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quarta-feira, 11 de junho de 2025

Você está sabotando sua bexiga sem saber (e ela vai te cobrar)

Beber pouca água, prender o xixi, fazer “xixi forçado”: os hábitos aparentemente inofensivos que, com o tempo, destroem sua saúde urinária

 

“Pouca gente fala sobre isso, mas vou ser direto: a bexiga tem memória. E tudo aquilo que você ensina para ela ao longo da vida, desde segurar demais a urina até forçar para terminar mais rápido o xixi, volta como um boomerang. E, quase sempre, em forma de disfunções urinárias que poderiam ter sido evitadas.” Alerta o urologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Dr. Alexandre Sallum Bull. 

Muita gente só começa a se preocupar com a saúde da bexiga quando surgem os sintomas: dor, urgência, perdas urinárias, infecções de repetição ou aquele incômodo de acordar várias vezes à noite para urinar. Mas a verdade é que os problemas, na maioria das vezes, começaram anos antes, sendo cultivados nos maus hábitos do dia a dia.
 

Beber pouca água é mais perigoso do que você imagina

Uma das maiores agressões que fazemos à bexiga é a desidratação crônica. Muita gente passa o dia inteiro sem beber água e só lembra do copo d’água no fim do expediente. Isso compromete a função renal, deixa a urina mais concentrada (o que favorece o acúmulo de bactérias) e aumenta o risco de infecções e até formação de pedras nos rins. 

A recomendação é simples e direta: beba cerca de 2 litros de água por dia, salvo restrições médicas. A urina clara e sem odor forte é um ótimo sinal de que você está hidratado.
 

Prender o xixi é um veneno lento

Você não está “só adiando” a ida ao banheiro. Está ensinando sua bexiga a tolerar volumes maiores de urina do que deveria. Com o tempo, isso pode causar distensão da musculatura da bexiga, enfraquecimento do assoalho pélvico e até problemas de esvaziamento urinário. 

Segurar o xixi por longos períodos também aumenta o risco de infecções urinárias, principalmente em mulheres, que têm uma uretra mais curta e maior predisposição a proliferação bacteriana. 


O mito do “xixi forçado”

Muita gente tem o hábito de fazer força para terminar logo de urinar. Isso é um erro. A micção precisa ser espontânea, sem contrações excessivas do abdômen. Esse esforço contínuo pode causar alterações na coordenação da bexiga e até disfunções miccionais, como o jato fraco ou intermitente.

É como apertar um tubo enferrujado: uma hora, ele entope.
 

Quando a bexiga começa a dar sinais…

  • Urinar muitas vezes ao dia ou com urgência;
  • Sentir que não esvaziou totalmente a bexiga;
  • Ter que levantar à noite para fazer xixi;
  • Vazamentos urinários mesmo com esforço leve (como tossir ou rir);
  • Sensação de ardência ou dor.

Esses são sinais de alerta, e não devem ser ignorados.
 

A longo prazo, os riscos aumentam

Esses hábitos ruins, quando mantidos por anos, não afetam só a qualidade de vida. Podem evoluir para quadros mais graves como bexiga hiperativa, incontinência urinária, retenção urinária crônica e, em alguns casos, até necessidade de sondagem ou cirurgia. 

E mais: esses problemas costumam ser ainda mais impactantes emocionalmente. A vergonha de sair de casa por medo de escapar urina, o receio de dormir fora, a frustração com a própria autonomia. Não é “coisa da idade”, é sinal de que seu corpo está pedindo ajuda.
 

Como preservar (ou recuperar) a saúde da bexiga?

  • Beba água regularmente ao longo do dia.
     
  • Vá ao banheiro sempre que sentir vontade - não adie.
     
  • Evite fazer força ao urinar.
     
  • Reduza cafeína e refrigerantes, que irritam a bexiga.
     
  • Mantenha o intestino funcionando bem - prisão de ventre sobrecarrega o assoalho pélvico.
     
  • E, claro, procure um urologista diante de qualquer desconforto urinário. 

“A boa notícia? A maioria dos casos tem tratamento. Mas o primeiro passo é parar de normalizar o que não é normal. Cuidar da bexiga é cuidar da sua qualidade de vida hoje, amanhã e nos próximos anos”, conclui o Dr. Alexandre Sallum Bull.




Dr. Alexandre Sallum Bull CRM 129592 - Médico Urologista. Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)

 

Pacientes com dermatite atópica agora têm acesso a tratamento no SUS

Medida deve beneficiar milhares de brasileiros que sofrem com a condição crônica

 

Recentemente foi divulgado que o SUS introduziu o tratamento para dermatite atópica no protocolo de atendimento, representando um avanço valioso na garantia de cuidado às pessoas que convivem com essa condição. A dermatite atópica (DA) é uma condição crônica, recorrente, inflamatória e pruriginosa da pele e, muitas vezes, debilitante. 

Essa abordagem integral proporciona um cuidado mais completo e eficaz, oferecendo ao paciente acompanhamento médico, orientações específicas, acesso a medicamentos, inclusive os imunobiológicos nos casos moderados a graves, e suporte multiprofissional quando necessário. 

“A dermatite atópica vai além das lesões na pele. Ela impacta o sono, a autoestima, o convívio social e a saúde mental de quem convive com a doença”, explica a especialista em pele da Clínica Verte, Dra. Giovanna Funari. “É por isso que o acesso ampliado ao tratamento pelo SUS representa uma conquista imensa para esses pacientes.” 

