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terça-feira, 24 de junho de 2025

24 de junho - Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina

Técnica desenvolvida no Sabará Hospital Infantil melhora resultados cirúrgicos em bebês com fissura labiopalatina

 Malformação que vai além da estética exige cuidado multidisciplinar desde os primeiros dias de vida

 

A fissura labiopalatina é a malformação craniofacial mais comum ao nascimento. No Brasil, estima-se que uma em cada 650 crianças nasça com essa condição, que pode ser identificada ainda durante a gestação. Mais do que uma questão estética, a fissura labiopalatina traz impactos significativos na alimentação, fala, audição, respiração e no crescimento facial, exigindo um tratamento altamente especializado e multidisciplinar. 

Para ampliar a conscientização sobre o tema, o dia 24 de junho marca o Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do acesso a centros especializados. 

O Sabará Hospital Infantil é referência no atendimento integrado a pacientes com fissura labiopalatina e pioneiro na utilização de uma abordagem ortopédica pré-cirúrgica, que tem contribuído para melhorar significativamente os resultados das cirurgias e a qualidade de vida dos pacientes.

 

Além desse protocolo diferenciado, a Dra. Daniela Tanikawa, cirurgiã plástica pediátrica e coordenadora do Núcleo Avançado de Fissuras Labiopalatinas do Sabará, desenvolveu uma nova técnica cirúrgica para correção do nariz em bebês com fissura labiopalatina — uma das etapas mais desafiadoras do reparo cirúrgico. 

A técnica foi recentemente publicada na revista científica internacional Plastic and Reconstructive Surgery, a mais prestigiada da especialidade, e será apresentada pela primeira vez no maior evento mundial da área, o 15th International Congress on Cleft Lip/Palate and Related Craniofacial Anomalies, que acontecerá em outubro, em Kyoto, no Japão. 

“Os resultados cirúrgicos que passamos a alcançar com essa técnica são claramente superiores. Na maioria dos casos, mesmo quando o nariz é reposicionado durante a cirurgia, há risco de perda parcial da correção após três meses, gerando assimetrias e, muitas vezes, necessidade de uma nova intervenção. Ao associarmos a ortopedia pré-cirúrgica a essa nova técnica, conseguimos resultados mais harmônicos, estáveis e duradouros — o que impacta diretamente na qualidade de vida e no desenvolvimento dessas crianças,” explica a Dra. Daniela Tanikawa. 

A fissura labiopalatina pode afetar apenas o lábio, apenas o céu da boca ou ambos, gerando, além dos desafios estéticos e funcionais, impactos emocionais e no desenvolvimento da autoestima. 

A condição pode comprometer funções essenciais, como alimentação, fala, audição, respiração, oclusão dental e crescimento facial. Por isso, o tratamento precisa ser realizado por uma equipe multidisciplinar altamente especializada, com acompanhamento contínuo. 

“O cuidado vai muito além da cirurgia. É necessário oferecer um suporte completo, com planejamento individualizado e acompanhamento em todas as fases do crescimento,” reforça a Dra. Daniela. 

No Sabará Hospital Infantil, o Núcleo Avançado de Fissuras Labiopalatinas oferece atendimento integral, reunindo uma equipe composta por especialistas em cirurgia plástica, fonoaudiologia, otorrinolaringologia, odontopediatria, ortodontia, psicologia, nutrição, genética, e outras áreas complementares. 

O processo inclui avaliações regulares, cirurgias programadas, reabilitação funcional e suporte emocional para a criança e sua família. 

“Quando a família é bem orientada e o tratamento é conduzido de forma integrada e especializada, garantimos não apenas resultados estéticos e funcionais de excelência, mas também qualidade de vida, bem-estar e plena inclusão social para essas crianças,” finaliza a Dra. Daniela.

 

Diagnóstico de Alzheimer deve triplicar até 2050 no Brasil

 Farmacêuticas investem em pesquisa e famílias recorrem ao bom humor para lidar com a doença

 

Mais de 50 milhões de pessoas vivem com Alzheimer no mundo, e esse número deve triplicar até 2050. No Brasil, dados do Conselho Nacional de Saúde (CNS) indicam que 1,8 milhão de pessoas foram diagnosticadas com a demência até 2019. A projeção para 2050 é de 5,7 milhões de brasileiros, o que representa  um aumento de 206%.

Essa inversão do topo da pirâmide se deve porque a tendência é que, nos próximos vinte anos, teremos mais idosos do que jovens no mundo, já que a longevidade e a qualidade de vida estão crescendo. Como o Alzheimer é uma doença do envelhecimento, o número de casos tende a crescer.

