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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Cinco hábitos que podem reduzir a libido feminina e muitas mulheres não percebem

Especialista explica que estresse, privação de sono, alimentação inadequada e até a automedicação podem interferir no desejo sexual, mas reforça que existem formas de recuperar a qualidade de vida e o bem-estar

 

A queda da libido feminina ainda é cercada de tabus, mas especialistas alertam que a diminuição do desejo sexual não deve ser encarada como algo "normal" ou inevitável. Embora as alterações hormonais tenham um papel importante, principalmente na menopausa e no climatério, diversos hábitos do dia a dia também podem comprometer a saúde sexual das mulheres. Uma revisão científica publicada em 2025 na revista Maturitas, periódico oficial da Sociedade Europeia de Menopausa e Andropausa (EMAS), reforça essa relação ao apontar que distúrbios do sono estão entre os fatores mais associados à redução do desejo, da excitação e da satisfação sexual feminina. 

Segundo o ginecologista e endocrinologista Dr. Igor Trotte, a libido feminina é resultado da interação entre fatores biológicos, emocionais, comportamentais e relacionais. Embora os hormônios exerçam um papel importante, eles representam apenas uma parte da equação. "O desejo sexual reflete o equilíbrio da saúde como um todo. Quando a mulher vive sobrecarregada, dorme mal, convive com estresse constante, apresenta deficiências nutricionais ou enfrenta alterações hormonais, é comum que a libido seja uma das primeiras funções a sofrer impacto", explica o especialista. 

Essa visão também é respaldada por uma revisão sistemática publicada em 2025 no Journal of Sexual Medicine, periódico científico internacional da International Society for Sexual Medicine (ISSM), publicado pela Oxford University Press, que mostrou que fatores como ansiedade, sintomas depressivos, qualidade do relacionamento e comunicação entre o casal influenciam diretamente a forma como as mulheres vivenciam sua saúde sexual.
 

Os cinco erros mais comuns que prejudicam a libido feminina:
 

1. Dormir pouco e viver cansada

A privação de sono altera a produção de hormônios importantes para o organismo, aumenta os níveis de cortisol e reduz a disposição física e emocional. Além disso, pesquisas recentes mostram que mulheres com distúrbios do sono apresentam maior risco de redução do desejo sexual e menor satisfação nas relações. 

"O sono é um dos pilares da saúde hormonal. Sem um descanso adequado, o organismo prioriza funções essenciais de sobrevivência e o desejo sexual acaba ficando em segundo plano", afirma o médico.
 

2. Acreditar que a queda da libido é apenas uma questão de idade 

Embora o envelhecimento e a menopausa provoquem mudanças hormonais, mulheres jovens também podem apresentar redução do desejo sexual. 

"É um erro associar libido baixa apenas ao avanço da idade. Muitas pacientes na faixa dos 30 ou 40 anos chegam ao consultório com alterações hormonais, estresse intenso ou outros fatores que explicam essa queda e podem ser tratados."
 

3. Ignorar os sinais do estresse crônico 

Rotina intensa, excesso de responsabilidades e sobrecarga mental impactam diretamente o funcionamento hormonal.

"O cortisol elevado interfere no equilíbrio hormonal e reduz naturalmente o interesse sexual quando o estresse se torna constante. Além disso, ansiedade e exaustão emocional diminuem a capacidade de relaxamento e conexão com o próprio corpo."
 

4. Descuidar da alimentação e da atividade física 

Deficiências de vitaminas, excesso de alimentos ultraprocessados e o sedentarismo também podem comprometer a disposição e o desejo. 

"Uma alimentação equilibrada, associada à prática regular de exercícios, melhora a circulação, reduz processos inflamatórios e favorece o funcionamento hormonal. São mudanças simples que refletem diretamente na saúde sexual."
 

5. Conviver com o problema sem procurar ajuda 

Muitas mulheres acreditam que a perda da libido faz parte da rotina ou sentem vergonha de conversar sobre o assunto. "A libido é um importante indicador de saúde. Quando há uma mudança persistente, vale a pena investigar. Em muitos casos, o tratamento envolve ajustes no estilo de vida, avaliação hormonal e acompanhamento individualizado, permitindo que a mulher recupere não apenas o desejo sexual, mas também sua qualidade de vida." 

Para Dr. Igor Trotte, falar sobre libido feminina de forma aberta e baseada em evidências é fundamental para reduzir preconceitos e incentivar o diagnóstico precoce de alterações hormonais e metabólicas. "A sexualidade faz parte da saúde integral da mulher. Quando ela entende que não precisa conviver com sintomas que afetam seu bem-estar, abre espaço para buscar orientação e encontrar soluções personalizadas. Quanto mais cedo a causa é identificada, maiores são as chances de um tratamento eficaz e individualizado", conclui.
 



Fontes:

Sleep disorders and sexual function in women - PubMed

When is low sexual function problematic for women? A systematic review of factors associated with distress about low sexual function | The Journal of Sexual Medicine | Oxford Academic


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