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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

8,8 milhões de brasileiras sofreram violência digital no último ano, aponta pesquisa do DataSenado e da Nexus

Essa é a primeira vez que a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher analisa, de forma aprofundada, o cenário de violência de gênero no ambiente digital


A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, feita pelo DataSenado e pela Nexus, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, revela que 8,8 milhões de brasileiras — o equivalente a 10% da população feminina de 16 anos ou mais — sofreram algum tipo de violência digital nos últimos 12 meses. O dado marca a primeira vez em que o levantamento, na sua 11ª edição, amplia de forma consistente o monitoramento de agressões mediadas por tecnologia, incluindo desde mensagens ofensivas recorrentes até invasões de contas e uso de imagens íntimas para chantagem.

As formas mais comuns de agressão digital passam por práticas já naturalizadas no cotidiano online. A agressão mais relatada por essas mulheres nos últimos 12 meses foi o envio de mensagens ofensivas e ameaçadoras de forma recorrente, realidade para 5% da população, cerca de 4,8 milhões de mulheres. Em seguida aparecem invasão de contas e dispositivos pessoais (4%) e espalhar mentiras sobre a vítima em redes sociais (4%), compondo um cenário de assédio que se espalha pelos principais ambientes digitais utilizados pelas brasileiras.

Uma das situações permite comparação entre essa edição da pesquisa e a edição anterior, de 2023: houve aumento significativo no uso de fotos ou vídeos íntimos com objetivo de chantagear a vítima que passou de 1% para 2%. Embora pareça um percentual pequeno, ele representa mais de 1,4 milhão de brasileiras expostas a um tipo de coerção que combina violência psicológica, sexual e tecnológica.

No geral, mulheres mais novas, de 16 a 29 anos, tendem a vivenciar mais tipos de violências digitais do que mulheres mais velhas. O recebimento de mensagens ofensivas e ameaçadoras de forma recorrente, por exemplo, que atinge 5% das brasileiras, chega a 9% nessa faixa etária. Ao todo, 15% das brasileiras mais jovens afirmaram terem sofrido algum tipo de violência digital nos últimos 12 meses, contra 10% da média brasileira.

“Os dados mostram a violência digital que ocorre com parceiros íntimos, familiares ou pessoas próximas. Essa dinâmica reforça que a tecnologia, em vez de criar um novo agressor, amplia o alcance de violências já existentes”, destaca Maria Teresa Firmino Prado Mauro, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal. 

 

Metodologia da Pesquisa Nacional de Violência contra Mulheres


Criada em 2005 para subsidiar a elaboração da Lei Maria da Penha, a pesquisa é realizada a cada dois anos e ouviu, nesta edição, 21.641 mulheres com 16 anos ou mais em todo o país. É uma das principais referências nacionais para formulação e monitoramento de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.

As amostras do DataSenado e da Nexus são totalmente probabilísticas, permitindo calcular a margem de erro para cada resultado com nível de confiança de 95%. Para estimativas simples envolvendo todas as 21.641 mulheres entrevistadas, a margem de erro média foi de 0,69 ponto percentual, com desvio padrão de 0,45 ponto percentual. As entrevistas foram distribuídas por todas as unidades da Federação, por meio de ligações para telefones fixos e móveis, com alocação uniforme por estado e Distrito Federal.


SOBRE O INSTITUTO DATASENADO

O Instituto de Pesquisa DataSenado tem mais de 20 anos de história e foi criado pelo Senado Federal para reforçar a representação parlamentar federativa do Senado Federal. Este levantamento integra série histórica iniciada em 2005 e tem por objetivo ouvir cidadãs brasileiras acerca de aspectos relacionados à desigualdade de gênero e a agressões contra mulheres no país. Essa e outras pesquisas sobre os mais diversos temas estão disponíveis no site do DataSenado.


SOBRE O OBSERVATÓRIO DA MULHER CONTRA A VIOLÊNCIA

Criado em 2016 pelo Senado Federal, o Observatório da Mulher contra a Violência reúne, analisa e divulga dados sobre a violência de gênero no Brasil. Em parceria com o Instituto DataSenado, atua na produção e integração de informações que subsidiam políticas públicas e fomenta o intercâmbio entre as principais instituições envolvidas no enfrentamento à violência contra mulheres.

  



Nexus
https://www.nexus.fsb.com.br/estudos-divulgados/88-milhoes-de-brasileiras-sofreram-violencia-digital-no-ultimo-ano/


Acordo bilateral permite o processo que exige validação técnica e investimento e fica pronto em até 8 meses

 

Boa notícia para médicos brasileiros: Enquanto a Europa enfrenta uma das maiores escassezes de profissionais de saúde das últimas décadas, cresce o número de médicos brasileiros interessados em migrar para países como Portugal, Espanha, Irlanda e Alemanha. Um acordo bilateral entre Brasil e Europa permite que o diploma médico brasileiro seja reconhecido no continente europeu, nomeadamente para graduados pela FMUSP ou pela UFRJ. Também é possível a revalidação para graduados em medicina por outras universidades brasileiras. Para isso, é preciso passar por um processo formal, acadêmico e regulatório e análise curricular, mas em pouco tempo é possível ter a dupla atuação. 

