No mês de
conscientização sobre a condição, especialistas chamam atenção para alterações
na ovulação e para a importância de uma avaliação individualizada da saúde
reprodutiva
Ciclos menstruais irregulares,
alterações hormonais e dificuldade para engravidar estão entre as manifestações
da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), condição que afeta uma em
cada oito mulheres no mundo, segundo a Endocrine Society. Neste
mês, dedicado à conscientização sobre a síndrome, especialistas chamam atenção
para um de seus impactos mais importantes: a fertilidade.
Até maio deste ano, a condição
era conhecida como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). A mudança de nome
busca representar de forma mais precisa uma síndrome que vai além dos ovários e
não está necessariamente relacionada à presença de cistos. A SOMP é uma
condição hormonal e metabólica complexa que pode afetar diferentes aspectos da
saúde feminina, incluindo peso, metabolismo, saúde mental, pele e sistema
reprodutivo.
A dimensão do problema também
chama atenção pelo número de mulheres que convivem com a condição sem saber. Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 10% e 13% das mulheres em idade
reprodutiva são afetadas e até 70% das mulheres com a síndrome no mundo podem
não ter recebido o diagnóstico.
SOMP e a fertilidade
Quando o assunto é fertilidade,
uma das principais consequências da SOMP está na ovulação. O desequilíbrio
hormonal pode interferir no desenvolvimento e na liberação dos óvulos, fazendo
com que algumas mulheres tenham ciclos muito longos, irregulares ou até
ausência de menstruação.
A própria Organização Mundial da
Saúde (OMS) aponta a síndrome como a causa mais comum de anovulação e uma das
principais causas de infertilidade. Isso não significa, porém, que mulheres com
SOMP sejam estéreis. Muitas conseguem engravidar naturalmente, enquanto outras
podem precisar de acompanhamento médico, indução da ovulação ou técnicas de
reprodução assistida.
A SOMP também traz
particularidades para mulheres que passam pela estimulação ovariana, seja para
congelar óvulos ou parte de um tratamento de fertilização in vitro (FIV).
Algumas pacientes com a síndrome podem apresentar uma resposta elevada à
estimulação, com o desenvolvimento de um número maior de folículos e a coleta
de uma quantidade significativa de óvulos. No entanto, as chances de uma
gestação bem-sucedida não dependem apenas da quantidade de óvulos coletados,
mas também da qualidade desses óvulos.
IA como aliada
Nesse cenário, novas tecnologias
de inteligência artificial começam a ampliar as informações disponíveis para
médicos e pacientes. A Future Fertility, empresa canadense especializada em IA
aplicada à reprodução assistida, desenvolveu duas ferramentas que analisam
imagens de óvulos e fornecem informações individualizadas sobre sua qualidade.
O VIOLET™ é voltado para
pacientes que estão congelando óvulos, e a tecnologia fornece uma previsão
personalizada da probabilidade de ter um bebê com bae no conjunto de óvulos a
serem congelados, considerando a qualidade individual de cada óvulo. Já o
MAGENTA™ é utilizado em ciclos de FIV e avalia individualmente os óvulos
maduros, atribuindo uma pontuação de qualidade correlacionada ao potencial de
formação de blastocistos de alta qualidade. Essas informações fornecem aos
especialistas em fertilidade mais dados para orientar o planejamento do
tratamento de FIV, a interpretação dos resultados reprodutivos e o
aconselhamento das pacientes.
“Uma paciente pode ter muitos
folículos, coletar um número elevado de óvulos e imaginar que isso, por si só,
responde às suas dúvidas sobre fertilidade. Mas quantidade e qualidade são
informações diferentes. Conseguir olhar para os óvulos de forma individualizada
pode ajudar a tornar a conversa entre médico e paciente mais informada, acrescentando
contexto sobre o que os resultados podem significar e quais próximos passos
considerar, seja para quem está preservando a fertilidade, seja para quem já
está passando por uma FIV", explica Dr. Dan Nayot, diretor médico e
cofundador da Future Fertility.
As tecnologias da Future
Fertility foram desenvolvidas a partir da análise de centenas de milhares de
imagens de óvulos associadas a seus respectivos desfechos. A proposta é
complementar parâmetros tradicionalmente utilizados no planejamento reprodutivo
com informações individualizadas sobre os próprios óvulos.
Para pacientes com SOMP, esse
tipo de informação pode ser especialmente relevante em situações de alta
resposta ovariana. Mais do que saber quantos óvulos foram obtidos, a
possibilidade de conhecer melhor as características desses óvulos acrescentam
uma nova camada de informação ao planejamento da fertilidade.
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