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| Fotos de Brendo Trolesi |
Com direção de Fernando Vilela e atuação de Filipe Augusto, o suspense cheio de humor ácido propõe uma reflexão sobre a paranóia, a depressão e a ansiedade da população gay na era das redes sociais
Quase metade das pessoas LGBTQIA+ no Brasil sofre de ansiedade,
enquanto 24% enfrentam depressão, de acordo com dados da Pesquisa “Tensões
Culturais 2023”, conduzida pela Quiddity. Em resposta a questões preocupantes
como essa, o solo thriller queer Fumaça, do inglês Alexis Gregory, ganhou
uma montagem brasileira, dirigida por Fernando Vilela e traduzida e
estrelada por Filipe Augusto, que estreou no Festival Mix Brasil 2025.
Agora, o espetáculo volta em cartaz em São Paulo, desta vez no espaço ºAndar,
de 6 a 27 de julho, com sessões às segundas-feiras, às 20h.
A obra também está em cartaz simultaneamente no Reino Unido, com
sucesso de crítica. "Mesmo antes de ser contatado por Fernando e Filipe,
eu já tinha conhecimento sobre algumas das questões relacionadas ao abuso de
substâncias que afetam a comunidade LGBTQ+ no Brasil. Estou muito feliz que
Fumaça esteja ganhando uma nova temporada no país, e que a equipe local esteja utilizando
a produção como plataforma para aprofundar esses debates”, diz o autor Alexis
Gregory.
“Quando vi as primeiras referências do trabalho de Fernando Vilela
e Filipe Augusto, aceitei imediatamente o convite para que eles apresentassem
Fumaça em São Paulo. Acompanhei de perto o desenvolvimento da produção e o
resultado visual foi realmente belo, potente e preciso”, acrescenta.
Na trama, quando Alex recebe uma mensagem privada do seu falecido
namorado, ele parte numa jornada seguindo pistas e enfrentando perigos numa
tentativa de descobrir a verdade. Esse suspense cheio de humor ácido convida a
plateia a refletir sobre autoexposição, uso de drogas, paranoia, vida e morte
na era do Instagram e outras redes sociais, quando já não há mais privacidade.
O autor Alexis Gregory conta que a peça surgiu das próprias
observações do comportamento da população gay nas redes sociais. “Eu
acompanhava frequentemente homens gays publicando suas psicoses, desesperados para
compartilhar suas descobertas. Também via casos de gays que morriam
repentinamente, sem explicação. Atualmente, a paranoia move o mundo. Com as
pessoas empurradas até seus limites, o uso de drogas, teorias da conspiração e
golpes online, facilmente conseguimos identificar a trama de um thriller”, diz.
E sobre o uso do humor ácido para tratar desse tema delicado e
essencial, ele revela: “Eu uso humor em todos os meus trabalhos e a maioria
deles aborda temas desafiadores. Humor é uma ótima ferramenta para atrair o
público e mantê-lo envolvido, mesmo quando acompanhamos a jornada interna
maluca de Alex. Nós ‘queerizamos’ o thriller”.
Filipe Augusto, que dá vida ao protagonista e também é um homem
gay com quase 40 anos, diz que vê algumas semelhanças com seu personagem. “Eu
me vejo nas marcas deixadas pelo trauma de ter crescido em uma sociedade que
fez com que a gente vivesse em um estado de alerta constante. O medo da
rejeição, a homofobia dos outros (e aquela que nós mesmos internalizamos), a
dificuldade de olhar para uma dor que nos habita e que, se não é encarada de
frente, fere nós mesmos e as outras pessoas”, comenta o ator.
“Alex tem uma vontade tão grande, quase um desespero, por ser entendido
e acolhido, por se encaixar, ao mesmo tempo que luta por se autoafirmar em um
mundo que lhe parece muito hostil. Eu também já senti e continuo sentindo todas
essas coisas em alguns momentos da minha vida. Trabalhar em Fumaça está me
fazendo olhar para a minha infância gay no armário muito mais do que eu
esperava, para refletir sobre o homem que me tornei. E por que eu desejo tanto
me expor ao mesmo tempo em que tenho medo da exposição”, acrescenta.
Para contar essa história, a encenação de Fernando Vilela está
centrada na tentativa de responder ao pensamento: “Compreender que temos vivido
conectados 24 horas por dia, com o celular na mão o tempo todo, e que tudo é
passível de compartilhamento e engajamento nas redes — do assunto mais banal ao
mais severo — nos levou ao seguinte pensamento: Como dar corpo estrutural a
esse fenômeno? Como traduzir essa sensação em linguagem cênica e visual?”.
Ele ainda conta que a cenografia reproduz uma espécie de jaula, um
espaço de confinamento para os tormentos de Alex, e ainda pode ser vista como
um grande ring light, dispositivo essencial de exposição no mundo conectado.
Assim, a montagem pretende explorar todas as contradições existentes no próprio
mundo das redes sociais.
Ficha Técnica
Texto: Alexis Gregory
Direção: Fernando Vilela
Com Filipe Augusto
Assistência de direção: Gabriela Moraes
Preparação vocal: Malú Lomando
Luz: Gabryel Matos
Foto: Brendo Trolesi
Comunicação digital: Nova.ag
Produção executiva: Dani Aoki
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Realização: Verve
Sinopse
Depois que Alex recebe uma mensagem privada do seu namorado que morreu, ele parte numa jornada seguindo pistas e enfrentando perigos numa tentativa de descobrir a verdade. Um thriller queer cheio de humor ácido que convida a plateia a refletir sobre autoexposição, drogas, paranoia, vida e morte na era do Instagram. Quando a privacidade já não existe mais, onde vamos parar?
Serviço
Fumaça
Temporada: 6 a 27 de julho de 2026
Às segundas-feiras, às 20h
ºAndar - Rua Dr. Gabriel dos Santos, 88 – Santa Cecília, São Paulo
Ingressos: R$80 (inteira), R$40 (meia-entrada), R$50 (moradores
da Santa Cecília) e R$100 (para quem quiser apoiar o espetáculo)
Vendas online em https://linktr.ee/vervecia ou na
bilheteria
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos

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