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terça-feira, 24 de junho de 2025

Complicações do diabetes exigem atenção: saúde dos pés deve ser prioridade entre os cuidados preventivos

Perda de sensibilidade, feridas de difícil cicatrização e infecções graves estão entre os sinais que podem evoluir para quadros de amputação caso o diagnóstico não ocorra de forma precoce

 

No dia 26 de junho, quando se celebra o Dia Nacional do Diabetes, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) destaca a necessidade de maior conscientização sobre as complicações decorrentes da doença. Estima-se que 589 milhões de adultos, com idade entre 20 e 79 anos, em todo o mundo, (11,1% de todos os adultos nessa faixa etária) vivam com o diabetes. A projeção para 2050 é de que aproximadamente 852 milhões de pessoas nessa mesma faixa etária vão desenvolver a doença. Assim, enquanto a população mundial deve crescer 25% nos próximos 25 anos, o número de pessoas com diabetes deve aumentar 45%[1]

O diabetes também compromete a vida de milhões de brasileiros. O IBGE divulgou recentemente os resultados do Censo 2022, indicando que a população do Brasil é formada por 203.080.756 pessoas. Com base nesse dado, estima-se que o número de pessoas com diabetes no país seja de aproximadamente 20 milhões. Essa projeção considera o último levantamento Vigitel, realizado pelo Ministério da Saúde, em amostra representativa da população brasileira, que apontou uma prevalência de 10,2% de diagnóstico autorreferido de diabetes nas 27 capitais pesquisadas. Além disso, de acordo com o último Atlas da IDF (International Diabetes Federation), o risco de uma pessoa com diabetes desenvolver doença cardiovascular é 60% maior em comparação com indivíduos não diabéticos.

O cirurgião vascular e membro do Departamento de Acessos Vasculares da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), Dr. Guilherme Yazbek, alerta que o controle inadequado da glicemia está entre os principais fatores de risco. “Uma das complicações mais comuns e graves do diabetes é o pé diabético, quadro que envolve alterações nos membros inferiores”.

O pé diabético por definição engloba os seguintes fatores: a neuropatia periférica, alterações circulatórias e maior risco de infecções. Recente trabalho realizado no Brasil, com populações diabéticas mais vulneráveis, mostrou uma prevalência de até 30% de úlceras ativas (feridas abertas nos pés) e cerca de 45% dos casos com amputações prévias[2]”, informa o médico.

Sintomas como dormência, formigamento, dor e sensação de queimação indicam possível comprometimento dos nervos periféricos. Em estágios mais avançados, a sensibilidade pode ser totalmente perdida, dificultando a percepção de lesões. Mudanças na cor da pele, infecções por fungos, calosidades e feridas de cicatrização lenta também exigem atenção imediata. “Outros elementos, como hipertensão arterial, dislipidemia e tabagismo, também agravam o quadro vascular. O uso de calçados inadequados favorece lesões, principalmente em pessoas com histórico prévio de úlceras ou amputações”, explica Dr. Guilherme.

O diagnóstico precoce permite que intervenções sejam realizadas com maior efetividade. A identificação rápida das alterações contribui para a cicatrização adequada, evita quadros de dor persistente e reduz significativamente o risco de amputações.


Rotina de cuidados com os pés é parte essencial da prevenção

O Dr. Guilherme Yazbek destaca que os cuidados diários com os pés são decisivos para evitar infecções e complicações vasculares. A recomendação inclui lavar os pés com água morna e sabonete, secar bem entre os dedos, usar talco antimicótico e aplicar hidratantes nos calcanhares para prevenir rachaduras. Observar os pés diariamente — identificando feridas, bolhas, alterações de cor ou textura — é fundamental.

As unhas devem ser cortadas sem remover os cantos, e andar descalço deve ser evitado. Meias sem costura e a inspeção interna dos calçados antes de usá-los ajudam a reduzir o risco de ferimentos. Caso haja restrições motoras ou visuais, o ideal é contar com apoio de profissionais ou familiares.

Além da rotina de higiene, uma alimentação balanceada e o controle dos níveis glicêmicos são indispensáveis. Manter a glicose sob controle reduz os danos nos nervos e vasos, e contribui para preservar a saúde vascular dos pés.

“Vários estudos mostram que programas multidisciplinares de cuidado com os pés, envolvendo profissionais como podólogos, enfermeiros, técnicos, dermatologistas, ortopedistas e cirurgiões vasculares, sob coordenação do endocrinologista, diminuem a incidência de úlceras e amputações em pessoas com diabetes”[3][4][5], informa o médico.

A SBACV-SP tem como missão levar informação de qualidade sobre saúde vascular para toda a população. Para outras informações acesse o site e siga as redes sociais da Sociedade (Facebook e Instagram).

 


Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo – SBACV-SP
www.sbacvsp.com.br



¹DF Diabetes Atlas 11th edition.

²Cerqueira MMBDF et al. J Wound Care. 2022 Nov 2;31(11):946-960.

³Chiu Cc et al. J Plast Reconstr Aesthet Surg. 2011 Jul;64(7):867-72.

4Wennberg L et al. Diabetes Res Clin Pract. 2019 Mar;149:126-131.

5Nigi L, et al. Semin Vasc Surg. 2018 Jun-Dec;31(2-4):49-55.

 

Férias e uso de medicamentos contínuos: flexibilização pode levar à descompensação de doenças crônicas

Medicamentos devem ser ajustados
 conforme o destino da viagem
Freepik
Interrupção sem orientação médica pode desencadear crises agudas e casos graves em patologias controladas, comprometendo a qualidade de vida do paciente 

 

Com a chegada das férias, a rotina se torna mais flexível: alimentação, horários, atividade física e até mesmo o uso de contínuo de remédios. Essa mudança, embora comum, pode representar um risco importante para quem convive com doenças crônicas. 