A dermatite atópica ocorre com maior frequência em crianças (início precoce). Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil, a prevalência da condição é de 7,3% em crianças entre 6 e 7 anos e 5,3% entre 13 e 14 anos.

Segundo a Dra. Giovanna, o diagnóstico precoce é essencial: “Permitir o início do tratamento logo nos primeiros sinais ajuda a evitar que a doença evolua e cause ainda mais sofrimento. Isso também reduz a chance de infecções secundárias, comuns em lesões abertas pela coceira intensa.” 

Ela destaca ainda a importância do acompanhamento contínuo: “O tratamento da dermatite atópica é individualizado e pode precisar ser ajustado ao longo do tempo. Ter um dermatologista acompanhando de perto significa poder avaliar os efeitos colaterais, a eficácia da medicação e fazer as intervenções necessárias.” 

Para quem tem dermatite atópica moderada a grave, os desafios são muitos. Há uma certa limitação no acesso a especialistas e tratamentos específicos. “Esses pacientes enfrentam dor, coceira intensa, lesões visíveis na pele e um impacto emocional importante. Muitos relatam que se sentem envergonhados ou constrangidos em situações sociais”, comenta a médica.

Isso pode interferir no sono, nas atividades diárias e até no convívio social. “É comum que a dermatite atópica tire o sono de adultos e crianças. A coceira é constante, exaustiva, e afeta diretamente a qualidade de vida”, alerta. 

Para ter acesso aos tratamentos de alta complexidade, como os imunobiológicos, o paciente deve ser avaliado por um dermatologista da rede pública ou de um ambulatório de especialidades, que seguirá os critérios definidos no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde. Isso inclui, por exemplo, ter diagnóstico confirmado de dermatite atópica moderada a grave e não ter respondido adequadamente aos tratamentos convencionais. O médico deverá preencher os formulários exigidos e incluir o paciente no sistema do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF). 

Com a nova diretriz, o SUS passa a oferecer, além do tratamento tópico tradicional (como corticoides e hidratantes), terapias sistêmicas em casos moderados a graves, incluindo medicamentos imunobiológicos como o dupilumabe, já incorporado ao SUS pelo Ministério da Saúde. Esses tratamentos são mais modernos e atuam na causa inflamatória da doença, oferecendo uma melhora significativa em muitos casos. 

De acordo com a Dra. Giovanna, o tratamento tem potencial para transformar a vida do paciente. “Ao controlar melhor a inflamação e os sintomas, o paciente passa a dormir melhor, sente menos coceira, tem melhora da autoestima e maior liberdade para realizar suas atividades diárias”, ressalta. 

“Além disso, o acompanhamento contínuo reduz complicações e hospitalizações, melhorando o bem-estar físico, emocional e social.” 

Por fim, ela reforça: “A inclusão desse tratamento no SUS representa um avanço não só no cuidado clínico, mas na valorização da qualidade de vida dessas pessoas. É um passo importante em direção à equidade na saúde dermatológica.” 




Dra. Giovanna Funari (CRM-SP 168156 / CRM-MS 10582) - médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC, em 2014, com ampla experiência em cirurgia e dermatologia. Concluiu residência médica em Cirurgia Geral pelo SUS-SP no Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, em 2017 (RQE-SP 69611 / RQE-MS 6311), e atua em Cirurgia Dermatológica desde 2018. Entre 2020 e 2022, integrou a equipe clínica cirúrgica da enfermaria oncológica do Hospital Cassems, em Dourados (MS), onde também atua em Unidade de Terapia Intensiva desde 2022. É sócia-proprietária da Clínica Renaissance – Medicina, Beleza & Arte, referência em Dourados (MS) em tratamentos estéticos minimamente invasivos, gerenciamento da saúde da pele e cirurgias ambulatoriais. Pós-graduada em Medicina Estética pelo ISBRAE (2022) e em Dermatologia pela mesma instituição (2025), a Dra. Giovanna une o olhar clínico à estética com foco na saúde integral dos pacientes. Desde 2025, realiza atendimentos dermatológicos pelo convênio HapVida em Dourados e também na Verte Clinique, em Santos (SP), reforçando sua atuação em diferentes regiões do país.


Centro de Oncologia Campinas realiza ação gratuita para detecção de câncer de pele

Exames médicos serão realizados em consultório na próxima segunda-feira (16/6), na sede do COC, em Barão Geraldo

 

O Centro de Oncologia Campinas promove no próxima segunda-feira, dia 16/6, uma campanha de conscientização sobre o câncer de pele. Médicos da instituição realizarão gratuitamente exames para detecção de lesões, das 9h às 16h, na sede em Barão Geraldo. A ação é aberta a pessoas de todas as idades e conta com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas. Os casos suspeitos serão encaminhados pelo COC à rede municipal.

A prevenção ao câncer de pele é duplamente lembrada ao longo deste mês. Junho Preto destaca a importância da detecção precoce do câncer de pele do tipo melanoma, enquanto o Dia Global de Conscientização sobre o Câncer de Pele Não Melanoma é celebrado em 13 de junho para reforçar a atenção à neoplasia mais incidente no mundo.

Os participantes da ação devem levar um documento de identificação e comprovante de endereço. Todos serão examinados em consultório pela dermatologista Eliane Moreno e o atendimento será por ordem de chegada. Além da identificação visual, o exame ocorrerá com auxílio de dermatoscópios, pequenos microscópios médicos projetados com sistema de luz direcionado ao diagnóstico de lesões na pele.

