Com o primeiro aumento na prevalência
de fumantes adultos no Brasil desde 2007 e o avanço dos cigarros eletrônicos
entre jovens, cresce a necessidade de rastreamento de danos e de
desmistificação dos vapes como alternativa "inofensiva"
Neste ano, o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29/8)
acende um alerta urgente no país. Após mais de uma década de queda contínua, a
prevalência de fumantes adultos no Brasil voltou a crescer, passando de 9,3%
(2023) para 11,6% (2024), segundo os dados mais recentes do Ministério da
Saúde. Para piorar, o consumo de cigarros eletrônicos avança rápido e já atinge
quase 30% dos adolescentes, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do
Escolar (PeNSE/IBGE).
"O problema atual não está apenas nos números crescentes, mas também em um equívoco perigoso: a ideia de que fumar causa ‘apenas’ tumores pulmonares. A exposição ao tabaco envolve inúmeras substâncias químicas que provocam danos celulares e alterações no DNA de forma sistêmica, contribuindo para o desenvolvimento de diferentes tumores", explica a Dra. Pamela Leite, oncologista do Hcor.
O tabagismo é fator de risco comprovado para cânceres de boca, faringe, laringe, esôfago, bexiga, pâncreas, fígado e colo do útero, entre outros. Estima-se que o uso de derivados do tabaco seja responsável por mais de 160 mil mortes anuais no país, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Para o grupo de risco, é recomendado o rastreamento da doença, com
a realização de consulta de exames periódicos. “Fazem parte as pessoas de 50 a
80 anos, fumantes atuais ou ex-fumantes que deixaram o hábito há menos de 15
anos e com carga tabágica de pelo menos 20 maços-ano. Além do perfil de risco,
sintomas como tosse ou rouquidão persistentes, sangue no escarro, falta de ar,
dor no peito, perda de peso sem causa aparente e cansaço devem ser avaliados
por um profissional de saúde”, completa.
O perigo do "uso duplo" e a ilusão do vape
A iniciação cada vez mais precoce à nicotina tem gerado forte apreensão nos especialistas. Muitos jovens e adultos enxergam o cigarro eletrônico (vape) como uma alternativa inofensiva ou uma ferramenta de transição.
"Isso não é verdade. Os dispositivos eletrônicos expõem o
organismo a altas doses de nicotina e a outras substâncias potencialmente tóxicas.
O que mais vemos hoje são usuários que não abandonam o cigarro convencional e
passam a utilizar os dois produtos, o chamado uso duplo. Trocar ou associar
produtos de nicotina não significa eliminar os riscos relacionados ao
tabagismo", alerta a oncologista do Hcor.
Benefícios da cessação: nunca é tarde para parar
Prevenir o câncer não significa apenas descobrir a doença cedo. Significa também evitar que ela aconteça. O Dia Nacional de Combate ao Fumo é o momento ideal para procurar o médico, discutir o rastreamento e tomar a decisão de parar.
"Para quem fuma, parar não é apenas uma escolha de estilo de vida,
é cuidado urgente. Parar de fumar reduz complicações relacionadas ao tratamento
do câncer, melhora a capacidade funcional do paciente, a tolerância às terapias
e diminui drasticamente o risco de desenvolvimento de tumores secundários. A
dependência de nicotina é uma condição médica e tem tratamento. Ninguém precisa
fazer isso sozinho", ressalta a Dra. Pamela.
Hcor
Nenhum comentário:
Postar um comentário