Segundo o advogado Dr. Marcus Damasceno, especialista em imigração médica e responsável por acompanhar dezenas de processos todos os meses, a validação é obrigatória inclusive para profissionais experientes:

“A formação médica no Brasil é muito respeitada, mas cada país europeu tem regras próprias. O médico precisa comprovar equivalência curricular, horas práticas, domínio do idioma e capacidade técnica antes de receber autorização para exercer a profissão”, explica.
 

A especialidade médica brasileira vale na Europa?

A resposta é: depende do país — e quase sempre exige revalidação.

A especialização obtida no Brasil não é automaticamente equivalente às formações europeias. Para ter o título reconhecido, o profissional precisa passar por um processo de reconhecimento da especialidade, que inclui:

  • Análise detalhada do currículo e residência médica;
  • Comprovação de carga horária mínima;
  • Documentos oficiais traduzidos e apostilados (exceto para CPLP);
  • Possível realização de provas teóricas ou práticas;
  • Inscrição na Ordem dos Médicos do país de destino.

Em Portugal, por exemplo, mesmo especialistas experientes podem ser convocados para provas complementares ou estágios supervisionados antes de terem a especialidade oficialmente validada.

“As áreas de Geriatria, Anestesia, Neurocirurgia, Radiologia, Atenção Primária e Medicina de Emergência estão entre as mais buscadas pelas instituições europeias. A combinação de envelhecimento populacional, déficit médico e digitalização da saúde abriu espaço para profissionais estrangeiros — desde que devidamente certificados”, comenta Dr. Damasceno.


Quanto custa validar o diploma médico na Europa?

Os custos variam de acordo com o país, a universidade analisadora e o tipo de especialização, mas o processo envolve etapas obrigatórias que têm valores aproximados. Em geral, o médico deve considerar:


1. Traduções juramentadas e apostilamentos

Documentos como diploma, histórico escolar, programas das disciplinas e certificados de residência médica precisam ser traduzidos e apostilados, exceto se estiverem escritos inglês, francês ou espanhol.


2. Taxas acadêmicas de análise curricular

Universidades europeias cobram pela avaliação do curso, conferência de equivalência e provas.


3. Provas teóricas, práticas e trabalho final

O processo de reconhecimento geralmente contempla:

  • Prova objetiva
  • Prova prática
  • Apresentação de um trabalho final


4. Deslocamentos e estadias para provas e entrevistas

Tanto a prova objetiva quanto a prática são presenciais, já a apresentação do trabalho final é feita por videoconferência.


5. Inscrição na Ordem dos Médicos

Após aprovação, o médico precisa se registrar junto à Ordem dos Médicos de Portugal, sendo possível que o processo seja feito integralmente por procuração.


Total aproximado do investimento

Para o processo de reconhecimento do diploma médico incidirá uma taxa entre 550€ a 1.550€, a depender da Universidade e se há algum Acordo Bilateral entre as universidades de graduação do candidato e a Instituição portuguesa.

A taxa para inscrição na Ordem dos Médicos é de 385€ e deverá ser paga no ato do pedido de inscrição.


Quanto tempo leva para validar o diploma médico?

De acordo com o Dr. Marcus Damasceno, o prazo médio varia entre 3 e 8 meses, influenciado por:

  • demanda da universidade portuguesa que avalia o processo;
  • qualidade da documentação enviada;
  • correto preenchimento dos formulários;
  • volume de processos em análise;
  • se há algum acordo bilateral envolvido.

“Quando o médico envia tudo corretamente e cumpre as exigências acadêmicas, o processo anda rápido. O atraso mais comum vem da documentação incompleta”, destaca.


Por que tantos médicos brasileiros estão buscando a Europa?

Além da busca por qualidade de vida, remuneração mais estável e jornadas mais equilibradas, o mercado europeu vive uma combinação explosiva:

  • déficit crônico de médicos, especialmente em regiões rurais;
  • envelhecimento acelerado da população;
  • crescimento da demanda em geriatria e atenção primária;
  • digitalização da saúde, ampliando a necessidade de profissionais capacitados em áreas de alta complexidade.

“A Europa está aberta a médicos estrangeiros — mas o processo precisa ser feito com segurança jurídica. Com planejamento, é totalmente possível construir carreira no continente”, reforça Dr. Damasceno. 

 

Dr. Marcus Damasceno - Advogado no Brasil e em Portugal, com escritório em Lisboa – Portugal. Especialista em Imigração Médica e em Direito do Trabalho. Mestrando em Direito pela Universidade de Lisboa. Palestrante sobre internacionalização de carreira médica e gestor do escritório especializado em Imigração Médica para Portugal.


Entre o preço e a qualidade: consumidor brasileiro busca equilíbrio nas compras em 2025

Levantamento da Scanntech mostra que esse ano o shopper economizou em itens básicos para investir em categorias premium. Tendência deve seguir em 2026

 

O que leva o consumidor a escolher um item na gôndola: o preço, a marca, a quantidade ou a qualidade? Em 2025, uma coisa é certa: diante da alta dos preços, fazer escolhas assertivas sobre o que vai para o carrinho tornou-se essencial. Neste ano, o consumidor brasileiro se mostrou mais seletivo, ajustando seus hábitos de compra conforme suas prioridades, uma tendência que deve se manter em 2026. 

