor com inteligência.

O caminho à frente não é o de substituir o humano, mas o de ampliar suas capacidades. O trabalho do futuro será híbrido: com humanos e máquinas atuando de forma complementar. Sistemas cuidarão da precisão, velocidade e análise, enquanto as pessoas permanecerão responsáveis pelo julgamento, pela criatividade e pela visão de longo prazo.

Esse equilíbrio entre automação e humanidade é o que definirá as organizações de alta performance na próxima década. A tecnologia é, e sempre será, um meio. O fim continua sendo o mesmo: o desenvolvimento humano e o progresso coletivo.


Marcus Piombo - CEO do Grupo Stefanini no Brasil.



Criadores sem caixa: como a crise de liquidez ameaça a economia criativa no Brasil

  

A economia criativa brasileira movimenta cifras bilionárias, cresce acima da média nacional em diversos segmentos e posiciona o Brasil como referência em produção cultural, audiovisual, design, publicidade e criação digital. Segundo o Mapeamento da Indústria Criativa 2025, publicado pela FIRJAN, o setor representa 3,59% do PIB nacional, reunindo mais de 935 mil profissionais formalmente empregados e milhares de autônomos e microempreendedores atuando de forma direta ou indireta. Mesmo assim, há um paradoxo evidente: o setor opera, na prática, sem caixa. É uma economia que cria valor, mas sobrevive, muitas vezes, à base do fiado. 

No cotidiano das agências, produtoras, estúdios, artistas e criadores, é comum que pagamentos sejam realizados com prazos que variam entre 60 e 120 dias. Isso significa que, mesmo após a entrega de um projeto, empresas e profissionais ainda aguardam meses para receber. Nesse intervalo, precisam seguir produzindo, pagando equipe, fornecedores, impostos e despesas operacionais, quase sempre sem capital de giro, sem crédito acessível e sem garantias reais que lhes permitam financiar a operação. Como resultado, a engrenagem criativa vive em estado de sufoco financeiro permanente. 

Quando falamos em crise de liquidez, não nos referimos apenas a grandes contratos ou valores vultosos. A falta de previsibilidade nos pagamentos afeta a base do setor: o editor que depende do repasse da produtora, o ilustrador contratado para um job pontual, o roteirista que entregou um projeto, mas não consegue cobrar formalmente. Quando um cliente atrasa, a produtora não consegue repassar; quando a produtora atrasa, os prestadores interrompem; e assim por diante. 

O impacto não é apenas financeiro, é sistêmico. Sem fluxo de caixa, há atraso na entrega, queda de qualidade, perda de talentos e, muitas vezes, retração de produção. 

E há outro fator agravante: boa parte das relações no setor são regidas por contratos verbais, sem formalização jurídica robusta ou instrumentos de cobrança em caso de inadimplência. Some-se a isso a informalidade ainda presente em nichos criativos, a volatilidade de demandas e a ausência de garantias convencionais, e o cenário de instabilidade se agrava. 

Na DUX, fintech especializada em soluções financeiras para a economia criativa, temos mapeado esse desequilíbrio de forma recorrente. Em um ano de operação plena, antecipamos mais de R$ 33 milhões em recebíveis, com foco em criadores, produtoras, agências e estúdios. Só no mês de agosto de 2025, o volume antecipado foi de R$ 9,1 milhões. 

Mas esses números ainda são uma fração do que está represado. Nossas estimativas apontam para uma demanda reprimida de liquidez superior a R$ 1 bilhão no setor. São projetos já performados, contratos assinados ou em andamento que não conseguem acesso a recursos de curto prazo. Essa lacuna representa não apenas perda de oportunidade, mas um entrave real à sustentabilidade de milhares de negócios criativos em todo o país. 

Os modelos tradicionais de crédito foram desenhados para empresas com ativos tangíveis, ciclos de produção previsíveis e garantias reais. No entanto, a economia criativa opera com outros códigos: projetos customizados, ativos intangíveis, múltiplas fontes de receita, prazos irregulares e alto grau de inovação. 

Nesse contexto, ferramentas como score bancário, análise de garantias ou mesmo linhas de crédito convencionais se tornam ineficazes, quando não, excludentes. É como tentar medir a intensidade de uma cor com uma régua: o instrumento é legítimo, mas inadequado ao objeto. 

O desafio, portanto, não é apenas fornecer crédito, mas reformular a lógica de avaliação de risco e construir pontes entre criatividade e inteligência financeira. Isso passa pelo uso de dados, tecnologia, curadoria especializada e novos modelos de garantias adaptadas à realidade do setor. 

