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Nos últimos anos, os profissionais de saúde passaram a acompanhar
um cenário que combina dois desafios importantes: a queda das coberturas
vacinais e o aumento da circulação de informações equivocadas sobre vacinas. Ao
mesmo tempo, doenças imunopreveníveis que pareciam controladas voltaram a
registrar surtos em diferentes partes do mundo, reacendendo discussões sobre a
importância da vacinação infantil.
Para ajudar pais e responsáveis a navegar por esse cenário, o
pediatra e infectologista Prof. Dr. Otávio Cintra e o médico hematologista
Prof. Dr. Dimas Covas, que hoje ocupa a posição de cientista-chefe de Pesquisa,
Desenvolvimento e Inovação da SINOVAC no Brasil, reuniram cinco mensagens que
consideram fundamentais quando o assunto é a proteção das crianças.
1. O sistema imunológico infantil está preparado para
receber várias vacinas
Uma dúvida comum entre pais e responsáveis é se o grande número de
vacinas administradas nos primeiros meses de vida poderia sobrecarregar o
organismo das crianças. Segundo o Dr. Otávio, esse receio não encontra respaldo
científico.
"O sistema imunológico da criança entra em contato
diariamente com milhares de estímulos do ambiente. As vacinas representam
apenas uma pequena fração dessa exposição e foram desenvolvidas justamente para
ensinar o organismo a se proteger de forma segura", explica ele.
O especialista reforça que cada vacina e cada dose possuem uma
função específica dentro da estratégia de proteção construída ao longo da
infância. Ainda reforça que seguir o calendário vacinal recomendado é a melhor
forma de garantir proteção nos momentos de maior vulnerabilidade.
2. Vacinação é um cuidado para toda a vida, não apenas uma
etapa da infância
Segundo o especialista, uma das dúvidas mais frequentes entre os
pais é a necessidade de reforços vacinais. No entanto, muitas vacinas dependem
de esquemas completos para garantir níveis adequados de proteção.
"A vacinação é um cuidado ao longo da vida. Existem vacinas
que exigem reforços e esquemas completos para garantir uma proteção adequada.
Não é algo que termina na infância", explica o Dr. Otávio Cintra.
"A vacinação é uma estratégia de proteção individual, mas
também de proteção comunitária. Quanto maior a cobertura vacinal, menor a
circulação dos agentes infecciosos e maior a proteção das pessoas mais
vulneráveis", finaliza Dimas Covas.
3. O fato de
você não ver mais determinadas doenças é justamente uma prova de que as vacinas
funcionam
Décadas de vacinação reduziram drasticamente a circulação de
diversas doenças em diferentes partes do mundo.
Paradoxalmente, esse sucesso fez com que muitas famílias deixassem
de conviver com os impactos dessas enfermidades e passassem a enxergá-las como
problemas do passado.
Segundo os especialistas, essa mudança na percepção de risco ajuda
a explicar parte da hesitação vacinal observada atualmente e o retorno de
surtos em diferentes regiões do mundo.
"Quando as taxas de vacinação ficam abaixo dos níveis
recomendados, perdemos uma barreira importante de proteção coletiva. Isso
favorece o retorno de doenças que haviam sido controladas por décadas e, quando
a cobertura vacinal cai, a doença encontra espaço para voltar a circular",
explica Dimas Covas.
4. Informação confiável faz diferença na proteção das crianças
Muitos dos receios apresentados por pais no consultório têm origem
em informações falsas ou descontextualizadas compartilhadas nas redes sociais.
"O desafio hoje não é apenas oferecer vacinas. É ajudar as
famílias a navegar em um ambiente com excesso de informação e, muitas vezes,
desinformação", afirma Dr. Otávio.
Por isso, especialistas recomendam que dúvidas sejam discutidas
com profissionais de saúde e que as informações sejam buscadas em fontes
confiáveis.
"Ciência e informação de qualidade são aliadas fundamentais
da vacinação. Quanto mais esclarecida a população estiver, melhores tendem a
ser os resultados para toda a sociedade", acrescenta Dimas.
5. Vacinar é uma das decisões de cuidado mais importantes da
infância
Para Dr. Otavio, existe uma forma simples de resumir a importância
da vacinação infantil: "O efeito colateral das vacinas em crianças é criar
adultos."
Muitas doenças hoje são pouco conhecidas justamente porque a vacinação foi capaz de reduzir drasticamente sua ocorrência. "Com a vacinação, as crianças deixam de adoecer, deixam de sofrer complicações graves e têm a oportunidade de crescer com saúde. Mais do que evitar doenças, a vacinação representa um investimento no futuro das crianças e na proteção de toda a comunidade", explica o profissional.
SINOVAC
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