A saúde sexual é um reflexo direto de como a mente está sendo cuidada. Para a sexóloga Stephanie Seitz, falar sobre desejo, prazer e orgasmo sem considerar o emocional é olhar apenas uma parte da história. “A sexualidade começa muito antes do contato físico. Ela nasce na forma como a pessoa se sente, se percebe e se relaciona consigo mesma”, afirma.
Na sua
experiência, a especialista observa um crescimento significativo de queixas
relacionadas à falta de libido e dificuldade de orgasmo, especialmente entre mulheres.
Dados clínicos mostram que cerca de metade das mulheres relatam diminuição
importante do desejo sexual em algum momento da vida, e aproximadamente uma em
cada quatro refere dificuldade ou ausência de orgasmo. Em muitos desses casos,
não há uma causa física isolada, o principal fator está ligado ao desgaste
emocional.
Ansiedade,
estresse crônico, depressão, sobrecarga mental e excesso de cobranças têm
impacto direto na resposta sexual. “Quando a mente está exausta, o corpo entra
em modo de sobrevivência. O prazer deixa de ser prioridade”, explica Stephanie.
Segundo ela,
vivemos em uma cultura que normaliza o esgotamento, a multitarefa constante e a
desconexão com o próprio corpo. Esse cenário afeta diretamente os mecanismos do
desejo e da excitação, além de interferir na capacidade de relaxamento
necessária para o orgasmo. “O prazer exige presença. E presença exige uma mente
minimamente em equilíbrio”.
Entre os principais sinais de alerta relacionados
à saúde mental e sexual estão:
- Diminuição ou ausência persistente de desejo sexual;
- Dificuldade de excitação ou lubrificação;
- Orgasmo mais difícil ou inexistente;
- Desconexão com o próprio corpo;
- Culpa, vergonha ou medo relacionados ao prazer;
- Sensação de obrigação ou performance durante a relação.
Stephanie
alerta que muitos desses sinais são ignorados ou minimizados. “É comum ouvir
que é ‘fase’, ‘idade’, ‘rotina’ ou ‘problema do relacionamento’. Mas, na
prática, o corpo está comunicando que algo não vai bem emocionalmente”.
Cuidar da mente é um caminho para resgatar o
prazer
Para a sexóloga, a saúde sexual precisa ser compreendida como parte da saúde integral. O cuidado não está apenas em tratar sintomas, mas em criar um ambiente emocional mais seguro para o corpo responder.
Algumas
atitudes podem fazer diferença, de acordo com Stephanie:
- Respeitar os próprios limites físicos e emocionais;
- Reduzir a autocrítica e a pressão por desempenho
sexual;
- Reconstruir a relação com o prazer individual;
- Investir em comunicação afetiva e emocional;
- Buscar apoio profissional quando as mudanças se tornam
persistentes.
“Prazer não
é luxo, não é excesso e não é obrigação. É uma expressão de saúde. E saúde
começa quando a mente encontra espaço para descansar, sentir e se permitir”,
reforça a especialista.
Para Stephanie
Seitz, sexóloga da marca INTT Cosméticos, falar sobre saúde mental e sexual de
forma aberta e responsável é essencial para quebrar tabus e ampliar o acesso à
informação de qualidade. “Quando cuidamos da mente, o corpo responde. E a
sexualidade volta a ser um lugar de conexão, presença e bem-estar”, finaliza.
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