Especialista explica que estresse, privação de sono, alimentação inadequada e até a automedicação podem interferir no desejo sexual, mas reforça que existem formas de recuperar a qualidade de vida e o bem-estar
A queda da libido feminina ainda é cercada de tabus, mas
especialistas alertam que a diminuição do desejo sexual não deve ser encarada
como algo "normal" ou inevitável. Embora as alterações hormonais
tenham um papel importante, principalmente na menopausa e no climatério,
diversos hábitos do dia a dia também podem comprometer a saúde sexual das
mulheres. Uma revisão científica publicada em 2025 na revista Maturitas, periódico
oficial da Sociedade Europeia de Menopausa e Andropausa (EMAS), reforça essa
relação ao apontar que distúrbios do sono estão entre os fatores mais
associados à redução do desejo, da excitação e da satisfação sexual feminina.
Segundo o ginecologista e endocrinologista Dr. Igor Trotte, a
libido feminina é resultado da interação entre fatores biológicos, emocionais,
comportamentais e relacionais. Embora os hormônios exerçam um papel importante,
eles representam apenas uma parte da equação. "O desejo sexual reflete o
equilíbrio da saúde como um todo. Quando a mulher vive sobrecarregada, dorme
mal, convive com estresse constante, apresenta deficiências nutricionais ou
enfrenta alterações hormonais, é comum que a libido seja uma das primeiras
funções a sofrer impacto", explica o especialista.
Essa visão também é respaldada por uma revisão sistemática
publicada em 2025 no Journal of Sexual Medicine, periódico científico
internacional da International Society for Sexual Medicine (ISSM), publicado
pela Oxford University Press, que mostrou que fatores como ansiedade, sintomas
depressivos, qualidade do relacionamento e comunicação entre o casal
influenciam diretamente a forma como as mulheres vivenciam sua saúde sexual.
Os
cinco erros mais comuns que prejudicam a libido feminina:
1. Dormir pouco e viver cansada
A privação de sono altera a produção de hormônios importantes para
o organismo, aumenta os níveis de cortisol e reduz a disposição física e
emocional. Além disso, pesquisas recentes mostram que mulheres com distúrbios
do sono apresentam maior risco de redução do desejo sexual e menor satisfação
nas relações.
"O sono é um dos pilares da saúde hormonal. Sem um descanso
adequado, o organismo prioriza funções essenciais de sobrevivência e o desejo
sexual acaba ficando em segundo plano", afirma o médico.
2. Acreditar que a queda da libido é apenas uma questão de
idade
Embora o envelhecimento e a menopausa provoquem mudanças
hormonais, mulheres jovens também podem apresentar redução do desejo sexual.
"É um erro associar libido baixa apenas ao avanço da idade.
Muitas pacientes na faixa dos 30 ou 40 anos chegam ao consultório com
alterações hormonais, estresse intenso ou outros fatores que explicam essa
queda e podem ser tratados."
3. Ignorar os sinais do estresse crônico
Rotina intensa, excesso de responsabilidades e sobrecarga mental
impactam diretamente o funcionamento hormonal.
"O cortisol elevado interfere no equilíbrio hormonal e reduz
naturalmente o interesse sexual quando o estresse se torna constante. Além
disso, ansiedade e exaustão emocional diminuem a capacidade de relaxamento e
conexão com o próprio corpo."
4. Descuidar da alimentação e da atividade física
Deficiências de vitaminas, excesso de alimentos ultraprocessados e
o sedentarismo também podem comprometer a disposição e o desejo.
"Uma alimentação equilibrada, associada à prática regular de
exercícios, melhora a circulação, reduz processos inflamatórios e favorece o
funcionamento hormonal. São mudanças simples que refletem diretamente na saúde
sexual."
5. Conviver com o problema sem procurar ajuda
Muitas mulheres acreditam que a perda da libido faz parte da
rotina ou sentem vergonha de conversar sobre o assunto. "A libido é um
importante indicador de saúde. Quando há uma mudança persistente, vale a pena
investigar. Em muitos casos, o tratamento envolve ajustes no estilo de vida,
avaliação hormonal e acompanhamento individualizado, permitindo que a mulher
recupere não apenas o desejo sexual, mas também sua qualidade de vida."
Para Dr. Igor Trotte, falar sobre libido feminina de forma aberta
e baseada em evidências é fundamental para reduzir preconceitos e incentivar o
diagnóstico precoce de alterações hormonais e metabólicas. "A sexualidade
faz parte da saúde integral da mulher. Quando ela entende que não precisa
conviver com sintomas que afetam seu bem-estar, abre espaço para buscar
orientação e encontrar soluções personalizadas. Quanto mais cedo a causa é
identificada, maiores são as chances de um tratamento eficaz e individualizado",
conclui.
Fontes:
Sleep disorders and sexual function in women - PubMed
When is low sexual function problematic for women? A systematic review of factors associated with distress about low sexual function | The Journal of Sexual Medicine | Oxford Academic

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