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sábado, 17 de janeiro de 2026

Quando a mente está exausta, o corpo entra em modo de sobrevivência. O prazer deixa de ser prioridade”, explica a sexóloga Stephanie Seitz

A saúde sexual é um reflexo direto de como a mente está sendo cuidada. Para a sexóloga Stephanie Seitz, falar sobre desejo, prazer e orgasmo sem considerar o emocional é olhar apenas uma parte da história. “A sexualidade começa muito antes do contato físico. Ela nasce na forma como a pessoa se sente, se percebe e se relaciona consigo mesma”, afirma.

Na sua experiência, a especialista observa um crescimento significativo de queixas relacionadas à falta de libido e dificuldade de orgasmo, especialmente entre mulheres. Dados clínicos mostram que cerca de metade das mulheres relatam diminuição importante do desejo sexual em algum momento da vida, e aproximadamente uma em cada quatro refere dificuldade ou ausência de orgasmo. Em muitos desses casos, não há uma causa física isolada, o principal fator está ligado ao desgaste emocional.

Ansiedade, estresse crônico, depressão, sobrecarga mental e excesso de cobranças têm impacto direto na resposta sexual. “Quando a mente está exausta, o corpo entra em modo de sobrevivência. O prazer deixa de ser prioridade”, explica Stephanie.

Segundo ela, vivemos em uma cultura que normaliza o esgotamento, a multitarefa constante e a desconexão com o próprio corpo. Esse cenário afeta diretamente os mecanismos do desejo e da excitação, além de interferir na capacidade de relaxamento necessária para o orgasmo. “O prazer exige presença. E presença exige uma mente minimamente em equilíbrio”.

 

Entre os principais sinais de alerta relacionados à saúde mental e sexual estão:

  • Diminuição ou ausência persistente de desejo sexual;
  • Dificuldade de excitação ou lubrificação;
  • Orgasmo mais difícil ou inexistente;
  • Desconexão com o próprio corpo;
  • Culpa, vergonha ou medo relacionados ao prazer;
  • Sensação de obrigação ou performance durante a relação. 

Stephanie alerta que muitos desses sinais são ignorados ou minimizados. “É comum ouvir que é ‘fase’, ‘idade’, ‘rotina’ ou ‘problema do relacionamento’. Mas, na prática, o corpo está comunicando que algo não vai bem emocionalmente”.

 

Cuidar da mente é um caminho para resgatar o prazer

Para a sexóloga, a saúde sexual precisa ser compreendida como parte da saúde integral. O cuidado não está apenas em tratar sintomas, mas em criar um ambiente emocional mais seguro para o corpo responder. 

Algumas atitudes podem fazer diferença, de acordo com Stephanie:

  • Respeitar os próprios limites físicos e emocionais;
  • Reduzir a autocrítica e a pressão por desempenho sexual;
  • Reconstruir a relação com o prazer individual;
  • Investir em comunicação afetiva e emocional;
  • Buscar apoio profissional quando as mudanças se tornam persistentes.

“Prazer não é luxo, não é excesso e não é obrigação. É uma expressão de saúde. E saúde começa quando a mente encontra espaço para descansar, sentir e se permitir”, reforça a especialista.

Para Stephanie Seitz, sexóloga da marca INTT Cosméticos, falar sobre saúde mental e sexual de forma aberta e responsável é essencial para quebrar tabus e ampliar o acesso à informação de qualidade. “Quando cuidamos da mente, o corpo responde. E a sexualidade volta a ser um lugar de conexão, presença e bem-estar”, finaliza.


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