Estudo publicado em 2026 mostra que a reserva ovariana pode variar entre meninas com a condição e reforça a importância de um acompanhamento individualizado desde cedo
Receber o diagnóstico de Síndrome de Turner pode trazer muitas dúvidas para as
famílias. A condição, relacionada ao cromossomo X, tem incidência estimada
entre 1 caso a cada 1.000 e 2.500 meninas nascidas vivas, segundo a Sociedade
Brasileira de Reprodução Humana (SBRH).. Além das questões relacionadas ao
crescimento e à puberdade, uma preocupação que pode surgir é a fertilidade.
Afinal, a condição significa que a menina não poderá ser mãe no futuro?Não
necessariamente.
A Síndrome de Turner pode afetar a função dos ovários, mas o impacto varia de
uma paciente para outra. Por isso, especialistas destacam a importância de
avaliar cada caso e discutir as possibilidades reprodutivas no momento
adequado.Um estudo publicado em 2026 no Journal of Ovarian Research
reforça essa diferença entre as pacientes. Pesquisadores avaliaram meninas e
jovens com diferentes alterações cromossômicas associadas à Síndrome e
observaram que aquelas com mosaicismo 45,X/46,XX apresentaram níveis mais
elevados do hormônio antimülleriano (AMH), um dos indicadores utilizados na
avaliação da reserva ovariana, em comparação com participantes com cariótipo
45,X.
O trabalho também identificou diferenças na presença de folículos ovarianos
entre os grupos. Um dado chamou atenção: folículos foram identificados em 91,7%
das participantes, mas a quantidade estimada caiu com o avanço da idade.“O tipo
de alteração cromossômica, identificado pelo cariótipo, ajuda a entender como a
Síndrome de Turner pode afetar a função ovariana, mas essa informação não deve
ser analisada isoladamente. Outros indicadores da atividade dos ovários e o
acompanhamento ao longo do desenvolvimento também são importantes”, explica a
Fernanda Soardi, consultora em genética e genômica do Lustosa, marca da Dasa em
Minas Gerais.
O que isso significa para os pais e responsáveis?
Para as famílias, um ponto importante é entender que a Síndrome de Turner não
significa automaticamente infertilidade. A condição pode se manifestar de
diferentes formas, inclusive em relação à atividade dos ovários.Exames e
avaliações médicas podem ajudar a identificar a atividade ovariana e, em casos
selecionados, orientar a discussão sobre estratégias para preservar a
fertilidade.Toda mulher passa por uma redução da reserva ovariana, mas as
meninas com Turner podem passar por este processo de forma mais acelerada.
Quando os exames mostram que ainda existe atividade dos ovários, esse é um dado
que merece ser acompanhado, porque pode ajudar a definir o melhor momento para
discutir estratégias de preservação da fertilidade. Não significa que todas as
meninas pacientes precisarão passar por algum procedimento. Essa decisão
depende de fatores como idade, cariótipo, características clínicas e resultados
dos exames”, afirma Gustavo Guida, geneticista da Dasa Genômica e do
laboratório Sérgio Franco, no Rio de Janeiro.
Adolescência pode ser um momento importante para o diagnóstico
Embora a Síndrome de Turner possa ser investigada ainda durante a gestação,
algumas meninas chegam à infância ou à adolescência sem diagnóstico quando os
sinais são mais discretos ou não foram associados inicialmente à
condição.“Durante a gestação. uma das opções é o NIPT ampliado, teste pré-natal
não invasivo realizado a partir de uma amostra de sangue materno, que pode
rastrear alterações dos cromossomos sexuais, incluindo aquelas associadas à
condição.
Na adolescência, questões relacionadas ao crescimento e ao desenvolvimento
puberal podem chamar mais atenção dos pais e dos médicos. Baixa estatura ou
crescimento abaixo do esperado, atraso ou ausência da puberdade e ausência da
primeira menstruação estão entre os sinais que podem levar à investigação”,
explica Fernanda Soardi.Determinadas alterações cardíacas ou renais também
podem contribuir para a investigação.
A confirmação pode envolver o cariótipo, exame que permite avaliar o número e a
estrutura dos cromossomos.“Para os pais, começar esse acompanhamento cedo não
significa que todas as complicações irão acontecer nem que decisões precisam
ser tomadas imediatamente. O objetivo é observar o desenvolvimento da filha e
identificar, no momento adequado, quais cuidados ou avaliações podem ser
necessários”, reforça Guida.
Síndrome de Turner em resumo
- É uma alteração genética relacionada ao cromossomo X.
- Pode afetar crescimento e desenvolvimento puberal.
- A função ovariana pode variar entre as pacientes.
- O diagnóstico não significa necessariamente infertilidade.
- A avaliação da função ovariana deve ser individualizada.
- Em casos selecionados, pode ser possível discutir estratégias de
preservação da fertilidade.
- O acompanhamento médico deve começar o mais cedo possível e seguir
ao longo da vida.
Referências
- Du J, et al. Karyotype-based evaluation of ovarian reserve
before ovarian tissue cryopreservation in Turner syndrome patients. Journal
of Ovarian Research. 2026.
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas
da Síndrome de Turner. Atualizado em 2025.
- Bedei I, et al. Non-Invasive Prenatal Testing by Cell-Free DNA
(cfNIPT) for Detecting Turner Syndrome With Mosaicism and Structural
Variants – Prenatal Findings and Postnatal Outcomes. American
Journal of Medical Genetics Part C. 2025.
- https://sbrh.org.br/comite/ginecologia/sindrome-de-turner-diagnostico-e-avaliacao-complementar/
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