Criar metas ousadas no Réveillon é tradição, mas
pesquisas mostram que boa parte dessas resoluções se transforma em fonte de
autocobrança, culpa e sensação de fracasso já nas primeiras semanas do ano.
Levantamento da American Psychological Association (APA) revela que 43% das pessoas
abandonam suas metas até o fim de janeiro, e apenas 8% chegam ao final do ano
com elas intactas.
Especialistas explicam que o cérebro responde de forma negativa a
metas muito amplas ou desconectadas da rotina real. Pesquisas da Dominican
University of California apontam que resoluções vagas elevam o estresse e
reduzem a adesão a mudanças. Quando as metas entram em choque com compromissos,
limitações ou recursos reais, a desistência acaba sendo interpretada pelo
indivíduo como incapacidade, impactando diretamente a autoestima.
Para a psicóloga Dra. Andrea Beltran, esse fenômeno é muito frequente em
janeiro. “Há um ambiente social de euforia coletiva que incentiva promessas
rápidas. Mas metas irreais ativam um mecanismo psicológico de ameaça: a pessoa
sente que não conseguirá cumprir e perde motivação rapidamente”, afirma. “Isso
gera frustração e alimenta a crença de que ela ‘nunca consegue’, quando, na
verdade, o problema está no tamanho e no formato da meta.”
A Dra. destaca que muitas resoluções são criadas sem levar em
conta saúde mental, tempo, energia e contexto socioeconômico. “O discurso do
‘novo eu’ é sedutor, mas pode ser cruel. A pessoa se compara com ideias
idealizadas, não com sua realidade. E, quando falha, reforça a sensação de
inadequação.”
Estudos da Universidade de Stanford indicam que micro-hábitos,
pequenas ações diárias que exigem baixo esforço, são mais eficazes para
mudanças duradouras. Segundo a especialista, essa lógica protege a saúde
emocional. “Planejar de forma saudável envolve reconhecer limitações, criar
etapas e aceitar ajustes ao longo do caminho. Metas não deveriam pressionar,
mas orientar.”
A especialista recomenda que as pessoas revisitem suas resoluções
ainda em janeiro para estabelecer objetivos mais viáveis e alinhados ao
cotidiano. “É um gesto de autocuidado, não de desistência.”
Em um cenário em que a pressão por produtividade e autotransformação cresce a cada início de ano, especialistas reforçam que estabelecer metas realistas é menos sobre performance e mais sobre preservar bem-estar. A revisão das resoluções ao longo de janeiro, somada a uma compreensão mais gentil sobre limites pessoais, ajuda a transformar o planejamento anual em um processo contínuo, sustentável e emocionalmente saudável, e não em mais um fator de desgaste logo nos primeiros dias do ano.

Nenhum comentário:
Postar um comentário