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sexta-feira, 16 de março de 2018

O que falta para os carros realmente se dirigirem sozinhos?


Os carros autônomos são apontados como uma das maiores invenções do século. Contudo, por mais que sempre surjam novas notícias dando a impressão de que estamos quase lá e que eles já rodam em algum lugar, ainda não vemos grandes avanços no dia-a-dia. Resolvi explicar um pouco mais sobre o que está acontecendo.
O que estamos desenvolvendo?
São necessários três grandes desenvolvimentos para os veículos autônomos:
  • Percepção: Os veículos conseguem perceber o que está ao seu redor;
  • Predição: Os veículos conseguem prever como o que está ao seu redor (percepção) irá se alterar;
  • Modo de condução: Os veículos conseguem seguir um conjunto pré-estabelecido de regras para se locomover de maneira segura.
modo de condução é provavelmente o módulo mais comentado, mas na prática não é o maior problema que encontramos. Sebastian Thrun, fundador do projeto do Google para carros autônomos, estima que este problema representa apenas 10% do desafio.

Percepção

Nos projetos atuais, os veículos entendem o que está ao seu redor através de câmeras e radares, por exemplo, o LIDAR (um sensor que utiliza pulsos invisíveis de luz para criar um mapa 3D da região). As câmeras são baratas e, com a evolução dos algoritmos de IA, é possível compreender as sinalizações de tráfego, mas os algoritmos ainda tem dificuldade para medir distância e/ou velocidade. O LIDAR, por sua vez, consegue ter alta precisão, mas ainda é extremamente caro e tem dificuldades de lidar com alguns fatores, como por exemplo a neve ou a chuva. A estrutura para o LIDAR atualmente custa dezenas de milhares de dólares, o que torna veículos com a tecnologia bastante caros. O LIDAR que cria imagens como a abaixo.
Atualmente, a maior parte das empresas que trabalham nos self-driving vehicles operam com um misto das três tecnologias - exceto a Tesla que acredita que a melhor solução envolve apenas o LIDAR. Há diversas startups trabalhando atualmente na redução do preço do LIDAR o que pode beneficiar muito a estratégia da Tesla.
Após receber as imagens, softwares embarcados utilizam técnicas de visão computacional para reconhecer o que aquelas imagens realmente querem dizer, matemática semelhante às que a Cobli está testando para ler fotos de bombas de combustível. Em ambos os casos, para o reconhecimento funcionar bem, é necessário um grande volume de dados catalogados para treinar os algoritmos de inteligência artificial por trás do sistema. Startups como a Mighty AI já contam com bancos de dados superior à 300.000 imagens. Como curiosidade, utilizam inclusive imagens de jogos e simuladores de alta fidelidade, como Grand Theft Auto (GTA), para treinar esses modelos.
Conforme mais e mais veículos dotados de sensores de alta precisão passam pelas mesmas situações e compartilham suas "experiências" o aprendizado vai ficando mais fácil e os resultados melhores. Isso é atualmente nomeado como 
aprendizado de frotas ou fleet learning.

Predição
Focando nos cenários sem neve, em que o LIDAR funciona melhor, ainda encontramos muitos problemas para o funcionamento 100% autônomo. Atualmente, sempre que o software encontra um problema em que não tem confiança na resposta, acontece o chamado "desengajamento", onde a máquina passa a condução para um engenheiro de segurança. O gráfico abaixo mostra um resumo atual de como os principais players estão performando.
Por mais que o desengajamento seja em uma certa medida um fracasso, é através dele que os sistemas aprendem novas situações e ficam cada vez mais robustos.
Possivelmente, mesmo após os veículos autônomos estarem em uso pelo grande público, ainda haverá necessidade de alguns desengajamentos e auxílio de motoristas humanos.