Especialistas apontam que as placas de amiloide, características do Alzheimer, começam a se formar no cérebro cerca de 20 anos antes dos primeiros sintomas de perda de memória. Agora, uma pesquisa da Universidade de Columbia, publicada neste mês na revista The Lancet Regional Health, revela que indícios de risco do Alzheimer já podem ser identificados em adultos na faixa dos 20 anos. 

Para o farmacêutico e gerente de inovação e pesquisa clínica da farmacêutica Prati-Donaduzzi, Liberato Brum Junior, o desenvolvimento de medicamentos enfrenta desafios significativos, principalmente devido à complexidade da doença e à compreensão ainda limitada de suas causas. “Os estudos clínicos são longos, caros e apresentam alto risco de insucesso. Nesse cenário, a identificação precoce da doença, por meio de biomarcadores mais precisos, e o desenvolvimento de modelos experimentais mais representativos são essenciais para avançar nas pesquisas e encontrar tratamentos que melhorem a qualidade de vida dos pacientes”, explica.


Sinais de alerta

Esquecimentos frequentes estão entre os primeiros e mais comuns indícios da doença, mas o geriatra do Hospital São Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), Clóvis Cechinel, ressalta que não são os únicos. “Além da perda da memória recente, esquecer informações recém-aprendidas, compromissos ou onde colocou objetos com frequência podem ser um sinal. Também é importante observar dificuldades para planejar e resolver problemas, desorientação no tempo e espaço, perder-se em lugares familiares, confundir onde está e problemas de linguagem”, ressalta o médico. 

Outros sintomas incluem mudanças de humor e comportamento, como irritabilidade, depressão, ansiedade, retraimento social, evitar interações, hobbies ou atividades que antes eram prazerosas. “O diagnóstico do Alzheimer é muito complexo, nenhum sinal deve ser desconsiderado. Muitas vezes, o próprio paciente não percebe o declínio cognitivo; os familiares tendem a considerar esse processo natural da idade, e os profissionais de saúde nem sempre estão preparados para reconhecer a doença. Por isso, é fundamental a consulta com especialistas”, afirma Clóvis.

A família da idosa Amália Theresa da Silva, de 96 anos, vivenciou todas essas etapas até receber o diagnóstico do Alzheimer. “Foi duro, difícil de assimilar, porque o Alzheimer não vem com um manual. Ele é muito demorado, existem muitos outros tipos de demência que se parecem. Foi preciso fazer exames, testes clínicos e buscar o parecer dos médicos”, relembra o neto, um dos cuidadores da dona Amália, Raul Junior. 

Diagnosticada aos 88 anos, Amália passou a viver com a família, que assumiu os cuidados. No início, além dos medicamentos, ela fazia terapia, fisioterapia e a família procurava estimular cognitivamente a idosa com brincadeiras, inserindo-a na rotina da casa. Agora, com o estágio mais avançado da doença, as terapias foram substituídas pelo humor. “Nós fomos nos adaptando ao longo do tempo. Eu tinha uma conta na rede social que colocava coisas engraçadas, comecei a mostrar alguns momentos nossos. Assim nasceu a ‘Vó da Pomba’, que tem mais de 10 milhões de seguidores. Ali, mostramos como o bom humor deixa o cuidado mais leve, mas não é fácil cuidar de um idoso com Alzheimer”, conta Raul que compara a tarefa a “cuidar de mais de dez crianças de dois anos”. 

No caso da Dona Amália, todos os familiares se envolveram nos cuidados. Cerca de dois anos após o diagnóstico, ela passou a ter memória de 15 segundos, repetindo sempre as mesmas frases. “Quem recebe o diagnóstico na família precisa ter em mente que a doença não vai deixar de existir e que aquela pessoa vai deixar de ser quem sempre foi dizendo coisas que machucam e, muitas vezes, ficando agressiva. Também é fundamental contar com uma rede de cuidados, sempre que possível, porque é muito difícil cuidar sozinho. E, acima de tudo, é preciso lembrar de cuidar de si mesmo”, reforça Raul. 

 

Prati-Donaduzzi



Quando o corpo dá sinais: o que toda mulher precisa saber sobre câncer no útero e ovários

Especialista alerta para sintomas iniciais, exames essenciais, cuidados com a fertilidade e a importância do acolhimento multidisciplinar após o diagnóstico


Dor pélvica persistente, sangramentos irregulares e alterações menstruais podem ser os primeiros sinais de um tumor ginecológico, mas ainda são amplamente negligenciados. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é de que mais de 17 mil mulheres tenham sido diagnosticadas com câncer do colo do útero em 2023, colocando a doença como o terceiro tumor maligno mais frequente entre as brasileiras. 