Segundo análise da Scanntech, líder em inteligência de dados para o varejo e para as indústrias de bens de consumo, em parceria com a McKinsey, a dinâmica de compra ao longo do ano revela uma mudança de mentalidade: o shopper deixou de focar apenas em “gastar menos ou mais” e passou a “gastar melhor”. Ou seja, busca produtos com melhor relação custo-benefício para equilibrar o orçamento, mas sem abrir mão de investir em algumas indulgências. 

O que temos observado no varejo este ano é uma dinâmica de trade down e trade up em diferentes itens da cesta do consumidor. Em categorias como mercearia básica, o shopper tem optado por marcas mais econômicas. Já em outras, como bebidas alcoólicas, há um movimento de premiunização, ou seja, o consumidor aceita pagar um pouco mais por produtos de maior qualidade, equilibrando o orçamento ao economizar em certas categorias para se permitir esses ‘luxos’ no carrinho de compras, principalmente em itens ligados a satisfação pessoal”, afirma Priscila Ariani, Diretora de Marketing da Scanntech. 

O trade down foi mais evidente em mercearia básica e limpeza. Na mercearia, as marcas de menor preço ampliaram sua participação em +1,3 ponto porcentual., com destaque para o café, que cresceu +3,1 p.p. Já na limpeza, a alta foi de +1 p.p., impulsionada pelo amaciante concentrado (+2,9 p.p.) e pelo sabão líquido (+1,9 p.p.), que ganharam força entre as opções mais econômicas. 

Por outro lado, o trade up, ou movimento de premiunização, cresceu em categorias de indulgência e bem-estar, como bebidas alcoólicas, biscoitos, chocolate tablete, barras de cereal proteico e produtos de beleza. No segmento de bebidas alcoólicas premium, a participação subiu +2,1 p.p., sendo +2,3 p.p. apenas em cervejas premium. Na cesta de saudabilidade, as barras de cereal proteico avançaram +3,8 p.p, evidenciando a força do movimento fitness no consumo de alimentos de alto nível. O maior destaque veio de perfumaria, com forte avanço das marcas premium de leave-in (+16,7 p.p.) e tratamentos capilares (+4,4 p.p.), evidenciando que o consumidor brasileiro tem investido mais em produtos de cuidado pessoal que ofereçam benefícios adicionais, mesmo que com um valor agregado maior. 

"O Brasil sempre foi um dos países com mais trade down, mas agora estamos vendo, de forma seletiva, um aumento do trade up. Em 2026, acreditamos que essa dinâmica deve continuar: trade down em categorias mais básicas e trade up naquelas em que imagem e valor percebido justificam um gasto maior”, diz Pedro Fernandes. 

Esses resultados mostram que o consumidor brasileiro está cada vez mais estratégico. Ele economiza onde pode, mas investe onde quer. É um comportamento que desafia o varejo e as indústrias a repensarem suas estratégias de vendas para o próximo ano”, completa Ariani.
  

Scanntech
scanntech@loures.com.br


Pesquisa revela avanço na conscientização dos caminhoneiros e maior capacidade de identificar casos de exploração sexual nas estradas

5ª edição da pesquisa "O Perfil do Caminhoneiro Brasileiro" completa 20 anos de monitoramento

 

A Childhood Brasil acaba de lançar a 5ª edição da pesquisa “O Perfil do Caminhoneiro Brasileiro”, uma série histórica de 20 anos realizada em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS) desde 2010. O estudo traz um retrato aprofundado das condições de vida, trabalho e percepção dos caminhoneiros sobre as estradas brasileiras, além de apontar indicadores relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes (ESCA).

A decisão de estudar o perfil do caminhoneiro surgiu em 2005, quando a Childhood Brasil identificou a necessidade de compreender a realidade desses profissionais para ir além do combate direto à violação. A primeira edição da pesquisa deu origem ao Programa Na Mão Certa, movimento que reúne empresas, governos e sociedade civil com o objetivo de proteger crianças e adolescentes e reconhece o caminhoneiro como aliado fundamental no enfrentamento da ESCA.

De acordo com Eva Dengler, Superintendente de Programas da Childhood Brasil, a pesquisa ajuda a compreender a realidade da categoria e direcionar políticas públicas e privadas de forma mais assertiva. “O conceito do trabalho é simples: um caminhoneiro que está sendo cuidado e valorizado pode ser convidado a proteger os direitos humanos de crianças e adolescentes”, afirma.


O perfil e os desafios do trabalho precário

O estudo indica que o perfil continua sendo de profissionais homens, com cerca de 45 anos e tempo médio de profissão de 17 anos. 

A pesquisa mostra manutenção da precarização das condições de vida e trabalho, mesmo com a recuperação da renda nominal para R$ 6.000 em 2025 — após a queda para R$ 3.200 em 2021. O poder de compra atual, no entanto, (aproximadamente 4,0 salários mínimos) segue inferior ao registrado em 2010 (5,77 salários mínimos).

A qualidade de vida é fortemente impactada pela insegurança e violência nas rodovias, relatada por 73,8% dos entrevistados, pela má qualidade da infraestrutura viária (66,9%) e pelo longo tempo de afastamento da família (57%). Um dos principais fatores de risco é o longo tempo de espera para carga e descarga do veículo, que gera ociosidade forçada em locais sem infraestrutura. A maioria das paradas acontece em postos de combustível (76,6%).

