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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Alzheimer pode começar a mudar o cérebro por volta dos 50 anos: os sinais e os exames que ajudam a antecipar o diagnóstico

 

Os sinais podem aparecer décadas antes da perda de memória. Exames de imagem, sangue ou líquor são estratégias para a investigação precoce
 

As primeiras alterações cerebrais associadas ao Alzheimer podem começar ao final dos 50 anos de idade, cerca de duas décadas antes do diagnóstico de demência, segundo estudo publicado em abril de 2026 pela Mayo Clinic, um dos maiores centros de pesquisa médica dos Estados Unidos, na revista científica Alzheimer's & Dementia: The Journal of the Alzheimer's Association. A descoberta dá contexto ao tema da Campanha Mundial do Alzheimer de 2026, definido pela Alzheimer’s Disease International como “Quanto antes você sabe, mais você pode fazer: um diagnóstico de demência importa”, segundo o qual o diagnóstico precoce amplia as opções de tratamento e cuidado disponíveis para o paciente e a família. 

O levantamento acompanhou 2.082 participantes do Estudo da Mayo Clinic sobre envelhecimento, cruzando biomarcadores de sangue, exames de imagem cerebral e testes de desempenho cognitivo ao longo do tempo. Nesse grupo, o desempenho cognitivo já mostra queda mensurável antes dos 60 anos. O acúmulo da proteína beta-amiloide, que forma as placas encontradas no cérebro de quem tem Alzheimer, acelera ao longo da década seguinte. Os marcadores da proteína tau, responsável pelos emaranhados que danificam os neurônios, alcançam junto com a atrofia cerebral e a perda de neurônios em regiões ligadas à memória os níveis mais pronunciados entre o fim dos 60 e os 70 anos, justamente o período em que os primeiros sintomas costumam aparecer. 

“Um esquecimento pontual, como não lembrar onde deixou as chaves, faz parte do envelhecimento normal. O que preocupa é quando o esquecimento passa a atrapalhar tarefas que a pessoa sempre soube fazer sozinha, como pagar contas, seguir uma receita ou se orientar em um trajeto conhecido”, diz Lívia Avallone, patologista clínica dos laboratórios Delboni e Lavoisier, marcas da Dasa em São Paulo, líder em medicina diagnóstica no Brasil.
 

Os sinais que costumam aparecer primeiro 

O Ministério da Saúde estima que 1,2 milhão de brasileiros vivem hoje com alguma forma de demência, com 100 mil novos casos diagnosticados por ano. Conheça dez sinais de alerta que ajudam familiares e profissionais de saúde a diferenciar o esquecimento comum de um quadro neurodegenerativo. 

1. Esquecimentos que atrapalham tarefas do dia a dia, não um lapso ocasional

2. Dificuldade para planejar ou concluir etapas de uma tarefa antes simples, como preparar uma refeição

3. Confusão com datas, estações do ano ou tempo decorrido

4. Desorientação em lugares conhecidos, incluindo o próprio bairro

5. Dificuldade para encontrar palavras ou acompanhar uma conversa

6. Trocar objetos de lugar sem conseguir refazer os passos para encontrá-los

7. Piora do julgamento em decisões financeiras ou de cuidado pessoal

8. Afastamento de atividades sociais, profissionais ou de lazer

9. Mudanças de humor e de personalidade

10. Perda de iniciativa para atividades que antes despertavam interesse 

O critério clínico é a combinação de sintomas persistentes, que evoluem ao longo de meses e comprometem a autonomia da pessoa. Para essa avaliação, é importante consultar um médico. 

A investigação começa pela avaliação clínica, não pelo exame. Um geriatra ou neurologista entrevista o paciente e um familiar próximo, aplica testes cognitivos padronizados e busca causas reversíveis de declínio cognitivo antes de considerar hipóteses neurodegenerativas. 

“Antes de pensar em Alzheimer, o médico precisa descartar outras causas que também afetam a memória e o raciocínio, como hipotireoidismo, deficiência de vitamina B12, depressão ou efeito de medicamentos. Os exames de sangue entram na etapa de exclusão, antes de qualquer exame de imagem”, diz Avallone.
 

Quais exames ajudam a detectar a doença 

Quando a suspeita de Alzheimer se mantém após a avaliação inicial, a ressonância magnética do crânio costuma ser o primeiro exame de imagem, usada para verificar o padrão de atrofia cerebral e descartar tumores, AVCs ou outras lesões que expliquem os sintomas. 

O PET-CT, exame que usa marcadores para visualizar as placas de proteína beta-amiloide ou o metabolismo cerebral, fica reservado para casos em que o diagnóstico segue incerto, pacientes mais jovens ou quadros atípicos, porque tem custo mais alto e menor disponibilidade fora dos grandes centros. 

Também temos o exame de sangue que mede a proteína p-tau217, ligada às placas amiloides e aos emaranhados de tau característicos do Alzheimer. Em maio de 2025, a agência regulatória norte-americana FDA autorizou o primeiro teste do tipo, o Lumipulse G pTau217/β-Amyloid 1-42 Plasma Ratio. Em um estudo com quase 500 pessoas com comprometimento cognitivo leve, o resultado positivo coincidiu com PET amiloide ou líquor alterado em 91,7% dos casos, e o resultado negativo coincidiu com exames normais em 97,3% dos casos. Aprovado para adultos a partir de 55 anos com sintomas cognitivos, o teste chegou na rede privada de saúde, mas não substitui a avaliação clínica nem é indicado para quem não apresenta sintomas. 

"O diagnóstico abre acesso a medicamentos que atuam nas fases iniciais da doença, à participação em pesquisas clínicas e ao tempo necessário para organizar decisões financeiras e de cuidado enquanto o paciente ainda consegue participar delas”, diz Lívia que também completa: “Hoje, sabemos que a redução do risco de demência também está associada ao controle de pressão arterial, diabetes e colesterol, à prática de ao menos 150 minutos de atividade física por semana, ao sono regular e à manutenção de vínculos sociais e de atividades que estimulem a cognição”.
 



Referências bibliográficas:

• Hu, M. et al. “Breakpoints in Alzheimer’s disease biomarkers and cognition across the aging spectrum: The Mayo Clinic Study of Aging.” Link

• Jack Jr., C.R. et al. “Revised criteria for diagnosis and staging of Alzheimer’s disease.” Link

• FDA. “FDA Clears First Blood Test Used in Diagnosing Alzheimer’s Disease.” Maio de 2025. Link

• Alzheimer’s Disease International. “World Alzheimer’s Month 2026.” Link



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