Alimentação saudável, exercícios físicos e exames laboratoriais podem
evitar a doença
Sede excessiva
que leva a pessoa a tomar muito água, boca seca, perda de peso, aumento da
frequência urinária, visão turva, fadiga e falta de energia – estes são alguns
dos sintomas do diabetes, doença caracterizada pelo excesso de glicose no
sangue, que pode ocasionar graves problemas de saúde, mas que pode ser evitada
e, se for diagnosticada, tratada.
As
afirmações são da dra. Giovanna Pianca, endocrinologista do Seconci-SP (Serviço Social da Construção), por
ocasião do Dia Nacional do Diabetes (26 de junho). Ela explica que a doença é
causada pela falta de insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que regula o
nível de glicose no sangue, ou por sua baixa eficácia no organismo.
De
acordo com a endocrinologista, se não for detectado e tratado, o diabetes pode
ocasionar infarto, AVC (Acidente Vascular Cerebral), nefropatia (insuficiência
renal que pode levar à diálise e à necessidade de transplante), neuropatia
(afetando os nervos, mediante formigamentos e diminuição da sensibilidade nos
membros inferiores, levando a feridas que podem requerer amputações dos pés) e
retinopatia diabética (doença que pode levar o paciente à cegueira).
“A
doença é silenciosa e muitas pessoas a descobrem quando já estão diabéticas.
Mas ela pode ser prevenida, mediante alimentação saudável, com produtos
integrais, vegetais e frutas, evitando-se doces e bebidas alcoólicas. Também é
fundamental fazer exercícios físicos regularmente e exames anuais de sangue”,
afirma a médica.
Atenção à alimentação
Para
os trabalhadores da construção civil, a dra. Giovanna recomenda que tragam a
marmita com a alimentação saudável e balanceada de casa. “Se eles não tiverem
alternativa e precisarem se alimentar no entorno da obra, devem buscar pratos
sem gordura e com poucos carboidratos. Não se deve misturar arroz com macarrão,
por exemplo”.
De
acordo com a endocrinologista, alimentos como aveia, brócolis, espinafre e grão
de bico podem ser consumidos tranquilamente. Entretanto, algumas frutas, como
banana, manga e uvas, têm alto valor calórico, portanto, devem ser ingeridos
moderadamente por diabéticos.
“Bebidas
alcoólicas podem causa hipoglicemia (baixa concentração de açúcar no sangue),
principalmente em diabéticos do tipo 1 (ver abaixo). Já algumas bebidas como
vinho e cerveja causam hiperglicemia (nível elevado de açúcar no sangue). Ambas
as condições podem ocasionar graves problemas de saúde”.
A
médica afirma que restringir ao máximo o consumo de álcool e de açúcar pode ser
difícil no início, mas é possível com força de vontade. “O ideal é tirar
gradativamente de casa os doces e os chocolates, e consumir bebidas alcoólicas
moderadamente e somente em ocasiões como festas. “A saúde da pessoa vai se beneficiar
como um todo. O açúcar pode ser substituído pelo adoçante stévia, ou
simplesmente eliminado”.
A
Federação Internacional de Diabetes estima que 590 milhões de pessoas viviam
com a doença no mundo em 2024. No Brasil, eram 16,6 milhões de adultos.
Principais tipos
Há
dois principais tipos de diabetes, informa a endocrinologista. O tipo 1 afeta
principalmente crianças, adolescentes e jovens adultos. É uma doença autoimune
que destrói as células do pâncreas produtoras de insulina, a qual então precisa
ser ministrada diariamente ao paciente.
Já
o tipo 2 afeta 90% dos diabéticos. É quando a glicemia (concentração de açúcar
no sangue), ocasionada pela produção insuficiente de insulina leva a
inflamações que podem ocasionar os graves problemas de saúde mencionados acima.
Contribuem para a doença deste tipo: ingestão excessiva de carboidratos, açúcar
e álcool, obesidade, genética, histórico familiar e sedentarismo.
Há
ainda o diabetes gestacional, quando o pâncreas da gestante não deu conta de
uma carga maior de glicemia, o que demanda acompanhamento médico durante a
gravidez. E há também casos de mulheres que podem ficar diabéticas após o
parto.
Muitas
pessoas são pré-diabéticas, têm picos de glicemia, sinalizando que futuramente
podem se tornar diabéticos. Quando o problema é detectado nos exames de
glicemia e hemoglobina glicada, essas pessoas são tratadas com medicamentos de
prevenção.
O
tratamento do diabético tipo 1 necessariamente deve ser feito com insulina. Já
pacientes diabéticos tipo 2 recebem medicamentos orais e eventualmente
insulina, caso não melhorem seus controles glicêmicos. “Um controle bem feito
evita complicações, com consultas ao médico uma vez ao ano ou quando a pessoa
apresentar algum sintoma”.
No
Seconci-SP, os trabalhadores e seus familiares contam com toda a estrutura
laboratorial e profissionais de diferentes especialidades para a realização de
exames e tratamentos. Para a prevenção do diabetes especificamente, a entidade
dispõe de uma equipe multidisciplinar que inclui nutricionistas, endocrinologistas
e nefrologistas, além de psicólogos e psiquiatras, quando necessário.
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