De acordo com levantamento da Medisafe, plataforma de gerenciamento de medicamentos, em parceria com a Merck, empresa no ramo da ciência e tecnologia, a adesão ao uso de medicamentos para doenças crônicas costuma cair durante feriados e fins de semana. Enquanto a taxa média de regularidade é de 77%, nesses períodos observa-se uma redução de 3,5%. O dado é preocupante, afinal, a saúde não tira férias, e o tratamento também não deve ser interrompido, alerta Átila Vendite, especialista em Medicina Preventiva e Social e gerente médico do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP). 

“Não é seguro alterar a frequência, a dose ou suspender o uso de medicamentos na maioria das doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, colesterol alto, doenças dermatológicas ou autoimunes. Um paciente diabético que deixa de usar insulina ou outros medicamentos e, ao mesmo tempo, passa a consumir mais alimentos calóricos, ingerir bebidas alcoólicas e reduzir as atividades físicas, corre o risco de desequilibrar o organismo, podendo evoluir para quadros agudos de hiperglicemia que exigem internação hospitalar”, alerta. 

A interrupção sem orientação médica pode desencadear crises agudas em patologias anteriormente controladas, comprometendo a qualidade de vida do paciente. “Um hipertenso que deixa de tomar sua medicação pode apresentar uma crise hipertensiva, com riscos de infarto, AVC ou necessidade de medicação endovenosa em ambiente hospitalar. Já um diabético pode desenvolver sintomas como fraqueza, sede intensa, aumento da diurese, dor abdominal e, em casos graves, vômitos e alterações eletrolíticas”, exemplifica Vendite. 

Mesmo em viagens curtas, mudanças temporárias na rotina, como alimentação, sono, hidratação e horários das atividades, podem ser suficientes para descompensar a doença de base, caso o tratamento não seja mantido corretamente. Por isso, é fundamental redobrar os cuidados. “Durante a viagem, o ideal é organizar os medicamentos previamente, manter alarmes no celular para os horários corretos, transportar os remédios em bolsas apropriadas, especialmente em passeios mais longos, e seguir rigorosamente as orientações. Medicamentos que exigem refrigeração demandam atenção redobrada: devem ser levados em bolsas térmicas adequadas, com controle de temperatura, para garantir estabilidade”, complementa. 

O médico explica ainda que, se o destino da viagem tiver fuso horário diferente, é importante ajustar os horários dos medicamentos ao horário local, considerando as alterações nas refeições, no sono e nas demais atividades. “Muitos remédios devem ser tomados em jejum ou junto às refeições. Por isso, os horários precisam acompanhar a nova rotina. E, em caso de esquecimento ou perda de alguma dose, o paciente deve procurar orientação médica, seja localmente ou com seu médico de confiança. Hoje, com a receita digital válida em todo o país, esse processo é muito mais simples”. 

O especialista ressalta que tirar férias do tratamento só é possível com orientação médica, e que, em geral, as doenças crônicas exigem tratamento contínuo por toda a vida. Flexibilizar o uso da medicação sem critérios pode trazer sérias consequências. “Em alguns casos específicos, como certos tipos de câncer, pode haver uma pausa programada no tratamento — mas isso só acontece mediante avaliação médica criteriosa, considerando o estágio da doença, a finalidade da quimioterapia e os riscos envolvidos. Para as demais doenças crônicas, não há espaço para férias do tratamento”, finaliza.

 

Vera Cruz Hospital


Levantamento inédito revela cenário e joga luz sobre a regulamentação de terapias domiciliares para doenças raras

Tema é discutido no Senado Federal com representantes de diversos atores da sociedade

 

Entre 2014 e 2024, os estudos clínicos para doenças raras focados em medicamentos orais e subcutâneos cresceram 45% ao ano no mundo, enquanto pesquisas de terapias por outras vias avançaram apenas 2,8%. Esses dados são apresentados no relatório inédito, desenvolvido pela LEK Consultoria, com apoio da Roche Farma Brasil. O documento também aponta que há atualmente cerca de 850 moléculas em desenvolvimento para doenças raras (excluindo oncologia) no mundo, sendo que 65% serão para uso oral. 

Os dados comprovam uma tendência mundial para desenvolvimento de terapias medicamentosas menos invasivas, mais seguras e realizadas em ambiente de menor complexidade, até mesmo no domicílio. Desta forma, esses tratamentos melhoraram a qualidade de vida dos pacientes e/ou seus cuidadores, assim como proporcionar melhor alocação de recursos ao aumentar a produtividade do sistema de saúde. O relatório da LEK mostra que esse tipo de tratamento pode gerar 30% de economia em casos de alta complexidade e de até 80% em casos de baixa complexidade. 

“O debate sobre terapias domiciliares para doenças raras na saúde suplementar é, além de inevitável, imediato. O cuidado domiciliar tem benefícios muito claros para pacientes e familiares, o número de terapias orais e subcutâneas em desenvolvimento aumentou exponencialmente e pacientes já em tratamento podem ver o acesso às terapias mais inovadoras ser reduzido caso não haja uma revisão das regulações atuais”, avalia Rafael Freixo, diretor da LEK Consultoria. 

No Brasil, no entanto, a regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar não acompanhou essa evolução tecnológica. A ausência de cobertura obrigatória para medicamentos orais ou subcutâneos de uso exclusivo domiciliar impõe barreiras preocupantes — especialmente para pessoas com doenças raras, que historicamente dependem de acesso a terapias inovadoras e são pacientes crônicos, muitas vezes com mobilidade reduzida. Pacientes e profissionais de saúde têm grande expectativa no Projeto de Lei 105/2022 e seus apensados, que propõem garantir a cobertura de medicamentos orais no âmbito da saúde suplementar.