“A prevenção é altamente eficaz e deve ser enfatizada em campanhas educativas, especialmente para populações de risco. O acompanhamento dermatológico regular é crucial para detecção precoce, reduzindo a morbidade e a necessidade de tratamentos agressivos”, detalha o oncologista Fernando Medina, do Centro de Oncologia Campinas.

O oncologista aponta a população mais suscetível ao câncer de pele: pessoas pele clara; idosos – a incidência aumenta com a idade devido ao dano cumulativo da exposição solar; imunossuprimidos; trabalhadores com ocupações ao ar livre; e indivíduos com lesões pré-existentes – pessoas com queratoses actínicas, cicatrizes crônicas ou infecções por HPV.

 

 Tipos de câncer

O câncer de pele não melanoma é o tipo mais comum de câncer de pele, caracterizado por crescimento anormal de células cutâneas, geralmente associado à exposição solar crônica. No Brasil, representa cerca de 30% de todos os cânceres diagnosticados.

“O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 220 mil novos casos de câncer de pele não melanoma por ano, no triênio 2023-2025. O Carcinoma Basocelular é o tipo mais comum e representa de 70% a 80% dos casos. Tem crescimento lento e raramente metastatiza”, detalha Medina. Metástase é quando o câncer se espalha para outros órgãos do corpo.

De 20% a 30% dos casos de câncer de pele não melanoma são Carcinomas Espinocelulares, que se originam nas células escamosas da epiderme, especifica Medina. “Esse é um tipo mais agressivo do que o Carcinoma Basocelular, com maior potencial de metástase, de 2% a 5%”, especifica.

O melanoma é agressivo e com alto risco de metástase. Por ano, são diagnosticados no Brasil 8.450 novos. Conforme o Inca, a doença responde por até 4% das neoplasias malignas de pele e tem origem nas células produtoras de melanina (substância que determina a cor da pele). O prognóstico positivo do melanoma está diretamente ligado à detecção precoce.

As lesões malignas de pele normalmente têm mais de 6mm de diâmetro. É motivo de alerta sinais como pequenas feridas que não cicatrizam; crescimento da mancha; ocorrência de vermelhidão, inchaço, coceira ou sensibilidade; e mudança do aspecto ou da cor.

 

 Diagnóstico

A médica do Centro de Oncologia Campinas, Mary da Silva Thereza, explica que além da utilização do dermatoscópio nos exames que serão realizados nesta segunda-feira (16), a avaliação levará em consideração aspectos visuais das manchas e histórico do paciente. Para detecção de suspeita de melanoma, por exemplo, cinco questões são consideradas.

“Usamos a chamada regra ABCDE, que considera a assimetria (uma metade da mancha não é igual à outra); as bordas, se são regulares ou não; a cor das pintas, ou seja, se ela é uniforme ou tem cores diferentes; se existe coceira ou não; o diâmetro – lesões que passam de 6 mm são mais suspeitas – e a evolução relatada pelo paciente”, detalha. “Se a mancha apresentar um desses fatores não significa que pode ser câncer, o que prevalece é o conjunto, a combinação de todos”, esclarece a médica.

Não há áreas do corpo específicas para o surgimento do câncer de pele, explica a oncologista. As lesões podem aparecer em todas as partes, mas as regiões mais expostas ao sol, como rosto, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas, são mais suscetíveis à doença.

 

 SERVIÇO

Ação de Prevenção e Conscientização sobre o câncer de pele

Quando: Dia 16/6

Onde: Centro de Oncologia Campinas – Rua Alberto de Salvo, 311, Barão Geraldo

Horário: das 9h às 16h (atendimento por ordem de chegada)

O que levar: documento de identificação e comprovante de residência

Quanto: gratuito

Realização: Centro de Oncologia Campinas e Secretaria Municipal de Saúde de Campinas

 

COC - Centro de Oncologia Campinas

Rua Alberto de Salvo, 311, Barão Geraldo, Campinas.

Telefone: (19) 3787-3400.

 

Café, vinho, chocolate: vilões ou aliados do coração?

O que a ciência mais atual diz sobre esses alimentos 

 

Por muito tempo, alimentos como café, vinho tinto e chocolate amargo foram vistos com desconfiança por quem buscava uma vida saudável — especialmente sob a ótica da saúde cardiovascular. No entanto, pesquisas científicas recentes vêm apontando que o consumo moderado e consciente desses itens pode, sim, oferecer benefícios para o coração.

De acordo com a médica cardiologista Dra. Fernanda Weiler, formada pela Universidade de Brasília (UnB) e certificada em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard Medical School, é essencial compreender que o impacto de um alimento depende da quantidade, frequência e contexto em que é consumido. “Nenhum alimento isolado vai salvar ou destruir a sua saúde. Mas sim, quando falamos de café, vinho e chocolate amargo, há evidências que mostram efeitos positivos no sistema cardiovascular, desde que o consumo seja equilibrado e inserido num estilo de vida saudável”, afirma a médica.


O café e o coração

Estudos recentes publicados no New England Journal of Medicine e no Journal of the American College of Cardiology indicam que até três a quatro xícaras de café por dia podem estar associadas a menor risco de insuficiência cardíaca, arritmias e mortalidade por causas cardiovasculares.

“Para pessoas que não têm sensibilidade à cafeína, o café pode ter efeito antioxidante, melhorar o metabolismo e até reduzir o risco de diabetes tipo 2, um dos principais fatores de risco para doenças cardíacas”, explica Dra. Fernanda.