Para o cirurgião oncológico Marcelo Vieira, especialista em cirurgias minimamente invasivas e mentor de médicos, identificar esses sinais precocemente pode ser decisivo para a vida e a fertilidade das pacientes. “O diagnóstico precoce permite intervenções menos mutilantes, maior preservação dos órgãos reprodutivos e chances reais de gestação futura”, afirma o médico, que também é idealizador do Dispositivo Uterino para Dilatar o Anel Endocervical (Duda), tecnologia aprovada pela Anvisa que evita o fechamento do canal uterino após cirurgia e amplia as chances de gravidez.


Exames de rastreio e periodicidade

Para tumores no útero e ovário, o rastreamento ainda é o principal aliado da prevenção. O exame Papanicolau, recomendado para mulheres de 25 a 64 anos, deve ser feito a cada três anos após dois exames consecutivos anuais normais, conforme orientação do Ministério da Saúde. A ultrassonografia transvaginal também é indicada em casos de suspeita clínica, especialmente após os 40 anos ou em mulheres com histórico familiar de câncer ginecológico.

Em casos de suspeita de câncer de ovário, cuja detecção precoce é mais difícil, exames de sangue como o CA-125 e a ressonância magnética podem ser solicitados. “Análises complementares devem ser indicadas com critério, mas é fundamental que o profissional esteja atento aos sinais clínicos, sobretudo em pacientes com histórico familiar”, alerta.


Efeitos do diagnóstico e importância do acolhimento

A notícia de um tumor afeta diretamente não apenas o corpo, mas o projeto de vida da mulher,  principalmente quando a maternidade está entre seus planos. Para Marcelo Vieira, o impacto emocional do diagnóstico exige um cuidado ampliado, que vá além da cirurgia. “É preciso considerar a saúde mental, oferecer suporte psicológico, garantir acolhimento e orientar a paciente sobre alternativas de tratamento que respeitem sua vontade de ser mãe. Essa escuta qualificada é essencial”, diz o cirurgião.

Além da saúde emocional, a alimentação e o estilo de vida influenciam diretamente na resposta ao tratamento. Dietas equilibradas, prática de atividade física moderada e sono regulado são aliados no controle inflamatório do organismo e na recuperação pós-cirúrgica. A construção de uma rede de apoio  familiar, médica e terapêutica também contribui significativamente para o enfrentamento do tratamento.


Fertilidade: decisões cirúrgicas fazem diferença

Um dos maiores temores após o diagnóstico é a perda da fertilidade. Em tumores de colo do útero em estágios iniciais, já é possível adotar abordagens conservadoras. O dispositivo Duda, por exemplo, tem sido utilizado em pacientes que passaram por cirurgia e desejam preservar a possibilidade de gestar.

“O uso do dispositivo Duda representa um divisor de águas,  mantemos o canal endocervical funcional, o que viabiliza o fluxo menstrual e futuras tentativas de engravidar. Essa tecnologia tem permitido que mulheres antes condenadas à infertilidade hoje sejam mães”, destaca Marcelo Vieira.

Estudo clínico conduzido no Hospital de Amor, em Barretos (SP), com 240 mulheres, demonstrou que pacientes que receberam o Duda após cirurgia apresentaram maior preservação da anatomia uterina e taxas de gravidez superiores em comparação ao grupo controle. Os dados finais do estudo ainda estão em avaliação, mas os resultados preliminares reforçam a eficácia do dispositivo.


Tolerância e protagonismo feminino no tratamento

Nem sempre o caminho é simples. E por isso, Marcelo Vieira reforça que a paciente precisa se enxergar como protagonista no processo. “A mulher precisa entender que pode  e deve questionar, buscar uma segunda opinião, perguntar sobre as opções que preservam sua fertilidade. A medicina tem evoluído, e o corpo feminino não pode mais ser tratado como terreno de mutilações automáticas. Há escolha, há esperança”, conclui.

No combate ao câncer ginecológico, a tolerância precisa ser com o processo e suas limitações, não com a desinformação ou com a perda do sonho de ser mãe. A medicina de precisão, as técnicas minimamente invasivas e o cuidado humanizado já estão disponíveis, o desafio é garantir que cheguem a quem mais precisa.