Financiar a economia criativa não é ação filantrópica, é estratégia de desenvolvimento. Cada real investido em cultura, audiovisual, publicidade ou criação digital retorna em empregos, inovação, exportação de conteúdo e fortalecimento de cadeias produtivas locais. 

No entanto, para que o setor avance de forma consistente, o fluxo financeiro precisa acompanhar o ritmo da entrega. Não se trata apenas de antecipar pagamentos, mas de desenhar soluções estruturais que permitam previsibilidade, escala e segurança. 

E esse esforço não pode ser isolado. Para mudar o jogo, é preciso articular bancos, agências de fomento, investidores privados e políticas públicas. É preciso criar marcos regulatórios que reconheçam a economia criativa como vetor estratégico de desenvolvimento e que fomentem produtos financeiros adequados ao setor. 

A criatividade é um ativo. E como todo ativo, precisa de liquidez que não é conjuntural, é estrutural. E, como tal, exige respostas sistêmicas, coordenadas e sustentáveis. A boa notícia é que as soluções existem: já estão em operação, testadas, com resultados concretos. 

Se quisermos que o Brasil criativo seja, de fato, competitivo, é preciso garantir que ele respire. E, para isso, é indispensável que o crédito, a liquidez e a inovação financeira façam parte do seu dia a dia.
 

Luiz Octavio Neto - economista, CEO da DUX e sócio da OZ, consultoria especializada em inteligência financeira para negócios criativos e inovação regulatória.

 

Festas de fim de ano ainda excluem pessoas com deficiência em espaços públicos

Especialista alerta para falta de acessibilidade em eventos de Natal e Réveillon nas cidades brasileiras

 

Com a chegada do fim do ano, praças, parques e vias públicas se transformam em cenários de festas, iluminação natalina e grandes shows de Réveillon. No entanto, para milhões de pessoas com deficiência, essas celebrações seguem inacessíveis. A ausência de planejamento inclusivo mantém crianças, adultos e idosos fora dos espaços públicos justamente em um período que simboliza convivência e celebração coletiva. 

Segundo dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE, o Brasil possui 14,4 milhões de pessoas com deficiência, incluindo um contingente expressivo de crianças e adolescentes. Apesar disso, eventos públicos temporários - como festas de fim de ano - frequentemente ignoram requisitos básicos de acessibilidade, como rampas, banheiros adaptados, áreas reservadas, sinalização adequada e intérpretes de Libras. 

Para o defensor público federal André Naves, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, a exclusão nesses eventos vai além de falhas pontuais. 

“A cidade se enfeita para celebrar, mas esquece de incluir. Quando eventos públicos não são acessíveis, o poder público transmite a mensagem de que pessoas com deficiência não fazem parte da vida urbana”, afirma. 

Naves destaca que a acessibilidade não deve ser tratada como adaptação de última hora, mas como obrigação legal e princípio de cidadania. 

“Festas públicas são políticas públicas. Se elas não contemplam todos, estamos diante de uma exclusão institucional, ainda naturalizada no Brasil.” 

O especialista defende que a inclusão em eventos de grande porte exige planejamento prévio, formação de equipes e compromisso contínuo do poder público, garantindo que a celebração seja, de fato, para todos.

Para saber mais sobre o trabalho de André Naves, acesse o site andrenaves.com ou acompanhe pelas redes sociais: @andrenaves.def.


Total de passageiros afetados por voos cancelados ou com atraso acima de duas horas no Brasil aumenta 22% em novembro, aponta AirHelp

  • Quantidade de passageiros afetados pelo cancelamento de voos saltou de 1,69 milhão, em outubro, para 2,07 milhões, em novembro – um aumento de 23%
  • Atrasos superiores a 2 horas afetaram 72.220 passageiros em novembro, contra 71.300 no mês anterior
  • 1 em cada 5 passageiros foi impactado por cancelamentos ou atrasos superiores a 2 horas nos aeroportos do país, em novembro (2,14 milhões). No mês anterior, a proporção de pessoas afetadas ficou em 1 para cada 6 (1,76 milhão)
  • Aeroportos brasileiros registraram uma queda de 3,2% no volume total de passageiros em novembro (10,13 milhões) em comparação com o mês anterior (10,46 milhões)

 

O número de passageiros afetados por cancelamentos ou atrasos de voos superiores a 2 horas aumentou 22% nos aeroportos brasileiros, durante o mês de novembro, frente aos dados observados em outubro deste ano. No total, 2,14 milhões de pessoas enfrentaram um desses problemas em novembro, contra 1,76 milhão de impactados em outubro. Isso significa que, aproximadamente, 1 em cada 5 passageiros foi afetado por voo cancelado ou atrasado em mais de 2 horas ao longo de novembro. No mês anterior, a mesma proporção ficou em cerca de 1 para cada 6.