Para ampliar esse debate e entender como enfrentar as barreiras, diversos setores da sociedade articulam conversas, a exemplo do XVI Fórum Nacional de Políticas de Saúde no Brasil - Doenças Raras, promovido pelo Instituto Ação Responsável em 10 de junho. A pauta inclui a discussão sobre a cobertura obrigatória de medicamentos orais no tratamento domiciliar, tema central do PL 105/2022, atualmente em tramitação. 

“É um evento onde gestores públicos, pacientes, sociedades de classe e iniciativa privada se reúnem para propor soluções que tenham um impacto para os pacientes com doenças raras", explica Cintia Scala, líder de estratégia de dados em saúde. 

Durante o fórum, o relatório da LEK Consultoria foi apresentado com o objetivo de impulsionar a discussão e apresentar os dados a um público estratégico. O material também inclui a análise da legislação da ANS e evidencia as lacunas que afetam o acesso a terapias domiciliares. 

“À medida que a ciência evolui, o desenvolvimento tecnológico vai além da relação de eficácia e de segurança dos medicamentos. Outras questões são igualmente importantes, como a qualidade de vida dos pacientes, a adesão ao tratamento e o uso de recursos no sistema de saúde, precisam ser avaliados. Implementar esse novo padrão de tratamento demanda um esforço conjunto, dos diferentes atores do ecossistema de saúde, para revisão de processos, infraestrutura e diretrizes, de modo a viabilizar os benefícios que trarão mais sustentabilidade aos sistemas de saúde público e privado”, diz Scala. 

O relatório está disponível para download neste link.


Gravidez após os 40 exige atenção redobrada à saúde da mulher

Especialistas alertam para riscos como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e alterações genéticas, mas destacam que uma gestação saudável é possível com planejamento e acompanhamento

 

O desejo de postergar a maternidade é cada vez mais comum, e com ele cresce também a busca por informações seguras sobre gravidez em idades mais avançadas. A gestação após os 40 e até mesmo acima dos 50 anos requer uma atenção especial, não só pelos desafios naturais da idade, mas pela necessidade de uma preparação física, emocional e médica mais criteriosa. 

A ginecologista, especialista em reprodução humana e membro da AMCR (Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil), Fabiana Barp explica que a idade materna é, sim, um fator de risco importante. “Com o avançar dos anos, aumentam as chances de desenvolver diabetes gestacional, doenças hipertensivas como pré-eclâmpsia, maior incidência de abortos espontâneos, placenta prévia e baixo peso ao nascimento. Além disso, é mais comum que o parto seja cesariana”, afirma. 

Esses riscos, no entanto, podem ser significativamente reduzidos com hábitos saudáveis e acompanhamento especializado. “A paciente precisa manter uma rotina de exercícios físicos, alimentação equilibrada, controle de doenças pré-existentes e fazer um rastreio laboratorial completo antes da gestação. Isso inclui dosagens hormonais, avaliação da tireoide e verificação de eventuais deficiências vitamínicas”, completa a médica. 

Outro ponto que preocupa muitas mulheres acima dos 40 é o risco de alterações genéticas no bebê, como a síndrome de Down. “Recomendamos testes genéticos para pacientes a partir dos 37 anos, embora não seja obrigatório. Existem exames não invasivos, como os feitos por meio de coleta de sangue da mãe, que ajudam a avaliar possíveis síndromes”, explica Fabiana. 

Doenças já existentes, como hipertensão e diabetes, exigem acompanhamento conjunto com especialistas de cada área. “Mesmo que a mulher já esteja sob controle medicamentoso, o risco de agravamento na gravidez existe e precisa ser monitorado. Em especial, o risco de desenvolver doenças específicas da gestação, como a pré-eclâmpsia, é maior em pacientes hipertensas”, alerta. 

Entre os cuidados fundamentais está também o rastreio por miomas e endometriose. “Miomas são tumores benignos que se tornam mais frequentes após os 40. Dependendo da localização, podem alterar o posicionamento do bebê, provocar partos prematuros e dificultar a implantação da placenta. É essencial avaliá-los antes da gestação”, explica. 

Um dos temas que mais geram dúvidas no consultório, segundo a especialista, é a possível relação entre gravidez tardia e autismo. “Não temos como prever ou diagnosticar o autismo antes da gestação. O que sabemos é que a idade tanto da mulher quanto do homem pode ser um fator de risco. Por isso, a avaliação deve sempre incluir o casal”, conclui Fabiana.



AMCR – Associação Mulher Ciência e Reprodução Humana do Brasil
Para saber mais informações, acesse o site


Lançamento do Núcleo VIVA pelo InCor marca nova era na saúde cardiovascular da mulher e das doenças sem obstruções coronárias

 

O Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor) lança um programa pioneiro no Brasil voltado ao diagnóstico e tratamento da doença coronária não obstrutiva, com foco especial na saúde cardiovascular da mulher. Este Núcleo se chamará VIVA: Visão Integrada da Vascularização na Angina, uma iniciativa inovadora e multidisciplinar voltada à saúde cardiovascular da mulher, com foco especial em doença arterial coronária não obstrutiva (ANOCA/INOCA) — condição frequentemente subdiagnosticada, apesar de altamente prevalente entre mulheres com sintomas de angina. 