 


Dr. Marcelo Vieira - cirurgião oncológico, especialista em cirurgias minimamente invasivas e mentor de cirurgiões. Com mais de 20 anos de experiência, iniciou sua trajetória no Hospital de Câncer de Barretos, onde atuou como chefe da Ginecologia e se dedicou ao atendimento 100% SUS. Em 2019, realizou o primeiro transplante robótico intervivos do Brasil, um marco na medicina nacional. Após essa conquista, decidiu empreender e criou o Curso de Metodologia Cirúrgica, com a missão de transformar cirurgiões e salvar vidas. Também fundou o Cadáver Lab, um treinamento imersivo de dissecção e anatomia pélvica avançada, além de liderar programas de mentoria de alta performance, como Precisão Cirúrgica e Cirurgião de Elite. Para mais informações, visite o site oficial ou pelo instagram.

 

Livre demanda ou rotina? Especialista desmistifica as abordagens na amamentação


A amamentação é uma das fases mais intensas da maternidade, especialmente nos primeiros meses de vida do bebê. Entre as dúvidas mais comuns que surgem nesse período, uma das mais recorrentes é: devo seguir a livre demanda ou estabelecer uma rotina para as mamadas? A questão, muitas vezes cercada de mitos e julgamentos, exige uma abordagem individualizada e baseada em informação de qualidade.


Segundo a Dra. Cinthia Calsinski, enfermeira obstetra, consultora internacional de lactação certificada pelo IBCLC (L-304362), consultora do sono materno-infantil pelo International Parenting and Health Institute e educadora parental pela Positive Discipline Association, o mais importante é entender que não há uma única resposta certa para todas as famílias.


 “A livre demanda é uma recomendação amplamente adotada das primeiras semanas de vida até o estabelecimento da introdução alimentar. No início porque o bebê ainda está aprendendo a mamar e o corpo da mãe precisa entender a frequência para estabelecer a produção de leite”, e depois porque comer é um processo, e o bebê precisa de tempo para realmente se alimentar, explica a especialista.


 “No entanto, à medida que o bebê cresce e os padrões de sono e alimentação vão se estabilizando, é possível — e saudável — introduzir uma rotina que respeite os sinais de fome e saciedade da criança, sem rigidez”, completa.


Para a Dra. Cinthia, o problema está em explicar para as mães o conceito de livre demanda de forma inflexível, e achar que todo choro é fome. Bebês choram por muitos motivos. Ela ressalta que tanto a livre demanda quanto a rotina devem ser ferramentas para promover o bem-estar do binômio mãe-bebê — e não fontes de culpa ou cobrança.


 “O que precisamos desmistificar é a ideia de que seguir uma rotina significa negar os sinais do bebê ou que livre demanda é sinônimo de desorganização. Tudo depende da fase, das necessidades do bebê e, principalmente, da saúde física e emocional da mãe”, afirma. 


A especialista reforça ainda que a escuta ativa, o apoio de profissionais qualificados e a observação do comportamento do bebê são os principais aliados para encontrar um equilíbrio. “A maternidade não precisa ser vivida nos extremos. O importante é que a amamentação seja uma experiência positiva para ambos”, conclui. 



Ômega 3 na terceira idade: o que a ciência já sabe sobre esse aliado da longevidade

Fonte: reprodução. Idosa tomando ômega 3.
Estudos indicam que ácido graxo pode ajudar o coração, a mente e até o envelhecimento das células


Com o avanço do envelhecimento populacional no Brasil, cresce também a atenção para cuidados específicos na terceira idade. A nutrição tem papel central nesse cenário, e um dos nutrientes que mais despertam interesse é o ômega 3. Encontrado em peixes de águas frias e em suplementos, esse ácido graxo essencial é estudado por seus efeitos sobre o corpo que envelhece.

Um estudo da Universidade de Zurique, publicado na revista Nature Aging, acompanhou 777 idosos durante três anos. A descoberta chamou atenção: a suplementação com 1 grama diário de ômega 3 foi capaz de retardar o envelhecimento biológico em até quatro meses.

"Uma das grandes questões no campo do rejuvenescimento é se existe um tratamento capaz de rejuvenescer seres humanos, e não apenas camundongos", afirmou Heike Bischoff-Ferrari, médica da universidade e autora principal do estudo. A avaliação foi feita por meio de marcadores epigenéticos, que funcionam como um "relógio" molecular das células.


Coração, mente e olhos: uma ação integrada

O ômega 3 não é novidade nas prateleiras, mas o que tem ganhado força são as evidências que apontam para um papel mais abrangente na saúde do idoso. Segundo dados do Ministério da Saúde, 60,9% dos brasileiros com 65 anos ou mais têm hipertensão arterial. A condição é um dos principais fatores de risco para infarto e AVC.

