Automatizar processos é apenas o ponto de partida. Um dos desafios é integrar eficiência tecnológica com inteligência humana
Combinar inteligência artificial, dados e automação tem
se mostrado um acelerador para uma mudança estrutural no modo como o trabalho é
realizado.
Segundo o Fórum Econômico Mundial, mais de 85 milhões de funções serão
transformadas pela automação até 2025, ao mesmo tempo em que surgirão novas
oportunidades para profissionais capazes de operar e evoluir essas tecnologias.
Essa é uma transição inevitável, mas não automática. E automatizar processos é
apenas o ponto de partida. O verdadeiro desafio das organizações está em
integrar eficiência tecnológica com inteligência humana, criando modelos de
operação mais ágeis, analíticos e sustentáveis.
A automação está entre as forças mais transformadoras da economia
contemporânea. Do chão de fábrica à gestão de grandes corporações, processos
que antes exigiam horas de dedicação humana hoje são executados por algoritmos
e sistemas inteligentes em questão de segundos. Mas a questão que se impõe aos
líderes é clara: até que ponto a automação está realmente a serviço das pessoas
e não o contrário?
Nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, é capaz de reproduzir a
empatia, o discernimento e a criatividade que impulsionam a inovação. A
automação deve ser encarada como multiplicadora de talento, e não como
substituta da força de trabalho.
Quando bem implementada, ela libera tempo e energia para que as pessoas se
concentrem no que realmente gera valor: a tomada de decisão estratégica, a
criação de soluções originais e o fortalecimento de uma cultura organizacional
baseada em propósito.
A automação é eficaz quando tem um objetivo claro: gerar impacto positivo e
sustentável. Isso significa usar a tecnologia para eliminar ineficiências,
aumentar a previsibilidade e, ao mesmo tempo, melhorar a experiência humana —
seja de colaboradores, consumidores ou cidadãos.
Os ganhos de produtividade são importantes, mas o verdadeiro retorno está na
capacidade de transformar a operação em vantagem competitiva e a inovação em
valor social. O foco não deve ser apenas em “fazer mais com menos”, mas em
fazer melhor com inteligência.
O caminho à frente não é o de substituir o humano, mas o de ampliar suas
capacidades. O trabalho do futuro será híbrido: com humanos e máquinas atuando
de forma complementar. Sistemas cuidarão da precisão, velocidade e análise,
enquanto as pessoas permanecerão responsáveis pelo julgamento, pela
criatividade e pela visão de longo prazo.
Esse equilíbrio entre automação e humanidade é o que definirá as organizações
de alta performance na próxima década. A tecnologia é, e sempre será, um meio.
O fim continua sendo o mesmo: o desenvolvimento humano e o progresso coletivo.
Marcus Piombo - CEO do Grupo Stefanini no
Brasil.
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