A amamentação é
uma das fases mais intensas da maternidade, especialmente nos primeiros meses
de vida do bebê. Entre as dúvidas mais comuns que surgem nesse período, uma das
mais recorrentes é: devo seguir a livre demanda ou estabelecer uma rotina para
as mamadas? A questão, muitas vezes cercada de mitos e julgamentos, exige uma
abordagem individualizada e baseada em informação de qualidade.
Segundo a Dra.
Cinthia Calsinski, enfermeira obstetra, consultora internacional de lactação
certificada pelo IBCLC (L-304362), consultora do sono materno-infantil pelo
International Parenting and Health Institute e educadora parental pela Positive
Discipline Association, o mais importante é entender que não há uma única
resposta certa para todas as famílias.
“A livre
demanda é uma recomendação amplamente adotada das primeiras semanas de vida até
o estabelecimento da introdução alimentar. No início porque o bebê ainda está
aprendendo a mamar e o corpo da mãe precisa entender a frequência para
estabelecer a produção de leite”, e depois porque comer é um processo, e o bebê
precisa de tempo para realmente se alimentar, explica a especialista.
“No entanto,
à medida que o bebê cresce e os padrões de sono e alimentação vão se
estabilizando, é possível — e saudável — introduzir uma rotina que respeite os
sinais de fome e saciedade da criança, sem rigidez”, completa.
Para a Dra.
Cinthia, o problema está em explicar para as mães o conceito de livre demanda
de forma inflexível, e achar que todo choro é fome. Bebês choram por muitos
motivos. Ela ressalta que tanto a livre demanda quanto a rotina devem ser
ferramentas para promover o bem-estar do binômio mãe-bebê — e não fontes de
culpa ou cobrança.
“O que precisamos desmistificar é a ideia de que seguir uma rotina significa negar os sinais do bebê ou que livre demanda é sinônimo de desorganização. Tudo depende da fase, das necessidades do bebê e, principalmente, da saúde física e emocional da mãe”, afirma.
A especialista reforça ainda que a escuta ativa, o apoio de profissionais qualificados e a observação do comportamento do bebê são os principais aliados para encontrar um equilíbrio. “A maternidade não precisa ser vivida nos extremos. O importante é que a amamentação seja uma experiência positiva para ambos”, conclui.
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