É nesse cenário que entra o ômega 3, conhecido por ajudar a reduzir triglicerídeos e a inflamações de baixo grau associadas ao envelhecimento. "O ômega 3 atua como um anti-inflamatório natural, protegendo o sistema cardiovascular e melhorando a circulação sanguínea", explica a nutricionista Lucila Santinon, da Vitafor. "Mas ele também tem papel na função cognitiva e no metabolismo dos ossos. É um nutriente que se comunica com vários sistemas do corpo."

O cérebro, por exemplo, é formado em grande parte por gordura. Um dos principais componentes do ômega 3, o DHA, representa cerca de 20% da gordura cerebral. Estudos apontam que esse ácido graxo contribui para a manutenção da estrutura dos neurônios e pode ajudar na prevenção do Alzheimer.

Um estudo francês publicado na revista Neurology revelou que o consumo regular de peixes ricos em ômega 3 está associado a uma redução de 60% no risco de Alzheimer entre pessoas com mais de 65 anos. Comer peixe uma vez por semana também mostrou impacto: redução de 40% no risco de demência.

Na visão, outro ponto de preocupação para a população idosa, o DHA também exerce um papel protetor. Ele é um dos constituintes da retina, e sua presença ajuda a manter a integridade da visão. "Não é raro ver idosos com degeneração macular relacionada à idade. Manter os níveis adequados de ômega 3 pode ser um diferencial na prevenção", diz Santinon.


Defesa em dia também importa

A imunidade, que tende a enfraquecer com o tempo, também pode ser beneficiada. O EPA, outro componente do ômega 3, modula a resposta inflamatória e fortalece o sistema de defesa. Segundo a nutricionista, isso se traduz em menos infecções recorrentes e maior resistência geral do organismo. "A gente costuma pensar no ômega 3 só como algo para o coração, mas ele também ajuda muito na resposta imunológica, principalmente em idosos mais vulneráveis", afirma.

O efeito anti-inflamatório do ômega 3 está relacionado a uma melhor regulação do sistema imunológico, o que é essencial para evitar complicações decorrentes de gripes, infecções urinárias e outras ocorrências frequentes nessa fase da vida. "Trata-se de um suporte amplo, que não resolve tudo sozinho, mas potencializa o que já se faz com dieta, sono e atividade física", completa Santinon.


Suplementar ou não?

A decisão de tomar ômega 3 em forma de suplemento deve ser avaliada com acompanhamento profissional, sobretudo em idosos que fazem uso de medicamentos anticoagulantes. A dose sugerida geralmente varia entre 1 e 2 gramas diárias de EPA e DHA combinados.


O que observar antes de comprar um suplemento:

·  Certificação de pureza e origem dos peixes

·  Ausência de metais pesados, como mercúrio

·  Concentração adequada de EPA e DHA

O futuro da suplementação aponta para abordagens mais personalizadas, com base em exames laboratoriais e marcadores nutricionais. Por ora, o que a ciência tem mostrado é que o ômega 3, quando bem utilizado, pode ser um parceiro valioso na jornada de envelhecer bem.



Cenário epidemiológico da dengue em 2025 reforça urgência da vacinação entre adolescentes


O Brasil enfrenta em 2025 um cenário preocupante em relação à dengue. As primeiras 20 semanas do ano já indicam um aumento significativo no número de casos e de mortes em relação a 2023 – com destaque para o estado de São Paulo, que concentra mais da metade das ocorrências nacionais. Em meio a esse avanço, a vacinação gratuita contra a dengue, introduzida no Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 2024, surge como ferramenta fundamental de prevenção.

 

Dados apontam alta expressiva em casos e óbitos 

No ano passado, o Brasil registrou um cenário atípico em relação à série histórica dos anos 2000, com mais de 6,5 milhões de casos. Em 2025, a preocupação persiste. Ao comparar as 20 primeiras semanas do ano com o mesmo período de 2023, houve aumento de 16% nos casos e 19% nas mortes por dengue em todo o país.

 

Comparativo de dados epidemiológicos (1as 20 semanas do ano): 

Local

Casos (2023)

Casos (2025)

Variação

Mortes (2023)

Mortes (2025)

Variação

Brasil

1.223.398

1.416.270

+16%

867

1.033

+19%

São Paulo

336.999

779.099

+131%

293

720

+146%

O estado de São Paulo passou a responder por 55% dos casos e 70% das mortes por dengue no país, evidenciando a gravidade da situação regional e nacional.

