
Pessoa colocando moedas em um cofrinho
oto maitree rimthong - Pexels
Longevidade avança, mas apenas duas em cada dez pessoas se organizam financeiramente para o pós-carreira
O envelhecimento da população brasileira deixou de ser uma
projeção distante e já se consolidou como uma realidade no país. Em 2023, o
número de pessoas com 60 anos ou mais superou, pela primeira vez, a parcela de
jovens entre 15 e 24 anos. Segundo
o IBGE, a tendência é de aceleração: por volta de
2042, os idosos devem representar a maior faixa etária da população brasileira.
Ainda assim, o planejamento financeiro para a aposentadoria segue fora das
prioridades da maioria dos brasileiros.
Dados da 7ª
edição do Raio X do Investidor Brasileiro,
pesquisa realizada pela ANBIMA em parceria com o Datafolha em 2024, mostram que
entre os brasileiros não aposentados (que representam 86% da população com mais
de 16 anos) apenas 19% já iniciaram algum tipo de reserva financeira para a
aposentadoria.
Para especialistas em longevidade e planejamento financeiro, o
primeiro passo não está, necessariamente, na escolha de produtos financeiros, mas na construção de uma visão de futuro.
Marcos Ferreira, especialista em mercado securitário e Co-fundador da Silver
Hub, explica que “viver mais exige repensar a aposentadoria não apenas como o
fim da carreira, mas como uma nova etapa ativa da vida. Como essa fase demanda recursos
para manter qualidade de vida, autonomia e acesso à saúde, pensar no pós
carreira é fundamental. O planejamento financeiro passa a ser um pilar central
para a longevidade ativa”.
Como, quando e por onde começar?
Entre as práticas recomendadas por Marcos, estão
a disciplina de reservar parte da renda durante a fase laboral ativa, a
construção de uma reserva de emergência equivalente a pelo menos seis meses de
remuneração e a diversificação do patrimônio em ativos que gerem renda passiva
no longo prazo.
O especialista também pontua que é fundamental
considerar que os maiores gastos com saúde tendem a se concentrar a partir dos
60 ou 70 anos, o que exige uma preparação financeira específica para esse
período.
“O maior erro é não planejar”, diz o executivo.
“Quem inicia esse processo pode enfrentar dificuldades na execução. Nesses
casos, o apoio de assessores financeiros e o uso de ferramentas especializadas
em finanças pessoais pode ajudar muito na estruturação do planejamento”,
explica. O controle recorrente do orçamento doméstico e dos investimentos
também é apontado como uma prática essencial.
A preparação para a aposentadoria deve ser
encarada como um exercício de longo prazo, que pode durar até 40 anos,
dependendo da idade de início, diz Marcos. Quanto mais cedo o planejamento
começa, menor é o esforço mensal necessário e maior é o impacto positivo dos
juros compostos. “Em um país que envelhece rapidamente, pensar a aposentadoria
deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade estratégica”,
finaliza.
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