Vinho tinto: antioxidante com moderação

O vinho tinto contém polifenóis como o resveratrol, substância que pode ajudar a proteger os vasos sanguíneos, reduzir o colesterol LDL (ruim) e prevenir coágulos. O consumo moderado — até uma taça por dia para mulheres e até duas para homens — pode ser benéfico, segundo diretrizes internacionais.

A palavra-chave aqui é moderação. O álcool em excesso é tóxico e aumenta o risco de hipertensão, arritmias e até câncer. Mas o vinho tinto, consumido com parcimônia e dentro de um estilo de vida equilibrado, pode sim ter efeito cardioprotetor”, reforça a médica.


Chocolate amargo: quanto mais cacau, melhor

Quanto maior o teor de cacau, maior a concentração de flavonoides — compostos com ação antioxidante e anti-inflamatória. Pesquisas sugerem que o consumo de pequenas porções de chocolate com mais de 70% de cacau pode reduzir a pressão arterial e melhorar a função endotelial (revestimento interno dos vasos).

Dra. Fernanda Weiler, que também é cofundadora do grupo "Mais uma D.O.S.E", voltado à promoção da qualidade de vida e uma das diretoras atuais do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, destaca que não se trata de “liberar geral”, mas de informar e empoderar o paciente para fazer escolhas conscientes: “Esses alimentos, quando consumidos com critério e dentro de um estilo de vida saudável — que inclui atividade física, sono de qualidade, manejo do estresse e boas conexões sociais — podem sim ser aliados do coração”, conclui. 

 


Dra Fernanda Weiler - formada em medicina pela Universidade de Brasília (UNB) com residência em cardiologia pela mesma Universidade. É membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia e certificada internacionalmente em Medicina do Estilo de Vida. Entre 2014 e 2015 foi professora da UNB, mesma Universidade em que se formou. Sua extensão em Medicina do Estilo de Vida, feita na Harvard Medical School (EUA) fez com que Dra Fernanda passasse a olhar a saúde cardíaca como resultado também (e principalmente) das escolhas de vida de cada pessoa. Defensora da atividade física e da promoção dos bons hábitos, dedica parte de sua carreira a incentivar seus pacientes e seguidores das redes sociais a adotarem melhores hábitos no que tange aos seis pilares da Medicina do Estilo de Vida. Dra Fernanda é também co-fundadora do grupo “Mais uma D.O.S.E (dopamina, ocitocina, serotonina, endorfina)”, que visa a melhora na qualidade de vida através da Medicina do Estilo de Vida.


Tratamento da obesidade: estudo revela benefícios à saúde a longo prazo da cirurgia bariátrica e do transplante de fígado

Mayo Clinic

A realização simultânea de cirurgia bariátrica e transplante de fígado em pacientes com obesidade severa é segura e melhora os resultados da saúde a longo prazo, de acordo com um estudo recente da Mayo Clinic. Essa abordagem combinada oferece uma solução necessária para esses pacientes, que muitas vezes são impedidos de receber um transplante de fígado vital devido ao excesso de peso.

O estudo de 10 anos, publicado no Journal of Hepatology, comparou pacientes que receberam apenas o transplante de fígado com aqueles que foram submetidos tanto a um transplante de fígado quanto a uma cirurgia bariátrica.

A abordagem combinada resultou em perda de peso contínua, redução do risco de diabetes tipo 2 e menor risco de recorrência da doença hepática gordurosa. É importante destacar que o procedimento combinado não apresentou riscos adicionais em comparação ao transplante de fígado isolado.

"Estamos impressionados com a transformação que nossos pacientes estão passando," diz a Dra. Julie Heimbach, diretora do Centro de Transplantes da Mayo Clinic em Minnesota e autora sênior do estudo. "Essa abordagem dupla previne complicações de longo prazo da obesidade, como diabetes, doenças cardíacas e câncer, além de prevenir a recorrência da doença hepática gordurosa."


Como a obesidade e a doença hepática estão ligadas

A porcentagem de candidatos a transplante de fígado nos EUA com obesidade continua crescendo, com mais de 41% dos candidatos apresentando índice de massa corporal (IMC) acima de 30 em 2022. A obesidade aumenta o risco de desenvolvimento da doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, ou MASLD, na sigla em inglês, anteriormente conhecida como  doença hepática gordurosa não alcoólica. Trata-se de uma condição em que o excesso de gordura se acumula no fígado, podendo causar inflamação, fibrose e doença hepática avançada. Pacientes com IMC igual ou superior a 40 têm mais chances de serem recusados para o transplante devido ao peso.

"Como a MASLD é uma das principais causas de falência hepática, faz todo sentido proteger o novo fígado, um órgão precioso e vital, dos mesmos danos que levaram o paciente a precisar de um transplante inicialmente. Combinar os dois procedimentos de forma segura protege o fígado transplantado e pode trazer benefícios significativos à saúde desses pacientes," diz o Dr. Todd Kellogg, cirurgião bariátrico na Mayo Clinic e coautor do estudo.


E quanto ao uso dos novos medicamentos prescritos para a perda de peso?

Novos medicamentos para emagrecimento, como os GLP-1, estão sendo utilizados para ajudar alguns pacientes no período pré e pós-transplante a controlar o peso. Ainda assim, especialistas da Mayo Clinic afirmam que a cirurgia bariátrica continua sendo uma opção importante para pacientes com obesidade severa, devido à sua segurança, eficácia comprovada e resultados duradouros. Outro estudo recente da Mayo envolvendo pacientes transplantados renais reforça essa conclusão.

