Especialistas explicam como famílias podem apoiar
crianças, adolescentes e jovens na adaptação às novas etapas da vida escolar
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A chegada de um novo ano letivo costuma trazer entusiasmo, mas também
inseguranças, dúvidas e desafios para estudantes. Mudança de rotina, novas
demandas acadêmicas, ambiente desconhecido e expectativas sociais podem
impactar alunos de todas as idades. Segundo educadores, cada transição escolar,
desde a Educação Infantil até o Ensino Superior, exige um tipo diferente de
acolhimento, comunicação e organização.
O período de adaptação é um processo que envolve vínculo, tempo e escuta. Por
isso, a participação ativa da família é fundamental para garantir bem-estar
emocional e um início de ciclo mais tranquilo. Quanto mais os pais e
responsáveis compreendem as necessidades específicas de cada fase, melhor
conseguem apoiar os filhos.
A
seguir, quatro educadores detalham orientações práticas para cada etapa da
jornada educacional.
Adaptação para a Educação Infantil
Nos
primeiros dias de escola, especialmente para crianças que nunca frequentaram um
ambiente educativo, tudo é novo: pessoas, regras, espaços, horários e a
separação dos pais. Esse momento pode despertar muita expectativa, mas também
medo e insegurança. Por isso, o acolhimento cuidadoso e a previsibilidade são
fundamentais. Quando o ambiente escolar transmite confiança e os responsáveis comunicam
com transparência o que vai acontecer, a adaptação se torna mais leve e acolhedora.
Para
ajudar nessa transição, vale apostar em pequenas estratégias que fazem toda a
diferença. Antes de começar o ano letivo, leve a criança para conhecer o espaço:
mostrar a sala, o pátio e os novos colegas ajuda a diminuir a estranheza. Um
objeto como um brinquedo ou paninho também pode funcionar como um “elo” entre
casa e escola, trazendo conforto nos momentos de insegurança. Se a escola
permitir, os pais também podem acompanhar os primeiros dias de aula.
No
Brazilian
International School (BIS), em São
Paulo (SP), esse cuidado é parte estruturante da rotina de início de semestre.
A escola reserva dias exclusivos para receber apenas os alunos novos e suas
famílias, antes do retorno dos estudantes veteranos. Esse tempo dedicado
permite que a equipe acolha cada criança com calma, atenção individualizada e
escuta ativa. Assim, famílias e escola começam a construir, juntas, um vínculo
de confiança essencial para toda a trajetória escolar.
Segundo
a coordenadora pedagógica da escola, Beatriz Martins, o vínculo é o eixo
central do processo. “O início exige acolhimento e previsibilidade, e durante
os primeiros dias é preciso ter paciência. A criança precisa sentir que está
segura e que aquele ambiente é confiável. Além disso, manter uma rotina estável
em casa, com horários regulares para dormir, comer e brincar, dá ao pequeno um
senso de segurança que se reflete na escola. Quanto mais estabilidade emocional
o adulto transmite, mais rapidamente a criança se organiza internamente”.
Adaptação para o Ensino Fundamental I e II
A entrada no Ensino Fundamental I marca um momento decisivo na vida escolar das
crianças: é quando elas começam a consolidar hábitos de estudo, a conviver com
diferentes professores e a lidar com rotinas mais estruturadas. O impacto dessa
mudança é grande, especialmente para os pequenos, que vinham de uma rotina mais
lúdica e flexível na Educação Infantil. É comum que, nas primeiras semanas,
surjam dúvidas, cansaço ou comportamentos mais sensíveis, já que a criança está
aprendendo a organizar o próprio material, acompanhar tarefas e se adaptar a um
ambiente social mais complexo. “Essa fase exige tempo, acolhimento e paciência.
A criança está ampliando seu repertório de autonomia e isso não acontece da
noite para o dia”, destaca Eloísa Monteiro, coordenadora pedagógica da Escola Bilíngue
Aubrick, de São Paulo (SP).
