Sem
dúvida o WhatsApp é uma ferramenta excelente para eventualidades, como ajustar
um horário de reunião ou tirar uma dúvida pontual.
Mas
as pessoas estão exagerando. Decisões estratégicas, apresentação de produtos,
orçamentos, negociações e até fechamento de vendas estão sendo feitos via
aplicativo.
Tudo
bem que isso dinamiza alguns processos. Mas, ao mesmo tempo, fragiliza as
relações humanas. Imagine só o risco envolvido em fechar negócios por meio de
mensagens de texto? Já existe até jurisprudência que aceita as conversas por
WhatsApp como prova em disputas judiciais.
E
mais. Pense em quem está do outro lado da tela. Como reagiu à sua proposta?
Você nunca vai saber de verdade.
Além
disso, o aplicativo gerou uma licença de falar o que bem entender, desde que
tenha um “kkkkk” na sequência. A forma como o app está sendo usado não permite detectar
as verdadeiras intenções da outra parte, suas percepções e naturalmente se
torna impossível reverter situações de descontentamento ou conflito.
Outro
problema do WhatsApp é que ele incita a resposta imediata. Quem não se sente
aflito ao ver as marquinhas azuis e se perceber sem uma resposta do outro lado
da tela? O aplicativo acaba se tornando um combustível para a ansiedade e a
precipitação, mandando às favas o “timing” muitas vezes necessário nas relações
corporativas.
Esse
tipo de situação pode levar a réplicas feitas às pressas, com falta de cuidados
e, em alguns casos, até mal educadas. Levante a mão quem nunca mandou uma
mensagem na correria e depois se arrependeu?
Temos
que usar a tecnologia a nosso favor. Como disse antes, o WhatsApp está aí para
situações pontuais. Mas, que me desculpem os fanáticos por inovação, ainda
somos seres sociais e nada surgiu para substituir o no olho ou o bom e velho
cafezinho.
Te
convido a deixar um dia o WhatsApp de lado, utilizar o telefone e abrir a janela
para capturar a sua percepção sobre os reais sentimentos e intenções do outro
lado.
Talvez
as pessoas vão te estranhar, mas garanto que não vão ironizar e dizer um “kkkk”
na sequência apenas para suavizar a própria fala.
Lembre-se
que a vida acontece ao vivo.
Carlos Titton - professor nos cursos de MBA e
Pós-Graduação da FAAP, Saint Paul e FIA/SP. Em sua trajetória profissional foi
executivo de empresas como Mercedes-Benz, DuPont, Rhodia, entre outras, e teve
atuação internacional em países como EUA, Canadá, Alemanha, Suíça, Áustria,
África do Sul e países da América Latina.
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