"Os pacientes de que estamos falando têm um excesso de peso realmente significativo. A questão com os medicamentos à base de GLP-1 é que eles são eficazes na perda de peso e oferecem outros benefícios que estão sendo descobertos, mas podem não ser suficientes para que pacientes com obesidade severa alcancem e mantenham um peso saudável a longo prazo," explica a Dra. Heimbach.

Reunir especialistas de diferentes áreas médicas é essencial no tratamento desses pacientes, afirma o Dr. Ty Diwan, cirurgião especializado em transplantes na Mayo Clinic e coautor do estudo.

"Este estudo mostra que o cuidado com esses pacientes complexos vai além do próprio transplante," diz o Dr. Diwan. "O cuidado multidisciplinar é necessário para maximizar os resultados dos pacientes, e é isso o que vemos nestes dados. Ao unir especialistas de áreas muito diferentes, conseguimos melhorar o cuidado e os resultados gerais de saúde dos pacientes."

  

Mayo Clinic

 

Saiba quando a vacina da hepatite A é indicada para adultos

Infecção viral no fígado registra surto em diversas cidades. Infectologista do Sabin sugere que adultos procurem orientação médica para se vacinar

 

O surto de hepatite A que atinge diversas cidades do país levou o Ministério da Saúde, neste mês, a ampliar a oferta de vacina, que faz parte do calendário infantil, também para adultos, em casos específicos. O médico infectologista Marcelo Cordeiro, do Sabin Diagnóstico e Saúde, sugere que adultos em dúvida sobre o risco de se contaminar devem avaliar com o médico a necessidade de se vacinarem. 

A hepatite A é uma infeção causada no fígado por um vírus transmitido principalmente por água e alimentos contaminados, além de contato fecal-oral, o que inclui práticas sexuais específicas. Segundo o infectologista do Sabin, a doença apresenta sintomas parecidos com uma gripe, como cansaço, febre, náusea e dores no corpo. Posteriormente, o paciente pode apresentar pele e olhos amarelados (icterícia), urina escura e fezes claras. 

“Na maioria das pessoas, a hepatite A melhora sozinha, com repouso e hidratação. Mas, em alguns casos, especialmente em adultos, o fígado pode ser gravemente afetado”, explica o Marcelo Cordeiro, complementando que os sintomas podem ser prolongados, causando inflamação grave no órgão, e, em situações raras, levar à falência hepática e necessidade de transplante. 

A sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) indica o imunizante para todas as pessoas a partir dos 12 meses de idade. Segundo o Cordeiro, devem se vacinar, especialmente, pessoas com doenças crônicas no fígado, profissionais de saúde ou de manipulação de alimentos, viajantes para áreas com surto de hepatite A, homens que fazem sexo com homens, pessoas vivendo com HIV e quem teve contato próximo com casos confirmados. 

Para prevenir a contaminação, o médico infectologista recomenda lavar bem as mãos, especialmente após ir ao banheiro e antes de comer, evitar alimentos mal lavados ou água sem tratamento, usar proteção nas relações sexuais e tomar a vacina. 


Surtos em capitais 

Cidades como São Paulo e Belo Horizonte relatam aumento expressivo de casos de hepatite A em adultos. A capital paulista, por exemplo, somou até o dia 15 de maio, 57,1% de todos os infectados do ano passado. Foram 353 pacientes em pouco mais de quatro meses contra 618, em 2024. 

Curitiba registrou mais de 150 casos em 2024 e segue em curva ascendente. Campo Grande (MS), que ficou até 2023 sem registrar um único caso, chegou a 56 até fevereiro deste ano.  Belo Horizonte verificou aumento de 265% nos casos entre janeiro e abril deste ano, em relação ao ano passado, indo de 26 pessoas para 95. 

 

Grupo Sabin
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Dia Nacional da Conscientização da Cardiopatia Congênita no Brasil: doença atinge 1 a cada 100 nascidos vivos



No próximo dia 12, o Brasil conscientiza a população sobre o Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, data que reforça a importância sobre essa condição que afeta o coração desde o nascimento e representa um desafio significativo de saúde pública. Estimativas apontam que 1 a cada 100 crianças nascidas no país podem apresentar alguma forma de cardiopatia congênita, totalizando aproximadamente 30 mil novos casos anuais.
 

Diante desses números, a importância do diagnóstico precoce, especialmente o fetal, e de um atendimento humanizado e abrangente se tornam pilares fundamentais para melhorar os desfechos e a qualidade de vida desses pacientes e suas famílias. O avanço da ecocardiografia fetal no Brasil tem se mostrado um divisor de águas no manejo da cardiopatia congênita, porque além de contribuir para a redução da mortalidade infantil, permitiu que crianças diagnosticadas no período fetal fossem encaminhadas diretamente para serviços terciários especializados, com tratamento adequado desde as primeiras horas de vida. 

“Em casos de condições complexas, como a síndrome de hipoplasia do coração esquerdo, problema em que o lado esquerdo do coração do bebê não se forma adequadamente e dificulta a circulação do sangue, o diagnóstico fetal e o encaminhamento para um serviço especializado, como o Instituto do Coração (InCor), aumentam drasticamente as chances de um desfecho positivo”, explica Gustavo Foronda, Coordenador Geral da Unidade de Cardiologia Pediátrica e Cardiopatia Congênita no Adulto do InCor-HCFMUSP. 

