Condição tradicionalmente associada ao envelhecimento também pode surgir antes dos 60 anos e estar relacionada a fatores genéticos, doenças crônicas, uso prolongado de medicamentos e hábitos de vida
Embora seja frequentemente associada ao
envelhecimento, a catarata também pode se desenvolver em pessoas mais jovens. O
surgimento precoce da condição, caracterizada pela perda gradual da
transparência do cristalino — lente natural dos olhos responsável por focar as
imagens — tem chamado a atenção de especialistas, especialmente diante do
aumento de fatores de risco relacionados ao estilo de vida e a determinadas
condições de saúde.
A catarata precoce pode comprometer significativamente a qualidade
de vida ao dificultar atividades cotidianas, como dirigir, ler, trabalhar e
utilizar dispositivos eletrônicos. Entre os principais sintomas estão visão
embaçada, aumento da sensibilidade à luz, dificuldade para enxergar à noite,
alteração frequente no grau dos óculos e percepção de cores menos nítidas.
“A catarata é uma condição progressiva e nem sempre está
relacionada apenas à idade avançada. Casos diagnosticados antes dos 60 anos
podem estar associados a fatores genéticos, doenças sistêmicas, traumas
oculares, uso prolongado de medicamentos e hábitos de vida inadequados”,
explica a Dra. Bruna Ventura, médica oftalmologista do Hospital de Olhos de
Pernambuco (HOPE).
Entre as principais causas da catarata precoce estão o diabetes
descompensado, o uso contínuo de corticoides, a exposição excessiva à radiação
ultravioleta sem proteção adequada, o tabagismo e a alta miopia. Além disso,
histórico familiar da doença e lesões nos olhos também aumentam o risco de
desenvolvimento da condição.
“A adoção de medidas preventivas pode contribuir para reduzir o
risco ou retardar o aparecimento da catarata. A manutenção de hábitos saudáveis
e o controle adequado de doenças crônicas são fundamentais para preservar a
saúde visual”, orienta a especialista.
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a catarata não pode
ser tratada com colírios ou medicamentos. Atualmente, a cirurgia é a única
forma eficaz de restaurar a visão comprometida pela doença. O procedimento
consiste na remoção do cristalino opaco e na implantação de uma lente
intraocular, sendo considerado seguro e com altos índices de sucesso.
“Consultas oftalmológicas regulares são essenciais em todas as
fases da vida, especialmente para pessoas que apresentam fatores de risco ou
percebem mudanças na qualidade da visão. A avaliação periódica permite
identificar precocemente alterações oculares e iniciar o tratamento mais
adequado para cada caso”, destaca a Dra. Bruna Ventura.

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