Campanha reforça a importância do diagnóstico precoce e da prevenção de uma da doença que pode necessitar de transplante de córnea
Mudanças frequentes
no grau dos óculos, visão embaçada e sensibilidade à luz podem ser sinais de
uma condição ocular que afeta principalmente adolescentes e adultos jovens.
Durante o Junho Violeta, campanha de conscientização sobre o ceratocone,
especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e da adoção de
hábitos que ajudam a prevenir a progressão da doença.
O ceratocone é uma
alteração progressiva da córnea, estrutura transparente localizada na parte
frontal do olho e responsável por direcionar a luz para a retina. Com o
desenvolvimento da doença, a córnea sofre um afinamento gradual e passa a
adquirir um formato semelhante ao de um cone, provocando distorções visuais e
comprometendo a qualidade da visão. Estima-se que cerca de 150 mil brasileiros
sejam afetados pela condição a cada ano, segundo estimativas do Ministério da
Saúde e do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
Segundo o
oftalmologista e diretor do Hospital de Olhos Leiria de Andrade, Dr. Germano de
Andrade (CRM-CE 4766 | RQE 2999), o ceratocone costuma surgir durante a
adolescência e pode evoluir de forma silenciosa nos estágios iniciais.
“Em muitos casos,
os primeiros sinais são confundidos com alterações comuns de grau. O paciente
passa a trocar os óculos com frequência, desenvolve aumento progressivo da
miopia ou do astigmatismo e nem sempre percebe que está passando por uma
alteração estrutural na córnea. Por isso, a avaliação oftalmológica é
fundamental para identificar a doença precocemente”, explica.
Além da
predisposição genética, fatores comportamentais também estão associados ao
desenvolvimento e à progressão do ceratocone. Entre eles, o hábito frequente de
coçar ou esfregar os olhos, especialmente em pessoas que apresentam alergias
oculares, rinite ou outras condições que causam coceira.
“O ato repetitivo
de coçar os olhos pode contribuir para o enfraquecimento da córnea e acelerar a
evolução da doença. Por isso, é importante investigar e tratar as causas da
coceira ocular, além de orientar o paciente a evitar esse hábito”, destaca o
especialista.
Sintomas
e tratamento
Entre os sintomas
mais comuns estão visão embaçada, dificuldade para enxergar à noite,
sensibilidade à luz, distorção das imagens e aumento frequente do grau dos
óculos. Como os sinais podem surgir de forma gradual, muitas pessoas convivem
com a condição sem diagnóstico.
“O diagnóstico é
realizado por meio da consulta oftalmológica associada a exames específicos que
avaliam a curvatura e a espessura da córnea. Atualmente, dispomos de
tecnologias capazes de identificar alterações muito precoces, o que permite
acompanhar a evolução da doença e definir a melhor conduta para cada paciente”,
afirma o Dr. Germano.
O tratamento varia
de acordo com o estágio do ceratocone e pode incluir o uso de óculos, lentes de
contato especiais e procedimentos destinados a estabilizar a progressão da
doença. Em casos mais avançados, pode haver necessidade de transplante de
córnea.
“Embora não exista
cura para o ceratocone, o diagnóstico precoce permite controlar sua evolução e
preservar a qualidade visual do paciente. A conscientização promovida pelo
Junho Violeta contribui para que mais pessoas reconheçam os sinais da doença e
procurem acompanhamento especializado no momento adequado”, conclui.

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