A apresentação oficial foi feita durante a SOCESP 2025 pelo Profs. Drs. Roberto Kalil Filho e Alexandre Abizaid, e contou com a participação da Dra. Roxana Mehran, diretora de Pesquisa Cardiovascular Intervencionista e Ensaios Clínicos do Mount Sinai School of Medicine, em Nova York e referência internacional em saúde cardiovascular feminina, que vem ao Brasil especialmente para este lançamento. 

“O lançamento deste programa marca um avanço significativo na cardiologia brasileira, especialmente no cuidado da saúde cardiovascular feminina. Ter a Dra. Roxana Mehran conosco neste momento ressalta a importância global da iniciativa. Participar da SOCESP demonstra, mais uma vez, o compromisso do InCor com a inovação, o conhecimento científico e a qualidade da assistência médica”, destaca o Prof. Dr. Roberto Kalil Filho. 

Com este programa inovador, o InCor reafirma seu protagonismo na cardiologia brasileira, agora com um foco estratégico e essencial na saúde cardiovascular da mulher. O novo programa nasceu da necessidade em atender um público frequentemente negligenciado nos diagnósticos tradicionais: cerca de 30% dos pacientes com dor no peito e sinais de isquemia não apresentam obstruções visíveis nas artérias coronárias, sendo 85% dessas pessoas, mulheres. Muitas vezes, esses casos são subestimados ou mal interpretados, levando a diagnósticos equivocados ou mesmo à desconsideração dos sintomas. 

"Essas pacientes sofrem com sintomas reais, como angina e falta de oxigenação no coração, documentados por exames como cintilografia e teste ergométrico, mas que não são confirmados no cateterismo tradicional. Isso ocorre porque o problema está na microcirculação, invisível ao exame convencional", explica o Prof. Dr. Carlos Campos, um dos idealizadores do programa no InCor. 

O programa é multidisciplinar e integra clínica especializada no acompanhamento e tratamento de casos, com foco em reabilitação cardiovascular por meio de exercícios supervisionados e condutas individualizadas. Utilizando tecnologia de ponta, oferece exames inovadores capazes de avaliar a função endotelial, detectar espasmos arteriais e analisar o fluxo na microcirculação. 

Além disso, conta com uma hemodinâmica avançada, incluindo testes recém-introduzidos no país que permitem identificar causas de dor torácica e outros sintomas cardiovasculares invisíveis ao cateterismo convencional. "A inovação não está apenas no equipamento, mas em oferecer um cuidado global, contínuo e específico para essas pacientes. É um marco na cardiologia brasileira, especialmente para a saúde da mulher, frequentemente subdiagnosticada e subtratada em doenças cardiovasculares", afirma Campos.

 

InCor 

 

Nem todo nódulo de tireoide é câncer: saiba quando se preocupar

Alteração comum, nódulos na tireoide são em sua maioria benignos, mas exigem acompanhamento médico para diagnóstico preciso e tratamento adequado


Descobrir um nódulo na tireoide pode gerar medo, mas é importante saber que, na maioria dos casos, esses nódulos são benignos. Estima-se que cerca de 60% da população adulta possa apresentar nódulos tireoidianos ao longo da vida, especialmente as mulheres, segundo dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Mesmo sendo uma alteração comum, apenas cerca de 5% a 10% dos casos são malignos.

A tireoide é uma glândula localizada na parte anterior do pescoço e responsável por funções essenciais, como o controle do metabolismo. Os nódulos podem ser descobertos em exames de rotina ou por meio da palpação do pescoço. Entre os fatores que exigem atenção estão o crescimento acelerado do nódulo, o histórico familiar de câncer de tireoide,a  presença de linfonodos aumentados na região e alterações no exame de ultrassom.

O ultrassom da tireoide é o principal exame para avaliar as características dos nódulos e permite classificá-los segundo o sistema TIRADS (Thyroid Imaging Reporting and Data System). Esse sistema padroniza a análise do risco de malignidade com base em diversos critérios, como o formato do nódulo, contornos, ecogenicidade, presença de microcalcificações e se há sinais de que o nódulo está invadindo estruturas vizinhas fora da glândula.

Além disso, nódulos que apresentam crescimento progressivo ao longo do tempo também merecem maior atenção. Nódulos classificados como TIRADS 4 ou TIRADS 5 são considerados mais suspeitos para câncer e, por isso, frequentemente têm indicação de biópsia precoce para esclarecimento diagnóstico.

O diagnóstico definitivo depende de uma avaliação clínica completa, exames laboratoriais, ultrassonografia e, em muitos casos, da biópsia da tireoide. A forma mais tradicional é a Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF), que retira células do nódulo para análise. No entanto, técnicas convencionais como a PAAF podem apresentar amostras insuficientes para diagnóstico, especialmente em nódulos mais endurecidos ou com muita fibrose. Nesses casos, o laudo vem como Bethesda 1, indicando amostra não diagnóstica — e a biópsia precisa ser repetida.

“O problema é que em algumas situações a amostra não diagnóstica se repete mesmo após duas ou três punções, gerando insegurança para o paciente e para a equipe médica. Já tive casos em que o diagnóstico só foi possível após quatro PAAFs sem sucesso”, explica o médico ultrassonografista Bruno Farnese, especialista em biópsias guiadas por imagem.

Hoje, há uma técnica mais resolutiva para esses casos: a Core Biopsy da Tireoide. Com uma agulha especial, delicada e guiada por ultrassom, é possível retirar um pequeno fragmento do tecido do nódulo, o que aumenta significativamente a qualidade da amostra e reduz a chance de novos resultados inconclusivos. “A Core Biopsy da Tireoide tem sido fundamental para evitar cirurgias desnecessárias na tireoide e obter um diagnóstico preciso, especialmente em pacientes que já passaram por biópsias convencionais sem sucesso”, afirma Farnese.

