Especialista reforça que abandonar o tabagismo continua sendo a medida mais eficaz para prevenir a doença e alerta que os cigarros eletrônicos também oferecem riscos importantes à saúde
No dia 29 de agosto, o Brasil celebra o Dia
Nacional de Combate ao Fumo, data criada para conscientizar a
população sobre os danos provocados pelo tabaco e incentivar a cessação do
tabagismo. Embora o número de fumantes tenha diminuído nas últimas décadas,
especialistas alertam para um novo desafio: o crescimento do uso de cigarros
eletrônicos, especialmente entre jovens, alimentando uma falsa percepção de que
esses dispositivos seriam alternativas mais seguras ao cigarro convencional.
O impacto do tabagismo continua expressivo. Segundo
a Estimativa 2026: Incidência de Câncer no Brasil, do Instituto Nacional de
Câncer (INCA), o câncer de pulmão permanece entre os tumores mais frequentes e
letais do país. A estimativa é de 33.310 novos casos por ano no triênio
2026-2028, sendo 18.020 em homens e 15.290 em mulheres. Além disso, a doença
segue como a principal causa de morte por câncer no mundo.
Mais de 80% dos casos de
câncer de pulmão estão relacionados ao consumo de produtos
derivados do tabaco. Além do cigarro convencional, charutos, cachimbos,
narguilé e, mais recentemente, os cigarros eletrônicos (vapes), também expõem o
organismo a substâncias tóxicas capazes de provocar inflamação pulmonar,
dependência química e aumentar o risco de diversas doenças.
A falsa sensação de segurança e o apelo visual
desses dispositivos escondem riscos reais. A exposição precoce à nicotina não
só aumenta a dependência como pode causar danos irreversíveis ao sistema
respiratório. "O cigarro eletrônico não é uma alternativa segura. Apesar
de muitas pessoas acreditarem que ele oferece menos riscos, esses dispositivos
contêm nicotina em altas concentrações e diversas substâncias químicas
potencialmente tóxicas. Além da dependência, podem causar danos ao sistema
respiratório e cardiovascular e aumentar o risco de desenvolvimento de doenças
pulmonares inclusive em jovens", explica a oncologista clínica do IOP -
Instituto de Oncologia do Paraná, Dra. Thais Abreu de Almeida.
Estudos nacionais mostram que o uso de cigarros
eletrônicos cresce principalmente entre adolescentes e adultos jovens. Uma
revisão científica publicada pelo próprio INCA identificou aumento da
utilização desses dispositivos nessas faixas etárias, além de evidências de
prejuízos respiratórios, cardiovasculares e bucais associados ao seu consumo.
Embora o Brasil seja reconhecido internacionalmente
por suas políticas de controle do tabaco e tenha reduzido significativamente a
prevalência de fumantes nas últimas décadas, a Organização Mundial da Saúde
(OMS) estima que mais de 1,2 bilhão de pessoas ainda utilizam produtos
derivados do tabaco em todo o mundo. O tabagismo continua sendo responsável por
mais de 8 milhões de mortes anuais, incluindo cerca de 1,2 milhão entre pessoas
expostas ao fumo passivo.
Além das consequências para a saúde, o tabagismo
representa um enorme impacto econômico. Estudo divulgado pelo INCA em 2025
aponta que o Brasil gasta R$ 153,5 bilhões por ano com doenças relacionadas ao
tabaco e perdas de produtividade. No mesmo levantamento, estima-se que 145 mil
mortes anuais poderiam ser evitadas se não houvesse consumo de produtos
derivados do tabaco.
Segundo a Dra. Thais, um dos maiores desafios ainda
é o diagnóstico tardio do câncer de pulmão. "Nas fases iniciais, o câncer
de pulmão pode não causar sintomas ou apresentar sinais inespecíficos, como
tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão ou perda de peso. Por
isso, quem fuma ou fumou por muitos anos deve manter acompanhamento médico e
não ignorar alterações persistentes. Quanto mais cedo identificamos a doença,
maiores são as possibilidades de tratamento e melhores os resultados",
destaca.
Embora o câncer de pulmão seja a doença mais
conhecida associada ao tabagismo, os danos provocados pelo cigarro vão muito
além. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o consumo de produtos
derivados do tabaco está relacionado ao desenvolvimento de pelo menos 16 tipos de
câncer, entre eles os de boca, língua, laringe, faringe,
esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo do útero, cólon e reto,
além da leucemia mieloide aguda. Isso ocorre porque a fumaça do tabaco contém
mais de 7 mil substâncias químicas, sendo cerca de 70
comprovadamente cancerígenas, que atingem diversos órgãos do
organismo, não apenas os pulmões.
"Muitas pessoas ainda associam o cigarro
apenas ao câncer de pulmão, mas o tabagismo é um importante fator de risco para
diversos outros tumores. As substâncias tóxicas presentes na fumaça circulam
por todo o organismo e podem provocar alterações celulares em diferentes
órgãos. Por isso, parar de fumar representa um benefício para a saúde como um
todo, reduzindo o risco de inúmeras doenças oncológicas e
cardiovasculares", explica a oncologista clínica do IOP, Dra. Thais
Abreu de Almeida.
A especialista lembra que abandonar o cigarro traz
benefícios em qualquer fase da vida. Poucas horas após parar de fumar, o
organismo já começa a apresentar melhorias na circulação e na oxigenação. Com o
passar dos anos, o risco de desenvolver câncer de pulmão, doenças
cardiovasculares e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) diminui
progressivamente. "O cigarro ainda é o principal fator de risco evitável
para o câncer de pulmão. A boa notícia é que nunca é tarde para parar de fumar.
O organismo responde positivamente à interrupção do tabagismo, independentemente
da idade, e isso representa um ganho importante em expectativa e qualidade de
vida", conclui a oncologista.
Além da conscientização sobre os riscos do cigarro tradicional, especialistas reforçam que a prevenção também passa pela informação sobre os cigarros eletrônicos. A ausência da fumaça produzida pela queima do tabaco não significa ausência de risco. Pelo contrário, os vapes mantêm a dependência da nicotina e expõem os usuários a substâncias potencialmente nocivas, motivo pelo qual seu comércio, importação e propaganda permanecem proibidos no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Med4U
https://iop.com.br
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