Os dados são da AirHelp, empresa global de tecnologia de viagens que auxilia passageiros impactados por esses tipos de problemas. O levantamento aponta que no caso de cancelamentos, o número de passageiros impactados saltou de 1,7 milhão, em outubro, para 2,1 milhões, em novembro. Ou seja, 1 em cada 6 passageiros foi afetado em outubro, contra 1 em cada 5, em novembro.

O número de passageiros afetados por atrasos superiores a 2 horas também aumentou. Em novembro deste ano, 72.200 pessoas sofreram esse impacto, frente aos 71.300 passageiros que passaram pela mesma ocorrência em outubro. Com isso, 1 em cada 140 passageiros passou por este transtorno em novembro, diante de uma proporção de 1 em cada 145, no mês anterior.

Embora os problemas tenham aumentado, os aeroportos brasileiros registraram uma queda de 3,2% no volume total de passageiros em novembro, na comparação com o mês anterior. Segundo o levantamento da AirHelp, 10,13 milhões de pessoas decolaram a partir de um dos aeroportos brasileiros em novembro. Em outubro esse volume foi de 10,46 milhões.



Judicialização no Brasil

Atrasos superiores a duas horas e cancelamentos de voos, quando não provocados por questões meteorológicas ou de força maior, podem dar origem a pedidos de indenização às companhias aéreas.

“Diante da baixa capacidade que as companhias aéreas têm para resolver conflitos, os consumidores brasileiros são frequentemente obrigados a recorrer ao Judiciário para fazerem valer seus direitos – que são garantidos por lei”, analisa Luciano Barreto, diretor-geral da AirHelp no Brasil.



Compensação de passageiro 

Para reivindicar uma indenização, os passageiros devem estar cientes de certas condições. A primeira é verificar se o atraso ou cancelamento realmente causou sofrimento, estresse ou lesão ao usuário. Acontecimentos como faltar a uma consulta médica importante, cancelamento de contrato, demissão, afastamento de um acontecimento de grande relevância emocional, são situações que podem dar lugar a um pedido de indenização perante a companhia aérea. Se o passageiro já sofreu os chamados "danos morais" e pode prová-los, os passageiros têm boas chances de obter uma indenização financeira de até R$ 10.000 por pessoa.

O passageiro tem mais chance de obter uma compensação financeira se a companhia aérea for a responsável direta pela interrupção do voo, por problemas técnicos ou falta de tripulação, por exemplo. A reparação deve ser integral, inclusive para compensação de sofrimentos psicológicos. Mesmo quando a interrupção do serviço é devida a condições climáticas extremas ou situações de força maior que estão fora do controle da companhia aérea, os passageiros continuam a ter direito ao serviço e à informação adequada e tempestiva.

“O conjunto de direitos dos passageiros aéreos que temos no Brasil é orientado para o cliente e oferece aos passageiros aéreos uma grande consideração, especificando exatamente quais os cuidados que as companhias aéreas devem oferecer e quando, em caso de problemas de voo. No entanto, a lei é muito vaga quando se trata de critérios de compensação e pode ser um desafio para um único indivíduo sem conhecimento especializado interpretar a lei corretamente. Entre os principais motivos pelos quais os passageiros brasileiros não reivindicam seus direitos em caso de problemas de voo, podemos encontrar: falta de conhecimento sobre como fazer uma reclamação, mas também falta de consciência dos direitos dos passageiros”, diz Luciano Barreto, diretor-geral da AirHelp no Brasil.



Leis que protegem os passageiros no Brasil 

Quem voa no Brasil está amparado pelo Código de Defesa do Consumidor e pela legislação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que são os instrumentos jurídicos mais relevantes para o passageiro. Essas leis definem claramente as responsabilidades das companhias aéreas para com seus passageiros sempre que houver problemas de voo.

A legislação brasileira abrange voos domésticos dentro do Brasil, voos internacionais com partida ou chegada em aeroportos brasileiros, bem como voos com conexão em um aeroporto brasileiro.

