Brasil
registra, em média, 45 mil novos casos que levam à necessidade de diálise por
ano; diabetes, hipertensão e envelhecimento estão entre os principais fatores
associados ao avanço da doença renal
O número de pessoas em tratamento de diálise no Brasil cresceu
significativamente ao longo dos últimos dez anos. Segundo levantamento da
Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o número de pacientes saltou de
122.825 para 173.408 no período, um aumento de 41%, sem um único ano de queda
na série histórica.Anualmente, o Brasil registra, em média, 45.400 novos
pacientes que precisam iniciar o tratamento dialítico. A doença renal crônica é
uma condição que, muitas vezes, evolui de forma silenciosa, sem apresentar
sintomas nas fases iniciais. O aumento da incidência de casos está relacionado
principalmente à diabetes e à hipertensão sem controle adequado, além do
envelhecimento da população, da maior sobrevida e da ampliação do acesso ao
diagnóstico.
“Os sinais costumam aparecer quando a doença já pode
estar em um estágio mais avançado. O paciente pode apresentar cansaço
excessivo, inchaço nas pernas, alterações na quantidade ou frequência da urina,
urina espumosa ou com sangue, náuseas e perda de apetite. Em quadros mais
avançados, também podem surgir pressão arterial de difícil controle, fraqueza
intensa e alterações do estado mental. Quando os rins já não conseguem
desempenhar adequadamente suas funções e não é mais possível controlar as
complicações apenas com medicamentos e outras medidas, pode ser necessário
iniciar a diálise”, explica José Neto Moura, médico nefrologista e presidente
da Sociedade Brasileira de Nefrologia.
DIA NACIONAL DA DIÁLISE
O Dia Nacional da Diálise, instituído pela Lei nº
14.650/2023 e celebrado anualmente na última quinta-feira de agosto, neste ano,
em 27 de agosto, busca conscientizar a população sobre as doenças renais, seus
fatores de risco e a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Diante
do crescimento dos casos, a SBN reforça a adoção de hábitos que ajudam a
preservar a saúde dos rins:
- Manter a pressão arterial e a glicemia sob controle, principais
fatores de risco para a doença renal crônica;
- Manter uma hidratação adequada, evitando tanto a desidratação
quanto o consumo excessivo de água;
- Reduzir o consumo de sal e alimentos ultraprocessados, que podem
favorecer a hipertensão;
- Evitar o uso de medicamentos sem orientação médica, especialmente
anti-inflamatórios, que podem prejudicar a função renal quando utilizados
de forma inadequada ou prolongada;
- Não fumar e moderar o consumo de álcool;
- Praticar atividade física regularmente, contribuindo para o
controle do peso, da pressão arterial e da glicemia;
- Realizar exames de rotina, como creatinina sérica e exame de urina,
que podem identificar alterações renais ainda nos estágios iniciais.
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