 

Quem pode se vacinar

Desde 2024, a vacina contra a dengue está disponível no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos*, faixa etária com alta taxa de hospitalização pela doença, que vivem em municípios com alta incidência de casos. Famílias e responsáveis devem ficar atentos aos calendários de vacinação locais e buscar as unidades de saúde mais próximas. 

*Faixa etária comtemplada pode variar conforme a região.

 



Fontes:

Dr. Renato Kfouri – pediatra Infectologista, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)


Dra. Vivian Lee – pediatra, diretora médica da Takeda




Referências:

Painel de vacinação (geral) do Ministério da Saúde: Link

Painel de arboviroses do Ministério da Saúde: Link



Vacina contra vírus Sincicicial na gestação é um cuidado que salva vidas

Imunizante está disponível no SUS desde fevereiro deste ano, devendo ser aplicado nas gestantes entre a 32ª e 36ª semana


Basta esfriar um pouquinho para a preocupação com a saúde aumentar e a imunidade diminuir. No outono-inverno, gripes e resfriados parecem ser mais intensos. É, de fato, uma época mais propícia para a transmissão e, justamente por esse motivo, a campanha de vacinação contra a gripe ganha força, mas poucos adeptos. O grupo considerado de risco, que inclui, idosos, crianças, gestantes e puérperas, nem sempre busca a proteção disponível no sistema público, o que pode trazer consequências como a Síndrome Respiratória Aguda Grave, que leva a internação e a um quadro preocupante do paciente. De maneira geral, a síndrome é causada por diferentes vírus, entre eles o da gripe (influenza), da COVID-19 (SARS-CoV-2 e o vírus Sincicial Respiratório (VSR), para o qual também existe vacina disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e é extremamente recomendada para as gestantes entre a 32ª e a 36ª semana.

A vacina bivalente está disponível desde fevereiro de 2025 no SUS e é aplicada em dose única. Além de proteger de forma eficiente a gestante, também oferece proteção ao recém-nascido na primeira fase da vida, como explica a ginecologista e obstetra Ana Carolina Massarotto. “Vacinar a gestante é proteger também o bebê ainda no útero. A transferência placentária de anticorpos cria uma barreira de proteção essencial contra a bronquiolite e pneumonia nos meses mais vulneráveis da infância”, pontua a médica.

O VSR é o principal causador de bronquiolite e pneumonia em bebês, sendo responsável, de acordo com informações do Ministério da Saúde, por cerca de 80% das bronquiolites e até 60% das pneumonias em menores de 2 anos, com maior concentração de internações de bebês durante a estação mais fria do ano. No estado de São Paulo, estima-se que uma em cada 50 crianças com VSR precisem de hospitalização no primeiro ano de vida. Em Campinas, embora ainda sem boletim municipal detalhado para VSR, a vigilância integrada indica aumento de infecções respiratórias em crianças até dois anos de idade durante maio e junho, seguindo o padrão de sazonalidade. Isabela Simionatto, ginecologista e obstetra, comemora a recente portaria que incluiu a vacina na rede pública de saúde e reforça o alerta para as gestantes. “Com a inclusão no SUS, a vacina contra o VSR passa a ser um direito e uma estratégia eficaz de saúde pública. Nossa missão é garantir que todas as gestantes recebam essa proteção antes do nascimento do bebê”, diz a médica.

Estudos com cerca de 7 .000 gestantes, feitos pelo fabricante da vacina, apontam 82,4% de eficácia na prevenção de casos graves nos primeiros três meses de vida, e 70% até os seis meses. Desta forma, espera-se reduzir significativamente consultas de emergência, internações, uso de UTI e até mortes entre os recém-nascidos, o que para as médicas é motivo de comemoração. “É muito difícil para a família acompanhar a internação do bebê por causa da bronquiolite. Já é um momento muito delicado, especialmente para as puérperas, e é perigoso para o recém-nascido”, aleta Isabela Simionato. “Por isso, é muito importante que as gestantes tomem a vacina e façam desse imunizante um aliado para proteger os bebês”, pontua Ana Carolina Massarotto.