A legislação brasileira protege os passageiros, desde que seus voos atendam aos 4 critérios a seguir:

  • O voo pousou ou decolou em um aeroporto brasileiro
  • O voo foi cancelado com aviso tardio, o voo estava com mais de 3 horas de atraso ou estava com overbook
  • Os passageiros não foram atendidos adequadamente pela companhia aérea
  • O problema ocorreu nos últimos 5 anos

Para mais informações, visite o site da AirHelp.


Apenas 19% da população planeja aposentadoria: Dicas para iniciar a poupança


 

Pessoa colocando moedas em um cofrinho
oto maitree rimthong - Pexels

Longevidade avança, mas apenas duas em cada dez pessoas se organizam financeiramente para o pós-carreira

 

O envelhecimento da população brasileira deixou de ser uma projeção distante e já se consolidou como uma realidade no país. Em 2023, o número de pessoas com 60 anos ou mais superou, pela primeira vez, a parcela de jovens entre 15 e 24 anos. Segundo o IBGE, a tendência é de aceleração: por volta de 2042, os idosos devem representar a maior faixa etária da população brasileira. Ainda assim, o planejamento financeiro para a aposentadoria segue fora das prioridades da maioria dos brasileiros. 

Dados da 7ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa realizada pela ANBIMA em parceria com o Datafolha em 2024, mostram que entre os brasileiros não aposentados (que representam 86% da população com mais de 16 anos) apenas 19% já iniciaram algum tipo de reserva financeira para a aposentadoria. 

Para especialistas em longevidade e planejamento financeiro, o primeiro passo não está, necessariamente, na escolha de produtos financeiros, mas na construção de uma visão de futuro. Marcos Ferreira, especialista em mercado securitário e Co-fundador da Silver Hub, explica que “viver mais exige repensar a aposentadoria não apenas como o fim da carreira, mas como uma nova etapa ativa da vida. Como essa fase demanda recursos para manter qualidade de vida, autonomia e acesso à saúde, pensar no pós carreira é fundamental. O planejamento financeiro passa a ser um pilar central para a longevidade ativa”.
 

Como, quando e por onde começar? 

Entre as práticas recomendadas por Marcos, estão a disciplina de reservar parte da renda durante a fase laboral ativa, a construção de uma reserva de emergência equivalente a pelo menos seis meses de remuneração e a diversificação do patrimônio em ativos que gerem renda passiva no longo prazo. 

O especialista também pontua que é fundamental considerar que os maiores gastos com saúde tendem a se concentrar a partir dos 60 ou 70 anos, o que exige uma preparação financeira específica para esse período. 

“O maior erro é não planejar”, diz o executivo. “Quem inicia esse processo pode enfrentar dificuldades na execução. Nesses casos, o apoio de assessores financeiros e o uso de ferramentas especializadas em finanças pessoais pode ajudar muito na estruturação do planejamento”, explica. O controle recorrente do orçamento doméstico e dos investimentos também é apontado como uma prática essencial. 

A preparação para a aposentadoria deve ser encarada como um exercício de longo prazo, que pode durar até 40 anos, dependendo da idade de início, diz Marcos. Quanto mais cedo o planejamento começa, menor é o esforço mensal necessário e maior é o impacto positivo dos juros compostos. “Em um país que envelhece rapidamente, pensar a aposentadoria deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade estratégica”, finaliza.


 

Marcos Eduardo Ferreira - Empreendedor, Investidor Anjo, Especialista em Longevidade e Mercado Securitário. Possui experiência de 32 anos como Executivo na MAPFRE. Nos últimos 15 anos, ocupou o cargo de CEO no Brasil e América do Sul, período em que também viveu como expatriado em Bogotá (2017 a 2020). Após essa trajetória profissional, decidiu embarcar em um período sabático, com o objetivo de reorganizar sua vida familiar e aprimorar seus conhecimentos em temas relacionados à Longevidade. Durante esse período de pausa, Marcos cursou a 1ª Turma do Programa de Especialização em Mercado de Longevidade da FGV – SP. Além disso, investiu em startups e, cofundou o Homens de Prata, canal no Youtube. Em julho de 2022, lançou a Silver Hub - Aceleradora e Agregadora de Negócios, com foco no apoio ao desenvolvimento de empreendedores e startups que oferecem produtos e serviços para o público 50+. Marcos é um entusiasta do empreendedorismo e um observador ativo dos impactos da longevidade, além de ser um grande incentivador da economia prateada.