As condições dos pontos de parada continuam sendo um problema crônico. As queixas se concentram na falta de banheiros limpos (80,0%) , falta de comida boa (70,0%) , falta de comida barata (63,5%), e falta de atendimento médico/odontológico (50,7%). Em paralelo, a demanda por acesso a internet é mencionada por 44,3% dos motoristas, e a necessidade de espaço para atividade física por 37,9%. 

Entre as mulheres caminhoneiras a condição dos banheiros (insalubridade e insegurança) é apontada como “o pior aspecto da profissão”, representando uma barreira para permanência na carreira.


O estigma social e a imagem da profissão

Um dado crítico, e consistente ao longo da série histórica da pesquisa, é que 86% dos caminhoneiros afirmam que a profissão é mal vista pela sociedade. Esse aspecto vai além da percepção dos profissionais e do impacto na qualidade de vida desses trabalhadores: ele influencia na desvalorização do setor e, consequentemente, na falta de atratividade da carreira. 

Maior conscientização e redução de envolvimento

A pesquisa demonstra que o trabalho de conscientização de duas décadas tem resultados positivos, mostrando uma redução contínua e significativa na autodeclaração de envolvimento dos caminhoneiros com a ESCA. Segundo os dados, 96% dos caminhoneiros entrevistados afirmaram não ter tido relações sexuais com crianças ou adolescentes nos últimos cinco anos, um aumento expressivo em relação aos 63% registrados na primeira edição, em 2005. Na amostra geral, a autodeclaração de envolvimento caiu para apenas 4% nesta edição, dado que chegou a 36,8% em 2005.

Este é um avanço considerável em relação aos dados das edições anteriores indica uma maior conscientização da categoria e reconhecimento do tema como uma violação grave.


A percepção da ESCA nas estradas

O avanço na conscientização e a significativa redução na autodeclaração de envolvimento direto têm uma contrapartida importante: os caminhoneiros demonstram maior sensibilidade para identificar o problema nas estradas e seguem atentos à realidade das rodovias: 78% percebem a ESCA como um problema ainda presente nas estradas brasileiras. 

O dado não indica aumento de prática entre caminhoneiros, mas sim maior capacidade de identificar e denunciar situações de risco, sinal de conscientização crescente”, ressalta Eva Dengler. 

Quase metade (54%) dos deles afirmam que é comum ver meninas exploradas sexualmente, e 43% relatam presenciar a exploração de meninos, um aumento considerável em relação aos 32% registrados em 2021. As regiões Nordeste e Norte continuam sendo apontadas como as áreas com maior relato do testemunho de situações de ESCA, reconhecidas como suspeitas ou de risco pelos caminhoneiros.


Contato direto com situações de risco

O contato direto com situações de ESCA também se mantém presente. O levantamento indica que 13,5% dos motoristas receberam oferta de programa sexual com crianças e adolescentes, enquanto 9% presenciaram exploração sexual de crianças e 11,5% de adolescentes. Em um sinal positivo de mudança de comportamento, a frequência de motoristas que viram colegas dando carona a crianças ou adolescentes caiu para 3,8% nos últimos cinco anos.


Crenças e desafios

Entre os participantes, 77,3% apoiam a redução da maioridade penal, 59,4% a pena de morte e 58,9% o direito ao porte de arma. Em relação à ESCA, cerca de 10% dos caminhoneiros ainda alegam que crianças e adolescentes “gostam de sexo”, e 21% afirmaram não ver isso como crime, tratando a questão sob uma ótica de julgamento moral ou culpabilizando a própria vítima. 

A principal causa atribuída ao envolvimento de crianças e adolescentes na ESCA é a necessidade financeira, citada por 77,2% dos participantes. O uso da internet para assistir a conteúdos pornográficos também é alto, com 17,4% dos participantes afirmando utilizar a ferramenta para este fim. Para fins profissionais, as principais plataformas usadas são YouTube (58,8%), WhatsApp (45,8%) e TikTok (25%), com 51,1% dos motoristas buscando informações de forma autônoma.

Além do cenário presencial das rodovias, a pesquisa aponta um alerta para os ambientes digitais como nova via de exposição a riscos e a necessidade de ampliar estratégias de prevenção  . De acordo com os participantes, 9,5% já receberam ofertas sexuais envolvendo crianças e adolescentes por canais digitais, e 7,7% afirmaram ter tido contato com material de conteúdo sexual com esse público online, muitas vezes de forma não ativa, especialmente em grupos e comunidades de aplicativos sem filtragem adequada, como Telegram e X (antigo Twitter).


O Impacto do Programa Na Mão Certa

O estudo demonstrou que o contato com o Programa Na Mão Certa está associado a maior sensibilidade a questões de gênero e exploração. A concordância com a afirmação de que “as mulheres devem obedecer aos homens” é significativamente menor entre aqueles que conhecem o Programa (11%) do que entre os que não conhecem (25%). No que diz respeito ao comportamento sexual, a busca por “Mulheres das comunidades por onde anda” foi citada por 9,2% dos que não conhecem o Programa, contra apenas 0,9% entre os que conhecem.

O levantamento contou com um recorde de 620 motoristas participantes e os resultados de 2025 incluíram novos recortes em rotas do agronegócio e áreas portuárias. 

Para a Superintendente de Programas da Childhood Brasil, esse aprofundamento permitirá ao Programa Na Mão Certa traçar estratégias customizadas e mais assertivas. “A união de esforços para erradicar a ESCA só é possível quando baseada em evidências, e nossa pesquisa tem contribuído de forma contínua para demonstrar os impactos positivos já alcançados, ao mesmo tempo em que lança luz sobre desafios, tanto novos quanto persistentes, que ainda precisamos superar”, reforça Eva Dengler.


