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sábado, 17 de janeiro de 2026

Saúde mental nas férias: como desconectar do estresse acadêmico e recarregar as energias

Especialista do Unipê orienta estudantes sobre descanso ativo, autocompaixão e retomada equilibrada dos estudos 


Embora as férias sejam tradicionalmente associadas ao descanso, esse período pode despertar ansiedade e outros impactos emocionais em estudantes. A quebra brusca da rotina acadêmica, aliada às cobranças internas e sociais por produtividade, pode gerar insegurança emocional, autocrítica e alimentar a culpa associada à ideia de não estar aproveitando adequadamente esse período. 

Segundo o professor Felipe Fernandes, do curso de Psicologia do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), a rotina funciona como um organizador emocional importante. “Do ponto de vista da Psicologia, especialmente da Terapia Cognitivo-Comportamental, a rotina reduz a necessidade constante de tomada de decisão. Quando ela desaparece, pensamentos automáticos e comparações podem surgir, aumentando a ansiedade”, explica. 

O encerramento de um ciclo acadêmico também contribui para esse cenário. O fim do semestre costuma ser acompanhado de avaliações internas sobre desempenho e autossuficiência, enquanto a proximidade de um novo período ativa expectativas, medos e cobranças futuras. Esse movimento entre passado e futuro afasta o estudante do momento presente e intensifica ruminações e preocupações antecipatórias, fatores diretamente ligados ao sofrimento psicológico. 

Nesse contexto, o conceito de descanso ativo ganha relevância. Diferente da inatividade total, ele envolve atividades prazerosas e voluntárias, que promovem recuperação emocional e cognitiva sem a lógica da produtividade. Caminhar, cozinhar por prazer, ler sem obrigação acadêmica, praticar atividades artísticas ou cuidar de plantas são alguns exemplos. “Não existe uma fórmula pronta. O descanso ativo precisa fazer sentido para a pessoa e estar alinhado aos seus valores”, reforça o docente. 

Hobbies, atividades físicas e o contato com a natureza também são aliados importantes na redução do estresse acadêmico. A prática de exercícios ajuda a regular hormônios relacionados ao estresse, enquanto ambientes naturais contribuem para melhorar a atenção, a memória e a sensação de bem-estar. Além disso, essas experiências ampliam o repertório emocional do estudante, reduzindo a centralidade da vida acadêmica como única fonte de valor pessoal. 

Para aproveitar as férias sem perder completamente a rotina — e evitar dificuldades no retorno às aulas — a orientação é manter certa flexibilidade com consistência. Horários minimamente regulares de sono e alimentação, evitar a lógica do “tudo ou nada” e praticar a autocompaixão são estratégias importantes. “Férias não precisam ser totalmente produtivas nem totalmente improdutivas. O descanso sem culpa é fundamental para a saúde mental”, pontua. 

O professor alerta ainda para sinais de que o estresse acadêmico deixou de ser pontual e exige atenção psicológica, mesmo durante o recesso. Ansiedade persistente, dificuldade para relaxar, alterações no sono e no apetite, pensamentos autocríticos intensos, sensação de vazio e sintomas físicos recorrentes indicam a necessidade de buscar apoio profissional. 

Para um retorno mais equilibrado às atividades acadêmicas, a recomendação é retomar os estudos de forma gradual, evitar metas irreais e trabalhar a relação com pensamentos de cobrança excessiva. “Um retorno emocionalmente saudável não se baseia em controle total, mas em flexibilidade psicológica, autocuidado e compromisso com aquilo que é significativo”, conclui.


Centro Universitário de João Pessoa – Unipê
www.unipe.edu.br


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