Diferença entre despesas públicas e arrecadação de tributos foi atingida nesta segunda-feira (24), 20 dias antes do previsto. Marca ocorre poucos dias após lançamento da plataforma no Congresso e reforça avanço dos gastos públicos, que pressionam juros e afetam pequenas empresas
O Gasto Brasil, plataforma que
acompanha as despesas públicas da União, estados, Distrito Federal e
municípios, superou o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)
em R$ 1 trilhão nesta segunda-feira (24/08).
A diferença considera, de um
lado, as despesas públicas registradas pelo Gasto Brasil e, de outro, os
impostos, taxas e contribuições acompanhados pelo Impostômetro. A marca, porém,
não significa que o Governo tenha acumulado uma dívida ou um déficit de R$ 1
trilhão, já que os dois indicadores possuem metodologias e objetos diferentes.
O resultado fiscal oficial depende da comparação entre receitas e despesas em
bases equivalentes e de outros componentes das contas públicas.
O avanço das despesas públicas ocorre em ritmo acelerado. O Gasto Brasil
atingiu R$ 3 trilhões em 15 de julho, cerca de 20 dias antes do registrado em
relação à referência de 2025. Na ocasião, a plataforma apontava aceleração das
despesas públicas em relação ao ano anterior.
Em 11 de agosto, quando a
plataforma Gasto Brasil foi apresentada na Câmara dos
Deputados, em Brasília, o painel já apontava
mais de R$ 3,4 trilhões em despesas desde o início do ano. Desse total, quase
R$ 1,6 trilhão (46,5%) correspondia à União, enquanto os estados somavam R$
926,2 bilhões e os municípios, R$ 908,1 bilhões.
Para o economista da Associação
Comercial de São Paulo (ACSP), Ulisses Ruiz de Gamboa, o aumento dos gastos
públicos pode pressionar os juros por dois caminhos: o maior endividamento do
Governo e a pressão sobre os preços.
“Se está gastando mais do que arrecada, está se endividando com o mercado.
Então isso traz esse excesso de gasto, duas consequências; ambas vão na direção
do aumento da taxa de juros”, afirma.
Segundo o economista, o maior endividamento pode reduzir a disponibilidade de
crédito no mercado e aumentar a percepção de risco dos investidores. Ao mesmo
tempo, o aumento dos gastos pode estimular a demanda e pressionar a inflação,
dificultando a redução dos juros pelo Banco Central.
O cenário, segundo Ruiz de Gamboa, tende a afetar principalmente pequenas e
médias empresas, que têm mais dificuldade de acesso ao crédito.
“Isso desacelera a economia, prejudica todas as empresas, mas, mais fortemente,
as pequenas e médias, que têm mais dificuldade em acessar o crédito”,
diz.
Nota
técnica: a diferença de R$ 1 trilhão
entre os dois indicadores não corresponde, isoladamente, ao déficit fiscal
brasileiro. Gasto Brasil e Impostômetro têm objetos e metodologias diferentes;
o resultado fiscal oficial exige a comparação de receitas e despesas em bases
equivalentes e considera outros componentes das contas públicas.
Transparência
Criado em 2025 pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do
Brasil (CACB), em parceria com a ACSP, o Gasto Brasil reúne dados oficiais
sobre as despesas públicas. A plataforma foi apresentada no Congresso Nacional
em 11 de agosto e também está disponível na sede da ACSP, no Centro Histórico
de São Paulo, onde compartilha espaço com o Impostômetro, criado em 2005 para
acompanhar a arrecadação de tributos no país.
Gasto Brasil: www.gastobrasil.com.br.
Painel físico da ACSP: Rua Boa Vista, 51 – Centro Histórico, São Paulo (SP).
Bruna Santos
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/gasto-brasil-ultrapassa-impostometro-em-r-1-trilhao

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