Para o médico, a Lei nº 14.598, promulgada em junho de 2023, que torna obrigatório o ecocardiograma fetal para todas as gestantes, representou um passo importante para fomentar a detecção precoce em nível nacional. Além dessa medida, outra estratégia importante para o diagnóstico ainda na gestação é a análise genética. O diagnóstico de Sindromes genéticas, que podem estar associadas a cardiopatias congênitas permite identificar problemas adicionais possíveis neste feto antes do nascimento, possibilitando melhor preparação para o parto e o tratamento adequado. Por meio de testes como o sequenciamento de exoma, é possível detectar mutações em genes específicos associados a essas condições.

 

Avanços no Tratamento

Apesar dos desafios de capacitação profissional e infraestrutura encontradas no país, a cardiologia pediátrica tem vivenciado avanços significativos no tratamento da cardiopatia congênita. Além das cirurgias complexas, procedimentos minimamente invasivos, como o cateterismo percutâneo, têm se tornado cada vez mais comuns, permitindo intervenções sem a necessidade de cirurgia aberta, com recuperação mais rápida e menos traumática para as crianças. 

O InCor é o maior centro de referência da doença e realiza desde intervenções fetais até o acompanhamento pós-operatório e transplantes cardíacos pediátricos. Em 2024, foram cerca de 15 mil atendimentos ambulatoriais e mais de 2 mil internações entre enfermaria e UTI. No entanto, o Brasil enfrenta um déficit considerável de leitos e profissionais especializados em cardiologia pediátrica. 

“A falta de capacidade das unidades para absorver todos os casos diagnosticados faz com que muitos pacientes descompensem enquanto aguardam vaga em centros de referência, aumentando a morbidade e a mortalidade”, explica Foronda. O diagnóstico precoce é fundamental para garantir o encaminhamento rápido e adequado desses pacientes. Para fortalecer a rede, o InCor já capacitou 2.500 profissionais e forma 12 residentes anualmente, e ainda capacita quatro residentes estrangeiros, contribuindo para a qualificação e empregabilidade na área da saúde. 

Além dos aspectos técnicos, a humanização do atendimento é essencial na jornada de famílias e pacientes com cardiopatia congênita. “É vital que as famílias compreendam a patologia, o prognóstico e os possíveis desfechos, mesmo os não favoráveis. A transparência fortalece a confiança e apoia nas decisões”, destaca a Dra. Nana Miura, Diretora da Unidade de Cardiologia Pediátrica e Cardiopatia Congênita no Adulto do InCor-HCFMUSP. Diante de um diagnóstico tão impactante, o acompanhamento a longo prazo, com ambulatórios especializados e iniciativas como a tele orientação, é fundamental para garantir acesso ao cuidado contínuo.

 

Mitos e Verdades

A Dra. Vanessa Guimarães, Cardiologista Pediátrica da Unidade de Cardiologia Pediátrica e Cardiopatia Congênita no Adulto do InCor-HCFMUSP selecionou alguns mitos e verdades sobre a doença:


1. Todas as cardiopatias congênitas só podem ser tratadas com cirurgia?

Mito

Nem toda cardiopatia exige cirurgia. Muitas podem ser tratadas com medicamentos ou procedimentos minimamente invasivos, como o cateterismo. Em casos mais leves, o acompanhamento clínico é suficiente ao longo da vida.


2. Crianças com cardiopatia congênita não terão uma vida plena?

Mito

Com diagnóstico precoce, acompanhamento especializado e cuidados contínuos, crianças cardiopatas podem levar uma vida ativa, estudar, brincar e realizar seus sonhos como qualquer outra.

 

3. Só adultos precisam fazer exames preventivos do coração?
Mito

Crianças também se beneficiam da avaliação cardiológica, especialmente se houver sintomas (como cansaço, desmaios ou palpitações) ou histórico familiar. A prevenção começa na infância.

 

4. Todo sopro no coração infantil precisa de cirurgia?

Mito

Nem todo sopro indica um problema grave. Alguns são chamados de “sopros inocentes” e não requerem tratamento. A avaliação médica é fundamental para definir a conduta correta.

 

5. Uma boa alimentação ajuda na saúde do coração?

Verdade

Embora a alimentação não cure cardiopatias congênitas, ela é uma aliada essencial no controle da doença. Uma dieta balanceada fortalece o sistema cardiovascular e contribui para o bem-estar geral.

 


InCor


Junho Vermelho: 8 mitos e verdades sobre doação de sangue

A cada mil pessoas, apenas 14 são doadoras regulares Crédito: Envato

Especialista esclarece dúvidas mais comuns no Dia Mundial do Doador de Sangue

 

A doação de sangue é um gesto simples e nobre que pode salvar vidas. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 1,4% da população brasileira doa sangue anualmente, ou seja, a cada mil pessoas, apenas 14 são doadoras regulares. Embora essa seja uma taxa dentro da recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 1% a 3%, o número ainda é considerado baixo.

Para incentivar maior adesão a esse ato de cidadania e solidariedade, foi criada a campanha Junho Vermelho, que reforça a importância da prática, especialmente no Dia Mundial do Doador de Sangue, comemorado em 14 de junho.

Ainda assim, as dúvidas sobre o processo são frequentes e podem desmotivar muitas pessoas. Por isso, a biomédica responsável pela Agência Transfusional dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, em Curitiba (PR), Renata Arrazão, esclarece algumas das concepções mais comuns sobre a doação de sangue:

  1. Doar sangue afina ou engrossa o sangue

Mito. A doação não altera a viscosidade do sangue. O volume coletado (cerca de 450 ml) é reposto naturalmente em 24 horas, sem afetar nenhuma característica do sangue.