O procedimento costuma ser realizado com anestesia local e é bem tolerado pela maioria dos pacientes. Em casos de crianças ou adultos muito ansiosos, pode ser feita com sedação leve, garantindo maior conforto e segurança.

O tratamento vai desde o simples acompanhamento até a cirurgia, dependendo do tipo de nódulo, sintomas, tamanho e resultados dos exames. A maioria dos cânceres de tireoide apresenta crescimento lento e bom prognóstico, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e da condução individualizada de cada caso.

O principal alerta dos especialistas é evitar o pânico diante do diagnóstico de um nódulo e buscar atendimento com endocrinologista de confiança. “Descobrir um nódulo na tireoide não é motivo para desespero. A maioria é benigna e não requer cirurgia. O mais importante é fazer uma avaliação médica cuidadosa, acompanhar com exames periódicos e seguir as orientações do especialista para garantir segurança e tranquilidade”, finaliza dr. Bruno Farnese.

 

Dia 24 de junho: Dia Mundial de Prevenção de Quedas

OMS estima que, a cada ano, 684 mil pessoas morram em decorrência de quedas no mundo - mais de 80% em países de baixa e média renda 

 

A SOBRASP – Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente – lança a campanha “Segurança em cada passo”, em comemoração ao Dia Mundial de Prevenção de Quedas, celebrado em 24 de junho, terça-feira.  

“O objetivo da nossa campanha é sensibilizar profissionais de saúde, instituições e a população sobre a importância da prevenção de quedas em diferentes contextos assistenciais. Com o lema ‘Cada passo importa e cada ação preventiva salva vidas’, queremos alertar as equipes de saúde sobre a necessidade de adequar o ambiente, envolver o paciente e a família, além de realizar avaliações de risco. Dessa forma, podemos promover ambientes mais seguros e proteger vidas”, explica Alessandra Roscani, doutora em Ciências da Saúde e diretora de Comunicação e Marketing da SOBRASP. 

Segundo os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, no Brasil, sete em cada dez mortes acidentais de pessoas acima de 75 anos são causadas por quedas. Cerca de 70% desses acidentes acontecem dentro de casa, principalmente entre idosos com mais de 65 anos. Para aqueles com mais de 80 anos, a prevalência é ainda maior, e a mortalidade relacionada às quedas chega a ser seis vezes maior. 

Somente em 2023, 4.816 idosos morreram em decorrência de quedas da própria altura. As quedas são a terceira causa de morte entre as pessoas com mais de 65 anos, e, entre 2013 e 2022, foram responsáveis pela morte de 70.516 idosos no Brasil. 

 

Quedas em hospitais: um risco invisível 

As quedas durante internações hospitalares representam uma preocupação importante para profissionais de saúde, familiares e os próprios pacientes. Essas quedas têm múltiplas causas e podem trazer consequências sérias à saúde, como fraturas, lesões na cabeça, aumento do tempo de internação e complicações mais graves.

As principais causas incluem fraqueza muscular, problemas de equilíbrio, uso de medicamentos que causam tontura ou sonolência, dificuldades de visão, ambientes com iluminação inadequada ou obstáculos no caminho, além de procedimentos médicos que podem alterar a mobilidade do paciente. Muitas vezes, a própria condição de saúde do idoso, como doenças crônicas ou pós-operatórios, aumenta sua vulnerabilidade.

 

 

Como prevenir quedas de idosos em casa 

Primeiramente, é importante que o próprio idoso esteja consciente dos perigos e que haja uma conversa constante e vigilância adequada.

Um tropeço ou desequilíbrio pode ser fatal na terceira idade, por isso, todo cuidado é pouco. Como diz o ditado, "é melhor prevenir do que remediar". Aqui vão algumas dicas para garantir mais segurança e qualidade de vida aos idosos: 

 


Projeto de Lei: A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa na Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4376/24  para prevenir quedas acidentais de pessoas idosas. O texto aprovado cria a Política Nacional de Prevenção de Quedas entre pessoas idosas. Para virar lei, ainda precisa passar pelo plenário da Câmara e do Senado.

 

Entre os objetivos da nova política estão:

·         desenvolver programas de exercícios físicos para ajudar os idosos a ficarem mais fortes e terem mais equilíbrio, com orientações personalizadas;

·         identificar e reduzir os riscos de quedas em unidades de saúde, com equipes treinadas para ajudar os idosos;

·         conscientizar sobre a importância de os idosos viverem e frequentarem espaços acessíveis e seguros; e oferecer atendimento integral a pessoas idosas que sofreram quedas, com foco na recuperação e na prevenção de novos acidentes.


Ozempic e Mounjaro: o que a saúde bucal tem a ver com esses medicamentos?

Especialista alerta sobre os impactos das canetas emagrecedoras na saúde da boca

 

Medicamentos como o Ozempic (semaglutida) e o Mounjaro (tirzepatida) se consolidaram como tratamentos auxiliares no emagrecimento, impulsionando uma verdadeira febre dessas "canetas emagrecedoras". Apesar dos benefícios metabólicos amplamente reconhecidos, um alerta importante vem chamando a atenção de especialistas: os efeitos adversos dessas medicações na saúde bucal. 

Essa relação tem sido alvo de estudos e relatos clínicos ao redor do mundo, que documentam casos de boca seca, inflamações gengivais e, mais recentemente, infecções orais. Esses efeitos podem afetar a qualidade de vida do paciente e, em alguns casos, agravar condições preexistentes.  

Segundo o cirurgião dentista, Bruno Matias, a interferência causada pelos medicamentos na cavidade oral, embora ainda pouco discutida, tem impacto significativo. “A redução do fluxo salivar, comumente relatada por pacientes que utilizam essas medicações, é o principal problema. A saliva é fundamental não só para proteger os dentes de cáries e doenças gengivais, mas também para evitar o surgimento de infecções por fungos”, explica o especialista.

