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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) afeta 1 em cada 8 mulheres e pode impactar a fertilidade

 

No mês de conscientização sobre a condição, especialistas chamam atenção para alterações na ovulação e para a importância de uma avaliação individualizada da saúde reprodutiva

 

Ciclos menstruais irregulares, alterações hormonais e dificuldade para engravidar estão entre as manifestações da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), condição que afeta uma em cada oito mulheres no mundo, segundo a Endocrine Society. Neste mês, dedicado à conscientização sobre a síndrome, especialistas chamam atenção para um de seus impactos mais importantes: a fertilidade.

Até maio deste ano, a condição era conhecida como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). A mudança de nome busca representar de forma mais precisa uma síndrome que vai além dos ovários e não está necessariamente relacionada à presença de cistos. A SOMP é uma condição hormonal e metabólica complexa que pode afetar diferentes aspectos da saúde feminina, incluindo peso, metabolismo, saúde mental, pele e sistema reprodutivo.

A dimensão do problema também chama atenção pelo número de mulheres que convivem com a condição sem saber. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 10% e 13% das mulheres em idade reprodutiva são afetadas e até 70% das mulheres com a síndrome no mundo podem não ter recebido o diagnóstico.


SOMP e a fertilidade

Quando o assunto é fertilidade, uma das principais consequências da SOMP está na ovulação. O desequilíbrio hormonal pode interferir no desenvolvimento e na liberação dos óvulos, fazendo com que algumas mulheres tenham ciclos muito longos, irregulares ou até ausência de menstruação. 

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a síndrome como a causa mais comum de anovulação e uma das principais causas de infertilidade. Isso não significa, porém, que mulheres com SOMP sejam estéreis. Muitas conseguem engravidar naturalmente, enquanto outras podem precisar de acompanhamento médico, indução da ovulação ou técnicas de reprodução assistida.

A SOMP também traz particularidades para mulheres que passam pela estimulação ovariana, seja para congelar óvulos ou parte de um tratamento de fertilização in vitro (FIV). Algumas pacientes com a síndrome podem apresentar uma resposta elevada à estimulação, com o desenvolvimento de um número maior de folículos e a coleta de uma quantidade significativa de óvulos. No entanto, as chances de uma gestação bem-sucedida não dependem apenas da quantidade de óvulos coletados, mas também da qualidade desses óvulos.


IA como aliada

Nesse cenário, novas tecnologias de inteligência artificial começam a ampliar as informações disponíveis para médicos e pacientes. A Future Fertility, empresa canadense especializada em IA aplicada à reprodução assistida, desenvolveu duas ferramentas que analisam imagens de óvulos e fornecem informações individualizadas sobre sua qualidade.

O VIOLET™ é voltado para pacientes que estão congelando óvulos, e a tecnologia fornece uma previsão personalizada da probabilidade de ter um bebê com bae no conjunto de óvulos a serem congelados, considerando a qualidade individual de cada óvulo. Já o MAGENTA™ é utilizado em ciclos de FIV e avalia individualmente os óvulos maduros, atribuindo uma pontuação de qualidade correlacionada ao potencial de formação de blastocistos de alta qualidade. Essas informações fornecem aos especialistas em fertilidade mais dados para orientar o planejamento do tratamento de FIV, a interpretação dos resultados reprodutivos e o aconselhamento das pacientes.

“Uma paciente pode ter muitos folículos, coletar um número elevado de óvulos e imaginar que isso, por si só, responde às suas dúvidas sobre fertilidade. Mas quantidade e qualidade são informações diferentes. Conseguir olhar para os óvulos de forma individualizada pode ajudar a tornar a conversa entre médico e paciente mais informada, acrescentando contexto sobre o que os resultados podem significar e quais próximos passos considerar, seja para quem está preservando a fertilidade, seja para quem já está passando por uma FIV",  explica Dr. Dan Nayot, diretor médico e cofundador da Future Fertility.

As tecnologias da Future Fertility foram desenvolvidas a partir da análise de centenas de milhares de imagens de óvulos associadas a seus respectivos desfechos. A proposta é complementar parâmetros tradicionalmente utilizados no planejamento reprodutivo com informações individualizadas sobre os próprios óvulos.

Para pacientes com SOMP, esse tipo de informação pode ser especialmente relevante em situações de alta resposta ovariana. Mais do que saber quantos óvulos foram obtidos, a possibilidade de conhecer melhor as características desses óvulos acrescentam uma nova camada de informação ao planejamento da fertilidade.

 

Future Fertility

 

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