Dicas para reduzir custos e começar 2026 com mais eficiência e consciência

Com pequenos ajustes e decisões inteligentes, é possível economizar, reduzir desperdícios e adotar hábitos mais sustentáveis no consumo de energia

 

Entrar em 2026 com o pé direito pode significar mais do que fazer novas promessas: é também uma boa oportunidade para repensar a forma como se usa e se consome energia. 

Os últimos anos deixaram isso bem claro. Entre 2010 e 2024, o custo da energia no mercado cativo saltou 177%, enquanto a inflação no período ficou em 122%, segundo a Abraceel. 

Em 2025, o cenário continuou pressionado com reajuste acima da inflação, conforme o Boletim Focus do Banco Central, e seis meses de bandeira vermelha, o que estendeu por mais tempo os custos extras na conta. Por isso, o fim do ano é um momento estratégico para agir. 

Segundo o engenheiro Alan Henn, CEO da Voltera Energia, o primeiro passo é entender que energia não é apenas um insumo, mas um recurso estratégico, tanto para empresas quanto para residências. “A forma como consumimos energia reflete nossos hábitos, nossa cultura e até nossos valores. Reduzir custos é uma consequência natural de quem adota práticas mais conscientes e sustentáveis”, explica. 

A seguir, Alan compartilha dicas para começar o ano economizando e consumindo melhor a energia. Confira:
 

1. Diagnóstico: saiba de onde vem o seu consumo

Antes de cortar gastos, é preciso entender como a energia está sendo usada. Empresas podem fazer um mapeamento de consumo, identificando horários de pico, desperdícios e equipamentos ineficientes. Já no ambiente doméstico, vale observar os vilões silenciosos, como: ar-condicionado mal regulado, lâmpadas antigas, aparelhos em stand-by e chuveiros elétricos usados por longos períodos.


2. Mercado livre de energia: previsibilidade e economia real

Para pequenas e médias empresas, migrar para o mercado livre de energia é uma das decisões mais eficazes para reduzir custos em 2026. Nessa modalidade, o consumidor pode escolher seu fornecedor e negociar preços, obtendo tarifas mais competitivas e previsíveis. “O mercado livre permite planejar, fugir da volatilidade das bandeiras tarifárias e, ainda, optar por fontes renováveis”, comenta Henn.


3. Mercado livre de energia: economia e sustentabilidade a longo prazo

Cada vez mais empresas estão aderindo ao mercado livre também pela oportunidade de alinhar o consumo às metas ESG. Ao comprar energia diretamente de fontes renováveis, como solar, eólica ou biomassa, a empresa reduz custos, melhora sua performance ambiental e reforça seu compromisso com práticas sustentáveis. Essa liberdade de escolha cria um ciclo virtuoso: menos gasto, menos impacto e mais valor para o negócio.

4. Pequenas atitudes que fazem diferença

Trocar lâmpadas por modelos LED, aproveitar a luz natural, desligar equipamentos fora do uso e regular o termostato de refrigeradores são ações simples que podem reduzir até 20% da conta de energia. “Economizar não é só gastar menos, é usar melhor. Cada quilowatt economizado é um passo em direção a um futuro mais sustentável”, completa Henn. 

Começar 2026 reduzindo custos é, acima de tudo, evoluir. Com tecnologia, planejamento e escolhas mais conscientes, é possível crescer gastando menos energia e evitando desperdícios.



Alan Henn - Engenheiro Eletricista e CEO da Voltera - Crédito: Pri Lippert

Voltera
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Falsas campanhas de doação ganham força no fim de ano e exploram apelo emocional para aplicar golpes

ESET alerta para fraudes que se passam por instituições beneficentes e detalha campanha falsa identificada recentemente, que utilizava dados reais e doações simuladas para enganar vítimas

Página com campanha falsa de doação em nome da Casa São Francisco de Assis


 O fim de ano é tradicionalmente marcado por campanhas solidárias e pelo aumento da disposição das pessoas em ajudar causas sociais. Esse cenário, no entanto, também chama a atenção de cibercriminosos, que se aproveitam do apelo emocional das datas festivas para aplicar golpes. A ESET, multinacional de cibersegurança, identificou uma campanha maliciosa que se passava por uma suposta casa de acolhimento de idosos chamada Casa São Francisco de Assis, explorando a credibilidade associada a instituições filantrópicas reconhecidas no país para arrecadar recursos de forma fraudulenta. 