Childhood Brasil - faz parte da World Childhood Foundation, organização sem fins lucrativos criada em 1999, por Sua Majestade Rainha Silvia da Suécia. É pioneira em estimular, promover e desenvolver soluções para prevenir e enfrentar o abuso e a exploração sexual contra crianças e adolescentes no país. Foi reconhecida em 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025 como uma das 100 Melhores ONGs do país. Para mais informações, acesse o site www.childhood.org.br.

 

Golpe da falsa compra cresce nas redes sociais e especialistas alertam para atenção redobrada no período de Natal

Freepik

Fraudes com sites falsos e páginas clonadas geram aumento nos pedidos de ressarcimento e bloqueio de pagamentos nos bancos 


Os golpes praticados por meio de sites falsos, páginas clonadas e lojas inexistentes, geralmente divulgados nas redes sociais com ofertas muito abaixo do preço de mercado, estão se consolidando como a forma mais comum de fraude em compras online no Brasil. Segundo pesquisa da plataforma SOS Golpe em parceria com a CloudWalk, cerca de 45,1% das denúncias registradas em 2025 estão relacionadas a compras digitais, principalmente em páginas que imitam visualmente grandes e-commerces. 

Com a aproximação do Natal e do fim de ano, período em que cresce naturalmente a busca por presentes e promoções, especialistas reforçam que consumidores precisam ficar ainda mais atentos. O maior fluxo de anúncios e ofertas na internet facilita a circulação de páginas fraudulentas que simulam o ambiente de lojas reais, ampliando o risco de engano. 

Nesses esquemas, criminosos utilizam logotipos, fotos profissionais e avaliações fictícias para transmitir credibilidade e estimular que o consumidor finalize a compra rapidamente. As páginas são estruturadas para reproduzir fielmente o layout de marcas reais, o que torna a identificação de sinais de fraude ainda mais difícil. 

Um mapeamento da área de Prevenção a Fraudes do Banco Mercantil, instituição voltada ao público 50+, aponta que esse tipo de golpe tem ampliado também a demanda por suporte aos clientes. “Muitos consumidores só percebem o golpe depois que a transação é concluída, o que eleva o volume de análises e solicitações recebidas pelas instituições”, destaca Lívia Silva, gerente de Prevenção a Fraude do Mercantil. 

A especialista reforça que a orientação ao consumidor continua sendo a forma mais eficaz de proteção e recomenda cuidados simples. “Sempre verifique o CNPJ e a razão social da loja, cheque a reputação da empresa nos sites de busca, digite o endereço diretamente no navegador, evitando clicar em links diretos, e observe se o site apresenta conexão segura”, explica. 

A checagem prévia das informações pode evitar prejuízos financeiros e, em caso de suspeita de golpe, é fundamental interromper a compra e acionar imediatamente a instituição financeira pelos canais oficiais para análise da transação. “Nosso alerta principal é que o consumidor adote uma postura mais cautelosa antes de finalizar qualquer compra online. Observar detalhes como preço muito abaixo do mercado, falta de informações sobre a loja ou comentários suspeitos já é um sinal para redobrar a atenção”, reforça a executiva.

 

Banco Mercantil


Como adentrar no universo 4.0 com confiança e sem hesitação

A digitalização na Indústria deixou de ser tendência e passou a requisito para a competividade 

 

Os profissionais agora precisam se adaptar ao universo 4.0 (gerado pela Quarta Revolução Industrial), que começa a ficar cada vez mais presente nos ambientes das fábricas. Todos por consequência devem se adaptar e se integrar prontamente à fusão com tecnologias como Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (IoT), Big Data e automação. 

O termo ‘Indústria 4.0’, originado na Alemanha em 2011, descreve essencialmente a incorporação de tecnologias digitais nos processos de produção. Mas hoje a ideia foi além da indústria e já se fala em Agronegócio 4.0, Educação 4.0, e até Saúde 4.0. O que esses setores têm em comum é a conexão eficaz entre sistemas, dados e indivíduos. 

Neste início da transição é até natural ter pessoas reticentes e até avessos à novidade por insegurança ou receios pessoais. Mas como dizem alguns especialistas: “hesitação pode ser um luxo caro”. Para se internalizar nesta nova realidade com a confiança necessária é preciso realizar uma combinação estratégica de habilidades técnicas e humanas. 

A Revolução 4.0 não se trata de um acontecimento isolado, mas um contínuo processo de adaptação e inovação. O profissional 4.0, portanto, deixou de ser um simples executor de tarefas e passou a ser também um mediador entre o homem e máquina, um solucionador de problemas e também um constante aprendiz. 

Na formação desse novo profissional, tudo começa pela sua curiosidade e compreensão. Ele terá que interpretar como sua rotina é influenciada pela tecnologia, para não se tornar refém das mudanças na sociedade e no mercado. Naturalmente, o novo trabalhador não terá que ser conhecedor de todas as linguagens de programação, ou ser um expert em robótica, no entanto, terá que formar uma mentalidade digital, entendendo e interpretando dados, e manuseando instrumentos tecnológicos para encontrar novas possibilidades. Por essa razão, será preciso não ter medo do desconhecido e ficar preparado para erros que ao final o ajudarão na melhoria dos processos e na inovação. 