Os graus da evolução
Como a maior parte do desenvolvimento de softwares modernos, os veículos autônomos operam em fases e lançamentos incrementais. Em geral, são divididos em 5 fases:
  • Nível 1: Assistência básica ao condutor, "piloto automático" ou alertas de direção agressiva são exemplos que já vemos no dia- a-dia. Apenas os dados do veículo em si são analisados neste nível;
  • Nível 2: O veículo já tem habilidade para começar a reagir ao ambiente. Manter-se dentro da faixa é um dos melhores exemplos. Neste nível, é necessária total atenção de um motorista qualificado a todo momento;
  • Nível 3: Conhecido como "Assistência condicional", é um nível em que em algumas situações o veículo já é capaz de se dirigir sozinho. A atenção do motorista ainda é crítica, mas em condições mais controladas o veículo possui grande autonomia;
  • Nível 4: Alta autonomia em cenários específicos. Neste nível os veículos serão capazes de operar normalmente em regiões e situações específicas de curvas, acelerações ou frenagens. Daqui em diante o motorista não precisará mais ficar em estado de total atenção. Google e Uber pretendem ir diretamente para este nível, pois acreditam que níveis com muita necessidade de supervisão são mais perigosos. Exemplo disso é o motorista do Tesla Model S, nível 2, que morreu após não conseguir reagir a tempo aos alertas de seu veículo e tomar controle.
  • Nível 5: Autonomia total. Este é o objetivo final. Aqui não é necessário um volante ou pedais. O veículo faz tudo sozinho. Sempre.
Expectativas do futuro
Os veículos autônomos terão um custo por quilômetro mais barato do que os atuais, o que claramente é uma das grandes forças que impulsionam o seu desenvolvimento. Estima-se que a segurança será muito maior, na casa de 1% dos acidentes do que os humanos geram. A Waymo, por exemplo, já dirigiu mais de 6 milhões de quilômetros e os únicos acidentes que ocorreram foram por culpa de motoristas em outros veículos.
No gráfico abaixo, há uma estimativa do banco UBS sobre os custos:
Na prática, o custo por km é inferior a metade de um carro privado atualmente. Isso pode incentivar cidades a construírem regiões específicas feitas para viabilizar veículos autônomos. Como “trilhos” que facilitariam e aumentariam muito o uso de veículos com níveis de autonomias menores.
Consultorias como a BCG estimam que em 2035 cerca de 80% dos veículos já serão autônomos. Com isso, é estimado que apenas nos EUA haveria uma economia de 30 bilhões de horas por ano. Horas estas, que hoje são gastadas no trânsito, dirigindo, procurando vaga, procurando o carro...
Considerando a situação como um todo, tivemos muitos avanços na tecnologia. No entanto, ainda há um longo caminho para que os veículos funcionem sozinhos. No mais, qual será o impacto na legislação e na sociedade?



Será que usar o WhatsApp é a melhor forma de se comunicar no mundo corporativo?


Sem dúvida o WhatsApp é uma ferramenta excelente para eventualidades, como ajustar um horário de reunião ou tirar uma dúvida pontual.

Mas as pessoas estão exagerando. Decisões estratégicas, apresentação de produtos, orçamentos, negociações e até fechamento de vendas estão sendo feitos via aplicativo.

Tudo bem que isso dinamiza alguns processos. Mas, ao mesmo tempo, fragiliza as relações humanas. Imagine só o risco envolvido em fechar negócios por meio de mensagens de texto? Já existe até jurisprudência que aceita as conversas por WhatsApp como prova em disputas judiciais.

E mais. Pense em quem está do outro lado da tela. Como reagiu à sua proposta? Você nunca vai saber de verdade. 

Além disso, o aplicativo gerou uma licença de falar o que bem entender, desde que tenha um “kkkkk” na sequência. A forma como o app está sendo usado não permite detectar as verdadeiras intenções da outra parte, suas percepções e naturalmente se torna impossível reverter situações de descontentamento ou conflito.

Outro problema do WhatsApp é que ele incita a resposta imediata. Quem não se sente aflito ao ver as marquinhas azuis e se perceber sem uma resposta do outro lado da tela? O aplicativo acaba se tornando um combustível para a ansiedade e a precipitação, mandando às favas o “timing” muitas vezes necessário nas relações corporativas.