A campanha identificada pela ESET Brasil utilizava um site criado para simular uma instituição beneficente voltada ao acolhimento de idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. A página apresentava imagens com mensagens altamente apelativas, reforçando uma suposta urgência na arrecadação de doações, estratégia comum para induzir decisões impulsivas.

Para aumentar a sensação de legitimidade, o site exibia fotos de supostos funcionários da instituição. A análise técnica da ESET Brasil, no entanto, apontou indícios de que essas imagens foram geradas por inteligência artificial, um recurso cada vez mais utilizado em golpes digitais para criar personagens fictícios com aparência realista.

Seção de “Quem Somos” no site com imagem gerada por IA


Outro elemento explorado pelos criminosos era a exibição de mensagens em tempo real no canto inferior da página, indicando doações supostamente realizadas por outras pessoas. A ESET identificou que esses avisos não eram reais: tratava-se de uma lista de nomes pré-definidos, reutilizados de forma recorrente, variando apenas o valor “doado” a cada nova visita ao site.

Segundo Daniel Barbosa, pesquisador de segurança da ESET Brasil, esse tipo de golpe se aproveita de fatores emocionais e da confiança associada a causas sociais. “Campanhas falsas de doação são especialmente perigosas porque exploram a empatia das pessoas. Os criminosos criam cenários de urgência, utilizam nomes de instituições conhecidas e recorrem a artifícios visuais para reduzir o senso crítico da vítima”, explica.


Uso de CNPJ real fora de contexto aumenta credibilidade do golpe

 
CNPJ utilizado era real, mas a situação cadastral era de que as atividades já haviam sido encerradas


A campanha exibia um número de CNPJ que, à primeira vista, poderia transmitir confiança. O dado, no entanto, estava associado a uma empresa real chamada Lar do Idoso São Francisco de Assis, cujo cadastro indica que as atividades já foram encerradas. O uso de informações verdadeiras fora de contexto é uma técnica recorrente em fraudes, pois dificulta a identificação imediata do golpe. 

Para concluir a tentativa de fraude, os criminosos ofereciam exclusivamente a opção de doação via Pix. No momento da análise realizada pela ESET Brasil, a página apresentava um erro que impedia a conclusão da transação, o que impossibilitou a identificação do beneficiário final da transferência.


Como se proteger de falsas campanhas de doação
 

Para evitar cair em golpes desse tipo, é importante adotar uma postura cautelosa antes de realizar qualquer doação online. Um dos primeiros sinais de alerta está no endereço do site: páginas fraudulentas costumam utilizar domínios genéricos ou com combinações incomuns de letras e números, o que permite que os criminosos reutilizem a estrutura em diferentes campanhas. Endereços pouco claros ou excessivamente longos devem ser encarados com desconfiança. 

Também é importante ter cuidado com informações recebidas de forma passiva, como mensagens por e-mail, SMS, anúncios em redes sociais ou banners em sites. Campanhas legítimas geralmente são divulgadas em canais oficiais e amplamente conhecidos. Quando a solicitação chega sem que o usuário tenha buscado por ela, o risco de fraude aumenta significativamente. 

“Pesquisar a reputação da instituição é um passo muito importante para verificar a legitimidade da campanha. Organizações sérias possuem presença digital consistente, histórico de ações e informações facilmente verificáveis. Uma busca simples pode revelar se a instituição é real, se está ativa e se há registros de golpes associados ao seu nome”, explica Barcos. Em muitos casos, quando se trata de fraude, surgem rapidamente alertas e referências à instituição verdadeira utilizada indevidamente. 

O pesquisador de segurança da ESET Brasil reforça que a proteção técnica também desempenha um papel importante. “Além da atenção aos sinais de fraude, é preciso manter dispositivos protegidos. Algumas campanhas de doação falsas não visam apenas o dinheiro, mas também a disseminação de malware. Contar com uma solução de segurança confiável, atualizada e ativa ajuda a bloquear acessos a sites maliciosos e a reduzir os riscos”, orienta.


Atenção redobrada em períodos de maior apelo emocional

Datas comemorativas e períodos de maior mobilização social tendem a ser explorados pelo cibercrime. Por isso, a recomendação é sempre desconfiar de apelos excessivamente urgentes, verificar informações antes de doar e evitar agir por impulso.

“Idealmente, a solidariedade deve caminhar junto com a cautela para que boas intenções não acabem financiando, involuntariamente, atividades criminosas”, conclui Barbosa. 



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