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O Brasil voltou a registrar novos casos de sarampo em 2026, mesmo após ter recebido, em novembro de 2024, a recertificação da eliminação da circulação endêmica da doença. Entre as complicações mais recorrentes do problema está a otite média aguda, uma infecção no ouvido que pode provocar perda auditiva e, em situações mais graves, deixar sequelas permanentes.
Segundo a Dra. Naiara Amorim, otorrinolaringologista do HOPE, o
sarampo favorece o desenvolvimento da otite porque provoca uma intensa
inflamação nas vias respiratórias e reduz momentaneamente a imunidade. “O
sarampo é uma infecção viral que compromete temporariamente as defesas do
organismo e causa uma inflamação intensa nas vias aéreas, tornando o ouvido um
ambiente favorável para uma infecção bacteriana secundária”, explica.
A inflamação provoca um inchaço na mucosa do nariz e da garganta e
pode obstruir a tuba auditiva, canal responsável por ventilar e drenar o ouvido
médio. Com essa passagem comprometida, líquidos e secreções podem se concentrar
na região. Ao mesmo tempo, a redução temporária da imunidade facilita a
multiplicação de bactérias que já vivem nas vias respiratórias. “Com a presença
de secreção e as defesas do organismo reduzidas, as bactérias podem se
proliferar rapidamente, gerando a infecção e o pus característicos da otite”, comenta
a especialista.
Os principais sintomas da otite média aguda são dor intensa no
ouvido, febre, mal estar e sensação de ouvido tampado. Em bebês e crianças
pequenas, que nem sempre conseguem explicar o que estão sentindo, os
responsáveis precisam observar mudanças de comportamento. Irritabilidade fora
do habitual, choro persistente, dificuldade para dormir, despertares
frequentes, recusa alimentar e o hábito de puxar ou esfregar a orelha podem ser
sinais de dor.
“A criança pode demonstrar o desconforto principalmente pelo
comportamento. O choro costuma piorar quando ela é colocada deitada e a recusa
alimentar também pode acontecer porque sugar e engolir alteram a pressão dentro
do ouvido e aumentam a dor”, discorre a Dra. Naiara. A presença de secreção ou
sangue saindo pelo canal auditivo também exige avaliação médica, pois pode
indicar uma ruptura do tímpano provocada pela pressão do líquido acumulado.
A infecção pode afetar a audição de forma temporária ou
permanente. O líquido acumulado no ouvido médio pode dificultar a passagem do
som e provocar uma perda auditiva condutiva, que tende a melhorar conforme o
quadro é resolvido. Em situações mais graves, porém, podem ocorrer danos
estruturais ou lesões na orelha interna, levando a uma perda auditiva
neurossensorial.
“O diagnóstico precoce e o tratamento correto são fundamentais
para conter o avanço da infecção e proteger a audição. Quando existe demora na
busca por atendimento ou o quadro não é tratado adequadamente, podem surgir
complicações como infecção crônica, perfuração do tímpano e mastoidite”, diz a
médica. Em casos extremos, a infecção pode se espalhar para o sistema nervoso e
provocar meningite.
Depois de um quadro de sarampo, os cuidados também devem
continuar. Mesmo com o desaparecimento da febre, das manchas e dos sintomas
respiratórios, é importante observar se permanecem dor de ouvido, sensação de
ouvido tampado, zumbido ou secreção. Mudanças na resposta da criança aos sons
também merecem atenção.
“Os responsáveis devem perceber se a criança passou a pedir para
repetir frases, não atende prontamente quando é chamada ou aumentou o volume da
televisão e de outros aparelhos. Quando existem sintomas persistentes após uma
infecção, uma avaliação com pediatra e otorrinolaringologista pode ser
importante para verificar a integridade do tímpano e das funções auditivas”,
comenta a médica otorrinolaringologista.
O sarampo não é a única doença infecciosa que pode afetar o
ouvido. Meningite, caxumba, rubéola, gripe e até resfriados comuns também podem
favorecer quadros de otite ou, em determinadas situações, provocar danos ao
sistema auditivo.
A redução dessas complicações começa pela prevenção das próprias
doenças infecciosas. A vacinação tem papel fundamental nesse processo. A tríplice
viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola, enquanto as vacinas
pneumocócica e meningocócica ajudam a prevenir infecções bacterianas que podem
estar relacionadas a quadros graves e também a otites. A imunização contra a
influenza também contribui para reduzir infecções respiratórias que podem
favorecer complicações no ouvido.
“Ao evitar as doenças infecciosas, também reduzimos o risco de
suas complicações. Manter a vacinação em dia e procurar avaliação médica diante
de sinais de alteração no ouvido são medidas importantes para preservar a saúde
auditiva, principalmente entre as crianças”, finaliza Dra. Naiara Amorim,
otorrinolaringologista do HOPE.

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