Após a repercussão recente envolvendo possível contaminação em
produtos de limpeza, especialistas reforçam a importância de observar qualquer reação
da pele após o contato com substâncias químicas domésticas. Ardência,
vermelhidão, coceira e descamação podem parecer sinais leves em um primeiro
momento, mas, dependendo da evolução do quadro, podem indicar reações mais
importantes.
Segundo a dermatologista Dra. Débora Cardial, da Clínica Terra
Cardial e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a primeira medida
após qualquer irritação é retirar completamente o produto da pele. “A
orientação inicial é lavar bem a região com água corrente abundante e evitar
novo contato até entender se houve apenas uma irritação passageira ou uma
reação alérgica mais importante”, explica.
A médica destaca que muitas reações melhoram apenas com a
suspensão do produto e cuidados básicos com a barreira cutânea. Ainda assim, é
fundamental acompanhar os sinais nos dias seguintes. “Se surgirem vermelhidão
intensa, ardor persistente, coceira importante ou descamação, é preciso
atenção”, alerta.
De acordo com a especialista, o quadro deixa de ser considerado
simples quando a irritação começa a piorar ao invés de melhorar. “Quando a pele
fica muito inflamada, dolorosa, inchada ou surgem lesões mais extensas, vale
procurar avaliação médica. Também preocupa quando o paciente continua tendo
reação mesmo após interromper o uso, porque isso pode indicar uma dermatite de
contato mais importante”, afirma.
Entre os principais sinais de alerta estão bolhas, feridas,
secreção, dor intensa, inchaço progressivo e febre. “Esses sintomas podem
indicar desde uma queimadura química mais intensa até infecção secundária ou
reação inflamatória significativa”, explica a dermatologista. A médica também
chama atenção para casos em que a área afetada aumenta ou atinge regiões mais
sensíveis. “Quando há acometimento do rosto, olhos ou mucosas, o ideal é não
esperar evoluir para procurar atendimento.”
Outro ponto importante é evitar soluções caseiras sem orientação
médica. “Álcool definitivamente não deve ser usado, porque pode piorar bastante
a irritação. O maior erro é sair aplicando vários produtos sem saber exatamente
o que aconteceu na pele”, afirma Dra. Débora. Segundo ela, algumas pomadas
podem mascarar sintomas ou até agravar o quadro dependendo da substância
envolvida. Em casos leves, o mais seguro é optar apenas por um hidratante suave,
sem perfume e sem cor.
A especialista também alerta para a possibilidade de irritação
indireta causada por roupas lavadas com produtos potencialmente contaminados.
“Algumas substâncias podem permanecer impregnadas no tecido mesmo após secarem
e causar dermatite de contato, principalmente em pessoas com pele sensível,
dermatite atópica ou alergias cutâneas”, explica. Nesses casos, a recomendação
é lavar novamente as peças com bastante água antes do uso e evitar contato
prolongado com a pele até garantir que não haja resíduos.
Dra. Débora Cardial - dermatologista formada pela Faculdade de
Medicina do ABC, com residência em Clínica Médica e Dermatologia, título de
especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, além de ser membro da
Sociedade Europeia de Dermatologia e Venereologia e da Sociedade Brasileira de
Laser.
Clínica Terra Cardial

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