Esse tipo de situação pode levar a réplicas feitas às pressas, com falta de cuidados e, em alguns casos, até mal educadas. Levante a mão quem nunca mandou uma mensagem na correria e depois se arrependeu?

Temos que usar a tecnologia a nosso favor. Como disse antes, o WhatsApp está aí para situações pontuais. Mas, que me desculpem os fanáticos por inovação, ainda somos seres sociais e nada surgiu para substituir o no olho ou o bom e velho cafezinho.

Te convido a deixar um dia o WhatsApp de lado, utilizar o telefone e abrir a janela para capturar a sua percepção sobre os reais sentimentos e intenções do outro lado.

Talvez as pessoas vão te estranhar, mas garanto que não vão ironizar e dizer um “kkkk” na sequência apenas para suavizar a própria fala.

Lembre-se que a vida acontece ao vivo.






Carlos Titton - professor nos cursos de MBA e Pós-Graduação da FAAP, Saint Paul e FIA/SP. Em sua trajetória profissional foi executivo de empresas como Mercedes-Benz, DuPont, Rhodia, entre outras, e teve atuação internacional em países como EUA, Canadá, Alemanha, Suíça, Áustria, África do Sul e países da América Latina.

A cobrança ilegal de taxas de juros no IPTU


Fique atento ao carnê de IPTU para exigir seus direitos

Diversos municípios cobram, juntamente com o IPTU, diversas taxas que já foram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal que, em seus julgamentos, ainda permite a restituição dos valores pagos indevidamente (taxa de conservação de vias e logradouros, taxa de limpeza pública, taxa de prevenção e extinção de incêndio) nos últimos cinco anos.

O proprietário de um imóvel que recebe a cobrança dessas taxas com o carnê de IPTU está sendo lesionado, haja vista ele ter o direito assegurado constitucionalmente de não ser tributado nesta modalidade; uma vez que, segundo a legislação em vigor, a taxa deve ser cobrada na proporção de uso de um determinado serviço. As taxas são os tributos destinados a remunerar serviços públicos específicos prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição, cobrados exclusivamente das pessoas que se utilizem ou beneficiem, efetiva ou potencialmente, do serviço que constitua o fundamento da sua instituição.

É exatamente isso que dispõe o artigo 145 da Constituição Federal, e os artigos 77 e 79 do Código Tributário Nacional. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que a limpeza e a conservação são serviços públicos inespecíficos não mensuráveis, indivisíveis e insuscetíveis de serem referidos a determinado contribuinte, não tendo de ser custeado senão por meio do produto da arrecadação dos impostos gerais. E tem mantido o mesmo entendimento para todas as taxas cobradas pelos municípios que não sejam específicas e divisíveis.

Alguns municípios, como é o caso de São Caetano do Sul, transferiram a cobrança da taxa de lixo para uma autarquia municipal, o SAESA – Sistema de Abastecimento de Água e Esgoto, o que tem forçado os contribuintes a pagarem referida taxa, ainda que ilegal, sob pena de terem o fornecimento de água cortado. É flagrante a pressão com que alguns municípios estão fazendo para recebimento dos valores referentes às taxas que eles têm cobrado. Porém, a transferência da cobrança das taxas citadas não afasta a sua natureza inconstitucional, e devem ser questionados perante o Poder Judiciário.

É importante destacar que, em que pese as taxas já terem sido declaradas inconstitucionais, para que não sejam mais cobradas com o IPTU ainda há necessidade de ajuizamento de um processo judicial para que haja uma determinação judicial cancelando esta cobrança e até mesmo permitindo a restituição do que foi pago nos últimos cinco anos.

Assim sendo, o contribuinte deve estar atento às cobranças de taxas do carnê do IPTU e procurar um advogado especializado no assunto para uma ação declaratória de inconstitucionalidade — o que permitirá, ainda, que sejam restituídos os valores pagos indevidamente nos últimos 5 anos, com a devida atualização. A carga tributária do brasileiro já é demasiadamente alta e o poder público não pode exigir que tributos ilegais entrem em total desconformidade com a legislação.




Beatriz Dainese, da Giugliani Advogados


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