Especialista do Unipê orienta estudantes sobre
descanso ativo, autocompaixão e retomada equilibrada dos estudos
Embora
as férias sejam tradicionalmente associadas ao descanso, esse período pode
despertar ansiedade e outros impactos emocionais em estudantes. A quebra brusca
da rotina acadêmica, aliada às cobranças internas e sociais por produtividade,
pode gerar insegurança emocional, autocrítica e alimentar a culpa associada à
ideia de não estar aproveitando adequadamente esse período.
Segundo
o professor Felipe Fernandes, do curso de Psicologia do Centro Universitário de
João Pessoa (Unipê), a rotina funciona como um organizador emocional
importante. “Do ponto de vista da Psicologia, especialmente da Terapia
Cognitivo-Comportamental, a rotina reduz a necessidade constante de tomada de
decisão. Quando ela desaparece, pensamentos automáticos e comparações podem
surgir, aumentando a ansiedade”, explica.
O
encerramento de um ciclo acadêmico também contribui para esse cenário. O fim do
semestre costuma ser acompanhado de avaliações internas sobre desempenho e autossuficiência,
enquanto a proximidade de um novo período ativa expectativas, medos e cobranças
futuras. Esse movimento entre passado e futuro afasta o estudante do momento
presente e intensifica ruminações e preocupações antecipatórias, fatores
diretamente ligados ao sofrimento psicológico.
Nesse
contexto, o conceito de descanso ativo ganha relevância. Diferente da
inatividade total, ele envolve atividades prazerosas e voluntárias, que
promovem recuperação emocional e cognitiva sem a lógica da produtividade.
Caminhar, cozinhar por prazer, ler sem obrigação acadêmica, praticar atividades
artísticas ou cuidar de plantas são alguns exemplos. “Não existe uma fórmula
pronta. O descanso ativo precisa fazer sentido para a pessoa e estar alinhado
aos seus valores”, reforça o docente.
Hobbies,
atividades físicas e o contato com a natureza também são aliados importantes na
redução do estresse acadêmico. A prática de exercícios ajuda a regular
hormônios relacionados ao estresse, enquanto ambientes naturais contribuem para
melhorar a atenção, a memória e a sensação de bem-estar. Além disso, essas
experiências ampliam o repertório emocional do estudante, reduzindo a
centralidade da vida acadêmica como única fonte de valor pessoal.
Para
aproveitar as férias sem perder completamente a rotina — e evitar dificuldades
no retorno às aulas — a orientação é manter certa flexibilidade com
consistência. Horários minimamente regulares de sono e alimentação, evitar a
lógica do “tudo ou nada” e praticar a autocompaixão são estratégias
importantes. “Férias não precisam ser totalmente produtivas nem totalmente
improdutivas. O descanso sem culpa é fundamental para a saúde mental”, pontua.
O professor alerta ainda para sinais de que o estresse acadêmico deixou de ser pontual e exige atenção psicológica, mesmo durante o recesso. Ansiedade persistente, dificuldade para relaxar, alterações no sono e no apetite, pensamentos autocríticos intensos, sensação de vazio e sintomas físicos recorrentes indicam a necessidade de buscar apoio profissional.
Para um retorno mais equilibrado às atividades acadêmicas, a recomendação é retomar os estudos de forma gradual, evitar metas irreais e trabalhar a relação com pensamentos de cobrança excessiva. “Um retorno emocionalmente saudável não se baseia em controle total, mas em flexibilidade psicológica, autocuidado e compromisso com aquilo que é significativo”, conclui.
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