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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Colesterol alto de família: quando o risco para o coração vem da genética

Cirurgião cardiovascular alerta que alteração genética pode manter o LDL elevado e aumentar o risco de infarto precoce
 


Colesterol alto costuma ser associado à alimentação inadequada, sedentarismo e excesso de peso. Mas, em alguns casos, o problema tem origem genética e pode aparecer mesmo em pessoas jovens, magras e com hábitos aparentemente saudáveis. É o caso da hipercolesterolemia familiar, condição hereditária que provoca níveis elevados de LDL, conhecido como “colesterol ruim”, desde o nascimento.
 

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 40% da população brasileira tem colesterol elevado, uma alteração que não costuma causar sintomas e só pode ser identificada por exames de sangue. De acordo com o Dr. Élcio Pires Junior, cirurgião cardiovascular, a hipercolesterolemia familiar merece atenção porque expõe o organismo a níveis altos de colesterol por muitos anos, aumentando o risco de formação de placas nas artérias e de eventos cardiovasculares precoces. 

“A hipercolesterolemia familiar, nome atrelado a este tipo de problema, não é simplesmente consequência de comer gordura ou não fazer exercício. É uma condição genética em que o colesterol ruim permanece elevado desde cedo. Isso significa que as artérias podem ficar expostas ao LDL alto por décadas, aumentando o risco de infarto em idades mais jovens”, explica. 

A doença pode ser suspeitada quando há LDL muito elevado, histórico familiar de colesterol alto, infarto, AVC ou morte súbita em parentes jovens. Em alguns casos, também podem aparecer sinais físicos, como depósitos de gordura na pele, nos tendões ou ao redor dos olhos, embora muitos pacientes não apresentem qualquer manifestação visível. 

“Um ponto importante é investigar a família. Quando uma pessoa é diagnosticada com hipercolesterolemia familiar, pais, irmãos e filhos também devem ser avaliados, porque a chance de haver outros familiares afetados é relevante”, orienta Dr. Élcio.

Segundo a Atualização da Diretriz Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar, a condição é uma causa genética comum de doença coronariana prematura, especialmente infarto, em razão da exposição prolongada a altas concentrações de LDL. 

O tratamento pode envolver mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, atividade física, controle do peso e abandono do tabagismo. No entanto, em muitos casos, isso não é suficiente para controlar adequadamente o LDL, sendo necessário uso de medicamentos e acompanhamento regular. 

“Há pacientes que fazem dieta, praticam exercício e, ainda assim, mantêm colesterol muito alto. Isso não significa falha pessoal. Significa que pode existir um componente genético importante e que o tratamento precisa ser individualizado”, afirma. 

O especialista reforça que a prevenção deve começar antes do aparecimento dos sintomas. Como o colesterol alto é silencioso, esperar dor no peito, falta de ar ou mal-estar pode significar que a doença cardiovascular já está instalada. “Controlar o colesterol é uma forma de proteger o coração antes que o problema apareça. No caso da hipercolesterolemia familiar, o diagnóstico precoce pode mudar a história de uma família inteira, porque permite tratar o paciente e rastrear parentes que também podem estar em risco”, conclui Dr. Élcio.

 

Dr. Élcio - coordenador da cirurgia cardiovascular nos hospitais São Luiz Osasco, Central Oeste (Carapicuíba) e Central Sul (São Paulo), da Rede Dor, coordenador da Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular no Hospital Bom Clima de Guarulhos. Cirurgião Cardiovascular do Hospital Albert Sabin em São Paulo. Cirurgião Cardiovascular no Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas. É membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e membro internacional da The Society of Thoracic Surgeons dos EUA. Especialista em cirurgia cardiovascular pela SBCCV/AMB e atua em Estimulação Cardíaca Eletrônica Implantável pela SBCCV/AMB. Pode contribuir em pautas sobre problemas cardiovasculares, explicando como funcionam os tratamentos e procedimentos, além de formas de prevenção e sinais das doenças.
Dr. Elcio Pires Junior (@drelciopiresjr) • Fotos e vídeos do Instagram


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