  



Ana Carolina Massarotto - médica graduada pela Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, CRM Ginecologista e Obstetra pelo Hospital e Maternidade Celso Pierro da PUC-Campinas, especializada em endoscopia ginecológica pelo Hospital das Clínicas – USP, em Ribeirão Preto. Mestre em Ciências e Saúde pela PUC-Campinas, com a dissertação “Radioterapia parcial e acelerada de mama utilizando braquiterapia de alta taxa de dose para pacientes com estádio inicial de câncer de mama: análise uni-institucional.
CRM 140.915
RQE 85.445
@ana.massarotto_go


Isabela Simionatto - médica graduada pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, CRM 162.975. Ginecologista e Obstetra pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, especializada em Medicina Fetal. É titulada pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia.
CRM 162.975
RQE 76.990
@dra.isabelasimionatto

 

Esquecimento, Cansaço e Falta de Foco? Pode Ser Falta de Vitamina B12 (E Não Só Estresse)

Enquanto muitos culpam o excesso de tarefas ou a ansiedade pelo cansaço e os lapsos de memória, há um fator silencioso e comum que passa despercebido: a deficiência de vitamina B12. Descubra como ela afeta seu cérebro, sua energia e o que fazer para identificar e corrigir o problema.

 

Nos últimos anos, a sensação de esgotamento se tornou quase uma epidemia silenciosa. O corpo cansa sem motivo claro. A mente falha nas palavras mais simples. A memória se embaralha em pequenas tarefas do dia a dia. 

Em um mundo que gira rápido, é natural culpar o estresse, a ansiedade ou a falta de sono. Mas existe um outro fator, muito mais fisiológico e muitas vezes negligenciado, que pode estar por trás desse colapso energético e cognitivo: a deficiência de vitamina B12. 

De acordo com o médico nutrólogo, Dr. Gustavo de Oliveira Lima, presente em diversos alimentos de origem animal, a B12 é uma vitamina essencial para o funcionamento neurológico, produção de energia e formação das células sanguíneas. Quando está em falta, os sintomas aparecem aos poucos e podem ser confundidos com quase tudo.

 

Os sintomas que poucos conhecem da deficiência de B12

Cansaço persistente, lapsos de memória, dificuldade de concentração, irritabilidade, formigamentos nas extremidades, anemia inexplicável. A lista de sintomas da deficiência de B12 é extensa e sutil. O problema é que muitos desses sinais são facilmente confundidos com quadros de estresse, ansiedade ou depressão. 

A deficiência pode afetar qualquer pessoa, mas é mais comum em:

  • Vegetarianos e veganos (por conta da ausência de fontes animais da vitamina)
  • Idosos (com menor absorção intestinal)
  • Pessoas com distúrbios gastrointestinais (como gastrite atrófica, doença celíaca ou uso crônico de omeprazol)
  • Usuários crônicos de metformina ou anticoncepcionais
  • Indivíduos com dietas restritivas ou desnutrição 


Não é só B12: outras causas que podem estar ligadas à fadiga e à perda de memória

Embora a deficiência de B12 seja um dos gatilhos mais importantes, o quadro de cansaço e falhas cognitivas pode ter origem multifatorial. 

Veja as principais causas associadas:


Estresse e ansiedade crônicos

Sobrecarregam o sistema nervoso e reduzem a capacidade de foco, memória e energia.

 

Privação de sono

Dormir pouco ou mal compromete a consolidação da memória e eleva o cansaço físico e mental.

 

Depressão

Causa perda de motivação, raciocínio lento e sensação constante de esgotamento.

 

Hipotireoidismo

A baixa produção de hormônios tireoidianos afeta o metabolismo e a função cognitiva.

 

Medicamentos e substâncias

Sedativos, álcool e drogas recreativas interferem diretamente no sistema nervoso central.

 

Doenças neurológicas, infecções e traumas

Embora mais raras, condições como Alzheimer, infecções cerebrais e lesões na cabeça também devem ser consideradas.

 

Como diagnosticar e tratar a deficiência de B12?

O Dr. Gustavo de Oliveira Lima comenta que o diagnóstico é simples e feito por meio de exame de sangue. Além da dosagem direta da vitamina B12, em alguns casos é necessário avaliar também ácido metilmalônico e homocisteína, que ajudam a identificar deficiências funcionais mesmo com níveis aparentemente normais.

O tratamento pode incluir: 

  • Suplementação oral ou injetável, dependendo do grau da deficiência e da capacidade de absorção individual
  • Ajustes na alimentação, com foco em fontes de B12 como carnes magras, ovos, leite, queijos e, se necessário, suplementos veganos com B12 ativa (metilcobalamina ou hidroxocobalamina)
  • Tratamento da causa de base, como correção de distúrbios digestivos ou substituição de medicamentos que interferem na absorção

 

O que fazer se você sofre com cansaço e perda de memória frequentes?

Antes de se culpar por “não dar conta”, procure entender o que está acontecendo no seu corpo. Fadiga constante e lapsos cognitivos não são frescura, são sinais de que algo está fora do eixo.