Nessa nova mentalidade digital, será imprescindível aceitar a constante mudança e se adaptar rapidamente. Os treinamentos com aprendizado contínuo serão grandes parceiros, principalmente os cursos online, bootcamps e certificações profissionais. A partir deles, da mesma forma que as habilidades técnicas, um maior número de soft skills (competências humanas, comportamentais e sociais) vão ser desenvolvidas como, por exemplo, a criatividade, resiliência, criticidade e espírito colaborativo. 

Naquelas aptidões em evidência, terá que ser abraçada com muita consideração a Inteligência Emocional para lidar de forma equilibrada com a pressão, as rápidas transformações e gerenciar tanto as próprias emoções como as da própria equipe. O colaborador desenvolverá soluções para tudo aquilo que é novo, se transformando na medida do possível numa espécie de ‘gerador’ de inovações. 

Como o processo de integração de sistemas exige a colaboração entre diversos participantes e setores, o sucesso coletivo vai estar ligado muito à cooperação fluida. Nunca será tão necessário que o novo homem dentro das indústrias entenda que vai precisar se reposicionar e ficar à frente de tudo, antevendo tendências e se adaptando em passo acelerado às novas ferramentas e realidades. Se o profissional for um conservador, apreciador da zona de conforto e resistente às mudanças ele seguramente terá problemas consideráveis neste novo planeta. 

Para trabalhar no universo 4.0 nas hard skills (habilidades técnicas) o profissional vai ter que mergulhar num novo oceano tecnológico. Ele precisará se habilitar e dominar razoavelmente as tecnologias fundamentais como IoT (Internet das Coisas), cibersegurança, computação em nuvem e automação, entre outras que já existem ou existirão no futuro. O motivo delas chegarem é que otimizam com eficiência o trabalho desde a produção até a logística. 

O profissional da Era Digital deverá tomar decisões baseadas em dados, gerados por ferramentas da era digital, data analytics, uso de AI . A razão é que as decisões dentro das fábricas estão cada vez mais embasadas em informações mais precisas, portanto se tornou primordial o conhecimento nas ferramentas de análise. 

O aprendizado e aprimoramento vão ser contínuos e em vista disso o profissional, a fim de solucionar problemas de toda sorte, precisará se atualizar constantemente nas inovações e melhores práticas da operação. Aprender, desaprender e reaprender é o lema do profissional 4.0. 

As empresas têm um papel essencial neste processo de transformação, terão que estimular e desenvolver a cultura da inovação. Incentivar a experimentação para terem à disposição equipes mais capacitadas e seguras diante das mudanças. 

Quanto mais avançada a cultura digital mais inclusiva, determinará aquelas indústrias com mais sucesso na transição para o Universo 4.0. Efetivamente, as novas tecnologias podem até aprimorar o trabalho numa planta industrial, mas é a pessoa quem tem a capacidade de inovar, colaborar e liderar. Mesmo no mundo mais automatizado, o bom profissional ainda será insubstituível. 

 

Hernane Cauduro - diretor da Metal Work Pneumática do Brasil.

https://www.metalwork.com.br/

 

Dia Nacional contra a Biopirataria: Brasil segue como eixo de um dos crimes mais lucrativos do planeta

   Segundo a Renctas, cerca de 38 milhões de animais são retirados ilegalmente da natureza a cada ano, afetando especialmente aves, que representam mais de 60% dos casos no Brasil


 

Próximo ao Dia Nacional de Combate à Pirataria e à Biopirataria, em 3 de dezembro, o Brasil reafirma sua posição na linha de frente contra o crime organizado que ameaça o patrimônio genético e a fauna. Longe de ser isolado, esse moviento tornou-se o quarto negócio ilegal mais lucrativo do mundo. De acordo com a Comissão Europeia e relatórios internacionais, o tráfico de fauna perde apenas para o de drogas, produtos falsificados e pessoas. Seus lucros anuais, são estimados entre 8 e 20 bilhões de euros.

 

Em 2025 essa perdade biodiversidade transcende fronteiras e figura entre as maiores pressões sobre os ecossistemas brasileiros, segundo o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). As aves seguem como o principal alvo dos criminosos, respondendo por mais de 60% dos casos de tráfico no país.

 

O advogado ambiental e professor de Direito da Afya Sete Lagoas, Deilton Ribeiro Brasil, comenta que, no plano operacional, persistem fragilidades no controle de origem e movimentação de animais silvestres, já que o país carece de rastreabilidade plena e de integração nacional de dados. “O Sistema Nacional de Gestão de Fauna Silvestre (SisFauna) representa um avanço no registro e fiscalização de criadouros, zoológicos e empreendimentos autorizados, mas ainda apresenta limitações de integração, alimentação de dados e interoperabilidade com sistemas estaduais, aduaneiros e de inteligência. O que acaba dificultando o rastreamento de plantéis e a distinção entre animais legais e os oriundos do tráfico”.

 

Deilton Ribeiro ressalta que os crimes ligados à biopirataria ainda não têm tipo penal próprio no Brasil, o que obriga sua repressão a se apoiar em diversos dispositivos da legislação ambiental. O principal, segundo o advogado, é o artigo 29 da Lei 9.605/1998, que criminaliza matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar fauna silvestre sem autorização, e cujos parágrafos estendem a punição a condutas como impedir a reprodução, destruir ninhos ou vender, exportar, adquirir, guardar, manter, usar ou transportar animais, ovos, larvas e produtos de origem silvestre provenientes de fontes irregulares. 