 

Efeitos colaterais na saúde bucal

Entre os efeitos colaterais mais frequentes está a xerostomia, ou boca seca, condição provocada pela diminuição da produção de saliva. De acordo com um estudo publicado em 2023, pacientes em tratamento com semaglutida apresentaram xerostomia severa em casos recorrentes, o que pode abrir portas para uma série de complicações. 

Um dos problemas é o aumento do risco de cáries e doenças periodontais, especialmente quando o uso desses medicamentos não é acompanhado por cuidados redobrados com a higiene bucal. “O ambiente bucal seco favorece a proliferação de fungos, como o Candida albicans, frequentemente associado a lesões esbranquiçadas e dolorosas, conhecidas como candidíase oral”, afirma o especialista em implantodontia. 

Outro ponto levantado por Dr. Bruno é o agravamento de inflamações gengivais, como gengivite e periodontite, já comuns em pacientes diabéticos. Embora o controle glicêmico promovido pelos medicamentos ajude a estabilizar esses quadros, os desafios gerados pela boca seca podem sobrepor esse benefício, trazendo complicações inflamatórias.  

“O impacto mais severo tem sido observado em pacientes com histórico de má higiene bucal, doença periodontal preexistente ou condições metabólicas descontroladas. Em casos extremos, podem surgir abcessos dentários e até mesmo a progressão de quadros de periodontite severa”, alerta Bruno Matias. 

Outro efeito que tem incomodado pacientes é o mau hálito, frequentemente causado pela combinação de boca seca e pelo estado de cetose, no qual o corpo passa a queimar gordura como principal fonte de energia. Embora o odor cetogênico nem sempre esteja relacionado diretamente à saúde bucal, a falta de saliva tende a potencializar o problema, criando desconforto social.

 

Acompanhamento multidisciplinar

Apesar dos alertas, é importante destacar que o uso de canetas como Ozempic e Mounjaro, quando bem indicado, traz inúmeros benefícios para a saúde geral. Estudos já comprovaram sua eficácia na perda de peso, no controle do diabetes e na prevenção de doenças metabólicas graves.  

No entanto, como em qualquer tratamento, o acompanhamento de profissionais qualificados é indispensável, e o cuidado multidisciplinar — envolvendo médicos e dentistas — previne complicações e garante uma abordagem mais completa para a saúde total do paciente. 

“É fundamental que pacientes que utilizam esses medicamentos informem seu dentista sobre o uso durante as consultas regulares. Isso permite que o profissional fique alerta aos sinais de complicações orais. Além disso, a ênfase na higiene oral e orientações personalizadas para hidratação bucal podem evitar problemas maiores”, conclui Dr. Bruno. 

 

Reforço da higiene

Para os usuários das canetas, recomenda-se reforçar a rotina de escovação, o uso do fio dental e a ingestão adequada de água ao longo do dia, uso de saliva artificial, com recomendação adequada, além de incluir enxaguantes bucais hidratantes quando necessário. Essas medidas simples são eficazes para manter a boca saudável, mesmo diante da redução do fluxo salivar. “Em casos mais graves, como lesões brancas na mucosa ou dores persistentes, o dentista deve ser consultado imediatamente”.

 



Dr. Bruno Matias (CRO/SP 93761) - Cirurgião dentista - especialista em Odontologia Digital, Vencedor do prêmio internacional SWCC (Straumann World Class Cup), evento que premia a excelência em implantologia e odontologia estética com profissionais de todo o mundo Embaixador da Straumann Group no Brasil, ministra palestras mundo a fora, auxiliando outros dentistas a terem melhores resultados com a Odontologia Digital.
Instagram: @brunomatiasdr
youtube.com/@brunomatiasdr

 

Diabetes pode levar a graves problemas de saúde

Alimentação saudável, exercícios físicos e exames laboratoriais podem evitar a doença

 

Sede excessiva que leva a pessoa a tomar muito água, boca seca, perda de peso, aumento da frequência urinária, visão turva, fadiga e falta de energia – estes são alguns dos sintomas do diabetes, doença caracterizada pelo excesso de glicose no sangue, que pode ocasionar graves problemas de saúde, mas que pode ser evitada e, se for diagnosticada, tratada.

As afirmações são da dra. Giovanna Pianca, endocrinologista do Seconci-SP (Serviço Social da Construção), por ocasião do Dia Nacional do Diabetes (26 de junho). Ela explica que a doença é causada pela falta de insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que regula o nível de glicose no sangue, ou por sua baixa eficácia no organismo.

De acordo com a endocrinologista, se não for detectado e tratado, o diabetes pode ocasionar infarto, AVC (Acidente Vascular Cerebral), nefropatia (insuficiência renal que pode levar à diálise e à necessidade de transplante), neuropatia (afetando os nervos, mediante formigamentos e diminuição da sensibilidade nos membros inferiores, levando a feridas que podem requerer amputações dos pés) e retinopatia diabética (doença que pode levar o paciente à cegueira).

“A doença é silenciosa e muitas pessoas a descobrem quando já estão diabéticas. Mas ela pode ser prevenida, mediante alimentação saudável, com produtos integrais, vegetais e frutas, evitando-se doces e bebidas alcoólicas. Também é fundamental fazer exercícios físicos regularmente e exames anuais de sangue”, afirma a médica.


Atenção à alimentação

Para os trabalhadores da construção civil, a dra. Giovanna recomenda que tragam a marmita com a alimentação saudável e balanceada de casa. “Se eles não tiverem alternativa e precisarem se alimentar no entorno da obra, devem buscar pratos sem gordura e com poucos carboidratos. Não se deve misturar arroz com macarrão, por exemplo”.

