No Dia Mundial de Prevenção de Quedas, Associação
Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial destaca a
importância de investigar alterações do equilíbrio e distúrbios vestibulares
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, globalmente, ocorrem cerca de 684 mil quedas fatais por ano, o que as tornam a segunda principal causa de morte por lesão não intencional no mundo, depois dos acidentes de trânsito. De acordo com a OMS, adultos com mais de 60 anos sofrem o maior número de quedas fatais, sendo que cerca de 37,3 milhões de quedas por ano são graves o suficiente para exigir atendimento médico. Uma revisão recente cita que aproximadamente de 30% a 40% dos adultos com 65 anos ou mais, que vivem na comunidade, sofrem ao menos uma queda por ano.
Tonturas, sensação de desequilíbrio ao caminhar e a impressão de que tudo está girando, a famosa vertigem, podem representar importantes fatores de risco para quedas, uma das principais causas de hospitalização, incapacidade e perda da independência, especialmente, mas não exclusivamente, entre os idosos.
E no Dia Mundial de Prevenção de Quedas, celebrado no dia 24 de junho, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) reforça a importância de identificar e tratar precocemente as alterações do equilíbrio, incluindo os distúrbios vestibulares, conhecidos popularmente como labirintite.
De acordo com o
otorrinolaringologista, Dr. Márcio Salmito, membro da ABORL-CCF, o sistema
vestibular, localizado no ouvido interno, é um sensor que detecta movimentos e
posições do corpo. Ele explica que o sistema vestibular desempenha papel
fundamental na manutenção do equilíbrio corporal, sendo que alterações nesse
sistema podem provocar tontura, vertigem, instabilidade e insegurança para
caminhar, aumentando, assim, de seis vezes a 12 vezes o risco de quedas. “Esse
sistema sensorial, muito mais do que apenas nos informar sobre nossa posição, é
um dos principais responsáveis pela orientação espacial e pelo equilíbrio do
corpo e, quando ele não funciona adequadamente, o risco de quedas aumenta
consideravelmente, principalmente entre os idosos, que já apresentam outras
alterações naturais relacionadas ao envelhecimento.”
Atente-se!
O equilíbrio é uma
função sofisticada do corpo que depende de estruturas sensoriais (visão,
propriocepção e o sistema vestibular), motoras (musculatura) e neurológicas
(que coordenam o processo). Dr. Salmito conta que com o avanço da idade, o
organismo passa por mudanças degenerativas na maioria destas estruturas, que
afetam diretamente a capacidade de manter o equilíbrio. Segundo o especialista,
esse cenário pode ser agravado por doenças do sistema vestibular, como a
Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), doença de Menière, neurite
vestibular e outras condições que afetam o labirinto. De acordo com o
otorrinolaringologista, a maioria destas doenças acaba recebendo o diagnóstico
errado de “labirintite”. “Muitas pessoas associam a tontura a um desconforto
passageiro, mas, em geral, sentir tontura não é normal. Na população idosa,
inclusive, pode ser o primeiro sinal de um problema capaz de comprometer a
autonomia e a qualidade de vida”, comenta, ao afirmar que uma única queda pode
desencadear consequências físicas, emocionais e sociais importantes.
Muito além
das fraturas
O fato é que as quedas representam um dos maiores desafios da saúde pública relacionados ao envelhecimento da população. Além de escoriações e hematomas, podem provocar fraturas de quadril, punho e coluna, exigindo internação, cirurgia e longos períodos de reabilitação. “Em muitos casos os impactos também afetam a saúde mental, já que após sofrer uma queda é comum que a pessoa idosa desenvolva o medo de cair novamente, reduzindo suas atividades diárias, evitando sair de casa e diminuindo sua participação social.”
O médico orienta
que sintomas como tontura frequente, vertigem, sensação de flutuação,
desequilíbrio ao caminhar, necessidade constante de apoio e situações de quase
queda necessitam de avaliação médica especializada. Ele revela que o
diagnóstico costuma requerer experiência do especialista com essas doenças e
com frequência podem ser necessários exames específicos, chamados de
otoneurológicos. “Atualmente, existem vários destes exames, que tem o objetivo
de medir o nível de funcionamento do sistema vestibular e pesquisar eventuais
alterações neurológicas associadas”, relata, ao citar o vHIT (vídeo-head
impulse test) e a vídeo-oculografia, que embora sejam os mais frequentes,
costumam ser desconhecidos pela maioria da população e, em alguns casos, até
mesmo por médicos não especialistas.
Tratamento e
prevenção
Identificar a causa correta e tratá-la adequadamente é fundamental. Além dos cuidados médicos, diferentes medidas podem reduzir a tontura e o desequilíbrio, prevenindo as quedas. Praticar atividade física regularmente, corrigir alterações visuais e auditivas, revisar medicamentos que possam provocar tontura, utilizar calçados adequados, evitar tapetes soltos e obstáculos dentro de casa, garantir boa iluminação dos ambientes e instalar barras de apoio em locais estratégicos, como banheiros e escadas, são medidas simples que ajudam a reduzir os riscos. “Quanto mais cedo o problema é identificado, maiores as chances de evitar acidentes e preservar a independência da pessoa idosa”, atesta.
Dr. Márcio Salmito - CRM 141.952 · RQE 40.903
Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF
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