Em cenário de desconfiança na política, especialista aponta que coerência, presença e reputação construída antes do período eleitoral podem ser decisivas para candidatos em 2026
Os
brasileiros voltam às urnas em 4 de outubro para o primeiro turno das eleições
de 2026, que definirão presidente, governadores, senadores e deputados. Caso
seja necessário segundo turno para presidente e governador, a votação será
realizada em 25 de outubro. A pouco mais de um mês do primeiro turno, a disputa
presidencial já começa a ganhar contornos mais definidos. Levantamento
BTG/Nexus divulgado em 17 de agosto mostra Lula com 41% das intenções de voto
no primeiro turno, contra 36% de Flávio. Em um eventual segundo turno entre os
dois, os números apontam 47% para Lula e 44% para Flávio.
É nesse cenário de disputa acirrada e busca pela atenção do eleitor que a
construção de confiança ganha relevância, segundo a consultora em
posicionamento profissional Clara Laface. Para ela, um dos principais erros de
candidatos é deixar a construção de sua imagem para os meses que antecedem a
votação.
“A confiança não se constrói em três meses. Ela exige presença constante,
prestação de contas, escuta real e disposição para conversar mesmo quando não
há nenhum voto em jogo”, afirma.
Em um ambiente marcado pela desconfiança em relação à política e às
instituições, Clara defende que discurso, trajetória e comportamento precisam
estar alinhados. “O primeiro passo é fazer com que ideias, trajetória e
atitudes contem a mesma história. Em outras palavras: é preciso ter coerência”,
explica.
A especialista também alerta para o risco de candidatos adotarem personagens
para tentar conquistar determinados públicos, especialmente os mais jovens.
Para ela, uma comunicação artificial pode comprometer a credibilidade. “Ninguém
confia em quem está claramente interpretando um personagem”, pontua.
Outro fator apontado é a relação construída com eleitores e lideranças.
Alianças e aparições que surgem apenas durante o período eleitoral podem ser
percebidas como oportunismo. Por isso, a construção de reputação deve ocorrer
de forma contínua, inclusive fora dos períodos de campanha.
“Construir uma marca forte exige coragem para desagradar. Tentar agradar todo
mundo só dilui a própria identidade”, afirma Clara. Para a consultora, no fim,
a confiança depende da percepção de que existe coerência entre o que o
candidato fala, faz e defende.

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