 

“Diante desse cenário, avança  na Câmara dos Deputados o  PL 6.794/2006, que ainda carece de análise no Senado. O projeto propõe a criação do art. 61-A na Lei de Crimes Ambientais, tipificando expressamente a biopirataria e o tráfico ilegal de fauna e flora, com pena de 2 a 5 anos de reclusão e multa, suprindo a principal lacuna hoje existente no ordenamento jurídico”, conclui o professor da Afya Sete Lagoas.

 

Biodiversidade brasileira em risco

 

Para o Brasil, epicentro da megadiversidade mundial, a situação é particularmente alarmante: a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), estima que cerca de 38 milhões de indivíduos da fauna são retirados ilegalmente da natureza brasileira a cada ano.

 

O biólogo e professor da Afya Contagem, André Luiz Zaidan, explica que o tráfico de animais silvestres causa impactos profundos e cumulativos nos ecossistemas brasileiros, atingindo espécies que desempenham funções ecológicas essenciais.

 

“A remoção de aves, primatas, serpentes ou pequenos carnívoros não afeta apenas os indivíduos, mas rompe cadeias de interações críticas, como dispersão de sementes, controle de presas e equilíbrio das cadeias tróficas. A retirada de frugívoros prejudica a regeneração de áreas naturais e reduz o fluxo gênico entre plantas, enquanto a captura de predadores provoca desequilíbrios em todo o ecossistema. No aspecto genético, a extração contínua e seletiva diminui a variabilidade das populações, aumentando sua vulnerabilidade a doenças, mudanças ambientais e eventos extremos”. 

 

A urgência desse enfrentamento foi evidenciada pela Operação Hermes, realizada pelo Ibama no ano passado. Voltada à proteção da biodiversidade e do patrimônio genético, a ação resultou na apreensão de 2.314 animais e concentrou-se sobretudo em aeroportos, pontos-chave de escoamento ilegal. As autuações chegaram a cerca de R$1,5 milhão, reforçando a necessidade de coordenação e rigor na defesa da riqueza natural do país.

 

André Luiz esclarece que diversos animais são altamente visados pelo tráfico devido a características estéticas, uso gastronômico ou valor para colecionadores.

 

“As aves lideram, especialmente espécies de canto e ornamentais, capturadas para animais de estimação, competições ilegais e comércio internacional, o que eleva seu valor econômico. Répteis também são frequentes alvos, abastecendo o mercado de pets exóticos e a indústria clandestina de couro. Alguns mamíferos, como primatas, felinos e pequenos carnívoros, são explorados como símbolos de status ou para coleções particulares, aumentando seu preço no mercado ilegal. No ambiente marinho, barbatanas de tubarão e bexigas natatórias atingem valores elevados, principalmente em mercados asiáticos, para uso culinário ou na medicina tradicional. Peixes ornamentais amazônicos também compõem uma cadeia de exportação clandestina de grande movimentação financeira”, conclui o biólogo Afya Contagem.

 



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62,9% não sabem quanto gastam por mês, revela estudo

Juntar dinheiro costuma ser difícil independentemente do nível de renda — e, em muitos casos, nem aumentos salariais garantem maior segurança financeira

 

Uma pesquisa com mais de 10 mil alunos da escola do educador financeiro e influenciador Breno Nogueira revela que a falta de folga no orçamento é regra, não exceção. Entre os principais dados:

  • 62,9% não sabem quanto gastam por mês
     
  • 60,2% não têm reserva financeira
     
  • 56,9% nunca conseguiram juntar dinheiro
     
  • 45% só conseguem poupar “em alguns meses”
     
  • 35,2% já tiveram reserva, mas gastaram
     
  • 39% não sabem exatamente o que significa construir patrimônio — embora 85% digam que esse é o principal objetivo

Segundo Breno Nogueira, muitos brasileiros vivem pressionados entre uma renda que não acompanha o custo de vida e despesas praticamente inegociáveis, como moradia, plano de saúde, transporte e educação dos filhos. 

“A pessoa olha apenas para a foto do momento e sente que merece um upgrade de vida. Mas não percebe o impacto desse novo nível de gastos no médio e longo prazo. Se as despesas sobem junto com a renda, a folga financeira nunca chega”, afirma. 

Para Breno, outro ponto recorrente é o comportamento após conquistar as primeiras economias. “Valores como R$20 mil, R$30 mil ou R$40 mil levam muitos a acreditarem que precisam multiplicar o dinheiro rapidamente. E aí entram em: apostas esportivas, operações em ações sem conhecimento e investimentos de alto risco”, completa.

 

A lógica de “trocar o que tem pelo próximo passo”

Para Breno, um erro comum é assumir compromissos maiores (como um imóvel mais caro) olhando apenas para o salário atual, sem cenário de longo prazo. “Sem reserva, sem renda previsível e sem método, o risco cresce. Quando a renda oscila, a pessoa pode não conseguir manter o novo compromisso. E, como o imóvel anterior foi vendido para completar a compra, não há patrimônio acumulado para servir de proteção.” finaliza.