Para
apoiar a adaptação, a recomendação é construir uma rotina previsível, com
horários regulares para acordar, estudar, brincar e descansar. Além disso,
conversas curtas e diárias podem ajudar o aluno a expressar sentimentos e a
compreender os desafios que está enfrentando. “Já em casa, os responsáveis
podem acompanhar o uso da agenda e revisar o material escolar, reduzindo a
ansiedade e fortalecendo o senso de responsabilidade. Pequenas estratégias,
como organizar juntos o que será levado para o dia seguinte ou criar um
cantinho fixo de estudos, contribuem para que a criança entenda que o processo
de aprender é contínuo e compartilhado entre escola e família”, acrescenta
Eloisa.
Já
no Ensino Fundamental II, a adaptação ganha novos contornos. A criança que antes
dependia mais do adulto agora precisa lidar com uma exigência crescente por
autonomia, além das transformações físicas, emocionais e sociais típicas da
pré-adolescência e adolescência. O aluno passa a circular mais pela escola, tem
professores diferentes para cada disciplina e começa a desenvolver estratégias
próprias de estudo. Esse conjunto de mudanças pode gerar insegurança,
dificuldade de concentração ou oscilação de humor.
Segundo a orientadora educacional da Aubrick, Isis Galindo, esse comportamento é esperado. “O estudante do Fundamental II vive um período de intensas transformações internas. Ele precisa de adultos que escutem, orientem e acolham, sem retirar a responsabilidade que é própria dessa fase”, explica. Ela reforça que os sentimentos dos alunos precisam ser acolhidos e reconhecidos, pois isso lhes dá segurança emocional. “Para os pais, o desafio é ajudar os filhos a compreender o que estão sentindo, orientá-los sobre como agir e apoiá-los a lidar com as frustrações e desafios que fazem parte do crescimento. Assim, eles se fortalecem para enfrentar as situações da vida e as mudanças naturais da faixa etária”.
Para
tornar o processo mais leve, o diálogo precisa ser aberto, não apenas sobre
tarefas escolares, mas sobre convivência, sentimentos e relações. A
participação da família continua sendo fundamental, mas agora com foco em
orientação, não em controle absoluto. “Criar metas realistas, acompanhar o
calendário escolar, incentivar o uso consciente de tecnologias e apoiar a
organização de materiais e estudos são atitudes que ajudam o aluno a se
perceber mais competente. Quando o adolescente sente que tem voz, cria vínculos
mais fortes e se engaja com mais confiança nas responsabilidades dessa etapa”,
reforça Ísis.
Adaptação para o Ensino Médio
O Ensino Médio representa a etapa mais desafiadora da Educação Básica, marcada pelo aumento da carga horária, aprofundamento de conteúdos e o foco na preparação para vestibulares e para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Apesar dos estudantes serem maiores e mais independentes em sua organização geral, o início da fase final da vida escolar pede acompanhamento próximo, escuta e apoio.
“Logo
no primeiro ano do Ensino Médio, os jovens se deparam com um ritmo de aula
diferente do Ensino Fundamental, conteúdos mais densos, além do turbilhão de
emoções e hormônios da adolescência. Nessa fase, o adolescente enfrenta
diversas mudanças físicas e emocionais. Além disso, a pressão por desempenho
pode se tornar um peso extra se não houver diálogo”, diz a Orientadora
Educacional do Progresso Bilíngue, de Campinas (SP), Ana Júlia Gonzalez.
Para
garantir uma transição tranquila, o suporte deve ser estratégico: as famílias
devem orientar e ajudar a traçar o projeto de vida do jovem. É crucial
incentivar a organização dos estudos, o equilíbrio entre a rotina acadêmica e o
autocuidado, e a criação de um ambiente livre de distrações. Já a escola tem o
papel de oferecer suporte pedagógico individualizado, revisões, avaliações
diagnósticas, monitorias e recuperação paralela para que o aluno desenvolva a
autonomia e sane possíveis déficits.
“A
mensagem principal que os adultos devem passar é: o jovem não precisa ter todas
as respostas agora, ou ter certeza de qual profissão seguir, por exemplo. Mas
precisa estar aberto para construir um caminho de futuro, com consistência,
comprometimento e apoio”, diz Ana Júlia.
