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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Sintomas de tontura e vertigem aumentam o risco de quedas na população 60+, alerta ABORL-CCF

No Dia Mundial de Prevenção de Quedas, Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial destaca a importância de investigar alterações do equilíbrio e distúrbios vestibulares

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, globalmente, ocorrem cerca de 684 mil quedas fatais por ano, o que as tornam a segunda principal causa de morte por lesão não intencional no mundo, depois dos acidentes de trânsito. De acordo com a OMS, adultos com mais de 60 anos sofrem o maior número de quedas fatais, sendo que cerca de 37,3 milhões de quedas por ano são graves o suficiente para exigir atendimento médico. Uma revisão recente cita que aproximadamente de 30% a 40% dos adultos com 65 anos ou mais, que vivem na comunidade, sofrem ao menos uma queda por ano. 

Tonturas, sensação de desequilíbrio ao caminhar e a impressão de que tudo está girando, a famosa vertigem, podem representar importantes fatores de risco para quedas, uma das principais causas de hospitalização, incapacidade e perda da independência, especialmente, mas não exclusivamente, entre os idosos. 

E no Dia Mundial de Prevenção de Quedas, celebrado no dia 24 de junho, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) reforça a importância de identificar e tratar precocemente as alterações do equilíbrio, incluindo os distúrbios vestibulares, conhecidos popularmente como labirintite. 

De acordo com o otorrinolaringologista, Dr. Márcio Salmito, membro da ABORL-CCF, o sistema vestibular, localizado no ouvido interno, é um sensor que detecta movimentos e posições do corpo. Ele explica que o sistema vestibular desempenha papel fundamental na manutenção do equilíbrio corporal, sendo que alterações nesse sistema podem provocar tontura, vertigem, instabilidade e insegurança para caminhar, aumentando, assim, de seis vezes a 12 vezes o risco de quedas. “Esse sistema sensorial, muito mais do que apenas nos informar sobre nossa posição, é um dos principais responsáveis pela orientação espacial e pelo equilíbrio do corpo e, quando ele não funciona adequadamente, o risco de quedas aumenta consideravelmente, principalmente entre os idosos, que já apresentam outras alterações naturais relacionadas ao envelhecimento.”

 

Atente-se!

O equilíbrio é uma função sofisticada do corpo que depende de estruturas sensoriais (visão, propriocepção e o sistema vestibular), motoras (musculatura) e neurológicas (que coordenam o processo). Dr. Salmito conta que com o avanço da idade, o organismo passa por mudanças degenerativas na maioria destas estruturas, que afetam diretamente a capacidade de manter o equilíbrio. Segundo o especialista, esse cenário pode ser agravado por doenças do sistema vestibular, como a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), doença de Menière, neurite vestibular e outras condições que afetam o labirinto. De acordo com o otorrinolaringologista, a maioria destas doenças acaba recebendo o diagnóstico errado de “labirintite”. “Muitas pessoas associam a tontura a um desconforto passageiro, mas, em geral, sentir tontura não é normal. Na população idosa, inclusive, pode ser o primeiro sinal de um problema capaz de comprometer a autonomia e a qualidade de vida”, comenta, ao afirmar que uma única queda pode desencadear consequências físicas, emocionais e sociais importantes.

 

Muito além das fraturas

O fato é que as quedas representam um dos maiores desafios da saúde pública relacionados ao envelhecimento da população. Além de escoriações e hematomas, podem provocar fraturas de quadril, punho e coluna, exigindo internação, cirurgia e longos períodos de reabilitação. “Em muitos casos os impactos também afetam a saúde mental, já que após sofrer uma queda é comum que a pessoa idosa desenvolva o medo de cair novamente, reduzindo suas atividades diárias, evitando sair de casa e diminuindo sua participação social.” 

O médico orienta que sintomas como tontura frequente, vertigem, sensação de flutuação, desequilíbrio ao caminhar, necessidade constante de apoio e situações de quase queda necessitam de avaliação médica especializada. Ele revela que o diagnóstico costuma requerer experiência do especialista com essas doenças e com frequência podem ser necessários exames específicos, chamados de otoneurológicos. “Atualmente, existem vários destes exames, que tem o objetivo de medir o nível de funcionamento do sistema vestibular e pesquisar eventuais alterações neurológicas associadas”, relata, ao citar o vHIT (vídeo-head impulse test) e a vídeo-oculografia, que embora sejam os mais frequentes, costumam ser desconhecidos pela maioria da população e, em alguns casos, até mesmo por médicos não especialistas.

 

Tratamento e prevenção

Identificar a causa correta e tratá-la adequadamente é fundamental. Além dos cuidados médicos, diferentes medidas podem reduzir a tontura e o desequilíbrio, prevenindo as quedas. Praticar atividade física regularmente, corrigir alterações visuais e auditivas, revisar medicamentos que possam provocar tontura, utilizar calçados adequados, evitar tapetes soltos e obstáculos dentro de casa, garantir boa iluminação dos ambientes e instalar barras de apoio em locais estratégicos, como banheiros e escadas, são medidas simples que ajudam a reduzir os riscos. “Quanto mais cedo o problema é identificado, maiores as chances de evitar acidentes e preservar a independência da pessoa idosa”, atesta. 



Dr. Márcio Salmito - CRM 141.952 · RQE 40.903
Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF

 

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