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sábado, 17 de janeiro de 2026

CRIANÇA QUE NÃO QUER VOLTAR PARA A ESCOLA: MEDO, BIRRA OU SINAL DE ALERTA?

Para algumas crianças, voltar às aulas após as férias pode ser um momento de grande estresse. Veja quais são os sinais que os pais devem estar atentos.

 

A volta às aulas está próxima e não é incomum os pais notarem mudanças no comportamento dos pequenos quanto mais perto esse dia chega. Mas será que esse comportamento é comum ou deve ser levado como um sinal de alerta? “Embora, em alguns casos, a atitude esteja relacionada à adaptação ou ao fim do período de descanso, o comportamento também pode ser um sinal de que algo mais profundo está acontecendo.”Comenta o neurocirurgião e especialista em desenvolvimento infantil André Ceballos.

 

Quais são os sinais de alerta?

De acordo com o doutor, o primeiro passo para identificar se o comportamento da criança é um sinal de alerta é observar a frequência com que ele acontece. “É natural que algumas crianças apresentem insegurança ou desconforto nos primeiros dias de aula, especialmente após longos períodos fora da rotina. No entanto, quando a recusa é persistente, acompanhada de sintomas físicos ou mudanças bruscas de comportamento, isso merece atenção.” 

Não é incomum a criança chorar, gritar e pedir para ficar em casa, mas se esse comportamento evoluir para dores de barriga, vômitos, crise de ansiedade, medo e até mesmo regressão de comportamentos podem indicar questões emocionais mais sérias, como ansiedade de separação, dificuldades de socialização ou até experiências negativas no ambiente escolar.
 

Como os pais podem ajudar?

A maneira como os pais lidam com essa situação reflete diretamente no comportamento dos filhos. “Quando os pais se mostram atentos e simpáticos, a criança tende a se sentir mais confiante para enfrentar a mudança. A volta às aulas não precisa ser traumática, ela pode ser construída de forma gradual e acolhedora”, explica. 

Uma dica importante do doutor é começar a implementar a rotina escolar algumas semanas antes. “Acordar no horário de ir pra escola, fazer as refeições em tempo determinado e ter uma rotina de estudos todos os dias ajuda a criar uma expectativa positiva. Esses pequenos passos diários dão à criança a sensação de controle e pertencimento, reduzindo a ansiedade.” Comenta Ceballos. 

Por fim, o doutor ainda reforça que o diálogo faz toda a diferença para os pequenos. Perguntar como ela se sente, validar emoções e evitar comparações com irmãos ou colegas contribui para um ambiente emocionalmente seguro. “Frases como ‘isso é besteira’ ou ‘todo mundo passa por isso’ devem ser evitadas. Acolher o sentimento não significa reforçar o medo, mas mostrar que a criança não está sozinha. Se os sintomas extremos persistirem é indispensável procurar ajuda médica. Com carinho, olhar atento e pequenas mudanças na rotina fazem das voltas as aulas um momento mais alegre e gera memórias para sempre.” finaliza o doutor André Ceballos.
 


Dr. André Ceballos - Médico neurocirurgião, atua como Diretor técnico do Hospital São Francisco, referência no diagnóstico e tratamento de crianças com transtornos do desenvolvimento. O médico tem como missão identificar precocemente condições que possam comprometer o pleno desenvolvimento das crianças, oferecendo intervenções terapêuticas baseadas nas melhores evidências científicas. A atuação do Dr. Ceballos vai além do atendimento clínico e da gestão hospitalar e reconhecendo a importância da informação e da educação para a saúde pública, se dedica a projetos de divulgação e conscientização sobre os marcos do desenvolvimento infantil, com o objetivo de influenciar políticas públicas que beneficiem especialmente as populações mais vulneráveis. Saiba mais em:Link


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