Adaptação
para o Ensino Superior
A
entrada na universidade marca o início da vida adulta, exigindo do jovem um
salto em autonomia e responsabilidade. Longe da estrutura do Ensino Médio, o
estudante depara-se com um mundo novo de autonomia acadêmica, necessidade de
gerenciar o próprio tempo e, muitas vezes, o desafio de viver longe da família.
Embora a fase traga entusiasmo, é comum surgirem solidão, sobrecarga e
ansiedade devido à mudança abrupta na dinâmica de avaliação e aprofundamento do
conteúdo. O papel dos pais neste ciclo é fundamental, passando de controle para
suporte emocional e logístico, incentivando a independência; mas sem assumir o
papel do estudante na solução dos próprios problemas.
Para
o coordenador pedagógico da Escola
Internacional de Alphaville, de Barueri
(SP), Peter Rifaat, esta é uma fase crucial de desenvolvimento identitário. “O
jovem começa a se reconhecer como adulto. Apoiar a construção de rotina, a
busca por tutoria e a participação em grupos de estudo ajuda muito nesse
processo”.
O sucesso na adaptação depende da proatividade do universitário em montar um calendário próprio para planejar estudos e revisões, e em utilizar ativamente os recursos oferecidos pelas instituições de ensino, como serviços de apoio psicológico, tutoria e grupos de extensão. “É importante entender que não existe um jeito único de viver a faculdade. Cada trajetória é legítima”, finaliza Rifaat.
Ana Julia Nunes Gonzalez - pedagoga formada pela
PUC-Campinas e pós-graduada em Psicologia Escolar pela PUC-RS. Possui
experiência docente em todos os segmentos da educação básica com ensino
bilíngue. Atualmente atua como orientadora educacional do 9º ano e Ensino
Médio, acompanhando o desenvolvimento acadêmico e socioemocional dos alunos e
fortalecendo a parceria entre escola e família. Também lidera o pilar Future
Pathways, que tem como propósito preparar os jovens para suas trajetórias
acadêmicas e profissionais, desenvolvendo competências e promovendo, junto às
famílias, escolhas conscientes sobre o futuro.
Beatriz Martins - educadora com mais de 30 anos de
atuação na educação, sendo 18 deles em funções de liderança pedagógica, formando
equipes, projetos e — principalmente — pessoas. Possui licenciatura plena pela
Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduação pelo Instituto Singularidades.
Atualmente atua como coordenadora pedagógica no BIS.
Eloisa Monteiro - pedagoga bilíngue, especializada em
infâncias e apaixonada pelo desenvolvimento dos primeiros anos de vida. Seu
olhar atento para a alfabetização em duas línguas e para as nuances do ensino
bilíngue reflete seu compromisso em proporcionar experiências significativas às
crianças. Coordenadora dedicada, Eloisa valoriza cada interação com os pequenos
e suas famílias, acreditando que o acolhimento é a base para uma aprendizagem
segura e afetiva. Para ela, a educação vai muito além do ensino — é um espaço
de encontros, descobertas e construção de vínculos.
Isis Galindo - orientadora educacional da Escola Bilíngue Aubrick. Profissional com ampla trajetória na educação básica, com base na gestão educacional do Ensino Fundamental ao Ensino Médio, com especializações em Psicopedagogia, Neuropsicologia e Competências Socioemocionais e Formação da Personalidade Ética.
Peter Rifaat - educador e líder escolar com mais de 15 anos de experiência em educação internacional e bilíngue. É formado em Pedagogia e possui certificações internacionais, incluindo DELTA e CELTA (Cambridge), além de diversas certificações do IB. Atualmente, atua na Escola Internacional de Alphaville como Coordenador Pedagógico do Ensino Médio, Coordenador do Programa do Diploma IB, professor de TOK e integra a equipe de Orientação Universitária e de Carreira.
ISP – International Schools Partnership
Para mais informações, acesse o site.
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