 

Breno Nogueira - especialista em finanças pessoais e fundador da Escola do Breno, iniciativa que ensina pessoas físicas a organizarem suas rendas e despesas, sair das dívidas e criar melhores hábitos financeiros. Diferente de quem foca em ensinar a investir, Breno acredita que o primeiro passo é fazer o salário sobrar no fim do mês. Para isso, utiliza métodos práticos e acessíveis — como sua Planilha do Breno, que em apenas um ano ultrapassou R$3 milhões em faturamento, e o App do Breno, lançado em outubro. Hoje, a Escola já impactou mais de 20 mil pessoas. Breno reúne mais de 900 mil seguidores nas redes sociais e é reconhecido pela linguagem simples e direta sobre como lidar melhor com o dinheiro.

 

Inteligência Artificial: chegou a hora de ir além

 

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser promessa para se consolidar como parte invisível da vida contemporânea. Hoje, ela já está presente em interações cotidianas (das rotas sugeridas por aplicativos de mobilidade à personalização de conteúdos em plataformas de streaming), passando pela segurança de transações bancárias. Trata-se de uma infraestrutura silenciosa, mas essencial, que redefine a forma como vivemos, consumimos e nos relacionamos com serviços digitais.

Nesse cenário, a questão central já não é se devemos adotar a IA, mas sim como utilizá-la de maneira estratégica para transformar negócios, gerar eficiência e criar possibilidades. Para isso, é preciso conhecer de forma mais estratégica essa inovação.

Em termos gerais, a IA é o campo científico e tecnológico dedicado ao desenvolvimento de sistemas capazes de executar tarefas que, em condições normais, dependeriam de inteligência humana. Isso inclui aprender com dados, identificar padrões, compreender linguagem, raciocinar sobre diferentes cenários e até produzir conteúdo original. Embora tenha ganhado protagonismo nos últimos anos, a IA é estudada desde os anos 1950, com momentos fundamentais que impulsionaram a área.

Um destes momentos ocorreu em 2017, com a publicação do artigo "Attention Is All You Need" do Google, que introduziu a arquitetura Transformer. Já a partir de 2020, houve a explosão na produção de dados, a ampliação do poder computacional, o surgimento de modelos fundacionais e a simplificação das interfaces de acesso. O resultado foi a democratização da tecnologia em escala inédita. Porém, verdadeiro ponto de inflexão na percepção pública e na democratização do uso da IA ocorreu no final de 2022, com o lançamento do ChatGPT.

A evolução recente da IA pode ser compreendida por meio de três conceitos-chave que se sobrepõem. Primeiro, o Machine Learning (ML), princípio fundamental onde algoritmos aprendem a partir de dados. Segundo o Deep Learning (DL), uma subárea do ML que utiliza redes neurais profundas (com muitas camadas) para ampliar a capacidade de resolução de problemas complexos. Terceiro, a IA Generativa, uma categoria de aplicação focada em criar conteúdo novo, e que hoje utiliza majoritariamente as técnicas avançadas de Deep Learning (como nos LLMs e no GPT-5).

A ideia de que a IA substitui pessoas, no entanto, é um equívoco. O que ela substitui são tarefas repetitivas e operacionais, liberando os profissionais para atividades de maior valor agregado. Enquanto a IA toma decisões táticas e operacionais, baseadas em dados, muitas vezes com mais precisão e velocidade que um humano; cabe ao ser humano a tarefa insubstituível de tomar decisões estratégicas complexas, trazer um julgamento ético e em cenários com dados ambíguos ou incompletos, que exigem o "feeling". A analogia mais adequada é a de um copiloto: ele não assume o comando, mas amplia a segurança, a precisão e a performance do voo.

No passado, empresas baseavam-se em intuição e experiência acumulada. Hoje, em um mercado dinâmico e altamente competitivo, essa prática é insuficiente. A combinação de dados e IA inaugura um novo paradigma: dados como matéria-prima, IA como engrenagem analítica e o ser humano como responsável pela decisão estratégica. Trata-se de uma tríade capaz de gerar vantagens competitivas reais.

A história recente mostra que subestimar transformações tecnológicas tem um custo elevado. O comércio eletrônico e a mobilidade digital são exemplos claros. Com a IA, a velocidade de adoção é ainda mais acelerada. Empresas que resistem à sua utilização já estão em desvantagem frente às que adotam copilotos inteligentes, automatizam processos e tomam decisões baseadas em previsões em tempo real.

O caminho para incorporar a IA não exige investimentos desproporcionais ou planos complexos inspirados em grandes empresas de tecnologia. O início pode ser feito com projetos-piloto em processos específicos, que tragam ganhos mensuráveis e aprendizado rápido. Paralelamente, é indispensável fortalecer a cultura de dados e adotar uma mentalidade de jornada contínua, em que experimentação e evolução são permanentes.

A IA não representa o fim dos empregos, mas certamente desafia profissionais e organizações a evoluírem. Assim como ocorreu com a internet e os dispositivos móveis, trata-se de uma mudança inevitável e irreversível. A diferença é que, desta vez, a curva de adoção é significativamente mais rápida.

Empresas que investem em IA já colhem resultados concretos em eficiência, inovação e competitividade. As que resistem, correm o risco de perder relevância em um mercado cada vez mais orientado por dados e tecnologia.

O recado é direto: quem domina, lidera; quem ignora, fica para trás.

 

Fabrício Nicoletti - gerente de Soluções da AMcom



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