  1. Uma doação pode salvar até quatro vidas

Verdade. O sangue coletado é separado em vários componentes, como hemácias, plasma e plaquetas, o que pode beneficiar até quatro pacientes em diferentes condições de saúde.

  1. Tatuagem e piercings impedem a doação

Mito. A biomédica aponta que o tempo de espera depende da tatuagem, e os piercings variam de acordo com a região do corpo. O recomendado é aguardar 12 meses após a aplicação da tatuagem. Se o piercing for em mucosas ou na área genital, ele pode impedir a doação enquanto estiver no corpo e por até um ano após a sua retirada. Esses procedimentos são considerados invasivos e podem representar risco de contaminação, especialmente quando realizados em locais sem avaliação sanitária adequada.

  1. Para doar é preciso estar em jejum

Mito. A alimentação ajuda a manter a glicose no sangue em níveis adequados, evitando mal-estar durante o processo. Ao contrário de alguns exames laboratoriais, a doação de sangue visa retirar uma quantidade de sangue do organismo de forma segura e confortável para o doador. Se a pessoa estiver em jejum, ela pode apresentar queda de pressão, tontura ou hipoglicemia. A recomendação é fazer uma refeição leve, evitando alimentos gordurosos nas horas que antecedem a doação.

  1. Mulheres não podem doar sangue durante o período menstrual

Mito. O período menstrual não compromete a “qualidade” do sangue das mulheres. No entanto, devido à reposição de ferro no organismo, o intervalo indicado para elas é de três meses entre as doações, com um limite de três doações anuais. Já os homens podem doar a cada dois meses, com um limite de quatro doações por ano.

  1. Não posso doar sangue após ter sido vacinado

Verdade. Renata afirma que “vale consultar qual vacina você tomou, para aguardar o período para realizar a doação”. Algumas vacinas podem impedir temporariamente a doação, podendo ser de 2 dias a 4 semanas após a aplicação da dose. Por isso, é importante informar o profissional de triagem sobre vacinas recentes.

  1. Somente maiores de idade podem doar sangue

Mito. “Pessoas a partir de 16 anos já podem doar, desde que os menores de idade tenham autorização e estejam acompanhados dos pais ou responsáveis”, explica Renata. A idade máxima é de 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até os 60 anos.

  1. Posso doar independentemente do meu tipo sanguíneo

Verdade. Não é necessário saber o tipo sanguíneo para doar, já que será identificado através de amostras da coleta. Porém, alguns tipos são mais necessários em certos momentos.

Cenário

Em Curitiba, os hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru utilizam, em média, 9.500 bolsas de sangue anualmente. A especialista reforça a importância de manter os estoques em níveis adequados: “O sangue e seus componentes são vitais e insubstituíveis para todos os seres humanos. São essenciais para garantir um bom atendimento em urgências, cirurgias e no tratamento de doenças”.

Em 2024, o Brasil registrou aproximadamente 3,16 milhões de doações de sangue por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme dados do Ministério da Saúde. Para suprir as necessidades de transfusões, um número ideal seria de cerca de 8 mil doações de sangue por dia em todo o país.

Seja doador

Para doar, é necessário pesar no mínimo 51 kg, estar descansado, alimentado e hidratado (evitando alimentação gordurosa e bebidas alcoólicas nas 12 horas que antecedem a doação) e apresentar documento oficial com foto.

 

Hospital São Marcelino Champagnat

Hospital Universitário Cajuru


No amor e na saúde: pessoas têm mais sucesso em abandar maus hábitos com apoio dos parceiros, aponta estudo

Casais que adotam práticas saudáveis juntos fortalecem a parceria e ampliam a qualidade de vida a dois

 

Depois do tão aguardado “sim” para o namoro ou o casamento, muitos casais têm como objetivo viver uma vida sexual saudável ou aumentar a família com filhos. Mas para que esse caminho seja tranquilo e sem surpresas, é muito importante zelar pela saúde e o bem-estar daqueles com quem se vive um relacionamento. Um estudo conduzido por pesquisadores da University College London, publicado no JAMA Internal Medicine, analisou 3.722 casais e constatou que as pessoas têm mais sucesso em abandonar maus hábitos, como o sedentarismo, quando contam com o apoio do parceiro. Por exemplo, entre as mulheres que fumavam, 50% conseguiram largar o cigarro quando o parceiro também abandonou o vício. Em contraste, apenas 8% das que não contaram com o apoio do parceiro conseguiram cessar o hábito1.

Segundo a dra. Luísa Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, o cuidado com a qualidade de vida começa com um acompanhamento médico e a realização de exames para além dos check-ups gerais.

“O cuidado do casal também envolve a atenção à vida sexual. Realizar testes para infecções sexualmente transmissíveis (IST) – como HIV, sífilis, hepatites B e C, clamídia e gonorreia – é um gesto de responsabilidade, proteção e respeito mútuo. Muitas dessas infecções são silenciosas e, se não diagnosticadas precocemente, podem gerar complicações a longo prazo. Fazer um check-up de IST permite o início da vida a dois saudável e seguro”, argumenta a médica.

Da mesma forma, a vacina contra o HPV é uma aliada na prevenção de diversos tipos de câncer e de lesões causadas pelo vírus, beneficiando homens e mulheres. Embora muitas vezes associada unicamente à prevenção do câncer do colo do útero nas mulheres, ela também protege os homens contra o câncer de pênis, além do de garganta e ânus e de verrugas genitais em ambos os sexos. Tomar a vacina, quando ainda não vacinado, é um ato de cuidado consigo e com quem se ama.

