Especialistas alertam para riscos como
diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e alterações genéticas, mas destacam que
uma gestação saudável é possível com planejamento e acompanhamento
O desejo de postergar a maternidade é cada vez mais comum, e com
ele cresce também a busca por informações seguras sobre gravidez em idades mais
avançadas. A gestação após os 40 e até mesmo acima dos 50 anos requer uma
atenção especial, não só pelos desafios naturais da idade, mas pela necessidade
de uma preparação física, emocional e médica mais criteriosa.
A ginecologista, especialista em reprodução humana e membro da AMCR (Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do
Brasil), Fabiana Barp explica que a idade materna é, sim, um fator de risco
importante. “Com o avançar dos anos, aumentam as chances de desenvolver
diabetes gestacional, doenças hipertensivas como pré-eclâmpsia, maior
incidência de abortos espontâneos, placenta prévia e baixo peso ao nascimento.
Além disso, é mais comum que o parto seja cesariana”, afirma.
Esses riscos, no entanto, podem ser significativamente reduzidos
com hábitos saudáveis e acompanhamento especializado. “A paciente precisa manter
uma rotina de exercícios físicos, alimentação equilibrada, controle de doenças
pré-existentes e fazer um rastreio laboratorial completo antes da gestação.
Isso inclui dosagens hormonais, avaliação da tireoide e verificação de
eventuais deficiências vitamínicas”, completa a médica.
Outro ponto que preocupa muitas mulheres acima dos 40 é o risco de
alterações genéticas no bebê, como a síndrome de Down. “Recomendamos testes
genéticos para pacientes a partir dos 37 anos, embora não seja obrigatório.
Existem exames não invasivos, como os feitos por meio de coleta de sangue da
mãe, que ajudam a avaliar possíveis síndromes”, explica Fabiana.
Doenças já existentes, como hipertensão e diabetes, exigem
acompanhamento conjunto com especialistas de cada área. “Mesmo que a mulher já
esteja sob controle medicamentoso, o risco de agravamento na gravidez existe e
precisa ser monitorado. Em especial, o risco de desenvolver doenças específicas
da gestação, como a pré-eclâmpsia, é maior em pacientes hipertensas”, alerta.
Entre os cuidados fundamentais está também o rastreio por miomas e
endometriose. “Miomas são tumores benignos que se tornam mais frequentes após
os 40. Dependendo da localização, podem alterar o posicionamento do bebê,
provocar partos prematuros e dificultar a implantação da placenta. É essencial
avaliá-los antes da gestação”, explica.
Um dos temas que mais geram dúvidas no consultório, segundo a especialista, é a possível relação entre gravidez tardia e autismo. “Não temos como prever ou diagnosticar o autismo antes da gestação. O que sabemos é que a idade tanto da mulher quanto do homem pode ser um fator de risco. Por isso, a avaliação deve sempre incluir o casal”, conclui Fabiana.
AMCR – Associação Mulher Ciência e Reprodução Humana do Brasil
Para saber mais informações, acesse o site
Nenhum comentário:
Postar um comentário