Boa
notícia para médicos brasileiros: Enquanto a Europa enfrenta uma das maiores
escassezes de profissionais de saúde das últimas décadas, cresce o número de
médicos brasileiros interessados em migrar para países como Portugal, Espanha,
Irlanda e Alemanha. Um acordo bilateral entre Brasil e Europa permite que o
diploma médico brasileiro seja reconhecido no continente europeu, nomeadamente
para graduados pela FMUSP ou pela UFRJ. Também é possível a revalidação para
graduados em medicina por outras universidades brasileiras. Para isso, é
preciso passar por um processo formal, acadêmico e regulatório e análise
curricular, mas em pouco tempo é possível ter a dupla atuação.
Segundo o advogado Dr. Marcus Damasceno, especialista em imigração médica e responsável por acompanhar dezenas de processos todos os meses, a validação é obrigatória inclusive para profissionais experientes:
“A formação médica no Brasil é muito respeitada, mas cada país europeu tem
regras próprias. O médico precisa comprovar equivalência curricular, horas
práticas, domínio do idioma e capacidade técnica antes de receber autorização
para exercer a profissão”, explica.
A especialidade médica brasileira vale na Europa?
A
resposta é: depende do país — e quase sempre exige revalidação.
A
especialização obtida no Brasil não é automaticamente equivalente às formações
europeias. Para ter o título reconhecido, o profissional precisa passar por um
processo de reconhecimento da especialidade, que inclui:
- Análise detalhada do currículo e residência médica;
- Comprovação de carga horária mínima;
- Documentos oficiais traduzidos e apostilados (exceto para CPLP);
- Possível realização de provas teóricas ou práticas;
- Inscrição na Ordem dos Médicos do país de destino.
Em
Portugal, por exemplo, mesmo especialistas experientes podem ser convocados
para provas complementares ou estágios supervisionados antes de terem a
especialidade oficialmente validada.
“As
áreas de Geriatria, Anestesia, Neurocirurgia, Radiologia, Atenção Primária e
Medicina de Emergência estão entre as mais buscadas pelas instituições
europeias. A combinação de envelhecimento populacional, déficit médico e
digitalização da saúde abriu espaço para profissionais estrangeiros — desde que
devidamente certificados”, comenta Dr. Damasceno.
Quanto custa validar o diploma médico na Europa?
Os
custos variam de acordo com o país, a universidade analisadora e o tipo de
especialização, mas o processo envolve etapas obrigatórias que têm valores
aproximados. Em geral, o médico deve considerar:
1. Traduções juramentadas e apostilamentos
Documentos
como diploma, histórico escolar, programas das disciplinas e certificados de
residência médica precisam ser traduzidos e apostilados, exceto se estiverem
escritos inglês, francês ou espanhol.
2. Taxas acadêmicas de análise curricular
Universidades
europeias cobram pela avaliação do curso, conferência de equivalência e provas.
3. Provas teóricas, práticas e trabalho final
O
processo de reconhecimento geralmente contempla:
- Prova objetiva
- Prova prática
- Apresentação de um trabalho final
4. Deslocamentos e estadias para provas e entrevistas
Tanto
a prova objetiva quanto a prática são presenciais, já a apresentação do
trabalho final é feita por videoconferência.
5. Inscrição na Ordem dos Médicos
Após
aprovação, o médico precisa se registrar junto à Ordem dos Médicos de Portugal,
sendo possível que o processo seja feito integralmente por procuração.
Total aproximado do investimento
Para
o processo de reconhecimento do diploma médico incidirá uma taxa entre 550€ a
1.550€, a depender da Universidade e se há algum Acordo Bilateral entre as
universidades de graduação do candidato e a Instituição portuguesa.
A
taxa para inscrição na Ordem dos Médicos é de 385€ e deverá ser paga no ato do
pedido de inscrição.
Quanto tempo leva para validar o diploma médico?
De
acordo com o Dr. Marcus Damasceno, o prazo médio varia entre 3 e 8 meses,
influenciado por:
- demanda da universidade portuguesa que avalia o processo;
- qualidade da documentação enviada;
- correto preenchimento dos formulários;
- volume de processos em análise;
- se há algum acordo bilateral envolvido.
“Quando
o médico envia tudo corretamente e cumpre as exigências acadêmicas, o processo
anda rápido. O atraso mais comum vem da documentação incompleta”, destaca.
Por que tantos médicos brasileiros estão buscando a Europa?
Além
da busca por qualidade de vida, remuneração mais estável e jornadas mais
equilibradas, o mercado europeu vive uma combinação explosiva:
- déficit crônico de médicos,
especialmente em regiões rurais;
- envelhecimento acelerado da
população;
- crescimento da demanda em geriatria e atenção
primária;
- digitalização da saúde,
ampliando a necessidade de profissionais capacitados em áreas de alta
complexidade.
“A
Europa está aberta a médicos estrangeiros — mas o processo precisa ser feito
com segurança jurídica. Com planejamento, é totalmente possível construir
carreira no continente”, reforça Dr. Damasceno.
Dr. Marcus Damasceno - Advogado no Brasil e em Portugal,
com escritório em Lisboa – Portugal. Especialista em Imigração Médica e em
Direito do Trabalho. Mestrando em Direito pela Universidade de Lisboa. Palestrante
sobre internacionalização de carreira médica e gestor do escritório
especializado em Imigração Médica para Portugal.
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