Para casais que planejam aumentar a família, os exames genéticos também ganham um papel especial.  O dr. Gustavo Guida, geneticista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, afirma que eles ajudam a identificar possíveis riscos de doenças hereditárias que podem ser transmitidas aos filhos: “Para casais com história pessoal ou familiar conhecida de doenças genéticas, o aconselhamento gênico antes da gravidez pode ajudar a decidir quais são os melhores exames e as estratégias de prevenção mais relevantes. O surgimento de exames como o Painel de Portadores (PCGT) permite avaliar o risco dos futuros pais para doenças recessivas antes da gestação – casais em situação de risco podem optar pela seleção de embriões durante a reprodução assistida, por exemplo.”

O exame cariótipo também está na lista dos mais importantes, já que analisa a estrutura e o número dos cromossomos de cada pessoa, identificando alterações que podem aumentar o risco de infertilidade e aborto ou doenças genéticas nos filhos, como síndromes causadas por alterações cromossômicas.

Já durante a gestação, a especialista indica outro teste genético: o Teste Pré-Natal Não Invasivo (NIPT, em inglês). O exame analisa o DNA fetal que circula na corrente sanguínea materna, permitindo identificar, com alta precisão, alterações cromossômicas, como as síndromes de Down, Edwards e Patau, além de determinar o sexo biológico do bebê desde as primeiras semanas. Por não ser invasivo, não oferece risco ao bebê nem à gestante, trazendo mais tranquilidade para os envolvidos.

O geneticista acrescenta que, dependendo da idade da paciente e do histórico hormonal e menstrual, exames específicos para a avaliação da reserva ovariana, como a dosagem do hormônio anti-mülleriano e a ultrassonografia seriada, podem contribuir na hora de decidir entre tentar a gestação natural ou recorrer à reprodução assistida.

Quando há dificuldade para engravidar, a histerossalpingografia é um dos exames indicados para investigação. Utilizado para identificar possíveis causas de infertilidade, ele consiste na injeção de contraste e na realização de radiografias seriadas, que permitem visualizar o trajeto que o espermatozoide percorre até encontrar o óvulo. Com base nele, é possível identificar aderências, alterações anatômicas ou obstruções nas trompas, por exemplo.

Já os homens devem realizar um espermograma, que avalia a quantidade, a mobilidade e a morfologia dos espermatozoides. Além disso, é necessário analisar os níveis hormonais, como a testosterona e o Hormônio Folículo-Estimulante (FSH), fundamentais para a produção de espermatozoides.


Especialista do Hospital IGESP alerta para o impacto dos hábitos diários no equilíbrio intestinal

De acordo com a World Gastroenterology Organization (WGO), distúrbios digestivos funcionais, como refluxo gastroesofágico, constipação e síndrome do intestino irritável, afetam cerca de 40% da população mundial e comprometem a qualidade de vida de milhões de pessoas.

 

A saúde do intestino tem ganhado cada vez mais destaque por sua conexão direta com o bem-estar geral. De acordo com a World Gastroenterology Organization (WGO), distúrbios digestivos funcionais, como refluxo gastroesofágico, constipação e síndrome do intestino irritável, afetam cerca de 40% da população mundial e comprometem a qualidade de vida de milhões de pessoas. 

“O intestino não se limita apenas à digestão de alimentos e desempenha um papel importante na produção de enzimas e secreções que auxiliam nossas defesas contra agressões do meio ambiente, com papel importante no sistema imunológico. Um intestino desequilibrado frequentemente está associado a alterações emocionais, como ansiedade e depressão, impactando a qualidade de vida de maneira significativa”, afirma Ricardo Viebig, Gastroenterologista do Hospital IGESP/Grupo Trasmontano. 

O sistema digestivo é frequentemente denominado como o "segundo cérebro" devido à sua importância e conexão com o sistema nervoso central além de conter células nervosas equivalentes as de um cérebro, porém organizado de forma espalhada pelos seus compartimentos. O seu interior abriga a microbiota intestinal, um ecossistema de trilhões de bactérias essenciais para a digestão e absorção de nutrientes, além de proteger o corpo contra agentes patogênicos. Quando essa microbiota está comprometida, os sintomas podem ir além de distúrbios digestivos, afetando o sistema imunológico, o sono e até o humor. 

Entre as condições que afetam a saúde digestiva, o refluxo gastroesofágico, a síndrome do intestino irritável e as doenças inflamatórias intestinais (como Doença de Crohn e colite ulcerativa) são algumas das mais comuns. Muitas dessas condições são tratadas inadequadamente, em grande parte pela falta de diagnóstico correto ou de acompanhamento médico especializado. 

“É essencial procurar a orientação de um médico para monitorar a condição, evitando complicações a longo prazo, como inflamações crônicas ou deficiências nutricionais causadas pela má absorção de nutrientes", afirma Ricardo Viebig. “O equilíbrio da microbiota intestinal é importante para a manutenção de uma boa saúde digestiva. Com o acompanhamento adequado, é possível controlar essas condições e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. A detecção precoce de doenças intestinais é fundamental para evitar complicações a longo prazo e melhorar a saúde do paciente como um todo”, finaliza o médico do Hospital IGESP/Grupo Trasmontano. 



Hospital IGESP Paulista
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