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sábado, 17 de janeiro de 2026

Metas de Ano Novo viram armadilha emocional e ampliam frustração em janeiro

Psicóloga aponta que listas irreais ativam mecanismos psicológicos de fracasso antecipado; abordagem gradual traz mais chances de sucesso 


Criar metas ousadas no Réveillon é tradição, mas pesquisas mostram que boa parte dessas resoluções se transforma em fonte de autocobrança, culpa e sensação de fracasso já nas primeiras semanas do ano. Levantamento da American Psychological Association (APA) revela que 43% das pessoas abandonam suas metas até o fim de janeiro, e apenas 8% chegam ao final do ano com elas intactas. 

Especialistas explicam que o cérebro responde de forma negativa a metas muito amplas ou desconectadas da rotina real. Pesquisas da Dominican University of California apontam que resoluções vagas elevam o estresse e reduzem a adesão a mudanças. Quando as metas entram em choque com compromissos, limitações ou recursos reais, a desistência acaba sendo interpretada pelo indivíduo como incapacidade, impactando diretamente a autoestima. 

Para a psicóloga Dra. Andrea Beltran, esse fenômeno é muito frequente em janeiro. “Há um ambiente social de euforia coletiva que incentiva promessas rápidas. Mas metas irreais ativam um mecanismo psicológico de ameaça: a pessoa sente que não conseguirá cumprir e perde motivação rapidamente”, afirma. “Isso gera frustração e alimenta a crença de que ela ‘nunca consegue’, quando, na verdade, o problema está no tamanho e no formato da meta.” 

A Dra. destaca que muitas resoluções são criadas sem levar em conta saúde mental, tempo, energia e contexto socioeconômico. “O discurso do ‘novo eu’ é sedutor, mas pode ser cruel. A pessoa se compara com ideias idealizadas, não com sua realidade. E, quando falha, reforça a sensação de inadequação.” 

Estudos da Universidade de Stanford indicam que micro-hábitos, pequenas ações diárias que exigem baixo esforço, são mais eficazes para mudanças duradouras. Segundo a especialista, essa lógica protege a saúde emocional. “Planejar de forma saudável envolve reconhecer limitações, criar etapas e aceitar ajustes ao longo do caminho. Metas não deveriam pressionar, mas orientar.” 

A especialista recomenda que as pessoas revisitem suas resoluções ainda em janeiro para estabelecer objetivos mais viáveis e alinhados ao cotidiano. “É um gesto de autocuidado, não de desistência.” 

Em um cenário em que a pressão por produtividade e autotransformação cresce a cada início de ano, especialistas reforçam que estabelecer metas realistas é menos sobre performance e mais sobre preservar bem-estar. A revisão das resoluções ao longo de janeiro, somada a uma compreensão mais gentil sobre limites pessoais, ajuda a transformar o planejamento anual em um processo contínuo, sustentável e emocionalmente saudável, e não em mais um fator de desgaste logo nos primeiros dias do ano.


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