De acordo com a endocrinologista, alimentos como aveia, brócolis, espinafre e grão de bico podem ser consumidos tranquilamente. Entretanto, algumas frutas, como banana, manga e uvas, têm alto valor calórico, portanto, devem ser ingeridos moderadamente por diabéticos.

“Bebidas alcoólicas podem causa hipoglicemia (baixa concentração de açúcar no sangue), principalmente em diabéticos do tipo 1 (ver abaixo). Já algumas bebidas como vinho e cerveja causam hiperglicemia (nível elevado de açúcar no sangue). Ambas as condições podem ocasionar graves problemas de saúde”.

A médica afirma que restringir ao máximo o consumo de álcool e de açúcar pode ser difícil no início, mas é possível com força de vontade. “O ideal é tirar gradativamente de casa os doces e os chocolates, e consumir bebidas alcoólicas moderadamente e somente em ocasiões como festas. “A saúde da pessoa vai se beneficiar como um todo. O açúcar pode ser substituído pelo adoçante stévia, ou simplesmente eliminado”.

A Federação Internacional de Diabetes estima que 590 milhões de pessoas viviam com a doença no mundo em 2024. No Brasil, eram 16,6 milhões de adultos.


Principais tipos

Há dois principais tipos de diabetes, informa a endocrinologista. O tipo 1 afeta principalmente crianças, adolescentes e jovens adultos. É uma doença autoimune que destrói as células do pâncreas produtoras de insulina, a qual então precisa ser ministrada diariamente ao paciente.

Já o tipo 2 afeta 90% dos diabéticos. É quando a glicemia (concentração de açúcar no sangue), ocasionada pela produção insuficiente de insulina leva a inflamações que podem ocasionar os graves problemas de saúde mencionados acima. Contribuem para a doença deste tipo: ingestão excessiva de carboidratos, açúcar e álcool, obesidade, genética, histórico familiar e sedentarismo.

Há ainda o diabetes gestacional, quando o pâncreas da gestante não deu conta de uma carga maior de glicemia, o que demanda acompanhamento médico durante a gravidez. E há também casos de mulheres que podem ficar diabéticas após o parto.

Muitas pessoas são pré-diabéticas, têm picos de glicemia, sinalizando que futuramente podem se tornar diabéticos. Quando o problema é detectado nos exames de glicemia e hemoglobina glicada, essas pessoas são tratadas com medicamentos de prevenção.

O tratamento do diabético tipo 1 necessariamente deve ser feito com insulina. Já pacientes diabéticos tipo 2 recebem medicamentos orais e eventualmente insulina, caso não melhorem seus controles glicêmicos. “Um controle bem feito evita complicações, com consultas ao médico uma vez ao ano ou quando a pessoa apresentar algum sintoma”.

No Seconci-SP, os trabalhadores e seus familiares contam com toda a estrutura laboratorial e profissionais de diferentes especialidades para a realização de exames e tratamentos. Para a prevenção do diabetes especificamente, a entidade dispõe de uma equipe multidisciplinar que inclui nutricionistas, endocrinologistas e nefrologistas, além de psicólogos e psiquiatras, quando necessário.

 

Entenda como o turismo pode abrir portas para a residência legal nos Estados Unidos


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Com planejamento e orientação jurídica adequada, uma simples viagem de turismo pode ser o ponto de partida para morar legalmente no país

 

Visitar os Estados Unidos com um visto de turista pode ser o primeiro passo para um projeto de vida mais ambicioso: construir um futuro legal e planejado no país. Embora ele não permita trabalhar nem estudar de forma integral no país, mas pode representar uma excelente oportunidade para quem deseja identificar possibilidades profissionais, avaliar regiões para morar e entender os caminhos legais para a residência permanente.

Segundo Guilherme Vieira, CEO da On Set Consultoria, empresa especializada em vistos e cidadania americana, há uma ideia equivocada de que o visto de turista não serve para quem deseja morar legalmente nos Estados Unidos. “O turismo pode ser o ponto de partida para o planejamento migratório. Muitas vezes, é durante uma viagem que a pessoa identifica uma oportunidade de negócio, de investimento ou de estudo, e é nesse momento que deve buscar orientação jurídica para transformar essa experiência em uma oportunidade de   permanência no país”, explica o especialista.

O visto B1/B2 permite entrar nos Estados Unidos por períodos curtos, geralmente de até seis meses, para atividades como turismo e lazer, participação em eventos, feiras e congressos, reuniões de negócios e visitas exploratórias para conhecer regiões ou escolas. Ele não autoriza o trabalho formal, a matrícula em cursos acadêmicos de longa duração ou a permanência contínua no país além do período estipulado. “Por isso, o planejamento é fundamental para que uma viagem de turismo possa se transformar em um projeto migratório sem colocar o visitante em situação irregular”, reforça Vieira.

Durante a estadia como turista, é comum que sejam avaliadas oportunidades de:

  • Investimento ou abertura de negócio, o que pode viabilizar vistos como o E-2, para países com tratado com os EUA, ou o EB-5, de residência por investimento;
  • Estudo em instituições americanas, o que exige a mudança para o visto F-1, desde que ocorra com o apoio jurídico adequado e dentro dos prazos permitidos;
  • Casamento com cidadão americano, em situações legítimas e com acompanhamento legal, pode gerar processos de ajuste de status;
  • Ofertas de trabalho qualificadas, que podem levar a vistos como o H-1B, o L-1 ou até processos de green card por habilidades extraordinárias (visto EB-2 NIW, por exemplo).

