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Temos falado muito “sobre” e “com” inteligências
artificiais. Mas é fato que em estudos mais aprofundados de como operam estes
modelos de linguagem, embora poderosos, constata-se que atuam em “silos” e
modelos compartimentados, focados em otimização pontual, gastando uma energia
monumental para estas tarefas. A natureza, em contraste, demonstra inteligência
sistêmica, com elementos conectados em convergência para a vitalidade do todo,
sem usar ou demandar energia exacerbada. A floresta tem algumas lições a ensinar.
A
primeira lição é sobre redundância útil de propósito. A floresta não otimiza
para eficiência imediata e centenas de espécies de árvores podem cumprir o
mesmo papel. Os fungos micorrízicos são micro-organismos que formam uma
simbiose benéfica com as raízes das plantas, e ajudam a planta a absorver
mais água e nutrientes do solo, em troca de carboidratos. O que aqui chamo de
algoritmo micorrízico são redes subterrâneas que conversam quimicamente e
redistribuem recursos. A floresta não concentra, distribui. A redundância deste
grande organismo é igualdade operacional: múltiplos caminhos, múltiplos atores,
sobrevivência do todo.
A
segunda lição é sobre integração simultânea. A floresta não opera em
fases, faz tudo ao mesmo tempo. Enquanto protege solo, expande copa;
absorve carbono, alimenta fauna. Não há departamentos, mas sim integração. A
humanidade criou estruturas compartimentadas: governo separado de economia,
mercado separado de natureza e tecnologia separada de ética. A floresta ensina:
integração simultânea não é luxo, é sobrevivência.
A
terceira lição: temporalidade, investimento contínuo, retorno em longo prazo. A
floresta investe em solos que renderão em 200 anos. Regula clima para geração
que nunca a verá. Não há pressão de acionistas, não há trimestre fiscal. Há
apenas continuidade. As IA são capturadas por lógica de curto prazo: otimizar
para o próximo trimestre, o próximo anúncio. E o humano é quem força esta
lógica.
Esses
ensinamentos são um exemplo de sinergia construída a partir da exclusão dessa
incoerência sistêmica e realizada através da regeneração
ambiental radical e integração entre natureza, tecnologia e humanidade. Em Biotecnosfera – Uma experiência de sociedade, proponho um
mundo onde a convergência falha, gerando desigualdade extrema, tecnologia
desconectada de ética, natureza reduzida a commoditie, o resultado é
colapso. Mas essa distopia não é prognóstico determinista, é conjuração de
possibilidade para propor ações no presente.
Acredito
que não é suficiente parar a destruição e sim regenerar: solos
degradados, rios envenenados, ecossistemas colapsados. E, crucialmente,
reconstruir a própria lógica de como organizamos sistemas econômicos,
tecnológicos, sociais, como a natureza faz. A floresta já conhece as respostas.
A questão é se ainda temos tempo de ouvi-la.
Lucas
Araujo - empresário contábil e autor de Biotecnosfera – Uma
experiência de sociedade.

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