 

Procure avaliação médica. Um diagnóstico bem feito pode revelar se o problema é nutricional, emocional, hormonal ou neurológico. A partir daí, o tratamento certo pode não só restaurar sua energia, como também evitar consequências mais graves a longo prazo.

 

Recomendações essenciais para manter mente e corpo equilibrados:

  • Durma de 7 a 9 horas por noite, em horários regulares
  • Gerencie o estresse com estratégias saudáveis, como respiração, exercício ou terapia
  • Evite jejum prolongado e dietas radicais, que prejudicam a absorção de vitaminas
  • Inclua proteínas e fontes naturais de B12 na dieta regularmente
  • Evite o consumo excessivo de álcool e medicações sem indicação médica
  • Mexa o corpo: atividade física leve a moderada melhora o humor, a memória e a disposição 

O médico Gustavo de Oliveira Lima conclui: “A deficiência de B12 é uma das causas mais tratáveis e, ao mesmo tempo, mais ignoradas de sintomas que roubam nossa qualidade de vida em silêncio. E o primeiro passo para recuperar sua energia, foco e clareza pode estar em algo tão simples quanto uma vitamina que você não vê, mas que seu corpo sente falta todos os dias.” 


Dr. Gustavo de Oliveira Lima - Médico CRM/SP 207.928 - Com uma formação sólida em nutrologia e endocrinologia, Dr. Gustavo de Oliveira Lima é reconhecido por sua atuação em emagrecimento saudável e longevidade. Focado em oferecer tratamentos modernos e personalizados, ele utiliza abordagens científicas de ponta para promover saúde integral e bem-estar a longo prazo. Sempre atualizado com as mais recentes inovações da medicina, Dr. Gustavo é um dos grandes destaques quando o assunto é qualidade de vida e prevenção de doenças relacionadas ao envelhecimento.

 

Exigência de receita para Ozempic, Wegovy e outras canetas emagrecedoras passa a valer desde segunda-feira

Advogado especialista argumenta que decisão da Anvisa reforça o dever do Estado de reduzir situações de risco à saúde coletiva.


Desde segunda-feira, (23), farmácias e drogarias de todo o país deverão reter a receita médica na venda de medicamentos agonistas GLP-1, também conhecidas como "canetas emagrecedoras", como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Saxenda. A medida, determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), busca conter o uso indiscriminado desses medicamentos, que têm sido muito utilizados para fins estéticos, muitas vezes sem acompanhamento médico adequado.

Antes da decisão, esses remédios podiam ser comprados com uma receita simples, bastando ao paciente apresentá-la no balcão. No entanto, embora tenham sido originalmente desenvolvidos para o tratamento de diabetes tipo 2, muitos passaram a ser usados como auxiliares no emagrecimento especialmente por pessoas que não têm diagnóstico clínico de obesidade, mas buscam resultados rápidos de emagrecimento, gerando até mesmo a escassez dos produtos nas prateleiras.

A partir de agora, a prescrição deverá ser feita em duas vias: uma fica com o paciente, e a outra deve ser retida pela farmácia no momento da compra, assim como ocorre com antibióticos e medicamentos de controle especial. Além disso, todas as vendas precisam ser registradas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), o que aumenta o rastreio e a fiscalização.

Para Thayan Fernando Ferreira, advogado especialista em direito de saúde e direito público, membro da comissão de direito médico da OAB-MG e diretor do escritório Ferreira Cruz Advogados, a decisão da Anvisa é coerente com o princípio constitucional da proteção à saúde, previsto no artigo 196 da Constituição Federal: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos”.

A decisão da Anvisa se baseou em dados do sistema VigiMed, que apontou um número elevado de notificações de efeitos adversos relacionados ao uso inadequado dessas substâncias. De acordo com a agência, o volume de reações adversas no Brasil foi significativamente maior se comparado aos registros internacionais principalmente entre usuários que utilizaram os medicamentos para fins estéticos e sem acompanhamento médico. Entre os efeitos adversos mais relatados estão náuseas intensas, vômitos, alterações pancreáticas, problemas gastrointestinais e distúrbios alimentares.

De acordo com o advogado, o aumento desenfreado no consumo das canetas emagrecedoras já vinha prejudicando diretamente os pacientes que realmente dependem desses medicamentos. “A escassez de produtos essenciais como Ozempic e Wegovy nas prateleiras não é apenas um problema de mercado. É uma consequência direta da banalização de um tratamento médico sério, muitas vezes incentivada por redes sociais, influenciadores e até prescrições irresponsáveis. A decisão é legalmente fundamentada e necessária frente ao cenário de uso abusivo”, pontua.

 

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