Segundo Vieira, o mais importante é entender que nenhuma mudança de status ou solicitação de visto deve ser feita por impulso. Cada tipo de visto tem critérios técnicos e prazos específicos, que variam de acordo com o perfil e os objetivos de cada pessoa. “O que muitos não percebem é que buscar caminhos informais, como permanecer no país além do tempo autorizado ou tentar acessar processos sem respaldo legal, pode gerar consequências sérias. Isso compromete o histórico imigratório, dificulta futuras solicitações e gera barreiras que limitam oportunidades, trabalho, renda e até a liberdade de entrar e sair dos Estados Unidos. É como quem tenta cruzar a fronteira sem visto: parece um atalho no início, mas, na prática, gera muito mais dor, perda financeira e restrições. O caminho mais inteligente é o planejamento, feito com clareza, consciência das regras e das estratégias migratórias adequadas para cada caso”, conclui o especialista.

 

On Set Consultoria Internacional de Imigração, Vistos e Negócios para os Estados Unidos


Vistos de estudante nos EUA passam por triagem digital mais rigorosa, mas oportunidades seguem abertas

Especialista em imigração legal tranquiliza estudantes brasileiros e destaca caminhos viáveis para estudar e construir carreira nos Estados Unidos 

 

A suspensão temporária das entrevistas para o visto de estudante nos consulados dos Estados Unidos, anunciada em maio de 2025 pela administração Trump, trouxe incertezas para milhares de jovens internacionais — inclusive brasileiros — que planejavam iniciar seus estudos no país. A justificativa oficial da medida é reforçar a segurança nacional, por meio de uma triagem mais rigorosa que agora inclui análise de redes sociais e histórico digital dos solicitantes.

 

Logo em seguida, o governo americano passou a aplicar um sistema de análise muito mais profundo sobre a vida digital dos candidatos a vistos de estudante, turismo, trabalho e green card. Não se trata apenas do que se publica, mas também de curtidas, comentários, interações, conexões e até postagens antigas — tudo pode ser usado como base para atrasar ou negar a concessão do visto.

 

Perfis com discursos considerados polêmicos, engajamento em pautas sensíveis, contradições com informações fornecidas no processo ou qualquer associação a conteúdos extremistas ou antidemocráticos podem levantar bandeiras vermelhas. A nova política faz parte de um esforço mais amplo de proteção à segurança nacional e combate ao terrorismo, com foco em identificar potenciais ameaças antes mesmo da entrada dos solicitantes no país.

 

Outro ponto importante: as redes sociais precisam estar acessíveis. Perfis fechados, privados ou restritos podem ser interpretados como tentativa de ocultar informações, o que acende alertas nos algoritmos de triagem. “A recomendação é ter uma presença digital coerente, visível e estratégica, compatível com seus objetivos migratórios. Esconder ou apagar tudo pode ser tão prejudicial quanto expor demais”, alerta Murtaz Navsariwala, advogado especializado em imigração legal para os Estados Unidos.

 

A situação começou a se agravar após o impasse entre a Universidade de Harvard e o governo federal. A instituição recusou-se a entregar dados confidenciais de estudantes estrangeiros envolvidos em protestos em apoio à Palestina. Como retaliação, o governo Trump proibiu Harvard de admitir novos estudantes internacionais, congelou US$ 2,6 bilhões em fundos federais e acusou a universidade de manter vínculos com o Partido Comunista Chinês — o que acirrou a tensão entre o governo e o sistema universitário.

 

Ainda assim, Murtaz garante que esse cenário não representa um fechamento total de portas. “As universidades americanas estão pressionando pela reversão da suspensão. O setor educacional sabe que estudantes internacionais são fundamentais não apenas pela diversidade, mas porque injetam mais de 44 bilhões de dólares por ano na economia americana. O país não pode ignorar isso por muito tempo”, afirma.

 

O advogado reforça que, apesar da suspensão temporária das entrevistas consulares, existem alternativas viáveis para estudantes. “A mudança de status dentro dos Estados Unidos, por exemplo, continua ativa. Muita gente está sendo aprovada. Com a estratégia certa e apoio jurídico especializado, é possível estudar legalmente no país e continuar trilhando esse caminho.”

 

Murtaz também destaca que a jornada acadêmica pode ser o primeiro passo para oportunidades migratórias mais sólidas. “Muitos brasileiros começam pelos estudos — seja faculdade, MBA, mestrado ou especializações. Isso fortalece o currículo e abre portas para vistos mais robustos, como o EB2-NIW, que permite a residência permanente nos Estados Unidos sem precisar de oferta de emprego ou investimento milionário”, explica.

 

O EB-2 com National Interest Waiver (Isenção por Interesse Nacional) é uma categoria voltada a profissionais com formação sólida e experiência comprovada em áreas estratégicas. Para ser aprovado, o solicitante precisa demonstrar que sua atuação tem impacto positivo relevante para os Estados Unidos — especialmente em setores como ciência, tecnologia, saúde, inovação, negócios ou educação.

 

“O governo americano está em busca de talentos. Precisa de profissionais qualificados para liderar a inovação global, reduzir a dependência externa e fortalecer sua economia. Se você tem conhecimento estratégico, atua em uma área-chave e consegue mostrar que sua presença no país é de interesse nacional, é possível fazer esse processo de forma legal, segura e definitiva”, conclui o especialista.

 

Para quem sonha em estudar, trabalhar e construir uma vida nos Estados Unidos, a principal recomendação do especialista é clara: "Não desista. Informe-se, prepare-se, e caminhe com orientação especializada. As oportunidades ainda existem — mas agora, mais do que nunca, é preciso estratégia.”

 


Murtaz Law


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